Sem título, porque não encontro um…

Eu não gosto mesmo nada de me repetir. Mas apesar de ter essa consciência, lá vou acabando por me repetir. É uma pena. Porque sempre me achei especial e, no final das contas acertadas, não o sou. O que é realmente uma pena.

Confesso que já andava a suspeitar há uns tempos. Uns tempos gordos. Mas acabava sempre por tentar não perceber o que se ia passando. É verdade. Foi assim que me apercebi que não era realmente especial. Todos aqueles que não são especiais descobrem essa triste verdade quando começam a tentar não perceber o que se passa. É assim a vida. E a minha é esta! A de um comum mortal!

Feita a introdução, vamos ao que interessa. Quer dizer… ao que me interessa.

E o que é que me interessa?

Muita coisa? Pouca coisa?

Hoje interessa-me pouca coisa!

Não quero saber do mundo. Das notícias. Disto ou daquilo.

Hoje, à noite, é a altura da alienação. Não quero saber de mais nada!

Estou a ouvir música e a pensar na vida. No que andamos aqui a fazer. Na morte. Na relatividade das coisas. Nas prioridades das pessoas.

E a pensar que esta vida é uma inutilidade mas que não pode ser esse o caminho. Que o caminho tem um ritmo e que necessário percorrê-lo.

Assim seja.

 

E agora?

Faz muito tempo que não escrevo nada. Há tanto tempo que até me tinha esquecido que ainda pago o alojamento do blogue. Mas tem sido assim. Sem vontade de escrever porque acabo sempre por não ter tempo para nada. Desde que comecei a dar aulas de História de Arte (oficialmente com um nome diferente) que fui perdendo a vontade de escrever. Ando cansado das letras, das palavras. Não quer dizer que tenha passado este tempo todo amorfo, bem pelo contrário, pois ainda tenho muitos momentos de energia total mas depois… acabo por não registar nada e assim se vai deixando o estaminé ao abandono…

Estou a ficar velho.

Começo a perceber que o tempo se vai esgotando e que a vida merece ser vivida com intensidade. Enfim, um chorrilho de lugares comuns… que não acrescenta nada, nem a mim nem a quem dá cá um salto… Mas não deixa de ser a minha realidade.

A ver vamos.

O segundo dos três efes…

Dizia-me a minha senhora ontem à noite: este fim de semana vamos estar mais perto do tempo da outra senhora. Da outra senhora? Perguntei eu. Sim, das apregoadelas  do antigamente. E quais eram as apregoadelas? Perguntei eu, que não estava a perceber onde ela queria chegar… Então, Fátima; Fado; Futebol. Sim, isso eu sei, respondi eu, mas onde é que isso encaixa neste momento específico? Só estou a ver Fátima… porque é demasiado evidente e nos está a entrar pelos olhos dentro… e já não tenho paciência para voltar ao assunto…

Então meu querido? Não estás a ver que este sábado também vais ter o Festival da Eurovisão? Não é bem fado mas é a “música” como factor de alienação. És um tontito… Já não te lembras de assistir ao Festival da canção naquelas televisões a preto e branco…? Pois tens razão, meu amor. Só que naquele tempo as canções tinham mais qualidade. Ainda me lembro de algumas… mas olha, desde que acabou o tempo da outra senhora até aos dias de hoje, não me lembro de nenhuma. Espera, lembro-me de uma que dizia que o balão subia… Mais nada!

Mas também tenho que ser sincero. A minha vida levou outros caminhos. Enveredou por outros sheiks e foram raras as vezes que perdi tempo com Festivais da Eurovisão… por isso não sei muito bem se, pelo meio, apareceu alguma canção jeitosa… se calhar apareceu… E este ano temos uma canção que anda nas bocas do mundo português e, pelos vistos, pelas estrangeiras também… Tive que ver a eliminatória pois estavam todos a ver lá em casa. Não me custou nada ver, pelo contrário, recuei até à minha meninice… Mas ouvi e vi aquilo com todo o meu empenhamento possível. E fiquei de boca aberta. Como foi possível?  Eu não me revejo minimamente naquilo… mas, vendo bem, também não tenho nada que me rever naquilo… Cada um gosta do que quer e a mais não é obrigado. Eu não gostei de nada. Quer dizer, se o Festival fosse transmitido pela RÁDIO eu poderia concordar com a maioria do povo português que afirma que a canção é muito bonita e o intérprete desempenha muito bem o seu papel, isto é, cantou bem. Mas infelizmente não vai ser transmitido pela RÁDIO e parece-me que vamos ter de ver o espectáculo. Apraz-me confessar que não sou um ser humano preconceituoso, que não faço juízos de valor só pelo aspecto ou pelas palermices que saem da nossa boca em momentos de maior tensão. Mas também sei que, para este tipo de concursos existe um determinado tipo de enquadramento, com expectativas e formas de funcionamento. Acho que o nosso portuguesinho quis quebrar com tudo isso, está no seu pleno direito mas eu tenho que confessar que não achei nada disso aconteceu. Aquilo que apercebi foi uma postura muito forçada e sem piada. Eu até gosto de freak show mas este nosso representante nem é uma coisa nem outra. Consegue parecer mal amanhado, como se diz na minha terra, e muito polido ao mesmo tempo. Nem consigo encontrar palavras para descrever um personagem que se propôs a representar o seu país num concurso muito específico… Mas parece que vai ganhar! Oxalá ganhe pois é esse o maior desejo do povo português! Para mim é indiferente!

 

Quando Portugal Ardeu, de Miguel Carvalho.

Quando tomei conhecimento da sua existência quis logo comprar o livro. Ainda esperei uns dias para conseguir o guito necessário mas lá o comprei. Levou-me para um período da minha adolescência, vivida na cidade do Porto, a acompanhar os acontecimentos intensos daquela época. Ao longo destes anos todos sempre me interroguei acerca do facto dos bombistas da direita nunca terem sido presos, ao contrário dos bombistas da esquerda. Este livro dá muitas pistas e explicações e só o posso recomendar a todos aqueles que se interessam por este período conturbado da história portuguesa.

 

Sinopse

Quem foram as primeiras vítimas mortais da democracia? Por que razão foram assassinados Padre Max, Rosinda Teixeira e Joaquim Ferreira Torres? Quem protegia e que segredos escondia a rede bombista de extrema-direita? Como enfrentou o cônsul dos EUA no Porto o PREC? O que relatam os diários do norueguês baleado no Verão Quente de 1975? Como é que a Igreja mobilizou e abençoou a luta contra o comunismo? O que sabia a PJ sobre o terrorismo político e tudo o que nunca chegou a julgamento? Com recurso a centenas de documentos, entrevistas e testemunhos inéditos, esta investigação jornalística traz à luz do dia histórias secretas ou esquecidas do pós-25 de Abril. Quando Portugal ardeu e esteve à beira da guerra civil.

O primeiro dos três efes…

Pois bem, anda o país em modo religioso. Nada que me deixe atordoado. Já vem de longe e, pelos vistos, tende a agravar… Benditos sejam aqueles que acreditam nas ditas “visões” como já alguém do meio lhes chamou… Desta vez a coisa tem-se manifestado com mais força porque vem cá o chefe e é preciso recebê-lo a rigor, pese embora o dito representante de Deus na terra não vá muito ao futebol com a história das “visões” e do negócio que anda à volta do assunto… Também há a novidade da tolerância de ponto para os funcionários do Estado Português, sim esse mesmo Estado que patrocina e paga uma parte das despesas que a vinda do chefe acarreta… só em polícias e fronteiras fechadas vai um dinheirão…

Para mim vai ser um fim de semana prolongado, a ver umas séries e a ler mais um pouco porque o tempo não vai estar para passeios ao ar livre… e tenho cá um pressentimento que aquelas velas todas se vão apagar coma chuva e o vento previsto…