Cá se fazem, cá se pagam!

É curioso.

Ouvir o PM a dizer autênticas barbaridades sobre os professores deixa-me nervoso. Com nervoso miudinho. Principalmente quando são barbaridades intencionais e, no caso, enganadoras.

Estou-me a referir às declarações do PM aquando do lançamento da obra do IP3, que afirmou que a referida obra foi uma opção do governo, em detrimento das actualizações das carreiras e vencimentos. Eu percebo que se façam opções mas acho lamentável que o PM se esqueça de referir que a opção de melhorar o IP3 está incluída, no que ao orçamento diz respeito, nas obras públicas que, por sua vez, são geridas pelo respectivo ministério e já lá estava a verba necessária para fazer a dita cuja da obra. Ora, o ministério da Educação tem o seu próprio orçamento e as verbas necessárias para actualizações e vencimentos não podem sair do ministério das obras públicas ou de outro qualquer…

Para além deste pequeno pormenor, o PM ao proferir palavras tão acirradas numa altura de conflito aberto com os professores, revelou falta de sensibilidade para lidar com o problema que tem entre mãos. Sim, tem um problema com os professores! e atirar gasolina para a fogueira… convenhamos… Tenho a certeza que ontem não houve um único professor deste país que não tenha ficado indignado com as afirmações ligeiras do principal responsável do governo português.

Estas afirmações são enganadoras e manipuladoras de uma opinião pública que já se encontra completamente intoxicada contra os professores e que me deixa com o tal nervoso miudinho. Os professores, à semelhança de outras classes profissionais que servem o estado português, são trabalhadores honestos, dedicados e merecedores do respeito devido a todas as profissões. Por muito que me esforce, continuo sem conseguir perceber toda esta raiva de que os professores são alvo. É altamente desmotivante!

Eu não me lembro do ano em que tive um aumento de remuneração, mas lembro-me que levei com uns cortes no ordenado e que me aplicaram umas taxas durante os anos da crise… Como também me lembro que congelaram as carreiras e as minhas perspectivas de vida andaram de cavalo para burro. Nada que preocupasse a sociedade portuguesa, muito pelo contrário, foram medidas amplamente aplaudidas… como se os professores fossem os culpados e os causadores do problema em que o país se encontrava. Como se os professores fossem os culpados do descalabro financeiro que os bancos portugueses criaram e que obrigaram a um desvio de verbas do estado para colmatar os buracos existentes. Essas verbas gigantescas que foram injectadas nos bancos deveriam ter sido destinadas a outros sectores da sociedade portuguesa. São os banqueiros e os reguladores do sector os verdadeiros responsáveis pelas dificuldades que o país atravessa e não os professores ou qualquer outra classe profissional que serve o estado português. Por acaso, mas só por acaso, alguém conhece algum banqueiro que tenha sido julgado e condenado pelas fraudes cometidas? Não, pois não? Tirando aquele velhinho, amigalhaço daquele personagem sinistro que se manteve na crista da onda durante trinta anos, não conheço mais nenhum e mesmo esse foi o único a levar com as culpas porque já estava com os pés para a cova e tanto fazia…

Não consigo perceber porquê…

Tu que buscas companhia… e eu que busco quem quiser…

Estamos no final do ano lectivo ou pelo menos seria suposto que o ano escolar estivesse a acabar para que se desse início à época de exames. Não é isso que está a suceder e pelo andar da carruagem não me parece que o assunto vá ficar por aqui. Este conflito entre professores e governo não vai terminar tão cedo e vai deixar o sistema num caos e os professores ainda mais cansados. Este caos e este cansaço irão reflectir-se no próximo ano lectivo. Disso não tenho dúvidas. Como também não tenho dúvidas que os alunos serão prejudicados nas suas vidas devido à não resolução da sua situação escolar e todos terão que esperar para fazerem as suas candidaturas ao ensino superior. Os professores já perderam tudo o que tinham a perder e com esta situação de greve às avaliações só irão perder mais dinheiro. Ok. O dinheiro é importante e não sabemos a vida de cada um  mas, ao longo de todos estes anos em que fomos perdendo imenso dinheiro, o que fez mais mossa foi a perda de dignidade que a profissão sofreu. Para a maioria dos portugueses, ser professor é sinónimo de privilégio. Os portugueses têm uma ideia errada de quanto se ganha e como se progride na carreira docente. Bastava que perdessem um pouco do seu precioso tempo para consultarem as informações existentes sobre o assunto para perceberem que são manipulados por quem tem interesse nisso.

Não é por acaso que existe um grau de violência física sobre os professores tão elevado.

Não é por acaso que um qualquer pai deste país se acha no direito de enfiar duas lambadas num professor só porque sim.

Não é por acaso que as Associações de Pais têm o poder que têm actualmente e são, quase sempre, motivo de desestabilização nas escolas.

Não é por acaso que o dito cujo… peso no orçamento, tantas vezes apregoado pelo governo e que incute nos portugueses a ideia de privilégio dos professores, não refere que, ao mesmo tempo que se actualizam os escalões de vencimento com as progressões, trinta por cento desse dinheiro fique logo retido na fonte por via do IRS, onze por cento vai para a Caixa geral de Aposentações e três e meio por cento vai para ADSE.

Não é por acaso que eu não entendo onde está o privilégio de, ao fim de vinte e oito anos de serviço, trazer para casa à volta de 1440 euros.

Não é por acaso!

Eu, como muitos outros, continuo a gostar de ser professor. Ainda acredito que posso acrescentar qualquer coisinha de positivo aos meus alunos. Mas a profissão está a mudar. Estamos cada vez mais inundados em papeis e em tarefas burocráticas e um simplex na educação seria muito benvindo… Não me parece que tal venha a suceder. Pelo contrário.

O partido socialista, chamando os bois pelo nome, foi o principal responsável por toda a campanha difamatória da dignidade dos professores quando, no tempo do ingiiinheiiro, lá foi parar a famigerada lurdinhas que conseguiu arrasar completamente com a profissão, sob o pretexto de terminar com os tais privilégios… Não podemos esquecer que, para além das barbaridades que cuspia constantemente, foi com ela que surgiu a figura do director. Os directores passaram a ser eleitos pela comunidade e não pelos seus pares, trazendo pela primeira vez a política para as escolas. Nunca tal tinha sucedido e assistiu-se em muitas escolas portuguesas à promoção daqueles que, pela afinidade política, mais garantias dessem aos poderes instituídos.

A meritocracia, termo tantas vezes atirado para o ar e utilizado para denegrir todos aqueles que trabalham para a República Portuguesa, deixou de ser o principal requisito para a nomeação daqueles que comandam os destinos de uma escola.

As escolas mudaram.

A profissão mudou.

Os alunos mudaram.

Tanto assunto para ser debatido e eu, como professor, não consigo ter um momento de reflexão sobre isto tudo. Porque estou cansado. Porque sei que o ano lectivo não vai terminar tão cedo e todos precisamos de sossego.

A volta.

Fui dar uma volta. Foi uma volta grande, por assim dizer. Uma volta que durou sensivelmente um ano. Foi um ano em que não tive disponibilidade mental para fazer uso deste espaço virtual que comecei em 2007. Sim, já lá vão uns anitos e gostaria de retomar as publicações, de uma forma regular. Durante este ano, em que fui dar uma volta, ainda publiquei umas baboseiras de vez em quando, umas músicas aqui e umas cenas acolá.

Depois seguiu-se um período em que fiquei com o blogue cheio de vírus. Sim, há pessoas que vivem no espaço virtual para tirarem proveito das maldades que fazem… grande novidade… mas maldade é mesmo o termo, apesar de vagamente infantil e pouco adequado para uma pessoa como eu, já entradote…

Enfim.

Lá consegui ter o blogue concertado, com mudança de prestador de serviço de alojamento, e agora cá estou eu de novo, para as curvas. Curvas, curvas é uma expressão que já me saiu cara, algumas vezes, muitas vezes mesmo, devido ao conteúdo das curvas… que não são toleradas em algumas redes sociais… por isso, e de momento, o que se apresenta é… arte.

Sem título, porque não encontro um…

Eu não gosto mesmo nada de me repetir. Mas apesar de ter essa consciência, lá vou acabando por me repetir. É uma pena. Porque sempre me achei especial e, no final das contas acertadas, não o sou. O que é realmente uma pena.

Confesso que já andava a suspeitar há uns tempos. Uns tempos gordos. Mas acabava sempre por tentar não perceber o que se ia passando. É verdade. Foi assim que me apercebi que não era realmente especial. Todos aqueles que não são especiais descobrem essa triste verdade quando começam a tentar não perceber o que se passa. É assim a vida. E a minha é esta! A de um comum mortal!

Feita a introdução, vamos ao que interessa. Quer dizer… ao que me interessa.

E o que é que me interessa?

Muita coisa? Pouca coisa?

Hoje interessa-me pouca coisa!

Não quero saber do mundo. Das notícias. Disto ou daquilo.

Hoje, à noite, é a altura da alienação. Não quero saber de mais nada!

Estou a ouvir música e a pensar na vida. No que andamos aqui a fazer. Na morte. Na relatividade das coisas. Nas prioridades das pessoas.

E a pensar que esta vida é uma inutilidade mas que não pode ser esse o caminho. Que o caminho tem um ritmo e que necessário percorrê-lo.

Assim seja.