Arquivo mensal: Abril 2007

Au Au

O meu sentido de humor está de cão!
Não tenho conseguido achar piada a nada, tirando as minhas filhas (mas já chega de falar nelas!) a vida está a ser terrivelmente chata. Faço tudo o que tenho a fazer mas, sinceramente, sem chama nenhuma.
Lamentar é sempre a maneira mais fácil, mas até na pose do desgraçadinho não me acho piadinha nenhuma.
Estou mesmo a precisar de um abanão (etílico?), quem sabe, qualquer coisa que me devolva à normalidade…

Um apresentação requintada, mas de realização simples, para uma entrada ou um prato único de jantar.

Folhado com dois queijos – para seis pessoas:

. 1 embalagem de massa folhada congelada de 250g;
. farinha para a mesa de trabalho;
. 200g de bacon;
. 2 pés de aipo;
. 30g de manteiga;
. 150g de queijo emmental em cubinhos;
. sal e pementa;
. 75g de queijo gorgonzola.

1. Com um rolo, estenda a massa folhada sobre a mesa enfarinhada, formando um grande rectângulo.
2. Corte o bacon em cubinhos e ferva-o durante dois minutos em água para lhe retirar o excesso de sal.
3. Limpe os pés de aipo e pique-os finamente.
4. Numa caçarola, aqueça a manteiga em lume médio; acrescente o aipo e deixe cozer cerca de dez minutos, mexendo com frequência. Tire do lume e deixe arrefecer.
5. Misture-lhe o bacon e o queijo emmental. Tempere com sal e pimenta.
6. Espalhe o recheio sobre o rectângulo de massa folhada, deixando livre os bordos que serão humedecidos com um pouco de água. Acrescente o gorgonzola em bocadinhos.
7. Dobre os lados mais curtos do rectângulo e depois cubra o recheio sobrepondo um sobre o outro os lados mais compridos. Coloque o folhado sobre a placa do forno untada, com a zona de sobreposição para cima.
8. Deixe cozer durante quinze minutos a 230ºC e depois reduza a temperatura para 170ºC e continue a cozedura por mais trinta minutos. O folhado deverá estar bem dourado. Sirva quente.

Conselho:
Dobre os bordos e feche-os com delicadeza para não estragar o folhado.

Pois era.

“Face jovial do processo de personalização, o fenómeno humorístico tal como se manifesta nos nossos dias é inseparável da era do consumo. Foi o boom das necessidades e a cultura hedonista que o acompanhou que tornaram possíveis tanto a expansão humorística como a desqualificação das formas cerimoniosas de comunicação.”

A Era do Vazio – Gilles Lipovetsky

Ainda o nosso Zé Ninguém.

“Nem sequer te apercebes de que a opressão das leis que regulam a tua vida matrimonial decorre naturalmente do teu espírito pornográfico e da tua irresponsabilidade sexual.
Sentes-te infeliz e medíocre, repulsivo, impotente, sem vida, vazio. Não tens mulher e, se a tens, vais com ela para a cama só para provar que és «homem». Nem sabes o que é o amor. Tens prisão de ventre e tomas laxantes. Cheiras mal e a tua pele é pegajosa, desagradável. Não sabes envolver o teu filho nos braços, de modo que o tratas como um cachorro em quem se pode bater à vontade. A tua vida vai andando sob o signo da impotência, no que pensas, no teu trabalho: A tua mulher abandona-te porque é incapaz de lhe dar amor. Sofres de fobias, nervosismo, palpitações. O teu pensamento dispersa-se em ruminações sexuais.”

Tão aplicável.

“É costume haver alguma discussão acerca dos fantasmas: se devem ou não acontecer, se são ou não patológicos, se são ou não reais. A literatura acerca deste assunto não é clara mas os pacientes são-no. Esclarecem tudo ao descrever vários tipos de fantasmas.
Um homem, psicologicamente são, com uma amputação feita acima do joelho, disse-me o seguinte:

«Sinto uma coisa, um pé fantasma, que às vezes dói muito, os dedos encolhem-se ou têm espasmos. É pior à noite, ou quando tiro a prótese, ou quando não estou a fazer nada. Desaparece logo que ponho a prótese e recomeço a andar.
Continuo a sentir a perna mas é um fantasma bom, diferente, anima a prótese e permite-me andar.»

Para este e todos os pacientes, o uso é indispensável para exorcitar um fantasma «mau» (passivo ou patológico) desde que haja um fantasma «bom» (a memória ou imagem do membro), vivo e activo tal como lhes é necessário.”

“O homem que confundiu a mulher com um chapéu”