Arquivo mensal: Maio 2007

Às minina.

Há uma coisa que eu acho fantástica. Não sei se será bem coisa, mas como não sei como a defenir, chamo-lhe coisa.
Quando estou perto de viver situações de grande tensão, de grande exigência psicológica (na próxima sexta feira tenho o café concerto na minha escola) tenho sempre a tendência para falar português com o sotaque africáááno. Desde que descobri o Kuduro (abençoado seja) a minha vida mudou. Compilicaçon, prá quéé?
A vida são dois dias. Por isso o ritmo africano instalou-se na minha vida e, novamente por isso, tenho a certeza de que vai tudo correr muito bem, numa onda positiva.

ECD

Olho para a minha secretária. Como será de esperar, pelo menos para quem me conhece, o caos organizado está instalado. Procuro uma ideia, uma ideiazita para fazer um post, neste blog, e o que é que me vem à cabeça? Para além dos malefícios do tabaco, do alcool, as drogas sintéticas não (que eu gosto), do sexo anal com objectos cortantes, e todo um conjunto de coisas más, que nos fazem mal, que nos fazem sofrer. O que me vem à ideia, sim, o que me vem à ideia é o Estatuto da Carreira Docente. Eu nem quero acreditar, mas esta coisa tem mexido muito comigo, com os meus sentimentos, e eu acho que não vou mais ser o mesmo.
De repente, volto a olhar para a secretária e vejo, um carregador de isqueiros ronson, um kit de um Junkers para colar, bonequinhos das filhas que eu acho piada, o livro da Adília, o Glen, papeis, lápis, tesouras, o boletim do infantário das filhas, um adereço sexual da minha confiança, os óculos graduados e um mais não sei o quê e penso: vou escrever sobre o quê?

Cor de rosa.

Esta coisa da minha senhora me ter pegado o vírus da gripe, através da troca dos verdadeiros fluídos, tem as suas coisas boas. Passo a explicar: o ranho no nariz é uma constante, logo posso assumir aquele ar de ranhoso, que eu tanto chamo aos meus alunos… para acabar com o ranho tenho de tomar qualquer coisita, o que é bom, pois ando mais levezinho (como o outro morcão da bola de prata) ao andar mais levezinho, ando mais bem disposto, a vida torna-se mais cor-de rosa, depois há sempre o meu velho Glen Turner, que em aliança com a coisita, ainda torna a vida mais versão Barbie, o que é bom, pois as filhas adoram a Barbie, como boas meninas que são.
É por estas e por outras, que eu acho que uma gripezita, de vez em quando, nos faz sentir revigorados, fortes para encarar o mundo e com vontade de fazer o pino, o que é bom, porque há uma maior irrigação sanguínea do cérebro, logo, cor de rosa.

Digo eu.

Allô Allô, Brasileiro,
Àqueli abraçooooooooo.
Dá vontade de cantar, quando se fala do Brasiuuuuuu, mas, depois, muito depois, pensa-se um bocadinho e só dá mesmo é vontade de chorar.
A minha senhora é fã incondicional daquelas paragens, a mim, custa-me imenso, só de pensar no assunto fico com uma falta de paciência do tamanho do Cristo Rei.
Sim, eu sei, é bonito pra chuchu, tem água de coco, tem cachaça, picanha, mulata com bumbum de cortar a respiração, mas mesmo assim, não consigo pensar numa única razão que me arraste para lá.
Que me desculpem todos os brasileiros, mas aquilo é um país de merda. Não se consegue mesmo entender como é que é possível, com as potencialidades que existem, serem assim tão fraquinhos. Faz-me pensar nos Estados Unidos da América, que são outros palermas.
Assim de repente, quem estiver a ler este blog, poderá pensar que eu sou racista, ou ando a arrastar a asa para os lados do prn, mas não tem nada a ver com isso, pois tenho amigos brasileiros, de quem gosto imenso, mas se pensarmos friamente no assunto, são um povo que ficou pelo caminho. Faltou-lhe um bocadinho assim…
Tirando isto tudo, quando vejo imagens de mulatas a dançar samba (que ainda poderia ser um motivo de entusiasmo (a armar ao macho…) pelo ritmo) lembro-me sempre dos filmes pornôôô brasileiros, que, muito sinceramente, cumprem a sua função.
MI FODGII CARALHUUUUUUU! AIIII! UIIIIIIII!
Só dá mesmo é para adormecer. Digo eu.

De molho.

Hoje de tarde fiquei em casa.
A minha senhora está doente. Dores de garganta e febre… aquelas coisas que se apanham nesta altura do ano. Tempinho traiçoeiro.
Fui eu, claro, buscar as filhas ao infantário. No meio da aventura que é arrancá-las de lá, tive tempo para dar uma vista de olhos pela feira do livro em miniatura:) que por lá fazem. Adoro aqueles livrinhos infantis e não consegui resistir à compra de dois, com ilustrações do Júlio Vanzeler, que eu adoro. Eu sei que um livro para crianças, normalmente é feito em parceria: escritor e ilustrador, mas neste caso, o escritor que me perdoe, comprei-os mesmo pelo ilustrador. Mais guito houvesse e comprava-os todos.
Conheço pessoalmente o Júlio Vanzeler, embora não saja íntimo dele, pois casou com a Patrícia, uma colega da minha turma de Belas Artes, de quem sou amigo mas com quem não estou regularmente.
O trabalho dele sempre me interessou e confesso uma admiração total. Aquilo mexe com o meu imaginário de criança e fico de boca aberta a olhar para aqueles desenhos.
Fui um bocadinho ditador, porque as filhas queriam outros livros e acabaram a resmungar, mas temos pena, um dia vão saber apreciar aqueles livros.
De volta a casa, a agitação do costume com as filhas a não darem sossego e a senhora de molho, cheia de traça por um cigarrito, que não consegue sequer fumar…

Que me desculpem.

“Eu quero foder foder
achadamente
se esta revolução
não me deixa
foder até morrer
é porque
não é revolução
nenhuma
a revolução
não se faz
nas praças
nem nos palácios
(essa é a revolução
dos fariseus)
a revolução
faz-se na casa de banho
da casa
da escola
do trabalho
a relação entre
as pessoas
deve ser uma troca
hoje é uma relação
de poder
(mesmo no foder)
a ceifeira ceifa
contente
ceifa nos tempos livres
(semana de 24 x 7 horas já!)
a gestora avalia
a empresa
pela casa de banho
e canta
contente
porque há alegria
no trabalho
o choro da bebé
não impede a mãe
de se vir
a galinha brinca
com a raposa
eu tenho o direito
de estar triste”

Adília Lopes

Que tristeza.

Passei o dia um bocadinho moído. Moído do corpo, não da alma porque essa não tem andado atormentada. Aliás, até estou estranhando, cara, há muito tempo que não ando atormentado. Geralmente dou-me bem, quando ando atormentado. Sou mais criativo, mais elástico mentalmente e consigo atingir mais profundamente, tudo o que me rodeia. Dá pena, não dá? Uma pessoa não ser assim normalmente. Só quando está atormentado… Que tristeza!

Amanhã passa.

Estou a chegar a uma altura da minha vida em que me estou a deparar com a excessiva burocratização da minha actividade profissional. Chateia-me, pronto, não gosto. Quero fazer isto, tenho de apresentar um projecto. Quero fazer aquilo, tenho de apresentar outro projecto. Chiça, que já é demais.
Isto sempre foi assim, só que antigamente eu tinha pachorra e agora, que as coisas se inclinam para esse lado, é que eu começo a ficar sem paciência.
Isto tudo porquê? Porque tive vontade de fazer umas coisas, de trabalhar mesmo, e vou ter de fazer o raio dos projectos antes…
Amanhã passa.

Ditos cujos.

Esta coisa dos gunas está muito mal explicada. Não sei muito bem quem começou a chamar gunas àqueles espécimens que para aí andam de chapeuzinho na tola, meio puxado para a frente, que só gostam de armar confusão e que são do piorio.
Realmente não sei quem foi que os baptizou assim, mas sei a origem da palavra porque foi inventada no meu tempo de criança e que durou até à adolescência. Andar à guna, queria dizer andar pendurado nos eléctricos (lembram-se dos eléctricos?), agarrados ao farol de trás ou nas portas do lado oposto à entrada e à saída. Sempre bem agarrados, porque o tombo era violento e sempre à cuca do pica que, regra geral, não era lá muito delicado quando nos apanhava a viajar à borla.
Foi assim que o nome nasceu e depois morreu, como morreram os eléctricos. Quem é da minha geração, ou mais velho, e se lembra dos eléctricos na cidade do Porto, concerteza que se lembra de bandos de rapazitos à guna nos ditos cujos.

Top seven… feminino

Na continuação, faço agora uma selecção, também ela difícil, de algumas escritoras que me marcaram positivamente, na minha forma de ver o mundo, sim, porque elas têm uma visão muito diferente da dos homens…
Adília Lopes – “A Obra”
Patricia Highsmith – Quase todos
Oriana Fallci – “Entrevista com a História” e “Inchallah”
Donna Tartt – “A História Secreta”
Donna Woolfolk Cross – “A Papisa Joana”
Susan Sontag – “Na América”
Margurite Yourcenar – “Memórias de Adriano”

Como facilmente se constata, este não é propriamente um top ten, é antes um top seven…
Mas já remexi a livralhada toda e, assim marcante mesmo mesmo, não encontro mais nenhuma mulher. Não é descriminação, é mais, interesse por outro tipo de temáticas, que as mulheres não costumam abordar… não sei porquê.

Pode ser

Esta coisa das scooters mexe com uma pessoa. Agora que tenho ido semanalmente para Chaves de scooter dou comigo a sonhar, novamente, com a Scarabeo.
Esta coisa do primeiro amor, que dizem que nunca mais se esquece, é bem verdade. A minha scooter é bem porreira, porta-se muito bem e foi em conta, por isso não merece que eu ande só a pensar na outra… mas que se há-de fazer, é mais forte do que eu.
Hoje tive uma proposta fantástica de um stand de Vila Real, vejam bem a minha procura… mas primeiro precisava de vender a minha, o que se avizinha difícil…

Também não interessa nada

Nestas coisas do futebol, nunca devemos fazer alarde das nossas vitórias, mas não consigo deixar de mencionar mais uma do Fêcêpê. Embora sofrida, foi mais do que justa e só quem for mesmo muito tendencioso não consegue reconhecer a superioridade deste clube.
Se eu fosse o PC diria que o Konpensan esgotou mesmo, mas como não sou, limito-me a dizer que temos muita pena e que para o ano há mais.