Arquivo mensal: Maio 2007

Top ten… masculino

Há escritores que me marcaram na adolescência, outros na juventude e ainda outros que marcam agora, já mais velhote.
É sempre difícil fazer uma escolha, mas resolvi fazer uma, a dos dez mais marcantes:

Wilhelm Reich – “Escuta Zé Ninguém”
Gabriel Garcia Marquez – “Cem anos de solidão” e outros mais
Salman Rushdie – “Os Filhos da Meia Noite” e outros mais
Tolkien – “O Senhor dos Aneis” e outros mais
Peter Berling – “Os Filhos do Graal”
Umberto Eco – “O Nome da Rosa” e outros mais
John Le Carré – “O espião perfeito” e outros mais
Philip K Dick – Li tudo dele
Philip Roth – “Pastoral Americana” e outros mais
Tom Wolfe – “Um Homem em Cheio” e outros mais

Claro que outros mereciam estar neste top ten… masculino, mas neste momento são estes os eleitos…

Na afirmação.

De repente, lembrei-me do mano.
O mano tem menos vinte anos do que eu.
Neste momento, só tenho elogios para lhe dar.
É bom menino, tem o feitio dele, como eu tenho o meu.
Se mantiver o norte, como até aqui, e seguir aquela luzinha, lá ao fundo, vai ser feliz.
Que mais se pode desejar a um mano?

Aquilo do sabor, fica para outra altura.

Introspecção.
A minha vida tem sido saboreada. Não será uma afirmação bombástica e, provavelmente, muito boa gentinha sente o mesmo em relação às suas vidas. Mas, muito sinceramente, não quero nada saber da vidinha das outras pessoas ( foi o meu amigo Glen Turner que me disse para hoje não pensar nas outras vidas), só quero mesmo saber de mim. Faz-me lembrar um grande amigo meu que, numa fase perturbada da vida, só conseguia falar da vida dele (eu, eu, eu, eu…), mas era tão genuíno que eu próprio me deixei enlear e ouvia-o sem parar.

Soltos ao vento.

Os meus cabelos brancos estão por todo o lado.
Fiquei surpreso. Não estava nada à espera. Fizeram-me uma espera, e não me deram hipóteses.
Agora, quando olho para eles, penso assim: “prontos” estes já cá cantam e o que é que vem a seguir? Não me digas que é novamente o Glen Turner? Por favor, deixa-me recompor.

Ai, tão cansado que eu fico.

Porque o anterior era triste.
Pausa.
O meu amigo, Glen Turner, está de olho em mim. Eu como sou um fraco, pisco-lhe o olho.
A terra de onde ele vem é fria, montanhosa e os homens andam de kilt, mas eu não quero saber, pisco-lhe o outro olho.
Claro que esta coisa de andar para aqui a piscar os olhos, cansa, porque cansa mesmo.

Porquê?

Somos confrontados diariamente com notícias tão chocantes e reveladoras do mundo cão onde vivemos que, independentemente de virem ou não de encontro às nossas realidades, devemos sempre procurar uma luz que nos ilumine e nos mostre o caminho certo. É tão difícil tudo isto.
Estes últimos acontecimentos no Algarve são indescritíveis, mexem com as pessoas, revelam o lado mau que existe nas sociedades modernas. Não consigo deixar de pensar e escrever lugares comuns, mas eles têm tanta força nestes momentos, que se torna difícil não o fazer.
As crianças são o nosso sorriso e o bem mais precioso que podemos almejar.

Uma das.

Há sempre a primeira vez.
Mais uma vez, foi a minha primeira vez.
Fui a Chaves na minha scooter. Nunca tinha feito tantos kilómetros num só dia. Fui de manhãzinha e voltei depois do almoço. Gostei de ter ido, gostei daquele acto solitário que é andar de mota, gostei de ir a pensar na vida.
Só não gostei do frio que rapei. Não estava à espera, pois quando saí de casa estavam 16º graus e pensei que seria sempre a subir… puro engano. Depois de Fafe apanhei um frio de rachar, 9ºgraus, e perguntei-me porque é que fui tão mal equipado? Serviu-me de experiência.
Por contingências da vida, vou fazer esta viagem praticamente todas as sextas feiras, até Julho e a minha xmax, apesar de se ter comportado muito bem, não foi feita para estas coisas. Precisava de ter uma amiguinha com mais cilindrada… que chegasse lá mais depressa e mais cómodamente, que esta coisa da idade já chateia…
Daqui por dois meses e meio, torno a falar do assunto, para o bem ou para o mal.

O estrangeiro.

Sim, eu sei, vem um bocadinho fora do tempo, mas não resisto a sugerir… e se dessem a independência à Madeira, de uma vez por todas.
Há quem ache que o homem de lá está para a vida nacional como o Pinto da Costa para o futebol.
Se calhar, na forma, são capazes de terem razão, pois ambos têm um discurso que não lembra ao diabo e são defensores incondicionais das suas damas, só que um esbanja o que é de todos os portugueses e o outro esbanja o que é dos associados (se é que esbanja…).
Pessoalmente, achava muito interessante que a Madeira fosse um novo país porque como não tenho lá muito dinheiro para visitar outros países, assim aproveitava os voos baratos e dava um saltinho ao estrangeiro… se bem que o sítio não faz lá muito o meu género.

A dureza do asfalto.

Por acaso é uma questão de tempo, mas quando tiver um bocadinho mais disponível vou abordar os tiques de linguagem que as pessoas, grupos, organizações desenvolvem para se entenderem.
Como é do conhecimento geral, há uns que só dá mesmo para rir pela forma grosseira como são ditos, outros há que são mais rebuscados, mas que também só dá mesmo para rir.
Enfim, somos um povo de verdadeiros cromos, com uma verdadeira parafernália de expressões que só mesmo um cromo é capaz de inventar e reproduzir.

Duas valem menos do que quatro.

Num dos foruns de scooters que costumo frequentar, já não me lembro qual, li uma frase que resume bem aquilo que deve ser a postura de quem anda de mota, neste caso de scooter; “de santinhos com prioridade, está o céu cheio deles…”. Penso que é bem ilustrativo da realidade das nossas estradas. Quem anda de mota nunca tem prioridade, nunca pode entrar num cruzamento tranquilo, tem que estar sempre atento a quem vem, e até nos semáforos tem que se espreitar. Bem sei que há para aí muito motoqueiro que só faz asneira, mas esses são na mesma proporção dos que andam de carro e também só fazem asneiras. Eu estou a falar do comum do automobilista que acha sempre que a mota se pode encostar à berma, que para fazer uma ultrapassagem não precisam de mudar de faixa e passam tangentes que abanam as motas, colocando em perigo quem nelas vai.
Enfim uma data de situações de menor respeito por quem anda em duas rodas.

No more tears

“Quantas vezes me fechei para chorar
na casa de banho da casa da minha avó
lavava os olhos com shampoo
e chorava
chorava por causa do shampoo
e depois acabaram os shampoos
que faziam arder os olhos
no more tears disse Johnson & Johnson
as mães são filhas das filhas
e as filhas são mães das mães
uma mãe lava a cabeça da outra
e todas têm cabelos de crianças loiras
para chorar não podemos usar mais shampoo
e eu gostava de chorar a fio
e chorava
sem um desgosto sem uma dor sem um lenço
sem uma lágrima
fechada à chave na casa de banho
da casa da minha avó
onde além de mim só estava eu
também me fechava no guarda-vestidos grande
mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro
nunca ninguém viu um vestido a chorar”

Adília Lopes

Caixa de óculos, és mesmo tótó…

Depois de muito matutar, cheguei à conclusão de que tenho alguém aqui das redondezas de minha casa que me anda a sacanear, para não dizer outra coisa. Tenho rede wireless em casa, que comprei porque era quase ao mesmo preço do modem normal, e da qual nem faço uso… parece ridículo, mas é verdade. O que aconteceu foi que o energúmeno deve ter conseguido apanhar a pass, através de um descodificador, e tratou de sacar uns filmes e uns mp3, quase de certezinha.
Só assim consigo justificar a conta que me apareceu, sem que eu fizesse nada de anormal, apenas as visitas diárias mas sem downloads significativos. Eu realmente estranhei a lentidão do acesso naquele período de tempo a que se refere a factura, até reclamei junto dos serviços, e depois tudo voltou ao normal.
Só passado este tempo todo é que me apercebi.

Logo se verá.

O ritmo tem vindo a abrandar…
Tenho necessidade de me virar para outras coisas.
Vou continuar por aqui, mas mais espaçadamente, por duas razões: a primeira já a referi; a segunda, porque vou deixar de ter internet em casa. Cansei-me dos serviços prestados pelas empresas portuguesas, que não são grande coisa e que são caros.
Não me considero um infoexcluído mas vou excluir-me voluntariamente do contacto diário…
Enfim, palermices, mas de momento é assim que vai ser e no futuro, logo se verá.