Sim, está bem.

Por vezes tenho a nítida sensação que esta vida é um verdadeiro desperdício. Preocupo-me com coisas que não merecem a importância que lhes dou. Chateio-me, arrelio-me, resmungo, dou por mim a ficar descrente e a acabar por ficar triste. Viver não é fácil, muito menos viver virado para um canto, à procura de um isolamento que só nos trás um sossego ilusório.

Claro que estes momentos fazem parte de um caminho que se percorre e que, felizmente, é muito acidentado, agitado e variado. Sim, felizmente´, é a palavra certa, porque se fosse tudo muito certinho e direitinho, esta vida não iria ter piadinha nenhuma. 

Um dia vão-me pedir.

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Dá-me a impressão que estas duas minhocas vão gostar de andar na bela da Scarabeo, quando forem mais velhinhas, claro está. A Rita já quer que eu a leve para a escolinha de scooter, pois tem uma coleguinha de sala que chega e parte numa cinquentinha, com a mamã dela a guiar. Com a desculpa de a minha ser um trambolho muito grande, lá a consegui convencer que a idade ideal é aos nove anos. Nove anos? Vá-se lá saber porquê, mas parece que ficou convencida. Vamos ver.

Deve ser visto.

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Ana Cristina Leite. Exposição na Cooperativa Árvore.

A inauguração foi na passada sexta feira. Aqui a família Prudêncio esteve para ir, em peso, à inauguração, mas uma ocorrência de última hora impediu-nos de nos deslocar-mos à “vernissage”. Foi pena porque gostava imenso de ver o seu trabalho, para além de poder rever uma amiga de longa data, mas outras oportunidades surgirão e só espero que a exposição tenha o sucesso que ela merece, não só pela qualidade do trabalho, como também pelo sua determinação.

Esteve um dia de sol e nós cá fora.

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Ontem foi dia de ar livre. Estive a trata da bela da Scarabeo, sempre com as duas minhocas à volta de mim. Depois foram andar de bicicleta, na rua, comigo a tomar conta… Depois fui cortar a relva do jardim e dar uma aparadela a alguns ramitos que estavam fora do sítio. Depois, como já estava a ficar frescote, recolhemo-nos aos nossos aposentos, quentinhos e fui fazer uma quiche, de espinafres com queijo, que fiquei a saber ser a única maneira em que as minhocas gostam de espinafres. Por isso, ganhei o dia.

A esta hora, apetece-me meter nojo.

“É bastante provável que, numa consulta aos jornais desportivos do início da época 2000/2001, demos de caras com o reforço benfiquista, Marchena, jurando amor eterno ao seu novo clube e entoando a cassete “É o mais grande do mundo”. Nada de espantar. Assim acontece todos os anos, com praticamente todos os reforços do 5º classificado. Como se na altura de assinar o contrato os obrigassem a decorar o texto do costume sob pena de terem de ouvir uma palestra de meia-hora do Chalana.”

Bolinha de sabão.

Eu até nem acho que tenho os pés grandes. Mas há pessoas que têm os ditos cujos um bocadinho desenvolvidos. Não é que eu tenha qualquer tipo de argumento que me leve a pensar que quem tem os pés grandes é menos do que eu. Nada disso. Cada um tem os pés do tamanho que lhe calhou. Sobre isso, penso que é uma inevitabilidade, como outra qualquer. Agora, o que me faz mais confusão é o facto das pessoas que têm os pés grandes terem algum tipo de actividades que não se coadunam com o comum dos mortais. Isso é que me chateia.

A coisa está a começar.

Quando se chega a uma certa hora da noite e se pergunta: O que é que estou para aqui a fazer? Sim, podemos dar vários tipos de resposta. Olha, estou a beber whisky, porquê? Olha, estou a acariciar o meu corpo, porquê? Enfim, a verdadeira parafernália de respostas leva-me a concluir que tudo é possível (observação mais inteligente não conseguia ter, neste momento) e, como tudo é possível, permito-me dizer algumas obscenidades. Sim, permito-me, porque não as consigo dizer, pelo menos assim, da boca para fora. Sou um rapaz à antiga portuguesa. E essa coisa das obscenidades custa-me a ultrapassar. Se, por acaso, só mesmo por muito acaso, pudesse incluir esta minha dificuldade nos objectivos que, actualmente, os professores têm de alcançar, eu não ia olhar duas vezes para trás: seria sempre o meu primeiro objectivo. Só assim eu iria conseguir  ter um rumo para a minha vida.

Como nada disto é verdade, permito-me discordar do mundo.

Bem vistas as coisas.

Finalmente. Finalmente tenho o meu sistema a funcionar normalmente. Custou, mas agora é que vai ser, sempre a abrir. Não gosto de me sentir diminuído. De que não estou a fazer uso de todas as minhas faculdades. Quando assim me sinto, geralmente dá para o torto e, como não gosto mesmo nada que tal aconteça, toca a abrir os meus horizontes e, se não for pedir muito, o dos outros também, que modéstia é coisa que não me falta.

Lá terei que cá vir mais regularmente, mas isso não é sacrifício, pelo contrário. Claro que se for para vir cá para cair em lugares comuns, mais vale estar quietinho, mas desta vez dá para desculpar… perdi o treino.