Arquivo mensal: Outubro 2008

A esta hora, apetece-me meter nojo.

“É bastante provável que, numa consulta aos jornais desportivos do início da época 2000/2001, demos de caras com o reforço benfiquista, Marchena, jurando amor eterno ao seu novo clube e entoando a cassete “É o mais grande do mundo”. Nada de espantar. Assim acontece todos os anos, com praticamente todos os reforços do 5º classificado. Como se na altura de assinar o contrato os obrigassem a decorar o texto do costume sob pena de terem de ouvir uma palestra de meia-hora do Chalana.”

Bolinha de sabão.

Eu até nem acho que tenho os pés grandes. Mas há pessoas que têm os ditos cujos um bocadinho desenvolvidos. Não é que eu tenha qualquer tipo de argumento que me leve a pensar que quem tem os pés grandes é menos do que eu. Nada disso. Cada um tem os pés do tamanho que lhe calhou. Sobre isso, penso que é uma inevitabilidade, como outra qualquer. Agora, o que me faz mais confusão é o facto das pessoas que têm os pés grandes terem algum tipo de actividades que não se coadunam com o comum dos mortais. Isso é que me chateia.

A coisa está a começar.

Quando se chega a uma certa hora da noite e se pergunta: O que é que estou para aqui a fazer? Sim, podemos dar vários tipos de resposta. Olha, estou a beber whisky, porquê? Olha, estou a acariciar o meu corpo, porquê? Enfim, a verdadeira parafernália de respostas leva-me a concluir que tudo é possível (observação mais inteligente não conseguia ter, neste momento) e, como tudo é possível, permito-me dizer algumas obscenidades. Sim, permito-me, porque não as consigo dizer, pelo menos assim, da boca para fora. Sou um rapaz à antiga portuguesa. E essa coisa das obscenidades custa-me a ultrapassar. Se, por acaso, só mesmo por muito acaso, pudesse incluir esta minha dificuldade nos objectivos que, actualmente, os professores têm de alcançar, eu não ia olhar duas vezes para trás: seria sempre o meu primeiro objectivo. Só assim eu iria conseguir  ter um rumo para a minha vida.

Como nada disto é verdade, permito-me discordar do mundo.

Bem vistas as coisas.

Finalmente. Finalmente tenho o meu sistema a funcionar normalmente. Custou, mas agora é que vai ser, sempre a abrir. Não gosto de me sentir diminuído. De que não estou a fazer uso de todas as minhas faculdades. Quando assim me sinto, geralmente dá para o torto e, como não gosto mesmo nada que tal aconteça, toca a abrir os meus horizontes e, se não for pedir muito, o dos outros também, que modéstia é coisa que não me falta.

Lá terei que cá vir mais regularmente, mas isso não é sacrifício, pelo contrário. Claro que se for para vir cá para cair em lugares comuns, mais vale estar quietinho, mas desta vez dá para desculpar… perdi o treino.

Sim, gostava.

Gostava de ter nascido noutro país. Gostava de ter tido outras oportunidades. Gostava de ter nascido mais alto. Com cabelos loiros e olhos azuis. Quis o destino que nada disso acontecesse e que haveria de nascer neste país, neste canto, cá em cima, moreno com olhos castanhos e cabelo preto, com uma altura normal, com esta maneira de estar portuguesa. Muito sanguíneo, pelo menos muito sanguíneo à moda do Porto.

Com a idade, devia já ter percebido que o “coração” ocupa uma parte significativa na minha forma de agir mas que tal não deveria suceder. Que a “cabeça” deveria ocupar um lugar mais predominante. Por vezes consigo, mas não é sempre. Tenho pena.

Ora concordem.

Gosto deste. Apesar de andar cada vez menos de carro, gosto deste belo exemplar. Claro que não tenho guito para me meter em andanças destas, mas gostava, porque acho que é bonito, ou seja é dos bonitos. Posto assim, pode parecer meio palerma, e se calhar até é, mas hoje em dia vivemos tempos em que é necessário poluir pouco e gastar pouca gasolina. Claro que há outras coisas mais pequeninas e mais ajeitadinhas, mas essas não são para quem tem duas minhocas.

Fica para segundas núpcias, quem sabe?

A mais o cinto.

Sou sincero. Acho que a minha vida iria mudar se tivesse umas calças assim, tão fofinhas e com este padrão. Mas não, não tenho nada assim parecido. Fico-me pelos quadrados. Calças aos quadrados. É diferente, eu sei, mas é aquilo que eu posso arranjar. Mas que gostava de ser assim moderno, lá isso gostava.

Diriam logo os mais maldosos: bicha, e tal e coisa, o que tu queres sei eu… Nada disso o que eu queria mesmo era ser assim, fofinho. Já não vou dizer que gostava de andar nas festas, porque isso já passou, mas apenas que gostava de ser assim, fofinho.

Belezura.

Bem, consegui colar aqui uma imagem, através do endereço url… espertinho que eu sou… já me podia ter lembrado deste pequeno pormenor, mas isso agora não interessa nada. O que interessa é a scooter que aqui aparece, linda de morrer. Parece uma coisa do outro mundo e como eu gosto de coisas do outro mundo, nada melhor do que uma scooter destas para alegrar os nossos dias. A minha rica senhora ia ficar muito bem, a conduzir uma coisa destas, mas como anda obcecada com a Mp3… pode ser que as minhas minhocas venham a gostar, quando tiverem idade…

Eu adorei, nem parece uma Suzuki, para quem não sabe é uma marca Japonesa, da qual eu não sou particularmente apreciador, mas desta, sou!

Queridas.

E assim se passaram três dias. Julgava eu que iam ser três dias dos cabos dos trabalhos, mas não foram. Tenho umas filhas muito compreensivas e colaborantes. Acho que nestes três dias nunca me zanguei com elas. Não há nada como uma boa conversa com elas, para elas entenderem o que se passa. São uns miminhos que me deixam embevecido.

Era o que eu pensava.

“Nos nossos dias, a tendência estética em relação ao velo púbico modificou-se. Prova disso é que as mulheres aparecem na maioria das revistas eróticas da actualidade com os seus sexos rapados. Muitas mulheres, sexualmente desinibidas, optaram como acrescento erótico pelo corte parcial do velo, dado que desta maneira se amplia a visão da vulva e se incrementa o desejo. Também se recorre ao rasurado total para decorar mais esteticamente a vulva com tatuagens ou praticar as diferentes modalidades de argolas.”

in Cunnus

De vez em quando, volto.

Milly chéri

tenho coisas

para te dizer

de viva voz

cartas de amor

nunca mais

agora só escrevo

cartas comerciais

Não quero

ter filhos

gosto muito

de foder

contigo

e com outros

mas de bebés

não gosto

uma vez

por outra

tem graça

mas sempre

não

os bebés deprimem-me

se engravidar

faço abortos

por muito

que me custe

e custa-me

muito

(um bebé é dom

do Espírito Santo)

Ficas

no castelo de Beja

e eu aqui

no convento

com vento

(as janelas

fecham mal

estão empenadas)

há uma passagem

subterrânea

como nos romances

que liga

castelo e convento

podemos fechá-la

não te quero

no convento

o outro é o Céu

com peúgas

e cuecas sujas

Antes de chegares

pensava assim

mesmo que Milly volte

não quero foder

nunca mais quero foder

o feitio das unhas dos pés

e a implantação dos cabelos

na nuca

do meu Milly chéri

mais tarde

ou mais cedo

vão-me meter nojo

nunca mais danço

nunca mais dou beijos

mas quem não pensa

em foder

está fodido

mas agora

quero foder contigo

Portanto Milly chéri

és muito bem vindo

a mulher (eu)

deixa

pai e mãe

e apega-se

ao homem (tu)

e são ambos

uma carne

in Obra, Adília Lopes