Arquivo mensal: Janeiro 2009

Que relvado tão fraquinho.

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Estive a ver um jogo de futebol. Era o benfica. No estádio da luz. Já não via nada assim há muito tempo. Um relvado lastimoso, que mais parecia um campo onde andam as vacas a pastar. Claro que poder-se-á sempre dizer que estava a chover muito, mas para um clube que sempre se gabou de ter um relvado magnífico… fica muito a desejar. Quando o estádio ficou concluído, o relvado foi exageradamente elogiado ao mesmo tempo que, também exageradamente, gozaram com o relvado do fêcêpê que foi muito rapidamente substituído. Esqueceram-se que, daí para cá, o relvado do fêcêpê nunca mais deu problemas e é, sem sombras de dúvidas, o melhor relvado do país. É que o sistema de drenagem já vem do tempo do Mr Bobby Robson, o tal que foi despedido pelo sbordem, e que foi campeão por estas bandas… ele sabia como eram elaborados os sistemas de drenagem em Inglaterra e transmitiu os seus conhecimentos aos técnicos do fêcêpê. Pelo menos tem dado para que não se assista a espectáculos miseráveis como aquele que hoje vi na televisão.

Para ajudar à festa.

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Caminhar para cota tem coisas engraçadas. Podemos começar a desvairar que toda a gente acaba por achar normal e podemos dizer aquilo que pensamos de uma forma mais desabrida. Ou seja, deixamos de fazer fretes. É o que tem de bom, caminhar para cota. Depois há o reverso da medalha. A genica e a pujança já eram, foram ali e venhêm já. Apanhei duas gripes quase seguidas. Desde quarta feira que tenho um dente pior que um chapéu de um trolha. Hoje de manhã consegui levantar-me e fui levar as minhocas, mais a minha senhora (que está com o carro avariado) e depois fui tentar uma consulta no dentista. Tive tanta sorte, que o meu dentista atendeu-me na hora (ia para um curso e não tinha consultas marcadas) desvitalizou-me o dente, tapou e pareço novo. Claro que vou tomar antibiótico durante oito dias (coisa que eu não me lembro de ter tomado) mas foi uma sorte que eu nem quero acreditar.

Estou aqui que nem posso.

Que grandessíssima porra. Estou outra vez gripado. Passei uma noite miserável, a manhã inteira na cama e levantei-me para vir trabalhar. Sempre cheio de arrepios e com dores no corpo. Já não me lembrava de apanhar uma gripe, então de tomar medicamentos… já nem tenho memória. Agora, no espaço de quinze dias é a segunda vez. Nem sequer consegui pegar na bela da Scarabeo e vim de carro. Eu sei do que é. A minha escola está em obras, ao abrigo do programa de remodelação do parque escolar. Até aqui tudo bem. O pior é que enfiaram os alunos e os professores nuns contentores que são uma coisa do outro mundo. Quando chove e está frio ao mesmo tempo aquilo é indescritível, cheio de condensação, um calor que não se pode, tudo a respirar o mesmo ar… depois, basta um personagem estar doente que a coisa propaga-se a olhos vistos…

Ainda faltam mais uns meses para o tempo melhorar e podermos abrir as janelas, até lá só me resta ir tentando controlar a respiração ofegante das alunas…

Chuva e mais chuva.

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Hoje só dá mesmo para falar de assuntos triviais. Está uma chuva do caraças. Nunca tinha apanhado com tanta chuvinha em cima, neste caso vindo de trabalhar e montado na bela Scarabeo. O que me vale são as protecções que tenho e, bem lá no fundo, dá um gozo enorme conduzir em auto-estrada. Claro que é preciso aumentar a distância, para poder travar em segurança e todas essas coisas, mas gosto de andar à chuva.

Expomoto da Batalha.

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Já no ano passado fui. Este ano não podia deixar de ir. Não é que o meu interesse em motas tenha aumentado, bem pelo contrário, cada vez tenho menos pachorra para as motas. Mais uma vez andei por lá a assobiar, na maior parte do tempo, e só parei mesmo na parte das scooters. A quantidade de cromos que por lá aparecem é indescritível e, apesar de eu respeitar muito os cromos portugueses, aquilo é sempre mais do mesmo, acabando por cansar. A novidade deste ano é que fui sozinho, daqui do Porto, e fiz a viagem sem paragens o que também me agradou. Claro que à vinda para cá a coisa esteve tremida porque me enganei nas contas de cabeça e achei que tinha mais gasolina do que a que realmente tinha. Fiz cerca de trinta kilómetros a setenta à hora para ver se conseguia chegar à bomba mais próxima. Isto em plena auto estrada, o que quer dizer que era toda a gentinha a passar por mim e eu a levar cada abanão com a deslocação de ar, mas lá consegui chegar. Isto tudo porque cheguei a uma bomba para abastecer e, quando ia a desligar a bela da Scarabeo, leio um papelzinho a dizer que os tipos das motas tinham de pagar antes de abastecer. Como não acho isto correcto, arranquei novamente e aí é que me enganei a fazer as contas pois estava convencido que seria menor a distância… enfim.

Mas o passeio foi muito agradável. Estive com o pessoal do Maxiscootersportugal a almoçar e a conversar, o que por si só já valeu a pena. Para o ano há mais.

Post de sexta feira.

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Gosto de ouvir trance psicadélico. De vez em quando tenho necessidade de o afirmar, neste caso, reafirmar. Tem uma energia que me faz esquecer a idade. É um tipo de música que eu não me atrevo a aconselhar a ninguém. Não que seja um tipo de música muito difícil de entender, muito pelo contrário, mas porque é altamente energética e, como tal, libertária de emoções. Pelo menos é isto que ela produz em mim. Eu sei, vale o que vale, mas é tão sugestiva, mas tão sugestiva, que só me apetece acariciar o meu… ego e partir para a festa.

Eu gosto muito de livros.

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Assim à primeira vista pode parecer que não é verdade. Que estou para aqui a ser um manganão. Não é verdade. Eu gosto mesmo de livros. Adoro ter a casa cheia de livros, mas não sou nenhum rato de biblioteca, como muitos e muitas, que passam a vida enfiados e enfiadas no meio dos livros e se esquecem da vida que existe lá fora. Não, eu tenho vida própria. Gosto muito de ler uma boa história (com H, que foi assim que eu aprendi!) mas não troco o resto por um bom livro. Por falar no resto, já não me lembro da última vez que visitei uma biblioteca, o que é grave. Mas mais grave ainda é o ar das nossas bibliotecárias, daquelas meninas que nos levam até à secção onde se encontra o livro que requisitamos. Mal chegamos lá, apontam para o livro, dão-nos o livro e mandam-nos ir ler o livro para um cantinho. É certo que pode ser um cantinho à nossa escolha, mas não deixa de ser um bocadinho desconsolado, ir ler o nosso livro para um cantinho.

Médicos de Portugal.

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Acabei de ver na televisão uma pequena reportagem sobre as pessoas que se deslocam a Espanha para serem consultadas ou, se assim o preferirem, vistas, pelos médicos do lado de lá. Fiquei impressionado com as respostas que foram dadas quando lhes perguntavam o porquê de se manterem fieis aos médicos espanhois. Todas as respostas, que valem o que valem, referiam o bom atendimento por parte dos médicos, a sua amabilidade e a sua preocupação em explicarem tudo, tintin por tintin. Ora, todos sabemos que a amabilidade (para não dizer a boa educação) não é propriamente o ponto forte dos médicos portugueses. Quantos de nós não presenciaram cenas lamentáveis de um atendimento médico grosseiro e mal educado? Em que só dá mesmo vontade é de lhes bater, mas bater com força. Ser médico não é só ver, examinar, diagnosticar, tratar e essas tretas todas inerentes à profissão (que eu não ponho em causa) mas é muito mais do que isso. Lidam com a morte e com o medo mais absoluto do ser humano, daí existir a necessidade de terem uma postura diferente e não se comportarem como autênticos talhantes.

De há uns anos para cá (uns anos muito valentes…) só vai para médico quem quer ganhar muito dinheiro (quem não quer?), porque na realidade não se vê um único médico a viver com dificuldades, o que me leva a pensar que essas pessoas poderiam perfeitamente mudar de profissão, que ninguém sentiria a sua falta. Enquanto as coisas não mudarem, as pessoas continuarão a ir a Espanha ter com os seus médicos e eu, muito sinceramente, se vivesse mais perto da fronteira, não me importava nada de ficar à espera de um comboio que me levasse…

Estou pior do que o cavalo do lado direito.

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Sim, estou pior do que ele. Ele está cabisbaixo, eu estou mesmo por baixo. Também eu estou sem brilho nos olhos e, apesar de não ter uma daquelas palas nos olhos como ele, não consigo ver muito mais do que um palmo à minha frente. É triste, muito triste, mas é assim que as coisas estão neste momento. Assim escrito desta maneira pode dar para segundas interpretações, mas não é nada disso, fico-me mesmo pelas primeiras interpretações… ando gripado desde sábado passado e não há maneira desta coisa passar. Quando ando assim, o que é raro, não consigo ter energia para mais nada, arrasto-me literalmente e não consigo ver o mundo que me rodeia com os olhos do cavalo da esquerda, sim, esse mesmo, que se empolga com a simples perspectiva de puxar uma bela carroça de passeio…

Para acabar de vez com o assunto.

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O post anterior era um “bocadinho” extenso, para não dizer outra coisa. Não é costume. Não gosto de cansar as pessoas a terem que ler um texto assim tão longo, ainda por cima que não é meu… Mas desta vez achei que o devia fazer. Porquê? Porque achei que traduz muito daquilo que penso sobre este assunto. Não serei caso único e muitos outros também concordarão com aquelas palavras. Eu estou à vontade sobre a autoria do texto e o porquê da sua escolha e, quando digo que não gosto da senhora que o escreveu, não gostar é coisa pouca. A senhora nunca me fez mal, nem nunca se cruzou comigo, mas só de olhar e de a ouvir falar, não sinto empatia nenhuma, nenhuma. Esta espécie de maledicência não me fica nada bem, eu sei, mas é mais forte do que eu, que se há-de fazer…

Mas voltando à vaca fria, o assunto dos professores começa a cansar e, acima de tudo a desgastar os intervenientes e, se pensarmos bem no assunto, facilmente concluiremos que é um enorme gasto de energias e sinergias que poderiam estar a ser utilizadas ao serviço da educação. Dito assim até fica bonito, mas é uma evidência, que só não vê quem não quer.

Não gosto desta senhora, mas desta vez, esteve bem.

EDUCAÇÃO: OS CRITÉRIOS DA EXCELÊNCIA

Lídia Jorge, no Público

A titularidade foi dada a professores bons, excelentes, maus e muito
maus. Não premiou nada, porque baralhou tudo.

1. Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret
Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu
vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o
eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a
voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda
hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem
como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que
opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao
de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita – e
só no plano da determinação -, é bom que o faça directamente com a
pessoa do primeiro-ministro.
De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa,
iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano
da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como
paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de
primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos
professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time,
arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós
pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando
José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos
anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que
augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro
várias vezes tenha falado do óbvio – que era necessário determinar
quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era
preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes
credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua
escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente
errou.

2. Errou ao criar, de um momento para o outro, duas categorias
distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para
uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não
diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor
junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida
da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que
necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa
modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a
sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe
deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que
se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e
gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação
resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à
pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar
critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios
administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande
percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis
directos pelo êxito pedagógico das escolas.
O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe
de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se
perceber como a titularidade está distribuída a professores bons,
excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores
competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque
baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em
devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem
sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a
razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado,
ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de
inspiração comunista.

3. O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor
sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de
responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de
vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da
escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí,
de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os
campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos
fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram
pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior
deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom,
porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de
todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro
de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém
melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre
que a subjectividade se transforma em numerologia. Claro que não está
em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método
totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade
escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que
toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos
professores titulares – eles estavam destinados a ser os pilares dessa
estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se
esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova
desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?

4. Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de
cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A
questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a
aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma
erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe
de mais, competiria dizer “Não matem a criança, prefiro que a dêem
inteira à outra”, mas já se percebeu que não o vai fazer. Obcecada
pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir
até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou
para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade
de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a
modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o
desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores.
E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar
atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou
simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo
processo.
De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um
deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil
técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram
talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone,
no telejornal, “Papá, sou ministro!”, com o resultado que se conhece.
Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares
ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem,
quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do
pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a
própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a
acontecer.

5. José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um
golpe de sorte – Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands – e até
pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez. Aliás, pelo que se ouve
e vê, a frase da ministra da Educação “Perco os professores mas ganho
o país”, cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa
por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de
uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua
coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem
possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5
de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.
Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado,
está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a
alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas
soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos
seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é
uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de
ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se
uma fábula