
Não o suporto. Não sei muito bem porquê, mas não o suporto. Não consigo imaginar uma amizade, sequer, com um homem galinha, quanto mais uma relação (cruzes, credo, canhoto) amorosa. Todos nós já nos cruzamos, num qualquer vão de escada, com um homem galinha. Todos nós já tivemos de lidar, numa qualquer situação absurda, com um homem galinha. Eu consigo topá-los à distância. É quase como aqueles pares que andam pelas portas, elas de saias largas às flores e eles de fato meio estranho, e mesmo que não estejam à porta de alguém, eu consigo topá-los a passear na rua. O homem galinha anda lá perto mas a religião dele é outra. Normalmente são modernos. Têm, portanto, um aspecto moderno. Cuidam do seu visual com uma data de acessórios e roupas de marca, preferencialmente identificadas com a moda jovem. Têm, portanto, um espírito jovem. Claro que, ter tudo isto, não será bem a realidade, é mais uma forma de expressão, como também será uma forma de expressão achar que o homem galinha está resolvido sexualmente. Aí é que está o verdadeiro busílis da questão. O homem galinha não está resolvido sexualmente. Se não fosse galinha, provavelmente conseguiria chegar à conclusão que não é imperioso alcançar uma conclusão e uma resolução definitiva nessa área do funcionamento humano. Mas não, como é galinha, vive em sobressalto, indisposto com a sua existência, infeliz com a felicidade dos outros. Vai daí assume toda a maldade. De uma forma reptícia, sempre, nunca declarada. Funciona por debaixo da mesa e, geralmente, sempre em conivência com uma personagem do sexo feminino que nunca poderá ser melhor do que ele, senão o caldo entorna e aí é que são elas. É por tudo isto que não suporto o homem galinha, por tudo isto e por mais algumas coisas.















