Era uma vez…

bicla-verde

Tem sido um pouco recorrente, nestes últimos tempos, escrever sobre as minhas perspectivas profissionais. Provavelmente tenho tido um discurso um tanto redondo, principalmente porque acho que não devo abordar situações concretas do meu local de trabalho e, como tal, acabo sempre por não me fazer explicar como deve ser. É sempre um risco abordar estes temas. Não porque faça parte de mim vir lavar roupa suja (que é uma expressão nojenta) mas porque pode originar mal entendidos. Acho que já o referi noutras alturas, mas o grau de satisfação com a minha profissão é muito baixo e a minha motivação é a legalmente exigida, se assim posso dizer, pois limito-me a cumprir com as minhas obrigações. Tudo o quem vem para além disso… só se me apetecer. A carolice já não é para os tempos actuais e até consigo perceber que o grau de exigência profissional esteja sempre a subir, pois é assim em todas as profissões. O que eu não acho mesmo nada é que, ao mesmo tempo que exigem, não criem as condições necessárias para que as exigências possam ser concretizadas sem ser à custa da dignidade de quem por lá anda… eu não tenho muitas ilusões no que diz respeito às relações entre pares e calculo mesmo que o descalabro só agora se iniciou, as guerras, os ditos e os não ditos, a má língua, os jogos de bastidores, as traições, as invejas e tudo o que de mais perverso houver, vão ser utilizados como forma de arremesso para que alguns possam alcançar os seus objectivos. Eu já tive a minha conta e não vou falar mais disso , como também não vou fazer o papel de coitadinho. Aconteceu e pronto. Serviu para que eu ficasse com a plena consciência de que não vou levar o trabalho para casa e, a partir do momento em que meto a pasta na mala da bela Scarabeo e arranco pelo portão da escola, não me vou atormentar mais com o assunto. A escola já não será mais como era.

A minhoca mais pequena está doente.

pict0288

Depois de duas noites muito mal dormidas, porque a minhoca mais pequenina esteve a arder em febre, lá fui eu à Pediatra. A pobre coitada da minhoca tem a garganta toda inflamada e vai mesmo ter de levar com antibiótico. É mais seguro e não fico muito preocupado pois não costuma estar muitas vezes doente e, como tal, não toma muitos antibióticos. Já não me lembrava como era ficar uma noite em sobressalto… achava mesmo que as minhas minhocas já tinham ultrapassado essa fase… nada disso… vai ser mesmo para toda a vida, convém não me esquecer.

Cansado, muito cansado.

est21

Por vezes tenho a certeza de que poderia aprofundar muito mais intensamente aquilo que faço ou digo. Já reparei que as pessoas que têm um discurso mais pausado e que explicam tudo muito bem explicadinho, são mais eficazes a fazerem passar o que pretendem. A comunicação, nos dias de hoje, é fundamental e torna-se necessário pensar no assunto. Este nosso governo, como toda a gente já reparou, esforça-se e consegue fazer passar aquilo que quer. No caso concreto dos professores conseguiu passar a ideia de que os professores eram todos uma cambada de preguiçosões e que não queriam ser avaliados. É claro que as pessoas acreditaram porque houve tristes exemplos que foram realçados pela imprensa e aproveitados pela máquina governativa para espezinhar toda uma classe profissional. Conseguiram mudar o sistema todo na educação, sem conseguirem no entanto perceber a dimensão da borrada que fizeram. Há aqui dois sentidos distintos na comunicação: conseguem comunicar com a opinião publica sobre determinada classe profissional, mas não conseguem comunicar com a mesma classe profissional. É um desajuste comunicacional.

Como elemento de uma classe profissional, não me compete a mim mobilizar ninguém, pois as pessoas são livres de pensarem no que muito bem entenderem, mas quer-me parecer que o nosso amigo vai perder a maioria absoluta por causa de cento e vinte mil votos…

Poderia ter saído melhor, mas não saiu!

bicicleta

Quando me ponho a pensar nas minhas qualidades… é sempre difícil chegar a uma conclusão. Não devo ser mais do que os outros. Tenho tendência a achar que sou bom. Não sei porquê. Se fosse pequenino e bailarino, eu até perceberia. Mas não, tenho um metro e oitenta, normal, portanto. Mas o que me leva a achar que sou bom? E aqui é que a porca torce o rabo. Tenho de dizer a coisa sem parecer muito jeitoso. Sou bom porque tenho sono e vou dormir. Fiquem bem.

A filha de uma outra senhora.

20080623-71297-11

Oh professor, fonha-se. Este fonha-se é um derivado que uma aluna minha acha consistente dizer porque, não é um palavrão. Eu consigo concordar e digo: FONHA-SE! Acabei de ver, numa reportagem da rtp, a filha da Fátima Felgueiras. Não consigo arranjar palavrinha melhor e mais arranjadinha para descrever a personagem: FONHA-SE. Apareceu a fazer a reportagem da rtp, que era sobre Damão e Diu (não vou explicar para quem não sabe) vestida com meio sari. Podia aparecer com um sari completo, mas não, tinha mesmo de vir com meio sari. Acho que era a parte de baixo. Digo acho, porque quando vejo a personagem a aparecer fico meio nervoso. Aquilo mexe comigo e começo a trocar tudo (desiludam-se os amigos que acham mesmo que eu fico excitado com a personagem: muito pelo contrário e nem que estivesse a acabar de cumprir uma pena de prisão de vinte anos eu ia ficar com os mamilos duros ao ver a personagem). É aquele tipo de personagem jornalista que tanto faz a reportagem da menina inglesa que desapareceu e esta que eu vi, da mesma maneira e feitio. Acha sempre que tem de ser agressiva e inteligente no que diz e não consegue medir o grau de ridículo em que se enfia. Torno a dizer: FONHA-SE!  Isto até  parece qualquer coisa pessoal. Mas não é. Apenas vejo um reflexo de qualquer coisa mais graúda, também ela insuportável.

Vou colecionando as pratinhas de embrulho.

76533211020071121122818

Ultimamente tenho andado à volta dos tractores. É uma paixão antiga. Agora está-me a dar para o Japão. Não sei muito bem porquê. Talvez seja do adiantado da hora e lá já ser de dia. Não sei muito bem, até porque o fascínio que eu tenho pelo Japão é só na base de querer apenas visitar e nunca para lá viver. Feita a introdução, apraz-me dizer que gostaria de viver uma vida normal, vivida aqui, em Portugal. Infelizmente não vivo uma vida normal. Acho mesmo que vivo no planeta Ferrero Rocher, como nos filmes. Sou como um chocolate, muito bem embrulhadinho, à espera de ser comido. Dentro de uma caixinha, à espera da melhor oportunidade para ser comido. A caixinha pousada, na borda da mesinha de cabeceira, sempre manuseada com carinho por quem me vai comer. E podia estar eternamente a enumerar um sem número de perspectivas/maneiras/formas/vontades de ser desembrulhado e comido.

Eu gosto de latex.

199962062120071121122930

É tarde. Talvez um pouco tarde de mais para estar aqui a escrever. Acordei engasgado e a tossir. Tinha já dormido uma hora e meia e quando acordo a meio da noite é sempre muito difícil tornar a agarrar o sono. Não, não é uma cena de terceira idade. Eu sempre fui assim. Aliás, eu acho um desperdício de tempo o acto de dormir. Por falar em desperdício, eu fiz uma exposição de desenho (se é que se pode chamar exposição…), foi uma exposição relâmpago, pois durou um dia e foi durante as actividades desenvolvidas no dia da minha escola. Fiz oito desenhos. Tive muitos visitantes/alunos, que não se pronunciaram, e cinco visitantes/professores, pelo menos esse foi o número dos que se pronunciaram. Para ser muito sincero, eu já estava à espera que o grau de agrado fosse baixinho por parte dos visitantes. Não porque eu ache que o trabalho não tenha qualidade (que mais poderia eu dizer?) mas porque ouvir os alunos a dizerem “Agora é que eu percebo porque é que o professor é meio estranho. Faz umas coisas estranhas…” é sintomático daquilo que as pessoas pensam dos meus trabalhos. Aliás, sempre foi assim e penso que sempre irá continuar a ser. Isso não me faz confusão. Fez-me mais confusão o facto de quase ninguém ligar ao assunto pois, afinal de contas, passados estes anos todos de convivência, foi a primeira vez que mostrei qualquer coisa minha. Paciência.

Só me dá vontade de os esganar.

alturas

Há alturas na vida em que pensamos no que andamos por aqui a fazer. Olhamos para todos os lados e só vemos asneiras atrás de asneiras. Pensamos que também nós as fazemos, e é verdade, mas são asneiras pequeninas, à dimensão da nossa pequenez e que não afectam a vida de terceiros. Pelo menos conscientemente, acho que nunca fiz nenhuma asneira grave de forma premeditada. Mas há muito “boa” gente que tem responsabilidades e que as faz intencionalmente. Isto tudo porque ouvi uma notícia na rádio que dizia respeito a um relatório que foi tornado público na Irlanda, sobre um colégio católico em que os padres abusaram sexualmente de crianças, rapazes com menos de seis anos, repetidamente e continuadamente sem que ninguém lhes dissesse nada ou os punisse criminalmente. Logo na Irlanda, que teve os problemas que se conhecem para que o catolicismo fosse aceite… para depois dar nisto. É verdade que existem violações de menores em todos os sectores da sociedade, mas no caso dos padres torna-se mais chocante pois a igreja católica diz-se defensora dos mais fracos e oprimidos e depois dá nisto. Quer-me parecer que, se os padres dessem umas valentes pinocadas como toda a gente (sem ser às escondidas e reprimidos) não haveria um descontrolo que todos sabemos que existe nas fileiras da tal “organização social”. O problema está, novamente, na divisão da fortuna da igreja. Pode parecer meio palerma eu dizer isto e podem pensar que lá vem mais do mesmo, mas o celibato foi imposto para que os padres não dividissem a riqueza acumulada com os seus descendentes, revertendo a mesma para os cofres da igreja. Foi assim que tudo começou e foi assim que eles fizeram a fortuna que possuem actualmente.

Gosto de os ver nos verdes campos.

20090504-104616-9

Se há coisa que eu gosto de ver, são tractores. Quando vou à terra da minha senhora, por volta de Novembro, há lá uma feira enorme (Feira dos Santos) que tem de tudo, gado, meias, queijo, presunto, passarinhos, roupas da tropa, enxadas e, claro está, tractores. São umas máquinas fantásticas, bonitas mesmo, com umas rodas de jantes alargadas que dá gosto ver. Pessoalmente, mas assim muito pessoalmente, gostava de dar umas valentes voltas num tractor daqueles mas acho que a coisa vai mesmo ficar pelo desejo, é que não conheço ninguém que tenha um para poder experimentar. Eu até era capaz de me meter a comprar um mas e depois, se não me ajeito com aquilo nas curvas, o que é que faço com ele? Se ainda tivesse uma garagem espaçosa ainda podia ser que, com muita conversa, fosse pegando nele ao fim de semana…

Afinal o Cristiano Ronaldo não é um garanhão.

800x600_2

Das audiências, não é de certezinha absoluta. Pelo menos aqui pelo blogue, a coisa não resultou. Nem com a ajuda do estratosférico Bolinha, que conseguiu números inimagináveis e que reencaminhou para aqui alguns incautos. Não tem problema, a única consequência será eu nunca mais falar para o Cristiano Ronaldo, porque ele não merece que eu fale com ele. E mais não digo sobre este assunto.