Paulo Bento: o crime compensa.

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Muito sinceramente, hoje só tinha duas hipóteses: ou falava do Presidente da República ou então virava-me para o Paulo Bento. Se pensarem um bocadinho, a resposta é clara. Paulo Bento. Porquê? Porque o Presidente da República é uma seca, não diz nada frontalmente, é tudo por meias palavras e depois não se percebe nada do que ele diz porque se baba todo. Já o Paulo Bento é diferente. O homem diz tudo com uma excessiva tranquilidade, muito pausadamente entre cada palavra, o que me levou ao desespero (isto no início) mas que aprendi a saborear e agora já só me rio. Quanto ao conteúdo, o meu treinador preferido para o Sbordem (mas somente para o Sbordem) diz uma data de barbaridades pela boca fora, quase todas sem nexo e com muito pouco tino, mas tem um mérito: diz todo aquele chorrilho de bacoradas muito depressa, o que se torna ainda mais engraçado, pelo contraste com a sua habitual postura tranquila. Isto tudo para dizer o quê? Que o nosso querido Paulo Bento apanhou doze dias de castigo. Ouviram bem! Doze dias de castigo! Pergunto eu. Isto é normal? Um verdadeiro condutor de homens (todos muito choramingões e lamechas, é certo), que teima em ser reincidente neste tipo de comportamentos, que só diz asneiras (palavrões mesmo, que até eu consigo perceber pelo movimento labial…), que invade o terreno de jogo aos berros de braço levantado e aos berros, chega à entrevista e desata a fazer acusações gravíssimas contra tudo e contra todos, tudo isto para quê? Para levar doze dias de castigo. Parece-me a mim que o crime compensa.

Que apertadinho.

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Dizer que me vi enfiado num buraco negro, é um pouco demais. Dizer então que vi a morte à frente, é um bocadinho de exagero. Mas que apanhei um susto daqueles, não é exagero. Vinha eu para casa, montado nela (na bela Scarabeo, quem haveria de ser?) e à saída da autoestrada, depois daquela curva toda que tem de se fazer, começo a ver um carro branco a vir em minha direcção, começo a abrandar para ver no que é que ia dar. Não dá em nada e quem lá vinha, vinha convicto. Começo a apitar desesperadamente. Nada. O carro não parava. Comecei então a gesticular desalmadamente e como já estava perigosamente perto, encostei-me todo à berma, até que o carro passa por mim. Era um velhinho que ia a conduzir, completamente desorientado e que só percebeu quando passou por mim, tal foi o chinfrim que eu consegui fazer. Travou, muito aflito, e lá fez marcha atrás… e eu lá continuei o meu caminho, com um calor por este corpinho… a que já não estou habituado…

Momentos de puro prazer.

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Hoje fiz uma cena de gaijos. Bem, cena de gaijos é um bocado exagerado. Também foram gaijas e não era exclusivo para gaijos. Fui dar uma volta de scooter. Uma grande volta de scooter. Andei por sítios que nem imaginava existirem. Fomos à aldeia da Pena, que fica no fundo dos fundos da montanha e para lá chegar foi difícil, muito difícil mesmo. Uma aldeia completamente isolada de tudo, toda feita em xisto preto (suponho que o xisto seja todo preto…) muito engraçada e só de imaginar o isolamento daquelas pessoas no Inverno, com aquele caminho cheio de neve… Foi um passeio que meteu almoço, muito bem servido, bem regado e com muita conversa pelo meio. Não só se falou de scooters, falamos de tudo menos de política, o que é engraçado num dia destes… Regressámos por estradinhas apertadas e pelo meio dos montes, cheias de curvas e foi um prazer absoluto conduzir a minha bela Scarabeo. No total foram trezentos quilómetros e fiquei satisfeito para uns meses. Claro que gostaria de ter partilhado esta volta com a minha rica senhora, mas desta vez era impossível esquecer as minhocas e ela fez-me a gentileza de aguentar com elas durante todo o dia (o que não é nada fácil…) para que eu pudesse ter este momento de prazer.

Avizinha-se um belo fim de semana.

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Ora aqui está o fim de semana. Eu sei que às duas horas da tarde ainda é hora de trabalho para muita boa gentinha, mas para mim, não. É claro que não tenho intenção de vir para aqui meter raiva a quem tem de trabalhar. Eu já trabalhei de manhã, mas este ano tive a felicidade de ficar com a tarde de sexta livre (deu para compensar as disciplinas que me calharam…). Mas não é disso que eu quero falar. É mesmo do fim de semana que começou. Ontem foi um dia complicado. Hoje descomplicou. Porque será? Vá-se lá perceber. Mas não importa, o que importa mesmo é que vou dar umas voltas na bela Scarabeo (comprinhas para fazer…) amanhã vou passar um dia na praia (espero eu que o tempo se mantenha assim…) e no Domingo vou em excursão de scooters dar uma volta por Viseu e arredores (antes de arrancar vou votar), com a minha senhora a ser sacrificada e a ter de aguentar com as duas minhocas insensíveis. Mas eu queria muito dar uma voltinha na bela Scarabeo…

Chegou a vez de lhe dar os parabéns.

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Finalmente tive um pouco de descanso, no meio desta turbulência toda que tem sido a minha vida. Momento de sossego para, finalmente, deixar aqui o meu mimo ao meu mano. Ele acabou o curso dele. Design de Comunicação. Está de parabéns. Ao fim  e ao cabo foram anos de algumas dificuldades e contrariedades, mas sempre com muita preserverança. Parabéns outra vez, porque nunca é de mais dizê-lo. Agora seguem-se outros ciclos, igualmente difíceis e complicados, mas estou certo que o caminho está trilhado e ele vai conseguir lá chegar. Boa sorte mano.

Olha se eu tivesse as férias marcadas.

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Falar de outras profissões é sempre arriscado. Principalmente quando não se conhece o seu mecanismo de funcionamento. Falo por mim, que já devo ter dito muito asneirada por puro desconhecimento da realidade, como também me farto de ouvir barbaridades em relação à minha profissão, vindas de quem não sabe minimamente do que está a falar. É assim a vidinha. Todos nós andamos aqui a tentar perceber o que nos rodeia e como nos sentimos rodeados… por isso mesmo e por isso tudo, não posso deixar de me irritar com esta greve dos pilotos da TAP. Eu não vou estar aqui a discutir se eles têm razão ou não (quem quiser que trate do assunto) mas parece-me completamente estapafurdio que a dois de novas eleições este pessoal se meta a fazer greve. Acho uma falta de tudo. Acho mesmo que se trata de oportunismo puro e duro, vinda de uma classe trabalhadora elitista e sempre vista como inacessível pelos comuns dos mortais (pronto, é uma rica vida, com sexo, hoteis e muito mais à mistura, e daí?) mas que deveria ter o bom senso necessário para evitar estas situações… foleiras.

Ai que sufôco.

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Não diria que me sinto esmagado. Seria forte de mais. Diria antes coertado. Este arranque de ano lectivo está ser difícil. Não estou com cabeça para isto e já dei por mim a equacionar (variadíssimas vezes) mudar de vida. Deixar o ensino e começar outra coisa qualquer. Não digo isto por causa desta mudança que houve no ensino porque, para ser muito sincero, concordo com os princípios que foram estabelecidos e qualquer professor bem intencionado facilmente concordará que era necessário uma valente varridela no sistema. Agora, se a varridela foi para debaixo do tapete ou para os olhos de quem estava a ver, isso é outro assunto que eu não vou abordar. Não é por isso que me apetece mudar de profissão. É mesmo porque já não estou a achar piada. Provavelmente daqui a um mês estarei já com outro ritmo e com outra pedalada que me vai obrigar a engolir tudo o que para aqui estou a escrever. Logo se verá.

Vá, fechem os olhinhos, que a imagem é mais forte do que o habitual.

sim,pois

Eu avisei, não avisei? É bem feito. Deviam ter mesmo fechado os olhinhos e procurado ler o que aqui vai. Mas não. É sempre a mesma história. Qualquer coisita mais fora do normal e as pessoas são impelidadas para o abismo. Por falar em abismo, é assim que me sinto. À beira do abismo e em biquinhos de pés, com os braços robustos a dar a dar. Não consigo qualquer tipo de reação. Com tanta coisa para fazer e sem energia para arrancar. Sem vontade e com uma produção muito baixa. Eu sei que a minha vida tem estado em pantanas, mas isso não deveria funcionar como desculpa, muito pelo contrário. O que me preocupa é que ainda agora cheguei de férias e já estou neste estado…