Arquivo mensal: Novembro 2009

Alto e pára o baile.

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Eu prometo que me vou ficar por aqui. Está na hora de partir para outra fase. Não posso e não devo estar sempre a falar da mesma coisa. Há que fazer uma viragem e encarar a vida com energia positiva. Não é que eu tenha uma visão negativista da vida, muito pelo contrário, mas as últimas vivências deitaram-me abaixo e deixaram as suas marcas. Toda esta insistência em falar deste assunto está relacionada com o facto de ter sido mais fácil, para mim, ultrapassar o medo, a ansiedade e a incerteza que senti ao longo destes meses todos e com mais intensidade nesta última semana. Daqui por uns tempos, largos, virei cá escrever sobre o que me ficou do problema que afectou a minha minhoca, CIA, numa perspectiva de divulgação dum problema que afecta muita gente. Como até lá a vida continua, continuemos, pois.

A família Prudêncio em breve voltará a estar reunida.

Budgerigar

Tudo isto ainda é muito recente e eu ainda não estou bem da moleirinha. Acho que ainda não tenho a capacidade de conseguir isolar estas emoções. Ainda sinto necessidade de escrever sobre elas. Não é que pretenda esquecê-las, porque não quero fazê-lo, muito pelo contrário, mas gostaria de ter uma perspectiva mais racional destas emoções.  Dou-me sempre melhor quando tento racionalizar os meus assuntos e com isso consigo levar uma vida tranquila. E é isso que eu quero, voltar à minha vida tranquila. Esta tranquilidade não foi só quebrada quando a minhoca foi operada, foi muito antes, quando soubemos que ela tinha CIA e tinha de ser operada. Entre exames, consultas, mais exames, entrevista com o cirurgião, passaram-se praticamente seis meses de incerteza e de medo, com toda a carga negativa que isso acarreta e a nossa vida foi tudo, menos tranquila. Por isso e por muitas outras coisas, eu quero voltar à minha vida tranquila.

Um passo de cada vez.

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Já consigo voltar aqui. Estou mais tranquilo. A minha minhoca mais pequenina está a recuperar muito bem da intervenção cirúrgica a que foi sujeita. Uma operação é sempre um risco, por muito que nos digam que tem um grau de dificuldade reduzido, ficamos sempre com medo que alguma coisa corra mal. As quatro horas de duração foram terríveis e não desejo a ninguém semelhante angústia e ansiedade. Foram quatro horas desesperantes. Felizmente tudo correu pelo melhor, já saiu da UCI e agora vamos começar a fase da recuperação para depois termos a nossa minhoquinha novamente aos saltos. Ela portou-se lindamente, foi muito corajosa e mostrou bem a sua valentia. É uma verdadeira vencedora e vai ter toda a sorte do mundo para a sua vida. Eu sei que este não é o local mais indicado, nem a forma mais correcta de o fazer, mas queria deixar o meu agradecimento a todos os meus amigos que me deram força e carinho nestes dias e, se faltei com alguma atenção, peço desculpa mas não foi possível ter a cabeça no devido lugar. Obrigado.

Pode ser tudo o que quiserem, mas é a minha opinião.

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Há uma coisa que eu já percebi. Na minha profissão, falar de professores, é um assunto delicado. Delicado porquê? Porque as posições dominantes são aquelas que devem ser entendidas como as mais correctas. Quererei eu com isto dizer que há um pensamento direccionado? Sim, claro que está direccionado para o interesse corporativista. Como em todas as corporações, há sempre um núcleo duro que define o caminho que deve ser trilhado. Neste caso específico dos professores, são os sindicatos que tomaram as rédeas de todo o processo. Se isso é bom ou se isso é mau, cada um terá a sua opinião, agora o que eu acho é que, independentemente das questões laborais e remuneratórias, custa-me ver os líderes sindicais a meterem o bedelho em assuntos que não lhes dizem respeito. A questão da avaliação deveria ser discutida por um conselho, uma ordem ou o que lhe quiserem chamar, onde seriam discutidos os “códigos” deontológicos da profissão ou que também quiserem chamar. Como os professores não têm nada disso, os sindicatos viram aí um janela de oportunidade (janela fica fixe…) e tomaram conta de todo o processo negocial. E por muito que queiram fazer passar a imagem de que estão a favor da avaliação, porque agora é impossível dizer que não sob pena de perderem o resto da opinião pública, a mim não me convencem. Tanto assim é que continuam a bater na mesma tecla e a exigirem que os professores que decidiram não entregar os seus objectivos e, por conseguinte a sua auto-avaliação, não sejam prejudicados, esquecendo aqueles que decidiram fazer tudo isso. No fundo querem premiar quem não cumpriu em detrimento de quem cumpriu. Pessoalmente estou-me a cagar para esta merda toda e inicialmente entrei na avaliação com a finalidade de a boicotar mas depois de ter assistido a tanto aproveitamento e a tanta manifestação de triste corporativismo, só quero mesmo é que o raio da avaliação continue e com verdadeiras consequências, ou alguém dentro do sistema acredita que o que existia funcionava e era justo?

Eu tentei, juro que tentei.

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Estive toda a tarde, mais uma para variar, metido em casa com as minhocas (a temática já começa a ficar repetitiva…) e desta vez achei que devia fazer qualquer coisa para mim. Nada de trabalho da escola, nem de casa, mas para mim, mesmo. Peguei numa bela folha de papel, branquinha, imaculada, sem uma única amarrotadela… e montei o estaminé na minha secretária, o meu estaminé. Preparei-me pois para começar a desenhar. Preparei-me outra vez. Preparei-me novamente. E continuei a preparar-me. De todas as vezes que iniciei esta tarefa de me preparar era sistematicamente interrompido pelas pequenas criaturas cá de casa. Ora se pegavam à pancada, ora andavam a correr pela casa fora uma atrás da outra, ora me vinham solicitar ajuda para arrumarem a estante, ora me questionavam sobre o envio de emails para as amigas do facebook, ora me pediam para lanchar. Foi toda a santa tarde nisto. Prepara, desprepara, prepara, desprepara. Assim ninguém aguenta e lá tive de guardar religiosamente a bela folha de papel, para uma próxima oportunidade, quiçá amanhã.

Em casa de ferreiro, espeto de pau.

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Ainda não está, mas vai estar. Logo ao fim da tarde vou oferecer ao chefe de repartição das finanças um excelente netbook da Asus, digo da Asus porque são os que eu gosto mais, bem equipado e com um ecran de dez polegadas vírgula um, daqueles que eu adorava poder ter. Nada mau, portanto, mas ele merece. Merece por ser eficaz e não descurar a fazenda pública. Conseguiu ir buscar uma multa por ter entregue documentação fora do prazo, há três anos atrás, numa confusão de papeis que se gerou na altura e que eu julgava ter ficado resolvida. Pelos vistos não ficou e agora vou ter de passar à acção…

Estas surpresas ocorrem sempre por esta altura, a tal de natalícia, que é para o pessoal se lembrar que tem de ser solidário com aqueles que mais precisam, o que quer dizer que já cumpri a minha parte. Vou é ter de pegar outra vez no lápis, que estava esquecido atrás da orelha, para fazer as contas todas, novamente. Bolas, bolas, bolas.

Vaiportugalvem.

British_Bulldog

Ver um jogo de futebol deste calibre, só dá mesmo é vontade de dormir. Que jogo fraquinho. Agora percebo porque é que tivemos de ir a um play-off… é que tirando alguns dos jogadores do fêcêpê, ou ex-jogadores do fêcêpê, o resto do maralhal andou sempre com o credo na boca. Muita coisinha vai ter de mudar até ao Mundial senão vimos de lá corridos e cheios de vergonha. A única coisa positiva neste jogo foi ver o contingente da GNR aos berros por Portugal. Quem diria que um dia iria achar piada à GNR?…

Balelas.

French_Bulldog_puppies

Continuando a saga familiar, hoje fiquei com as duas minhocas em casa. Uma porque está doente, a outra por uma questão de precaução. Não é que a minhoca mais pequena esteja com sinais de quem vai ficar doente, mas ficando eu por casa não há necessidade de ir para a escolinha. Agora, ficar enfiado em casa com duas terroristas… é dose. Tirando a parte do caos, acabo por ter tempo para ir fazendo outras coisas. Uma dessas coisas foi ter tempo para fazer um jantar calmamente (favas com chouriço para nós e frango estufado para as minhocas) e enquanto estava entretido ia ouvindo televisão. No caso, sic.notícias e um programa em que as pessoas podem telefonar para lá a expressar? a sua opinião. O tema era sobre a manifestação dos estudantes universitários. Nestes assuntos de estudantes universitários não consigo resistir a arrebitar logo as orelhas. Comecei por assistir a uma entrevista in loco com um jovem universitário, rosado, por sinal com um bom discurso, articulado (devia vir de algum partido político, na certa) mas completamente vestido com aquelas fardas ridículas que só os verdadeiros estudantes universitários conseguem desencantar… com um chapéu que não lembra ao diabo e que, segundo me parece, custam uma verdadeira fortuna. Quando atiram para a frente de uma manifestação um personagem deste género, a reclamar mais apoios para os pobres dos estudantes universitários, perdem logo toda a credibilidade. O dinheiro custa muito a ganhar, a todos e cada um faz dele o que muito bem entender, mas as associações de estudantes deveriam repensar as suas prioridades quando toca a hora de gastar o dinheiro nas queimas das fitas e afins e dirigiam esse dinheiro sem controle para ajudar os colegas de faculdade que mais necessitam. Eu bem sei que não é esse o objectivo dos fundos das associações, mas não lhes ficava nada mal terem algum tipo de sensibilidade para auxiliarem quem está em situação de carência financeira. Faz-me lembrar o  clero que faz muito barulho a pedir isto e aquilo, mas não é capaz de vender o ouro para ficar só com os dedos, das mãos, para trabalhar, e ajudar o próximo.

E assim se passou mais um belo dia, enfiado em casa, mas na companhia das minhas belas minhocas.

Família Prudêncio.

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Hoje fui ao Centro de Saúde onde estou registado, inscrito ou lá como se chama. Assim à primeira, pelo tom da escrita, poderia parecer que foi mais uma daquelas aventuras do farwest… mas não, nada disso e muito pelo contrário, fui super bem atendido. É certo que se trata de um Centro de Saúde com meia dúzia de anos e com todas as estruturas necessárias mas isso, por vezes, não chega. Desta vez chegou. Tinha apenas quatro utentes à minha frente para serem atendidos nas urgências à gripe A. A minhoca portou-se super bem, apesar da tosse constante e da máscara fashion que lhe comprei no Lidl e que lhe fazia alguma confusão para respirar… quando chegou a vez dela foi recebida com imensa simpatia pela médica de serviço. Lá tratamos de tudo o que tínhamos a tratar e regressámos a casa sem a certeza de que foi uma gripe A mas com a certeza absoluta que estava gripada.

Posto isto, vou ficar em casa pelo menos três dias a fazer companhia à minhoca… a dar-lhe a medicação e sem poder ir trabalhar.

Lalari lalari cucuru cucuru…

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Falar do tempo num domingo à noite, francamente, é mesmo de quem não tem nadinha para inventar. É verdade. Não tenho assunto nenhum. Passei o fim de semana inteiro dentro de casa. Só saí para colocar o carrinho do lixo e depois para o recolher. Mais nada. Convenhamos que foi pouca acção. Mas não poderia ter sido de outra maneira. Depois de duas noites a controlar febres (e hoje espera-me outra) a energia cá por casa não é muita e hoje de tarde até acendemos a lareira, pela primeira vez e sem estar grande frio, mas soube bem ficarmos todos esticados no sofá. Amanhã não sei como vai ser. Logo se verá. Para já, resta-me tentar adormecer ao som desta rica chuvinha, que ainda não parou de cair durante todo o santo dia.