Estava eu descansadinho a almoçar com a minha rica senhora, em amena cavaqueira, portanto (forma simpática de expressar a minha tentativa de participar na conversa), quando veio à baila o novo acordo ortográfico. Uma coisa que quase ninguém sabe é que a minha rica senhora é professora de Língua Portuguesa, Latim e, pasme-se, de Grego e, como tal (digo tal como podia dizer ao contrário… apeteceu-me) não está nada de acordo com o tal “acordo ortográfico”. Eu também não estou, mas a mim passa-me ao lado e vou continuar a escrever tudo como até aqui, quero lá bem saber. Agora os futuros nados e criados neste rectângulo à beira mar plantado é que vão ter de gramar com o dito acordo. O almoço foi decorrendo, a conversa puxa conversa e chegamos os dois a uma mesma conclusão. Perde-se tanto tempo, em notícias, manifestações, artigos de opinião, aberturas de noticiários televisivos e por aí fora, com o raio do casamento gay, que não interfere em absolutamente nada nas vidas dos portugueses, só daqueles a que diz respeito e, por outro lado estamos a deixar passar em claro um assunto tão importante, do qual ainda não temos a plena consciência das verdadeiras implicações que o mesmo vai trazer para as nossas vidas. É caso para perguntar onde anda o nosso ilustre descendente do trono português. Será que só vai a determinadas manifestações para dar o seu apoio e esquece-se das outras? Mistério. Lá terminamos o nosso repasto, sem qualquer trocadilho luso-brasileiro, mas com a convicção de que maiize loguinho pudêmu vê uma transa legau na têvê, assim como ninguém quer a coisa, se pintá um clima, a gentchi topa.
Aqui dentro está quentinho, lá fora não sei.
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Sei que o post é (bem) antigo, mas só agora descobri este site/blog.
Acho que todos estamos estranhando o acordo, e realmente apenas as crianças que realmente irão se utilizar plenamente dele. Nós “velhos” já não teremos mais tempo (ou paciência) de ficar reaprendendo as coisas.
Fato é que os professores de português sim, vão sofrer (ou, já estão sofrendo) bastante com este acordo, afinal, são eles que terão que ensinar o “novo português” aos pequeninos.
off topic: Achei muito legal o seu site, principalmente os posts “in Maria”.
[]´s
Olá,
Obrigado pelo comentário, de facto já foi escrito há uns tempos mas continua actual, pois o problema mantém-se. Cá por Portugal já tivemos algumas alterações nas nossas rotinas, nomeadamente com a entrada do euro e consequente confusão com as contas. Mas foi brincadeirinha, se comparado com a mudança de grande parte das palavras. Eu não sou entendido, apenas me sinto no direito de querer manter a minha forma de escrever e de falar. A língua não deve ser estanque, é verdade, mas os povos são tão diferentes que não me faz confusão que cada um tivesse as suas especificidades.
Abraço