Arquivo mensal: Junho 2010

Diga lá trinta e três.

Trinta e três mil, trezentos e trinta e três. Belo número. Apanhei-o quando olhei para o conta quilómetros da minha bela Scarabeo, a caminho da escola. São muitas horas de prazer na sua companhia. Oxalá ela se continue a portar bem, cheia de genica e conforto, porque por mim estou cá para as curvas.

São uns docinhos.

Na minha rua, ou seja, na rua onde fica a minha casa, vou assistindo repetida e paulatinamente a um clássico, daqueles que toda a gente já teve oportunidade de presenciar. Passo a explicar. Todas as semanas aparece uma senhora que estaciona o seu carro, sai e tranca o carro, para se meter dentro de um outro carro que está sempre estacionado um pouco mais à frente, com um senhor lá dentro. Depois arrancam vá-se lá saber para onde… Quem não presenciou este tipo de encontros? Só quem anda muito distraído, porque não é preciso estar muito atento ao que se passa na rua para perceber. Eu também reconheço que tive uma ajudinha para reparar nesta bem aventurança. É que a senhora chega num daqueles carrinhos papa-reformas (sim, daqueles que se metem à frente quando menos se espera…), é uma senhora dos cinquentas e tais, tipicamente portuguesa (bem avantajada, portanto), o senhor do outro carro também não lhe fica atrás e vem sempre numa carrinha comercial duma empresa qualquer. Estas coisas não escolhem idades, nem tão pouco estratos sociais. Haja saúde, que anda tudo atrás do mesmo.

Post caseirinho, caseirinho, caseirinho…

A vida lá continua. Entre papeladas que são necessárias preencher, reuniões que tenho de assistir e uma verdadeira parafernália de burocracias, lá vou eu indo, meio zombie e fazendo tudo mecanicamente. Chega a esta altura do ano e é sempre a mesma coisa, sempre o mesmo cansaço e só quero que tudo isto acabe o mais depressa possível. Entretanto, eu tenho vida própria, tá? O jardim está pronto e só faltam uns vasos para que tudo fique bem. Ufa, que deu trabalho. As minhocas estão a adorar e logo que chegam a casa vão para lá, saltar à corda, pintar numa mesa própria ou simplesmente ficarem à treta uma com a outra. Só por isto, já valeu a pena o esforço. Depois tenho uma carrada de livros para ler, que mal tenha um tempinho (guito) para comprar uma cadeira, daquelas para o jardim, em que quase se adormece só de nos enfiarmos nela, faço tensões (das verdadeiras) de despachar algumas leituras inacabadas para depois passar às novidades. Por incrível que pareça, ainda me faltam cinco desenhos para acabar as ilustrações que irão acompanhar o livro da minha rica senhora. Esta é, sem dúvida, a parte mais difícil porque precisava de ficar mesmo sossegado para conseguir ganhar força para terminar o trabalho. Vamos ver.

E assim anda o meu mundo, lentamente e sem pressas, mas com muita plenitude e muita certeza do que pretendo fazer.

Porque será?

“Não sei porquê, mas não consigo deixar de olhar com algum interesse para os decotes mais pronunciados das mulheres  ou para umas pernas bem torneadas. Será que estou com algum problema relacionado com a idade, por procurar ficar excitado com estes fétiches por pessoas mais novas? A minha mulher já se aborrece comigo.”

in Maria.

Fiat Panda do meu coração.

A minha relação com os carros é muito superficial. Não percebo muito de marcas e modelos. Tenho algumas noções básicas de como funcionam, de alguns cuidados a ter e pouco mais. Não acho que a minha vida deva ser condicionada por um automóvel e é impensável perder muito tempo à volta do carro. Devem-se contar pelos dedos de uma só mão as vezes que lavei um automóvel. Eu sei que aquela visão fantasmagórica da camisola caveada, o balde numa mão e a esponja na outra, com a barriga proeminente vai ser o meu futuro, mas até lá ainda tenho muitas coisas com que me preocupar e para fazer. Estou com esta treta toda, mas cada um é livre de comprar o balde mais bonito e a esponja mais fashion. Portanto, cada um tem as suas prioridades. Também há quem se reveja nos automóveis e que faça deles um apêndice sexual. Há muito boa gentinha que faz do automóvel uma ferramenta de engate, que impressiona pela sua potência ou beleza e eu também não tenho nada contra, pois cada um desenrasca-se como pode. Enfim, o automóvel dá para tudo e de certeza que todos nós conhecemos alguém que pode não ter mais nada em casa, mas tem uma bomba na garagem, que lhe confere status e uma imagem de sucesso. Lá está, são as prioridades. As minhas são outras. Mas voltando aos automóveis, tenho consciência de que é um mal necessário e, como tal, também eu preciso de andar enfiado num carro, para ir buscar as minhas minhocas, para ir ao supermercado e para todas essas necessidades que uma família comum tem. Mas gosto de fazer pelo mínimo. E o mínimo para mim é ter um carrito pequeno que gaste e polua pouco, mas que me sirva para aquilo que eu quero. Tanta coisa para chegar aqui. Eu gosto é do Fiat Panda. É uma paixão antiga. Não sei se algum dia irei ter um, mas que adorava, lá isso adorava.

Os sonhos são fodidos.

A memória já não é o que era. Não faz mal. Comprei um bloquinho para tomar notas. O grave é quando me esqueço de tomar notas. É o caso. Esqueci-me de assentar alguns pormenores e agora só me lembro de parte do assunto. Ainda por cima é um assunto “sonhável”, isto é, foi um sonho que eu tive. Eu sei que é horrível contar os nossos sonhos, mas não resisto e vou tentar ser breve, que os detalhes dos sonhos dos outros são o must do insuportável. Sonhei que a minha rica senhora era estudante universitária (portanto, uma moça pura e a acreditar que ia mudar o mundo), que vivia numa cidade qualquer do interior (que tinha um pólo universitário…) e que vivia numa casa alugada (casa, é uma forma de expressão, era mesmo um apartamentozinho). Eu bem tentava ir visitá-la aos seus aposentos e ela sempre dava uma desculpa. Umas vezes a desculpa era esfarrapada, outras fazia todo o sentido (aquela treta das frequências… e coisa e tal…) e lá ia eu vivendo esta realidade. Houve um dia que não deu mesmo para adiar a minha visita, já andava desnorteado por não conseguir estar na sua casa em verdadeira intimidade, vai daí meto-me a caminho, sem avisar. Chegado, toco à campaínha. Não sei muito bem porquê, aparece-me a minha rica senhora, nua, cheia de sono e a olhar para mim como quem não está a perceber o que lhe está a acontecer. Por acaso está calor, digo eu, assim meio atrapalhado, está um dia fantástico, estavas a preparar-te para ir para a praia? Como não houve resposta, acabei por entrar.  Conversa puxa conversa e acabei por ir para o quarto da minha rica senhora, porque o que eu queria era conversa. Entrei e deparo com quatro matulões na sua cama. Fiquei a olhar e perguntei o que estavam aqueles rapagões a fazer na cama dela. Normal, não? Digo eu. Ah, e tal, os apartamentos estão muito caros, é preciso dividir despesas, e não há nada como partilhar o apartamento com outras pessoas para se conseguir sobreviver, que esta vida de estudante é difícil. Como eu devia ter um ponto de interrogação enorme (não queria dizer na minha testa, porque isso sou eu a dizer fora do sonho…) estampado no rosto, a minha rica senhora apresta-se a dizer muito rapidamente que o apartamento só tinha um quarto e uma cama, por isso tinham de dormir todos juntos. Mas que isso não queria dizer nada, até porque ela dormia junto do mais gordinho, aquele só pensava em estudar e comer. Os outros ficavam do outro lado da cama. Entretanto toca o despertador e eu acabei por não ficar a saber as cenas do próximo capítulo. Fui vigiar um exame de língua portuguesa, com apenas um aluno, mas a pensar no que teria acontecido depois, no raio do sonho.

Se é só para se acalmar, acho bem.

“A minha mulher nunca está disponível para fazermos amor e as desculpas são as mais ridículas – dor de cabeça, cansaço, cócegas, comichão… Não acho isto normal e acabo por pensar demasiado em sexo. Já receio ficar perverso, pois, por vezes, para me acalmar, masturbo-me na casa de banho. O que devo fazer?”

in Maria.

A vida está difícil.

Neste final de ano lectivo, como é costume, o cansaço e a saturação são o pão nosso de cada dia. Por várias razões, mas a principal está relacionada com a enorme burocracia que é necessário finalizar para que a cabeça e o corpo possam, finalmente, relaxar. No meio desta confusão toda, vou perdendo a capacidade de ir acompanhando as novidades que vão surgindo no sector da educação. Apenas me limito a espreitar aqui e ali, vou ouvindo uns noticiários e pouco mais. Não que seja um incondicional, fervoroso mesmo, interveniente no que diz respeito à minha profissão. Tento formar as minhas opiniões através do que me chega ao conhecimento, como me parece óbvio, e bem ou mal lá vou tendo as minhas ideias. Isto tudo porque me parece que vai haver uma revolução nas escolas. Revolução pode parecer uma palavra demasiado forte, mas é disso que se trata. A criação dos mega-agrupamentos vai mudar muita coisa e as reacções não se têm feito esperar. São reacções muito focalizadas nos directores das escolas que vão ser “chupadas” pelas maiores e que vão deixar de o ser. Fala-se de mil lugares de director e adjunto que se extinguirão, ou seja de muitos milhões que não serão necessários pagar. Os representantes dos directores já manifestaram o seu desagrado, os professores não mexem uma palhinha, por ressabiamento para com eles devido às suas posições do passado. O homem do bigode vem com a treta da pedagogia que sai prejudicada no meio desta fusão que se prepara. Como ainda não tenho cabeça para me concentrar nisto tudo, fico a aguardar o desenrolar dos próximos capítulos…

Venham mais destes.

Este fim de semana foi muito diferente, muito agradável e divertido. Fomos com os suspeitos do costume… passar o fim de semana no Parque Biológico de Vinhais, e foi uma surpresa muito positiva. Ficamos em dois bungalows, completamente equipados e muito apetitosos. Visitamos a quinta, com os animais, as minhocas (bem, foi só a mais velha… que gosta de aventura…) andaram de burrinha (chamava-se Rosita…) à volta da quinta, numas albardas muito coloridas, e deram de comer às ovelhas, galinhas, patos e às cabras, na boquinha, mesmo ao pé dos animais, como nunca tinham estado antes. A pequenada adorou. A minhoca mais pequena, que por um lado tem medo de andar de burro, mas por outro é muito mais desenvolta, aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas. Foi mesmo muito engraçado. Ai se fosse mais pertinho… desconfio que passava lá muitos fins de semanas.

Como estas coisas da natureza são mesmo assim, aquele ar do monte e as caminhadas abriram-nos o apetite e comemos desalmadamente, acompanhados pelo belo tinto. De tal maneira, que nem me atrevi a ir espreitar à balança…

 

 

Aquecimento global.

Gosto de dicas. Não lhes ligo nenhuma, mas gosto de dicas. Todas as dicas são generalistas e é por isso que não lhes ligo. Mas quando me aparece um dica baseada na experiência pessoal, aí eu arrebito as orelhas. Gosto das dicas pessoais, daquelas que são inventadas, quiçá num momento de devaneio mental ou muito simplesmente porque foram vividas e posteriormente revividas. São estas que nos trazem sempre uma mais valia porque são genuínas. São, por assim dizer, feitas à medida, tal e qual um alfaiate que nos tira as medidas e nos dá tudo aquilo que nós queremos. Por falar em medidas, durante a leitura diária dos blogues mais importantes para a minha vida, e que foram seleccionados tendo em atenção a capacidade dos autores em me encherem as medidas, dei com um post bem interessante, cheio de experiências pessoais e de dicas. Mas daquelas que eu gosto.