Dedicado ao meu amigo Telmo.

“É o oposto do avarento. O pai pródigo é riquíssimo em filhos. A fortuna do pai pródigo consiste nos filhos. Está sempre a fazer filhos como as plantas gordas. Mesmo na barriga da mãe, como todos nós, fez um filho que é ele mesmo. Dá esperma, muito esperma, muitas vezes, para vários bancos de esperma (o esperma do pai pródigo não cabe todo num banco só). Fica com os filhos todos para ele e simultaneamente está sempre a dar os filhos todos a toda a gente e a tudo. O pai pródigo nunca se afasta dos filhos. Há sempre prendas para todos e muita comida, tanto slow food como fast food. É sempre festa, sempre Natal, sem que ninguém se suicide ou tenha vontade de se suicidar no dia de Natal. Ao pé do pai pródigo é sempre Natal. Um Natal e pêras em calda.”

in Obra, Adília Lopes.


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5 Responses to Dedicado ao meu amigo Telmo.

  1. mónicaNo Gravatar says:

    Perfeito. Não podia ser melhor!

  2. adminNo Gravatar says:

    ihihihih faz mesmo o jeitinho dele :)

  3. BossNo Gravatar says:

    Eu devo ter um problema qualquer, pois esta não me cai no goto, como acontece com tantos … mas, ainda assim, isto é melhor, um pedaço, que os poemas. Intragáveis e inqualificáveis, na minha opinião (não são comestíveis nem estão dotados de qualidade, digo eu).

  4. adminNo Gravatar says:

    eheheheh
    Também a essa hora da noite… a Adília ainda parece mais assustadora… :)

  5. TelmoNo Gravatar says:

    Kakakaka… Muito bom… é a vidinha, é a vidinha… :)

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