Arquivo mensal: Setembro 2010

Buum buum buum buum buum buum bumm… and so on…

Trance psicadélico. Mais uma vez começo um post assim. Mas de momento é o que me entretém, para ver se consigo deixar de pensar tão negativamente. Não é que esteja com princípios de depressão ou qualquer coisa semelhante. Apenas vejo as coisas mal paradas. Com esta situação toda que o país atravessa, com mais estes cortes que decidiram fazer e que, no meu caso, me vai afectar fortemente. Claro que posso sempre pensar que há pessoas em muito pior situação, mas esse é o argumento dos nossos governantes para nos convencerem da justiça das medidas que tomaram. São balelas porque todos sabemos que o que ainda ia aguentando o consumo era a classe média, na qual eu me incluo, e que a partir de agora vai deixar de comprar porque o guito já não chega. Dá-me a impressão que vamos entrar numa bola de neve que não vai parar nunca. Por isso, venham as compensações, e é por elas que nos devemos esforçar. No meu caso é muito simples: rir mais com as minhas filhas e com a minha rica senhora, fazer o amor com a mesma rica senhora, preocupar-me com as pessoas de quem gosto e conseguir algum prazer individual que, por hoje e agora, passa por ouvir o belo do sheik psicadélico, cheio de energia positiva.

Estes dois davam jeito, lá por casa.

Ser um feliz proprietário de uma habitação (a meias com o banco, é certo, mas proprietário…) tem que se lhe diga. Passo então a dizer que a manutenção da habitação é uma dureza. Em todos os aspectos. Quando não pode passar pelas minhas mãos, tenho de recorrer a alguém que saiba da poda (sem ph) e pagar-lhe, situação que me aborrece porque basta qualquer desviozito e lá se vai a estabilidade do orçamento familiar. Mas adiante. Quando calha a ter de ser eu a fazer, pois que remédio, faz-se. Ontem calhou-me ter de subir ao telhado. Limpar as caleiras. Rotina anual e que me deixa sempre satisfeito pois a vista para a pista do aeroporto é ainda mais poderosa. Gosto de por lá ficar uns bons momentos, sossegado, antes de passar à limpeza das caleiras, propriamente dito. Subo sempre com um balde vazio e retorno com ele cheio de paus dos ninhos das pombas, penas, ovos e terra que as filhas da mãe vão acumulando durante um ano. Já estou farto de as aturar e, se pudesse, traçava-as de cima a baixo. Que me desculpem os amigos das pombas, mas aquelas criaturas são uma autêntica praga que dão cabo de tudo. Por isso, se alguém souber de uma forma pacífica de as enxotar do meu telhado para sempre, eu agradeço imenso todas as dicas. E assim foi passada a manhã do meu domingo.

Neste mundo há pessoas que não deviam cá estar!

Só hoje tive oportunidade para vir aqui relatar o que me aconteceu ontem. Ia eu muito descansadinho na minha bela Scarabeo, para variar, a caminho da escola e em plena auto-estrada e, como sempre faço, numa velocidade de cruzeiro, ou seja, a cento e vinte quilómetros por hora. Não é muito nem é pouco. É mesmo para ir descansado. Até aqui tudo normal. Quando vou numa recta enorme que existe na zona de Vila do Conde, completamente descontraído e a pensar na minha vida, dou por mim a levar com um carro pela direita. Sim, pela direita. Numa recta sem trânsito, com duas faixas de rodagem, sou ultrapassado pela direita. Ultrapassado é uma forma simpática de descrever a maior tangente que levei na minha vida e que me deixou a tremer pois bastava um ligeiro desvio na minha trajectória e batia num carro que nunca deveria estar ali. Cair de mota nunca é bom, então cair a cento e vinte é que não deve ser mesmo nada bom. Não consegui entender o porquê de tudo aquilo e ainda bem que não levei a pistolinha pois deu-me uma vontade daquelas de ir atrás do rapazinho e dar-lhe dois tiros.

 

Como eu gosto destas coisas.

Já tinha saudades de voltar ao assunto. À vaca fria, mesmo. O homem que se auto-intitulou de catedrático do futebol anda cabisbaixo. Até eu ando triste por o ver assim. Aliás, não se percebe muito bem como é que uma pessoa daquelas, com uma auto-estima… inestimável, anda tão arredado do estado eufórico que todos os portugueses deram conta no ano passado. Não percebo, pronto. Afinal, sempre é um catedrático do futebol, bolas. Não é um personagem qualquerzinho! Acho mesmo que anda meio Portugal intrigado e a perguntar-se sobre as razões de tal melancolia. Já várias teorias passaram de boca em boca, de mão em mão e de televisão em televisão. Ele foi Roberto, ele foi o Mundial que deixou os jogadores de férias até tarde, ele foi o Gaitan que precisa de tempo, ele foi a ovelha choné que andou a ser assediada pelos maiores clubes europeus, até que chegamos à cereja no cimo do bolo: os roubos de arbitragem. A mesma tecla, sempre. Perante tais argumentos, só me dá mesmo para ir assistindo e rindo das bacoradas que vão sendo ditas. Só me falta mesmo é assistir a uma qualquer entrevista do presidente do clube das gaivotas em que este se auto-intitule de catedrático da presidência de clube, ou uma semelhante treta, pois estão bem um para o outro, em todos os aspectos… e sempre podiam contribuir para o enriquecimento do palmarés daquele clube, uma vez que seria o único em Portugal a ter dois catedráticos de qualquer coisa e, pasme-se, ao mesmo tempo!

Isto tudo, sempre com óculos.

Está a ser uma bela tarde. Enquanto vou desenhando o que me falta para acabar (finalmente) o belo livro da minha rica senhora, vou ouvindo o belo do sheik, bebendo qualquer coisita (que não digo o quê), faço uma pausas para fumar uns cigarritos (sim, não fumo em casa)  ao mesmo tempo que vou lendo uns suplementos de jornais que tenho para aqui pousados à espera de vez. Entretanto, para não deixar muita coisa para trás, vou pensando na estruturação do trabalho de ilustração que vou fazer com os meus alunos (eles merecem). É uma vida difícil, conseguir fazer tudo isto ao mesmo tempo. Fui.