Arquivo mensal: Novembro 2010

Greve menos geral.

Não tenho tido tempo para ler sobre a greve geral de ontem. Corro, portanto, o risco de vir para aqui repetir o que se deve ter escrito sobre o assunto. Para começar, calha bem referir que eu não fiz greve. Estou, portanto, no meu pleno direito. E não fiz greve por uma simples razão. Não concordei com a realização de uma greve numa altura particularmente difícil para o país. Ninguém sabe, ou é capaz de afirmar, quanto custou ao país, em cash, um dia de paralisação. O governo atira para cima, os sindicatos nem sequer estão interessados no assunto. Mas eu estou. Principalmente quando se andou às voltas para se aprovar uma merda de um orçamento, em que as negociações para conseguir um acordo de merda foram o que todos nós sabemos e em que o valor em disputa eram quinhentos milhões de euros. Sinceramente, não acredito que o valor desta paralisação ande perto desse valor, mas seja ele qual for vai-nos sair do corpo. Tomemos como exemplo o caso da Tap. Empresa estatal, cronicamente deficitária, que todos os anos recebe uma data de dinheiro do estado, logo de todos nós, e que, por força da greve, anulou perto de duzentos vôos. Quer-me parecer que este dinheirinho que se perdeu dos tais duzentos vôos vai ter que entrar vindo de algum lado. Provavelmente, quando houver coragem para vender aquilo, já num estado deplorável e bem baratinho, e os novos donos decidirem despedir não sei quantos trabalhadores, talvez aí os sindicatos percebam que em vez de depauperarem a empresa deviam era ter trabalhado para a tornarem mais rentável. Peguei neste exemplo mas podia ter pegado em muitos outros pois situações destas são o pão nosso de cada dia. Pronto, agora já me podem chamar nomes por não ter feito greve.

O primeiro de muitos anos.

Faz hoje um ano que a minha minhoca mais pequena foi operada com sucesso. Cá por casa vivemos momentos muito difíceis, que já lá vão e que nos fizeram rever as prioridades desta vida. A minhoca está para as curvas e feliz. E isso, não tem preço. Hoje é dia de festa cá em casa. Um beijinho para ti minhoca 🙂

A greve.

Isto de se fazerem greves gerais tem que se lhe diga. Há muitas considerações a serem tomadas em conta. Cada um terá as suas. Ou seja, o que eu penso ou deixo de pensar, apenas a mim diz respeito. Se generalizarmos, fica tudo bem e esclarecido. Será assim tão difícil perceber isto? Se calhar é. Mas adiante. É que no meio disto tudo, há um aspecto que me faz alguma… impressão, por assim dizer. Tem que ver com o guito. Não que eu seja uma pessoa muito preocupada com o guito, ou em amealhar muito guito. Nunca estive para aí virado, e basta olhar para a minha vida para facilmente se perceber que o guito tem a importância que tem. Ponto. Mas faz-me confusão que haja tanta pressão, por parte dos sectores sindicais e associados… para que as pessoas façam greve. Numa altura em que o país está de rastos, em que as medidas que foram tomadas são irreversíveis e o que faz mesmo falta é gente a produzir riqueza, venham estas pressões ferozes para que as pessoas façam greve e abdiquem de não sei quantos euros. Este é um lado da questão, que está intimamente ligado com outro, que sempre me intrigou. Como todos sabemos, os dirigentes sindicais estão isentos do seu trabalho. Estão isentos de exercerem a sua profissão. Está na lei. Portanto, já não sabem o que é trabalhar, realmente, há muito tempo. Mas são precisamente estes dirigentes quem mais incentiva à greve. Sempre me questionei sobre o modo de funcionamento laboral destes dirigentes. Em caso de greve, o homem de bigode, que é parecido com a mãe, do sindicato dos professores desconta esse dia por qual entidade? Será que é pelo Ministério da Educação? Será que é por… não sei, não faço a mínima ideia. Mas uma coisa eu descobri. E não foi neste sindicato, foi o dos policias. Existem créditos sindicais, ou qualquer coisa assim do género, que lhes permitem fazer a tal greve sem descontarem um cêntimo que seja. Pelos vistos tem sido prática comum em todos eles… se eu fosse católico diria: Deus lhes perdoe…

Quem me manda a mim ler o que não devia.

Ia agorinha mesmo começar a trabalhar na preparação de mais um módulo. Mas mesmo antes disso, decidi dar uma vista de olhos na página do Público online. E uma notícia chamou-me a atenção. Dizia mais ou menos o seguinte: A Caixa Geral de Depósitos teme debandada de quadros por causa dos cortes salariais. É daquelas notícias que dão a volta ao estômago. Não sou tão lerdinho que não consiga perceber a importância de gestores no funcionamento das empresas, e em Portugal temos bons exemplos de sucesso (e ainda bem) mas também temos dos gestores mais bem pagos na Europa e os resultados globais ficam muita aquém daqueles que são obtidos lá fora. Ou não estivesse a economia portuguesa no estado em que está. É claro que se pode dizer sempre que isto está assim porque é o estado que gasta de mais. Também é verdade, mas quantos e quantos exemplos de má gestão é necessário referir para que as pessoas se capacitem que os gestores portugueses estão a precisar de uma reciclagem e de arejarem as ideias? No caso especial da CGD, sendo do estado, é deixá-los ir. Que vão para a concorrência privada. E apostem numa nova geração, com vontade de trabalhar e que não seja tão gananciosa (eu sei, é difícil…), é que todos os anos saem fornadas e fornadas de novos gestores cheios de vontade. E pronto, era isto, e agora vou começar a fazer o que tinha previsto.

Adília Lopes

Rosa dentro da rosa dentro da rosa

azulejo iluminura filigrana

joelhos nuca sovacos unhas

não quero quebrar

o dom de estar viva

a doçura dos mistérios

o dom do teu corpo

o teu cheiro a tua voz

o teu olhar o teu sorriso

as minhas lembranças de ti

beijo repetidas vezes

a tua boca fechada

estás debruçado sobre mim

e sorris-me

somos bons um para o outro

posso ter filhos de ti

sabemos isso

 

in Obra.

Do alto dos seus anéis em ouro.

Dizem os bispos portugueses:

“As medidas de austeridade, para merecerem acolhimento benévolo dos cidadãos, têm de ser acompanhadas de forte intervenção na correcção de desequilíbrios inaceitáveis e de provocantes atentados à justiça social. É hora para pôr cobro à atribuição de remunerações, pensões e recompensas exorbitantes, ao lado de pessoas a viver sem condições mínimas de dignidade.”

Está tudo muito certo, mas não me constou, ainda, que a igreja portuguesa faça uma declaração correcta dos bens que recebe todos os anos (em cash e outros…) por exemplo, do santuário de Fátima. E que depois pegue nessa declaração de “rendimentos” e faça uma aplicação real junto dos mais necessitados. Isto depois de ter retirado a verba necessária para o seu próprio funcionamento…

Para o que me havia de dar.

Hoje fui correr. Pela segunda vez, em três dias. Começo a achar um exagero. Por este andar ainda vou acabar a correr todos os dias. Não pode ser. O exercício físico faz muito bem, e coisa e tal, mas não posso exagerar, apesar de achar que sou um ser humano muito dado aos exageros. É que nesta idade não me posso permitir a gastar toda a minha energia em corridas e coisas afins. Não pode ser. Já sei que logo à noite vou estar todo partidinho e vou cair na cama que nem um patinho. Não pode ser. E então a minha rica senhora? Vai ficar a ler um livro, comigo a nanar ao lado. Não pode ser. Bem sei que a habituação ao exercício custa no início e que depois é sempre a rolar, mas não sei não, ainda me rola uma perna pela rua fora e as coisas podem complicar-se. Tirando as cigarradas e os copos de vinho, não faço grandes estragos neste belo corpinho… por isso continuo muito desconfiado desta súbita vontade de fazer exercício físico violento.