Greve menos geral.

Não tenho tido tempo para ler sobre a greve geral de ontem. Corro, portanto, o risco de vir para aqui repetir o que se deve ter escrito sobre o assunto. Para começar, calha bem referir que eu não fiz greve. Estou, portanto, no meu pleno direito. E não fiz greve por uma simples razão. Não concordei com a realização de uma greve numa altura particularmente difícil para o país. Ninguém sabe, ou é capaz de afirmar, quanto custou ao país, em cash, um dia de paralisação. O governo atira para cima, os sindicatos nem sequer estão interessados no assunto. Mas eu estou. Principalmente quando se andou às voltas para se aprovar uma merda de um orçamento, em que as negociações para conseguir um acordo de merda foram o que todos nós sabemos e em que o valor em disputa eram quinhentos milhões de euros. Sinceramente, não acredito que o valor desta paralisação ande perto desse valor, mas seja ele qual for vai-nos sair do corpo. Tomemos como exemplo o caso da Tap. Empresa estatal, cronicamente deficitária, que todos os anos recebe uma data de dinheiro do estado, logo de todos nós, e que, por força da greve, anulou perto de duzentos vôos. Quer-me parecer que este dinheirinho que se perdeu dos tais duzentos vôos vai ter que entrar vindo de algum lado. Provavelmente, quando houver coragem para vender aquilo, já num estado deplorável e bem baratinho, e os novos donos decidirem despedir não sei quantos trabalhadores, talvez aí os sindicatos percebam que em vez de depauperarem a empresa deviam era ter trabalhado para a tornarem mais rentável. Peguei neste exemplo mas podia ter pegado em muitos outros pois situações destas são o pão nosso de cada dia. Pronto, agora já me podem chamar nomes por não ter feito greve.

5 thoughts on “Greve menos geral.

  1. admin Autor do artigo

    Olá,
    Cá para mim, os sindicatos são como a vaselina… pararam no tempo. Já não se usa. Hoje em dia há produtos muito melhores. Não é pelo facto de se fazer uma greve geral (que não passou de uma guerra de números) que as coisas vão mudar. Não seria muito mais chocante reunir cem mil pessoas a um sábado, em Lisboa e Porto ao mesmo tempo? A produção nacional não sofreria ainda mais e as pessoas teriam o seu momento de protesto…
    A democracia é assim mesmo, as pessoas são eleitas e quem quiser os que lá estão, que vote neles… mas isso são outras conversas…

  2. João Carlos

    Porque fazemos contas ao custo de uma greve geral em que o nosso povo se queixa da miséria em que esses palhaços nos meteram, se o palhaço mor paga um estádio de futebeol em Israel? Nós pagámos esse estádio… Deixem-se de defender quem vos empala… e vocês ainda pagam a vaselina.

  3. admin Autor do artigo

    Kakakakakaka
    Eu não sou bom nem mau… sou assim-assim, fraquinho 🙂
    E não podia estar mais de acordo: no meio disto tudo os do clube da gaivota é que sofreram muito, taditos 🙂
    Abraço para os dois amigos 🙂

  4. Tomás

    Estamos em lados opostos mas a sofrer as mesmas consequências. Quanto aos custos da greve podem ser mais ou menos de 1/2 visita do papa ou 1/3 de uma reunião da Nato portanto, trocos. Mais, se formos a ver pelos números da Ministra, o impacto deve ter sido quase nulo. Eu de um lado e tu do outro a levar com as intolerâncias dos outros. Mas pior que nós estão os Benfiquistas, esses é que sofreram com a greve.

  5. Telmo

    És um exemplo para a sociedade! Falta saber se bom ou mau… eu cá acho que bom, mas isso sou eu, que sou mau… 🙂

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