Arquivo mensal: Março 2011

Cenas do quotidiano.

Como se costuma dizer: cada um sabe de si. Posto isto, convém acrescentar que existe o princípio de cada um ser responsável pelos seus actos. Passando ao prato principal, apercebi-me de uma notícia que tem andado no ar, mas que não tem tido grandes reacções. Estou-me a referir ao números apresentados hoje sobre a interrupção voluntária da gravidez. Pelos vistos, o total do ano de 2010 foi menor do que o anterior (perto de quatrocentos a menos) e, ao contrário daquilo que foi apregoado pelos defensores da vida, não houve nenhuma escalada de ivêgês por esse país fora. Sempre fui favorável à lei em vigor, mas também estou admirado, embora por outra razão. É que em tempos de crise costuma acontecer um fenómeno inexplicável, que é o aumento do número de pessoas grávidas, precisamente nas camadas mais desfavorecidas pela crise e que poderiam rejeitar levar a gravidez até ao fim. Acabo como comecei. Cada um sabe de si, mas fico muito mais tranquilo por ficar a saber que estas decisões continuam a ser tomadas conscientemente, pelo menos na sua grande maioria.

Vanessa.

Comparar os animais às pessoas é, em última análise, despropositado e poderá parecer uma inversão de prioridades mas se esquecermos tudo isso e nos virarmos para os nossos fieis companheiros, facilmente lhes damos a importância que eles merecem. Hoje é um dia triste cá em casa. A nossa Fox partiu e com ela levou muitas alegrias e brincadeiras. Tinha nome de gente e foi tratada como gente.Foram quase quinze anos juntos, cheios de energia e de boa disposição que só ela sabia expressar. Partiu mas ficou nos nossos corações.

Post pequenito.

O direito à greve está consagrado na constituição portuguesa. Ponto final. Sem discussão. O que eu não percebo e questiono é o porquê destas greves que se vão sucedendo no país. Já se tinha percebido que não iria haver mais guito para ninguém. Agora, com um governo em gestão, é que não vai mudar seja lá o que for, por isso não entendo o porquê de se manterem greves que só prejudicam a vida das pessoas, para já não falar nos prejuízos que as mesmas trazem às empresas. Não percebo isto. Alguém me consegue explicar o que se passa com esta gente.

Paulo Futre. Um nome impronunciável, em chinês.

As sextas à noite servem para muita coisa. Uma delas é sair. Outra é beber uns copos na companhia de quem se gosta. Outra ainda é namorar ou fazer o belo do amor. Mas há uma que é insubstituível e que comanda todas as outras. RIR. Se não houver riso, pouco mais sobra. Cada um terá as suas razões para se rir. Eu, claro está, tenho as minhas. Gosto de me rir na companhia dos que mais gosto, é natural que assim seja, mas também gosto de me rir quando tem de ser, quando me deparo com situações que só dão mesmo riso. Hoje não se falou de outra coisa. Pode o país estar virado de pernas para o ar que não se falou de outra coisa. Qual avaliação dos professores, qual quê? Qual mau humor do Engº, qual quê? Qual entrevista do próximo pinóquio, qual quê? Melhor, muito melhor. Muitos furos acima de uma qualquer entrevista do xorxechesus a mascar aquelas intermináveis chiclas. Sem mais palavras, confira aqui, sócio.

Avaliação do Desempenho Docente.

No meio desta vida toda, eu também trabalho. E hoje foi dia de trabalhar até mais tarde. Estive numa daquelas reuniões dos cursos profissionais, sempre marcadas fora do horário lectivo… de preferência à hora em deveria estar à saída da escolinha das minhocas. Um desarranjo, portanto. Mas adiante, que se faz tarde. Só há pouco pus a minha leitura em dia. Leitura dos blogues, dos jornais e de outras coisas mais. Tudo normal, portanto. O que eu não achei nada normal foi ter lido uma notícia sobre a apresentação de um projecto lei, ou lá como se chama, que visa suspender a avaliação do desempenho docente, cuja origem está no psd. Fiquei corado. Corado de vergonha e enxovalhado. Não que estivesse de acordo com esta ADD, mas pela forma como tudo isto acontece. Mais uma vez os professores vão ficar colados a uma imagem de verdadeiro oportunismo. Então estiveram à espera deste dia seguinte para apresentarem tal projecto? É de bradar aos céus tamanho oportunismo e despudor. Temos uma classe política nojenta e sem escrúpulos. Quem me ouvir até pode pensar que eu desejava que o raio da avaliação continuasse como estava, mas acabarem com ela desta forma, dá-me vómitos. Ainda estou para ver qual vai ser o discurso do senhor do bigode, parecido com a mãe.

Com pouca energia.

Desde ontem à noite que estou de cama. De molho. Com arrepios e cheio de frio. Com uma gripe daquelas, que não fazem sentido nesta altura do ano. Depois de umas suadelas valentes, que o meu amigo aspegic me fez dar, estou francamente melhor e amanhã já devo ir trabalhar. Para terminar o dia o nosso querido líder demite-se. A vida continua, mas sem ele a coisa vai ter menos piada…

Sbordem. Eles que se amanhem!

Vir para aqui escrever sobre outros clubes é um pouco perda de tempo. Mas não resisto. E ultimamente nem tenho perdido muito tempo, como se pode facilmente constatar. Deixei-me disso. Mas desta vez não resisti mesmo. Isto tudo porque ontem à noite, e foi sem querer, parei num canal de televisão que estava a dar um debate com os candidatos à presidência do Sbordem. Mais uma vez fiquei chocado. Não com a peixeirada que por lá pairou, e quando digo peixeirada é sem ofensa às peixeiras, mas sim com a falta de categoria daquela gentinha que sempre se auto-intitulou de diferente e acima dos valores morais do mais comum dos mortais (quase que fazia um versinho). Para um clube de viscondes, estes candidatos ficam muito a desejar e, sem prestar muita atenção ao que para lá iam gritando, deu para perceber que há por ali muita arrogância, muita raiva, muita necessidade de aparecer, muita demagogia e, acima de tudo, uma vaidade que não se aguenta. Eles eram cinco e agora, quem quiser, que encaixe estes adjectivos em cada um deles, que eu não estou para aí virado.

Puxa vida! Cigarro electrónico é mesmo legau!

Está quase a fazer um mês que comecei a fumar electronicamente. É uma pirosada técnica e só dá mesmo para rir quando digo às pessoas que estou a fumar um cigarro electrónico. O que eu sei, e pirosadas à parte, é que está a dar um resultadão e estou com os meu pulmões em muito melhor estado. Como bom curioso, registei-me num forum sobre o assunto, que aconselho vivamente (tal é a quantidade e qualidade da informação que por lá paira), e estou a começar a perceber melhor o assunto. Claro que um forum deste género pode confundir quem acaba por lá cair sem saber ao que vai, mas isso é como em tudo e ao fim de uns tempos começa-se a digerir melhor toda aquela informação. Para já estou mais interessado em conseguir deixar de fumar o dito cujo em papel, depois se verá se vou ficar, ou não, agarrado às baterias, aos filtros e aos carregamentos…

Um beijinho para as minhas meninas.

Há oito anos e picos que comecei a ser pai. Nunca tinha sido e por isso mesmo, não sabia no que me ia meter… como aliás, ninguém sabe. Isto de ser pai, tem dias. É como os interruptores. Umas vezes estão para cima e outras vezes estão para baixo. Muito previsível? Também acho, mas é mesmo assim. Os filhos, quando aparecem, passam a ser parte da nossa vida, uma parte indissociável do nosso dia a dia, com tudo o que isso tem de bom e tudo o que tem de mau. Mau poderá parecer uma palavrinha cruel, para retratar as nossas lindas criancinhas mas, por vezes, elas conseguem ser muito piores do que isso tudo junto. Só quem não os tem é que não percebe o que eu quero dizer. Mas, e há sempre um belo mas, as nossas criancinhas são uns pequeninos seres vivos que nos conseguem encher as medidas, quando menos esperamos e da forma mais surpreendente e é por isso tudo e mais alguma coisa que as amamos de forma incondicional. Nunca é demais repetir.

Marrocos. Chique a valer – parte III.

Voltando para a beirinha da piscina. Marrocos está realmente a crescer. Apesar de todos os dias vermos na televisão imagens de manifestações, um pouco por todo o Magrebe, aquele país está tranquilo. Explicou-nos o nosso guia que as mulheres Marroquinas gostavam muito do Rei e, ao contrário dos outros países, não espicaçavam os homens da casa para que estes se revoltem. Pareceu-me uma explicação plausível porque veio de um rapaz novo que, apesar de beber álcool e gostar de dançar, não conseguia discutir certos assuntos com as nossas damas. As mulheres daquele país têm um papel duplo. São submissas às leis e costumes do país, mas conseguem ser manipuladoras ao ponto de conseguirem que os homens façam o que elas querem. Não muito diferente das nossas damas…

Mas voltando ao crescimento de Marrocos. Nota-se um alto índice de construção, planeado e muito agradável à vista, com aquela largura e espaço que nos esmaga se compararmos com as nossas cidades. Estou a falar da parte nova de Marrakesh, claro está, mas que não é feita exclusivamente de hotéis e resorts, tem também muita habitação. Quem lá vive, não sei porque não fui bater às portas, mas sei que há muito Marroquino e Marroquina com um ar perfeitamente ocidentalizado, em altas máquinas e frequentadores de espaços super-modernos. Tem isso tudo, mas também tem o outro lado, o da Medina, tradicional e chocante aos olhos de um ocidental. Digo chocante porque tem mesmo alguns pormenores que mexem com qualquer um. Desde a miséria que se vai vendo pelas ruas, às condições em que trabalham, o que comem e como comem, os fundamentalistas que não dirigem a palavra às mulheres ocidentais e, o mais difícil de contornar, a permanente sensação de que se está a ser enganado em todas as lojas e em todas as situações. Tem esse lado complicado, de ter que se discutir sempre o preço, de tudo e mais alguma coisa e que é um pouco desgastante. Após uma conveniente adaptação a tudo isto, dá para reparar que é um povo tranquilo, que vive pacificamente com aquilo que tem, nada agressivo no trato e com um potencial de crescimento muito grande. Daqui a uns anitos vão deixar o nosso ALLgarve a léguas.