Arquivo mensal: Abril 2011

Barcelona.

Apesar de não ter visto o jogo todo porque fui levar as minhocas à piscina… (confesso que se fosse o fêcêpê não havia piscina para minhoca alguma…) ainda tive tempo para ver uma boa parte da vitória do Barcelona sobre o Madrid. Que me desculpem os xenófobos que só gostam de tudo é que mexe e é português, mas nunca gostei do Madrid e não vai ser agora que vou passar a gostar só porque lá estão não sei quantos portugueses a trabalhar. É que o Madrid sempre foi o clube do nosso outro amigo… um tal de Franco, que à semelhança daquele que por cá reinou durante uma data de anos, também achava que o Madrid é que era e os outros faziam parte da província…

Pode-se sempre dizer e argumentar que são complexos de crescimento tardio, e eu digo que sim, que são complexos. Pode-se também dizer que são complexos da pequenez bairrista, e eu digo que sim, que são complexos. Pode-se ainda dizer que são complexos da falta de mundo, e eu digo que sim, que são complexos. Mas como eu adoro ser complexado, principalmente quando o resultado do trabalho, da perseverança, da genialidade, da lucidez e da vontade resultam num espectáculo deste calibre. Bem sei que devemos ser humildes (no sentido oposto à gabarolice) mas apetece-me comparar (salvaguardando a devida proporcionalidade) este Barcelona à máquina portuguesa de jogar futebol. Como devem calcular, estou-me a referir ao fêcêpê, não vão os mais distraídos pensar que estou a comparar com uma equipa qualquer de coisinhos.

Já parávamos, não?

Com estas coisas todas de FMI, bancarrota, dívida externa, défice, subsídio de férias em títulos de tesouro e o diabo a quatro, mais o vinte e cinco de Abril, os políticos, o presidente da República, os comentadores e toda a cambada de opinion makers, já começam a cansar e começa a chegar a altura de dizermos todos: já parávamos com esta merda toda, ou não? É que o país continua. As pessoas continuam a viver, a trabalhar e a serem pessoas. Uma coisa eu dou de barato ao nosso grande e querido líder pinóquio: já chega de estarmos constantemente a realçar o lado negativo do nosso povo. É que chega mesmo. O país tem um lado talentoso, empreendedor (que não passa pela geração à rasca…), capaz de muitas coisas boas. Querem um exemplo? Ainda há uns quinze dias, mais coisa menos coisa, vi uma pequena reportagem na RTP sobre a indústria portuguesa de calçado. Quem viu os industriais do calçado e quem os vê. A promoção do calçado português está muito bem entregue a profissionais competentes que, finalmente, projectaram esta indústria a nível mundial através de campanhas publicitárias arrojadas, onde realçam a qualidade e o design português. Fiquei de boca aberta. Por isso me pergunto. Será que é só no calçado que isto acontece? Não me parece mesmo nada que assim seja.  É por estas e por outras que já chega de tanta choraminguice.

Repetimos (com sotaque espanhol).

Amanhã recomeça o reviralho. Estou atoladinho de trabalho… que não consegui pôr em dia… porque tive outras coisas mais importantes para fazer. Hoje tem sido um dia muito proveitoso e só parei agorinha, para dar umas passas no meu cigarro electrónico, beber uma água fresca, comunicar um pouco com os dois seres humanos de pequena estatura que circulam cá por casa e dar uns beijos e uns apalpões na minha rica senhora que também anda entretida a fazer qualquer coisa que eu desconheço. Vai ser uma semaninha muito nesta onda. Tirando este pequeno pormenor, verifiquei que me esqueci de desejar a todos uma boa pascoa. É normal, mas não significa que deseje a todos uma má pascoa… só que, como não ligo absolutamente nada a esta coisa das procissões e dos andores e dos compassos e dos beijos nas cruzes e toda essa parafernália religiosa, esqueço-me dos outros, dos que ligam, por isso, mais vale tarde do que nunca: espero que tenham tido uma boa pascoa.

Esta custou.

Depois de o ouvir a minha vida muda. Acontece sempre a mesma coisa. Já é a quarta vez que tal sucede. Começo a interrogar-me se isto é normal? Claro que não quero “acradetar” que a culpa é dele. Tenho mesmo de “acradetar” que o mérito é todo do nosso menino. Menino é uma forma carinhosa de o tratar. Em contraponto ao outro, o que “acradeta”, o nosso menino pode ter só trinta e três anos mas é de uma competência e de um rigor muito acima daquilo a que o português está habituado. Quando falo em português… tenho uma leve tendência para o associar ao adepto do clube das gaivotas, mas depois ponho-me a pensar, a pensar, e chego a uma outra conclusão, também ela muito leve, mas autêntica. É que Portugal não é só Lisboa, é todo um mar de gente que pensa, trabalha e  luta por ideal. Está bem, podem dizer que acabei de fazer cinquenta anos e que estou a ficar mentamente obstruído, ou o que acharem mais adequado para a minha pessoa, mas depois de constatar tudo aquilo que os outros não querem ver, só me apraz dizer: um grande bem haja para o Vilas Boas, ele merece-o. Ponto. E os outros que continuem a “acradetar”.

Radar.

Não, não estou em estado de choque pelos cinquenta anos. Estou mesmo de férias… e sem vontade de exercer qualquer tipo de actividade e, como se vê pelo discurso, com pouquíssima inspiração para escrever qualquer coisita interessante. Por isso e por outras coisas, vou aproveitar esta semana para ir à praia porque na próxima vem chuva e vou ter de preparar a papelada toda para a minha avaliação, que vai ter aulas assistidas e tudo… não sei muito bem para quê… mas tem mesmo de ser. Até lá… descanso, muito descanso.