Arquivo mensal: Maio 2011

Aviõezinhos de papel.

Pronto. Avaliação do desempenho docente concluída. Avaliações concluídas. Alunos que iniciam os estágios amanhã. Ate fico com uma ligeira sensação de leveza, tal e qual uma freeze de limão, à espera de ser bebida. A pior parte do ano lectivo já passou, agora só falta a outra parte, a mais chata, aquela dos papeis e mais papeis. A minha escola gosta muito de papeis. Ama os papeis. Ficamos todos a sonhar com papeis e mais papeis. Sonhamos que nos embrulhamos em papeis, diversos tipos de papeis: coloridos, brilhantes, reciclados, de linhas, quadriculados, vegetais e outros que tais… Isto para não falar nas grelhas. A minha escola gosta muito de grelhas. Também sonhamos com grelhas. Grelhas de avaliação, grelhas de avaliação da avaliação, grelhas disto e grelhas daquilo, grelhas para enfiar no dossier… Uma verdadeira parafernália de grelhas e, qualquer dia, estamos a fazer umas grelhinhas para medir o tamanho das maminhas e das pilinhas de todos os colegas. Parece-me bem, por uma questão de estatística… mas cansa!

Apesar de não aparecer a imagem…

A imagem está aqui.

Normalmente, muito normalmente, não costumo comentar as fotografias que vão aparecendo por aqui. Mas esta é muito corderosinha. E tão fofinha. Que fico sem palavras. Se as conseguisse encontrar, às palavras, seria para, com toda a certeza, afirmar que gostaria de ser assim. Se fosse mulher, claro está.

Vermelho.

Eu sei que deveria estar mais concentrado. Concentrado em coisas difíceis. Daquelas que nos fazem chorar de desespero. Mas o desespero, hoje, está guardado para outros assuntos. Os do amor. Porque o amor comanda as nossas vidas, verdade? Está no plural porque eu sinto-me um ser colectivo:)) Que comunica como um ser colectivo.

I start a joke.

Aliás, eu pergunto-me como vai ser possível elaborar um documento de auto-avaliação? Como é que eu vou conseguir auto-avaliar-me? Principalmente quando estou a ouvir Nick Cave? É bonito de se ouvir. Já não é tão bonito ter de me auto-avaliar. Não faz parte da minha forma de estar na vida. Nunca fez e interrogo-me porque é que tenho de o fazer agora. Quando as teclas me fogem e eu tenho dificuldade em encontrá-las.

Quase uma semana depois…

Pois, mas mais vale tarde do que nunca…

O último fim de semana foi passado no Douro com amigos, com tudo a que tínhamos direito: muita diversão, excelente companhia; boa gastronomia e uma região lindíssima para apreciar, com uma viagem num barco aconchegante pelo rio acima. Inesquecível! Tivemos até direito a uma caminhada, no domingo de manhã, ou não fosse esse o pretexto que nos levou lá… na famosa Meia Maratona do Douro Vinhateiro que este ano teve perto de quinze mil pessoas inscritas… uma multidão daquelas em que eu já não me metia no meio há mais de vinte e cinco anos, altura em que deixei de correr… e ainda tive direito a um beijinho da minha amiga Rosa Mota que deu um saltinho ao restaurante onde estávamos a jantar. Eu poderia ter nascido para viver assim, tenho a certeza absoluta, mas já que não foi esse o meu destino, fico muito feliz por poder usufruir destes momentos maravilhosos.

Isto está escrito de uma forma muito séria, o que pode levar ao engano pois o fim de semana foi mesmo divertido. Acho que são os quinze dias que eu tenho no pêlo de muitos relatórios elaborados e de muitas reflexões… que me deixaram a cabeça ainda mais avariada.

Cansadinho, cansadinho, mas tão cansadinho…

Caramba, que nunca mais cá vim. Está-se a tornar recorrente. E repetitivo. Mas os estágios dos meus alunos e a avaliação do desempenho docente não me deixam muito tempo livre e com cabeça para pensar direito… e até ontem, com o fêcêpê a jogar, me senti sem energia para berrar quando o Falcão meteu aquele belo golo. Foi uma vitória que me passou ao lado. E nem sequer foi por achar que já são muitas e que a história se repete… pois nunca são de mais as vitórias do fêcêpê. É mesmo cansaço.

Como moro perto do aeroporto, ainda pensei numa terapia de choque. Ir receber os jogadores do fêcêpê, estar no meio daquela multidão de fanáticos, levar uns empurrões para conseguir tocar num braço de um dos craques da bola ou, muito simplesmente, chorar de alegria. Seria, realmente, uma excelente ideia eu pegar na minha bela Scarabeo e ir ao encontro dos campeões… mas é precisamente desse pequeno pormenor que eu não vou. É que a multidão vai ser de tal maneira que ainda me riscavam a minha bela Scarabeo… e isso eu não quero.

Eu fico por baixo…

“Uma vez amei tanto um homem que deixei de existir – só Ele, não havia Eu. Agora amo-me o suficiente para que nenhum homem exista – só Eu, não há Eles. Todos eles costumavam ser Deus e eu costumava ser fruto da minha própria imaginação. Agora são os homens que são fruto da minha imaginação. É o mesmo jogo, com posições diferentes. Não sei jogar de outra forma. Tem de estar alguém em cima e alguém em baixo. Lado a lado é um tédio. Experimentei-o uma vez, durante uns momentos completamente desconcertantes. A igualdade nega o progresso, impede a acção. Mas um dominante e um submisso, bem, eles conseguem ir à lua e voltar enquanto os dois parceiros iguais negoceiam quem paga, quem é fodido e quem é culpado.

Contudo, a minha transformação não foi de baixo para cima mas de baixo para ainda mais baixo. Da minha infelicíssima submissão emocional à minha abençoada submissão sexual. Esta é a história da minha mudança – e do preço que paguei por ela. Muito caro. Incalculável.”

Toni Bentley. Introdução em “Entrega”

Lá lá ri ló ló.

Isto de ter um blogue tem muito que se lhe diga. Às vezes interrogo-me sobre a utilidade disto tudo. Bem, utilidade, utilidade, não é nenhuma, bem vistas as coisas, a não ser para que as pessoas amigas acompanhem os meus desequlíbrios… e saibam que eu ainda cá moro. De resto, sou apenas mais um na blogosfera, no meio de tantos milhares. É claro que, quem tem um blogue, sonha sempre em ter muitas visitas e muitos comentários. Não percebo muito bem essa necessidade de ser lido, como se a nossa opinião fosse a mais importante à face da terra. É estranho, no mínimo. Pelo menos para mim, que na vida real não costumo procurar qualquer tipo de protagonismo e levo mesmo uma vidinha discreta. Também não me parece, de todo, que aqui procure esse tal de protagonismo, como se de pão para a boca se tratasse. É por estas e por outras que manter um blogue se torna difícil. É que, na maioria das vezes não tenho nada de muito especial para dizer e as pessoas só gostam mesmo é de qualquer coisinha especial… por isso só posso agradecer as cem mil visitas que já fizeram ao meu blogue, o que significa que, em quatro anos, os visitantes são poucos mas bons e persistentes. Eu mandava um beijinho para todos eles, mas é demasiado fofinho, por isso desejo um grande bem haja para todos.

Oh menina, eu sei lá o que isto é!

Finalmente lá me consegui pôr a pé. Desde ontem à tarde que fiquei com uma virose que me deixou de rastos. Tem sido assim ultimamente. Parece que levo uma coça e tenho que me enfiar na cama, a tremer de frio e a encharcar-me em benurons e aspegics. E depois passa. Da mesma maneira que vem, vai-se… Se isto são os cinquentas a aparecerem… preferia, mil vezes, ter ficado nos quarentas…

Lá vamos cantando e rindo.

Bem sei que os portugueses são uns gastadores. Gastam aquilo que têm e o que não têm. É por isso que estamos como estamos. Também é por outras coisas mas isso agora não interessa nada. Deu no que deu e estamos a negociar uma ajuda que, dizem eles, nos vai permitir corrigir algumas coisas. Como não sou entendido nessas coisas da economia, nem me atrevo a comentar seja o que for. Por outro lado, o meu lado ressabiado leva-me a algumas conclusões disparatadas, ou não fossem elas assentes no belo do ressabianço… Uma delas diz respeito à tão apregoada admiração que o nosso querido líder pinóquio andou a fazer da Finlândia. Sim, esse país lindíssimo que fica lá para cima, muito para cima, e que, entre outras coisas, pelos vistos tem um fantástico sistema de ensino, muito invejado e apetecível pelas altas entidades portuguesas, nomeadamente o nosso QLP. Mas a Finlândia também tem outras coisas. Tem uns seres humanos, os finlandeses, que gostam de ter as ideias deles. Pelos vistos, uma das ideias que eles gostam de ter é a de não ajudarem quem precisa, mas que não merece, como é o nosso caso. Tudo bem que não são todos que não querem, mas quem manda parece que não está para aí virado e não sabemos como é que a cena vai terminar. Uma coisa estou eu certo, só não atiro o meu nokia pela janela fora porque não tenho outro e os telemóveis estão caros, mas não compro mais nenhum daquela marca, nem que a vaca tussa.