Eu fico por baixo…

“Uma vez amei tanto um homem que deixei de existir – só Ele, não havia Eu. Agora amo-me o suficiente para que nenhum homem exista – só Eu, não há Eles. Todos eles costumavam ser Deus e eu costumava ser fruto da minha própria imaginação. Agora são os homens que são fruto da minha imaginação. É o mesmo jogo, com posições diferentes. Não sei jogar de outra forma. Tem de estar alguém em cima e alguém em baixo. Lado a lado é um tédio. Experimentei-o uma vez, durante uns momentos completamente desconcertantes. A igualdade nega o progresso, impede a acção. Mas um dominante e um submisso, bem, eles conseguem ir à lua e voltar enquanto os dois parceiros iguais negoceiam quem paga, quem é fodido e quem é culpado.

Contudo, a minha transformação não foi de baixo para cima mas de baixo para ainda mais baixo. Da minha infelicíssima submissão emocional à minha abençoada submissão sexual. Esta é a história da minha mudança – e do preço que paguei por ela. Muito caro. Incalculável.”

Toni Bentley. Introdução em “Entrega”

Deixar uma resposta