Arquivo mensal: Novembro 2011

A minha infância.

Este sábado que por aí vem promete. Promete muito. Vou estar num jantar de antiguidades. São as minhas antiguidades. Mais seriamente. Vou estar num jantar com os meus amigos de infância e da adolescência. Homens e mulheres que, na sua grande maioria, nunca mais vi. Estou entusiasmadíssimo com a ideia de os rever. Já estamos todos entradotes, com é evidente, mas vai ser muito bom recordar aqueles tempos. Felizmente tive uma infância e uma adolescência muito tranquila e feliz. As recordações que guardo são muito boas. Vamos ver se os consigo reconhecer a todos.

As redes sociais têm estas coisas boas. Foi através do facebook que descobri, por mero acaso, um grupo de pessoas que eram os meus amigos… foi daquelas descobertas que emocionam. Até sábado.

E o espírito, senhora, o espírito?

As mulheres são uns seres estranhos. Pelo menos algumas são. Acabei de ver uma fotografia em que aparece um desses seres humanos estranhos. Já vi vários assim, do mesmo calibre. Por uma qualquer razão, que não devemos negar só porque a desconhecemos (como dizia Alcina Lameiras…), fazem o culto do corpo. É o culto de um corpo que só elas conseguem imaginar que os homens acham piada. São super atléticas, adoram uma actividade física intensa e aparecem sempre com umas vestimentas de acordo com o perfil traçado: uma licra a salientar as coxas musculadas e o rabo saliente, seguido de um top que é um segundo soutien e que deixa transparecer aquela musculatura toda. A acompanhar está sempre uma pose atlética, com contrações musculares das nádegas ou, em alternativa, o tronco a parecer um tronco. É um tipo de ser humano que terá a sua piada para outros seres humanos iguais, são escolhas e devemos respeitar as diferenças, mas o que me causa impressão é a obsessão pela busca da melhor forma física. Quero dizer, não fico lá muito impressionado, é mais de boca aberta.

O fado português, é um triste fado.

Sou rapaz para dizer as maiores alarvidades. Não sou rapaz para cometer as alarvidades que digo. Mas sou rapaz para compreender quem gosta do fado. Também sou um rapaz que detesta o fado. Não sou, portanto, rapaz que se identifique com aquilo das guitarras e uma pessoa a cantar/chorar. Talvez por ter crescido no Porto, onde não há tradição nenhuma de fado, seja a razão porque não gosto de ouvir aquelas canções chorosas. Acho que é uma tradição cultural de Lisboa onde, por aquilo que me fui apercebendo, existem uma série de casas de fado que são muito frequentadas. Sorte a deles porque se gostam, ainda bem que têm sítios para poderem apreciar o fado. Eu confesso que já fui dezenas de vezes a Lisboa e nunca senti a mínima vontade de ir a uma casa dessas.

Agora passando à parte prática da coisa. Para além do guito que foi gasto com esta promoção toda, espero que os inteligentes que costumam estar à frente destas coisas façam o trabalhinho bem feito e ponham os desgraçadinhos dos fadistas a ganharem muito dinheiro e a realizarem espectáculos por esse mundo fora. É que se fizeram tudo isto só para irem à Indonésia e depois deixarem tudo como estava, mais valia que no regresso parassem em Goa e por lá ficassem, sempre podiam frequentar umas festas de Goa Trance, que também é giro.

Noite memorável.

Finalmente estou a começar a acordar. Que me desculpem todos aqueles que se levantaram cedo para irem trabalhar mas eu estive a dormir até às duas da tarde. Já não me lembrava de ficar até tão tarde na cama. Claro que tudo isto só foi possível graças aos amigos muito especiais que ficaram com as minhocas em casa deles para que nós pudéssemos sair. E foi o que nós fizemos. Fomos jantar a casa de outros amigos, também muito especiais, e foi um jantar magnífico. Já não me ria tanto há muito tempo e foi uma noite super agradável. Claro que não vim a conduzir… e a minha rica senhora levou-me para onde quis…

Daqui a pouco vou ter de me preparar para ir ter com as minhocas e ficar para mais uma noite em boa companhia e excelente conversa. Vai ser um fim de semana em grande.

Será que continuo a ser tendencioso?

Catorze horas e dez minutos do dia de hoje. Entrevista em directo da Avenida da Liberdade, em Lisboa, com um dos organizadores da marcha dos indignados. Depois das perguntas da praxe relacionadas com os porquês e os contra o quê, a menina que estava a entrevistar pergunta se acham que vão ter uma grande aderência. Perante a visão dos trinta ou quarenta indignados que estavam mais para trás, o moço acabou por dar uma resposta esclarecedora: primeiro começou por dizer que ainda era cedo e que a tal marcha estava agendada para as catorze e trinta, depois disse que estavam realmente com um problema de transporte dos indignados pois havia uma greve e não se viam nem camionetas, autocarros ou carruagens do metro que pudessem trazer os indignados dos seus locais de residência. Acrescentou ainda que, ao contrário dos outros países mais civilizados, os sindicatos não disponibilizaram as tais camionetas…

Estarei a ser tendencioso?

Diz o avô e diz o bébé, é bom, é bom, é bom, é bom é! Acabei agorinha de ouvir na televisão um senhor dizer que os custos para o país que este dia de greve geral vai trazer são na ordem dos seiscentos e setenta milhões de euros. Terei ouvido bem? Seiscentos e setenta milhões de euros é muito guito. Perfaz a totalidade de um dos subsídios que foram cortados aos funcionários públicos. Também percebo que o senhor, que por acaso é o representante dos patrões em Portugal, posso ter puxado um bocadinho para cima o valor do prejuízo… faz parte, mas não andará muito longe da verdade e numa coisa o senhor tem razão. Este dinheiro, nesta altura faz muita falta ao país e terá de vir de algum lado… Pelo andar da carruagem ainda vamos ficar sem o raio dos subsídios durante mais uns anitos. Mas adiante. Este discurso das entidades patronais fazem sentido e custa-me registar que as vozes sindicais nunca referiram os custos reais do prejuízo, nem sequer tocam no assunto. Pelo menos assumiam o que querem!

Quando vinha da escola para casa, liguei o rádio na tsf, que àquela hora costuma ter um fórum onde os ouvintes deixam a sua opinião. Hoje, como não podia deixar de ser, era sobre a greve geral. No meio das diversas opiniões, umas contra outras a favor, ouvi uma muito engraçada. Era de um professor, tal e qual como eu. Dizia o senhor que estava a fazer greve, portanto, não tinha ido à escola porque estava de acordo com a greve. Até aqui tudo normal. O pior é que o senhor se descaiu logo a seguir porque tinha tempo de antena (eu pelo menos nunca falei para uma rádio e imagino que deve ser empolgante…) e vai daí começa a dizer que a greve lhe tinha dado muito jeito porque está a fazer um mestrado e tal, e assim ficava com mais um tempo para trabalhar no mestrado e coisa e tal. Mudei de estação, para a Nova Era, para ouvir um tecno intenso… para espairecer as ideias.

Nova corrida, nova viagem…

Que me desculpem os meus amigos esquerdistas, sindicalistas e demais defensores dos direitos do povo. Amanhã é mais uma jornada de luta, de acordo com as convocatórias… Greve geral. É o que lá diz! Mas esta coisa da greve geral tem muito que se lhe diga. Na minha opinião é uma greve dos trabalhadores da função pública. Acho uma treta pegada generalizar a greve se, como todos sabemos, o que obriga o sector privado a paralizar são a falta de transportes (que são quase todos públicos ou semi-públicos) e não há alternativas suficientes para as pessoas irem trabalhar; são as escolas que fecham e os pais têm de ficar com as criancinhas em casa; são os hospitais que paralisam. E sobra o quê? Todas as restantes actividades produtivas continuam a trabalhar e a produzir. Ou estou errado?

Não me custa nada admitir que temos de reclamar contra uma data de tretas que nos estão a impingir. Contra uma data de injustiças que continuam a existir. Mas será que temos de fechar o país para termos voz? Não poderíamos fazer uma gigantesca manifestação, a um sábado por exemplo, contra estes senhores políticos que só pensam em governar o bolso deles? Andam os desmandados do governo a tentarem aumentar o tempo de trabalho para aumentarem a produtividade para, num só dia, darem cabo dessa mesma produtividade… faz-me um bocadinho de confusão…

São os meus dias difíceis do mês.

Mas que raio de bicho mordeu a estas pessoas? Pessoas que decidiram visitar este singelo estaminé. Desenfreadamente. Só pode ser algum vírus que as encaminha para cá. Isto não é normal. Eu até já me ia deitar, que tenho andado meio cansadito, mas decidi esperar mais um pouco para ver até onde é que a brincadeira vai. De vez em quando sucedem uns fenômenos desta natureza. É muita popularidade junta, que me deixa nervoso, intranquilo e incapaz de responder à ousadia. Deixem-me sossegado. Deixem-me viver a vida com tranquilidade. Acho que vou dar uma volta até ao estaminé da Lola.

Ai Vitor, Vitor. Vitor Pereira!

Desde há uns  tempos que não venho aqui falar do fêcêpê. Achava eu que já havia muito boa gentinha a cascar no desgraçado do treinador. Ninguém lhe deu espaço. Ninguém dos adeptos do fêcêpê, claro está. Os outros não interessam nada. Não deixaram o homem tranquilo para pensar o jogo e poder mostrar o que sabe? fazer. Hoje, por aquilo que consegui ver, as mexidas na equipa foram um sintoma da pressão que o homem sente. Ainda me lembro de no ano passado o treinador da altura dizer, por diversas vezes, que era preciso ter calma quando estavam a perder e não caírem na tentação de irem todos à molhada. Este desgraçado não teve essa percepção da coisa e deixou-se cair na tentação da molhada. Tenho pena que tudo isto tenha acontecido pois continuo a dizer que o homem tem qualidade. Não sei muito bem o que lhe vai acontecer. O que eu sei é que este ano está tudo perdido pois a partir de hoje vai ser sempre a piorar. Gostava muito de estar enganado… mas não me parece.

Em terra de cegos quem tem um olho é rei!

O Figo é um bocadinho azeiteiro. Sempre foi mas está a melhorar, lentamente, muito lentamente. Quem o viu e quem o vê . É bom sinal. Ouvi-o dizer, na televisão, que tem pena que os governantes não tenham sabido governar e que agora tenha de ser o povo a pagar pelos seus erros. Muito bom. Nem parece de futebolista. Não é que eu embirre com os futebolistas mas é que os homenzinhos que andam atrás de uma bola têm um protagonismo fora do alcance do comum dos mortais. E vai-se a ver… e não são minimamente interessantes… Esta é uma verdade que estamos carecas de saber mas que nunca é demais lembrar. Há uma franja de pessoas que têm uma importância desmedida, são valorizadas acima da média e que são burras que nem socos. Ponto. Estou a falar de futebolistas, mas podiam ser pessoas ligadas às artes e ao espectáculo. Ao socialaite e ao mundo do dinheiro. Não percebo a artificialidade disto tudo. A ânsia da fama é um assunto que me deixa louco de… reconhecimento… Falando mais seriamente, não se percebe porque é que as pessoas são mais ou menos reconhecidas se sabem ou não dizer o que as outras pessoas querem ouvir. Já dizia a canção.

Uma ideia que não é peregrina, mas é idiota!

Ando a pensar em escrever as minhas memórias. Podiam ser as memórias de outra pessoa. Poder, podia, mas não era a mesma coisa. Também não me parece que tenha idade suficiente para escrever umas memórias… apesar de ter vivido muito, com intensidade e cheio de vontade. Mas é uma ideia engraçada que, pela sua cretinice, é tentadora para muito boa gente. Não seria uma coisa que se resolveria do pé para a mão mas era moçoilo para apontar tudo no… Evernote durante umas férias de Natal, sem as minhocas mais a mãe das minhocas e só com a Lola, que não dá trabalhinho nenhum. Será que oito dias dava para isso tudo? Dava. Eu gosto de trabalhar da seguinte maneira: tenho de ter as ideias, apontar o caminho que devo seguir e não fazer mais nada durante uns tempos. Depois pego novamente no assunto e desenvolvo, tranquila e pacificamente. A parte das ideias é sempre a mais difícil, como facilmente se depreende, mas com umas ajuditas as coisas vão-se compondo. Mas tudo isto parece um pouco estapafúrdio, ao querer escrever umas memórias posso dar a impressão de que sou mesmo uma pessoa super interessante e, na realidade, não sou. Na realidade, nem sequer sou eu o presidente da junta. Apenas tenho estas ideias, que não são peregrinas, mas são idiotas.