Arquivo mensal: Julho 2012

A tradição continua a ser o que era. Não há mudanças, portanto!

Ontem li uma notícia, pequenina, da qual constava a indignação de um bispo português, mais concretamente o bispo das forças armadas. Sim, as forças armadas têm um bispo… Mas adiante, o importante da questão está relacionado com o tipo de vocabulário que o senhor bispo utilizou, muito fora do comum para a profissão, ou seja, os profissionais da bispalhada não costumam utilizar os termos que este seu colega utilizou. A classe tem, por tradição, fazer uso de uma linguagem mais cuidada e menos arruaceira (cenas que aprendem nos bancos do seminário…). Esta é a parte com piada que aparece na notícia, que haja um senhor bispo em Portugal que fala como um carroceiro chic, que mete a boca no trombone e que desata a chamar corruptos aos nossos responsáveis políticos.

Tirando a parte engraçada, desconfio de que tudo isto não passa de folclore. Se olharmos para o passado, facilmente percebemos que o clero português sempre soube defender os seus interesses. Na minha modesta opinião, o clero sempre teve um discurso dissimulado, querendo passar a ideia de que sempre esteve ao lado dos mais desprotegidos, mas nunca esquecendo de zelar pelos seus interesses, nunca descendo do pedestal em que se encontram.

Palpita-me que foram aos bolsos do senhor bispo, que é o das forças armadas… e que este não gostou… esperemos pois para ver, com a certeza de que esta gente nunca foi, não e nunca será inocente, que por detrás de umas singelas palavras poderá estar sempre uma intencionalidade escondida… já é tradição!

Este blogue é indecente.

Gostaria de pensar que sou um tipo decente, mas não posso. Também não sou um tipo indecente. Mas estou muito longe de ser um tipo decente. Por vezes deixo de errar porque do nada faz-se luz e encontro o caminho. É difícil viver assim! É mais fácil fazer queixinhas. Queixar-me que são os outros os culpados das minhas asneiras, dos meus erros. É muito mais fácil. Mas a vida não pode ser vivida assim. E os erros devem ser assumidos. As consequências devem ser assumidas. Só assim construímos a nossa decência. Não me interessa, aqui e agora, estar a perder tempo com aquilo que as pessoas pensam da decência. Eu não sou um moralista. A minha decência não é mais decente do a do meu amigo nem é mais indecente do a da minha amiga. Acredito que as pessoas vão construíndo a sua decência ao longo da vida, suportada pelos valores que lhes foram transmitidos pela família, pelas circunstâncias e vivências que foram experenciadas ao longo dos anos e com muita reflexão, muito sentido crítico interior, porque para o exterior… não vale… a coisa vai-se compondo, vai assentando arraiais e fica a fazer parte da nossa vida.

Este discurso todo pode ser encarado, por quem cá vem espreitar, como sendo redondo, como sendo um discurso alicerçado em devaneios. Muito provavelmente é essa a imagem que fica, a de um cinquentão que já deveria ter idade para ter juízo mas que não cresce e continua a inventar teorias sem sentido. A devanear, portanto. Acredito que sim, que seja esta a imagem final que passo para as pessoas, mas também acredito que sei do que é que estou a falar e isso, isso, é uma questão de decência para comigo.

Adília Lopes.

Rosa dentro da rosa dentro da rosa

azulejo iluminura filigrana

joelhos nuca sovacos unhas

não quero quebrar

o dom de estar viva

a doçura dos mistérios

o dom do teu corpo

o teu cheiro a tua voz

o teu olhar o teu sorriso

as minhas lembranças de ti

beijo repetidas vezes

a tua boca fechada

estás debruçado sobre mim

e sorris-me

somos bons um para o outro

posso ter filhos de ti

sabemos isso

 

in Obra.

“Carta de despedida aos amigos”

“Se por um instante Deus se esquecesse que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais.
Entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos 60 segundos de luz.
Andaria quando os outros páram, acordaria quando os outros dormem.
Ouviria quando os outros falam e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate…
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.
Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre gelo e esperava que nascesse o sol.
Pintaria com um sonho de Van Gogh as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que oferecia à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas…
Meu Deus, se eu tivesse um pouco mais de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo Amor.
Aos Homens, provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha.
Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês Homens…
Aprendi que todo o mundo quer viver em cima de uma montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão, pela 1ª vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um Homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer…”

Gabriel Garcia Marquez

Fim de semana pelas bandas de Montalegre.

Foi um fim de semana memorável. Por diversas razões. Passo a explicar. Doze adultos e onze crianças numa casa enorme, em Pitões das Júnias, com muita conversa, muita comida, alguma bebida… e sempre boa disposição. Foi assim o fim de semana. Claro que também tivemos outras actividades… mas estas foram as principais… Pelo meio fomos a Montalegre, à festa de sexta feira treze, vestidos a rigor, que a minha rica senhora sendo aniversariante e feiticeira mor assim nos ordenou. Eu só conhecia a festa de imagens televisivas e pouco mais… foi uma agradável surpresa e só foi pena o frio que se fez sentir, o que nos obrigou a não vermos a cerimónia da queimada até ao fim, mas os miúdos estavam de boca aberta a olhar para aquela encenação e animação que percorriam as ruas da cidade.

No dia seguinte fomos dar uma passeata por Pitões. Fomos até ao mosteiro, que está num local… que para chegar lá… mas muito bonito. Tem um rio que passa ao lado e, claro está, houve alguns corajosos que molharam os pezitos… para não dizer mais… e lá voltamos para a casa que era necessário preparar mais uma refeição… conversar… e tomar umas bebidas, tudo isto com um carácter social… Os miúdos, ao contrário da primeira noite, caíram redondinhos na cama e dormiram que nem uns abades, enquanto os progenitores foram capazes das maiores façanhas…

No dia seguinte, a comitiva seguiu para uma visita a Tourém, (acho que é assim que se escreve) à excepção da minha pessoa pois estava muito cansado e era preciso que alguém ficasse a preparar as brasas para o magnífico e grandioso churrasco… que começou às três da tarde e acabou às cinco…

E foi assim. Muito bom. Top. Agora segue-se mais uma semana de trabalho, sem exageros, que a idade já pesa… mas com vontade de repetir! Obrigado a todos por estes bons momentos!

Décimo quarto rasgo de lucidez, nesta noite! Sou fodido, não sou?

Voltando a uma certa normalidade, de vermelho traçada, fico a pensar que a vida pode ser muito mais engraçada quando é colorida. Não tem nada que ver com o colorido relacionado com a sexualidade. Nada disso! Tão simplesmente tem que ver com a cor. A vida colorida. Temos tantos momentos cinzentos! Porquê prolongá-los? É um discurso difícil, especialmente nesta altura e a esta hora da noite.

Fofura. Estive quase quase para escrever um título… mal educado, tal e qual eu…

Partindo do princípio de que este post tem um número, então, o post anterior terá tido um número… atribuído por quem de direito. E o direito… tem muito que se lhe diga. Estive para escrever munto… mas achei que não estava nada relacionado nem com o direito nem com a ideia que eu tinha inicialmente. Também, convenhamos, o direito interessa para quê? Já a minha ideia inicial… tem o que se lhe diga. Por muito que eu não diga a ninguém qual era a ideia inicial… não interessa nada… era a minha ideia inicial e isso basta-me. Estou a ficar fofo. Não é fófó.. é fofo. Custa-me assumir que poderá ter um assentozinho circunflexo em cima, mas isso fica para aquelas pessoas que percebem dessas coisas. Para mim, será sempre fofo!