Arquivo mensal: Agosto 2012

Um hemisfério numa cabeleira.

Deixa-me respirar longamente, longamente, o aroma dos teus cabelos, neles mergulhar todo o meu rosto, como um homem sedento na água de uma nascente, e agitá-los na minha mão como um lenço aromático, para sacudir recordações no ar.

Se pudesses saber tudo aquilo que eu vejo! tudo aquilo que eu sinto! tudo aquilo que ouço nos teus cabelos! A minha alma viaja por sobre o perfume como a alma dos outros homens sobre a música.

Os teus cabelos levam um sonho inteiro, cheio de velames e de mastreações; levam grandes mares de monções que me transportam para encantadores climas, onde o espaço é mais azul e mais profundo, de atmosfera perfumada pelos frutos, pelas folhas e pela pele humana.

No oceano da tua cabeleira, avisto um porto irrompendo em cantos melancólicos, homens vigorosos de todas as nações e navios de todos os formatos recortando arquitecturas finas e complicadas num céu imenso em que preguiça o eterno calor.

Nas carícias da tua cabeleira, reencontro as demoras das longas horas passadas num divã, no quarto de um belo navio, embaladas pelo rolar imperceptível do porto, entre os vasos de flores e os cântaros refrescantes.

No lar ardente da tua cabeleira, respiro o aroma do tabaco mesclado em ópio e açúcar; na noite da tua cabeleira, vejo resplandecer o infinito do horizonte tropical; nas margens sedosas da tua cabeleira embriago-me com os aromas misturados do almíscar, do alcatrão e do óleo de coco.

Deixa-me morder demoradamente as tuas tranças pesadas e negras. Quando mordisco os teus cabelos elásticos e rebeldes, julgo estar a mastigar recordações.

Charles Baudelaire.

Que dia…

Hoje tem sido um dia complicadito, para não dizer uma asneirita… Quando as coisas começam a correr mal, acabam por aparecer outras coisas que ainda correm pior. Ultimamente, esta singela casinha, tem dado problemas atrás de problemas. Foi um cano de uma casa de banho que começou a verter mas que foi o seguro a pagar, que é para isso que lhes pagamos. Foi um aborrecimento por causa das obras, do pó, do desconforto e mais uma data de coisas. Mas já ficou pronto. Na noite anterior a ir de férias foi uma persiana que encravou e tive que estar a desmontar aquela tralha toda para ver se a deixava fechada. Lá se fez. Hoje de manhã, comecei a montar a estrutura do resguardo novo para a casa de banho que tinha sido arranjada. Lá andei às voltas com aquilo. Furo para aqui, furo para acolá e a coisa ficou assente. Chegada a altura de colocar um vidro… não percebi como aconteceu… o que é certo é que o raio do vidro escorregou-me das mãos e… ficou desfeito em mil pedaços. Ninguém se feriu com gravidade mas foi um desconsolo e fiquei com tanta raiva… pela asneira que fiz, que demorei um bom bocado até me acalmar. Como se não bastasse, estava eu no quarto, com a porta fechada, na treta com a minha rica senhora quando me levanto para sair e me dirijo à porta… a maçaneta… nada. Estávamos trancados no quarto. Felizmente que estamos em férias e as minhocas não têm escola e lá foram elas que nos abriram a porta, da parte de fora. Toca a desmontar tudo, a apertar os parafusinhos todos como deve ser e a coisa ficou por ali. Já que estava com a mão nas ferramentas… fui arranjar uma outra persiana, a do quarto das minhocas, que também não descia… nem subia. Estava amuada. Toca a desmontar aquela cangalhada toda, ainda endireitei aquelas travezinhas brancas que agora não me lembro do nome e… nada. Continuava amuada. Não se mexia. Depois de andar às voltas com aquilo lá consegui perceber que vou ter de cortar o cabo que lá está e meter um novo… nem sei se vou conseguir fazer isso… só porque tem para lá uns nós, do tipo marinheiro, que eu não sei dar. Às tantas vou ter de chamar um homem que perceba de amuos de persianas… mas onde é que há desses homens?

E a vida lá continua, e vai continuar, num destes dias com uma ida ao telhado para limpar as caleiras. Deve estar cheio de ninhos de pombas e afins… Mas ainda bem que não fui lá hoje porque, com a raiva que eu estava, se apanhasse alguma pomba a jeito… mandava-lhe uma biqueirada que ela até voava mais depressa…

E foi assim o dia de hoje. Giro!

Se é mesmo só por isso…

“O meu namorado tem um corpo lindo e um pénis bem dotado. As minhas amigas acham que eu exagero nas qualidades físicas que descrevo e, por isso, queria enviar-lhes umas fotos para elas acreditarem no que digo. Acontece que ele não deixa que o fotografe nu, muito menos que o fotografe com o pénis erecto ou que mostre em pormenor os genitais. Como posso convencê-lo.”

Fait divers…

De volta às notícias em Portugal, este país à beira mar plantado. Desta vez é a RTP que anda nas bocas do mundo. Uns acham muito bem que seja vendida e outros acham que é um crime lesa pátria. Alteram-se os ânimos sobre um assunto que ninguém conhece pois ainda não houve uma posição oficial sobre o assunto. Muito sinceramente não acredito que vá ser conforme dizem, com uma taxa paga por todos mais as receitas de publicidade… para no final terem um lucro de vinte milhões por ano… se assim fosse o estado não precisava de privatizar a empresa. A minha opinião é que se deveria privatizar a RTP1 e ficar o estado com a RTP2, com menos meios e menos gente. Sempre foi uma empresa que deu altos prejuízos e esses prejuízos são pagos por todos nós. Eu ainda perceberia se esse dinheiro fosse para pagar uma televisão de qualidade mas, aquilo a que vamos assistindo, é mais do mesmo… ao nível das outras duas estações televisivas… uma valente bosta, portanto. E depois há outra coisinha que me incomoda. Coisa sem importância… mas que me deixa com os cabelos em pé. Como é possível que se paguem os ordenados que todos sabemos que são pagos numa empresa do estado? Não deveria ser a lógica do mercado a funcionar. Não numa estação do estado. Quem não estivesse bem com ordenados mais baixos e menos mordomias… teria a porta da rua como serventia… ainda há muita gentinha com vontade de trabalhar e que gostaria muito de ter uma oportunidade, mesmo a ganhar muito menos e, ainda assim, levaria uma rica vidinha. Mas esta é a minha opinião…

Meu amigo, não ligue, isso são coisas que lhe metem na cabeça…

“Adoro a minha namorada, mas ela é incapaz de me ser fiel. Nunca notei que saísse com outros rapazes, mas a verdade é que adora ser olhada e recebe inúmeros telefonemas, respondendo a todos de forma meiga e sedutora. Diz que é do feitio dela não ser mal-educada, mas acho que ela gosta de seduzir quem lhe dá atenção.”

in Maria.

Que ricas férias!

Ufa. Todo moidinho da viagem, desde Vilamoura até casa, mas muito contente com as férias. Muito descanso, muita leitura, boa paparoca, algumas pegas das minhocas… mas com as forças retemperadas e pronto para começar mais um ano lectivo… que se perspectiva… difícil… a ver vamos. Para já, é tempo de arrumar as tralhas e pensar na melhor maneira de dar conta de uma data de assuntos pendentes para serem resolvidos na próxima semana…

Para variar.

Só aqui estou a escrever porque não posso estar na praia. É triste, muito triste, mas desde que cheguei de Chaves ainda não apanhei um único dia em condições, para ir para a praia, portanto. Tenho andado em arrumações e a reparar pequenas coisas. No meio disto tudo, reparei num pormenor interessante. Tenho uma planta cá em casa que já me acompanha há dezassete anos… Nunca tinha pensado no assunto e confesso que foi uma surpresa saber que já somos compinchas há tantos anos… e também não sabia que uma planta poderia durar estes anos todos… e pelos vistos… vai continuar a saga pois ela está para as curvas… Ainda vou eu primeiro…

Oh Luisão, tu és um gajo feio, mas não precisavas de ter feito aquilo…

Época palerma. É aquela em que nos encontramos. Há quem lhe chame silly season. Um estrangeirismo, portanto. Eu cá prefiro o portuguesismo. Estou mais habituado. Cresci por aqui, digamos que estou mais dentro do assunto português. Mas esta época palerma tem muito que se lhe diga. Pode estar associada a muita coisa, à política, à crise, e a tudo o que nos apetecer mas é, sobretudo, o futebol que vai dando um ar da sua graça. Uma graça palerma.

Sem querer destilar ódios clubísticos, não consigo perceber como é possível que um jogador de futebol com a experiência do Luisão (o jogador mais feio a jogar em Portugal) tenha uma atitude daquelas, em que dá uma bordoada num árbitro com vinte anos de experiência (… se ainda fosse num novato…) e o deixa caído no chão, inanimado. É uma agressão, para todos os efeitos, é uma agressão. Mas o mais engraçado disto tudo é que todos os funcionários do clube das gaivotas acharam imensa graça ao episódio e desataram a rir, como se fosse um filme do Woody Alen, que tem um sentido de humor muito peculiar e que eu tanto aprecio. Poderia ficar por aqui, podia, mas o assunto é bem mais grave do que a imprensa e as televisões querem fazer crer. Em Portugal, existe um poder instituído que acha que se deve branquear tudo aquilo que seja negativo para o clube do regime (eu sei, é uma palavrinha do antigamente… mas ainda é uma realidade…) e esquecem-se muito rapidamente das suas posições ultraortodoxas pela verdade desportiva. Relembremos, muito rapidamente, os escaparates dos jornais quando se deu o caso do túnel (que permitiu às gaivotas vencerem o campeonato desse anos…) em que os jogadores do fêcêpê foram crucificados em hasta pública. Sim, em hasta pública, porque era a ver quem mais malhava no ceguinho… Agora, os jornais, referem o caso ao de leve, muito levemente, como quem não quer a coisa, para nos impingirem a ideia de que foi tudo uma palhaçada de um árbitro, com vinte anos de carreira, que decidiu, sem mais nem menos, acabar com um jogo amigável só porque… lhe apeteceu.

Apesar de não gostar do clube das gaivotas, tenho de reconhecer que é uma grande instituição desportiva portuguesa, que tem milhares de pessoas interessadas na sua actividade e que já tem um passado digno de respeito. Mas também me sinto à vontade para perceber que essa instituição deveria ser servida por pessoas de outra dimensão intelectual e cultural. O que assistimos, é a um verdadeiro assalto por parte de pessoas sem o mínimo de qualidade, aos órgãos de decisão da instituição e que em nada dignificam as gaivotas. É claro que, como adepto do fêcêpê, me sinto tentado a gozar com toda esta situação mas, quando me ponho a pensar melhor, facilmente consigo perceber que seria muito mais saudável competir com um clube que estivesse nas suas… completas faculdades… mas também não posso fazer mais nada… eles que se entendam…

E por falar nisso! Vocês os três, façam um quadrado…