Arquivo mensal: Dezembro 2012

Acho que vem aí 2013!

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Geralmente, tenho cinquenta e um anos de vida, mas há alturas em que me sinto com sessenta e um anos de vida. Este ano, que está prestes a terminar, deu cabo de mim. Envelheceu-me. Olho para o espelho e vejo uma pessoa que conheço vagamente. Não quero acreditar que estou no estado em que me encontro. Fico desconfiado. Será que sou mesmo eu? Acabo por ir espreitar as fotografias que foram tirando ao longo deste ano. É pior a emenda do que o soneto. Nas fotografias apareço sempre com muitas olheiras, os olhos caídos, o cabelo a ficar branco, a pele sem brilho (a minha mana diz que é dos cigarros que fui fumando ao longo da vida…), as costas curvadas… A minha sorte é que não tenho filmes porque senão ia ser uma tristeza reparar que ando devagar, devagarinho…

Eu acho, mas sou mesmo só eu a achar, que não vou aguentar outro ano a dormir só seis horas por dia. Consta-se que, quando se caminha para a velhice, se começa a dormir menos, cada vez menos, mas eu não sou nada crente e por isso acredito que tenho é que começar a dormir mais um pouco por dia. É dormir e deixar de me preocupar com dinheiros. Vamos todos passar por um mau bocado. As minhas minhocas já perceberam que estamos em crise e estão cada vez mais comedidas nos seus singelos pedidos. Fico satisfeito por perceberem que não há nenhum drama se não conseguirmos comprar tudo aquilo que desejamos. Apesar de não ser crente, acredito que vai ser um ano de viragem nas nossas vidas. Na continuidade deste ano, vou acabar por deixar de ver televisão (apenas vejo as notícias enquanto faço o jantar) o que me deixa muito tempo livre. Estou a preparar o escritório para poder trabalhar naquilo que gosto (desenhos em pequenos formatos) e espero começar o trabalho de ilustração do outro livro que a minha rica senhora está a acabar. E vou ler. Continuo com uma necessidade enorme de ler. Este ano que agora finda já foi muito bom pois consegui ter algum tempo para ler mas não me chega. Não é que eu seja uma verdadeira máquina de leitura mas estive alguns anos em que, devido à constante solicitação das minhocas, não tinha tempo nem disposição para pegar regularmente num livro. E fez-me falta. A ver se recupero. E depois há a vida ao ar livre. É outra necessidade que eu sinto que estou em falta. Umas caminhadas no Parque da Cidade ou à beira mar, na companhia da minha rica senhora, das minhocas e das duas cadelitas seria uma mais valia, então se for em pleno inverno, com frio mas com sol, adoro. Depois, há sempre aquela cena da saúde, que sem ela não adianta nada fazer planos. Por isso, nada de exageros na alimentação e na bebida…

Fazer balanços no final de mais um ano é meio palerma mas eu sou meio palerma por isso não me canso de acreditar que todos os anos podem ser diferentes e como não me tenho dado mal com a ideia, há que continuar a acreditar. Isto tudo apesar de não saber fazer um balanço em condições… mas fica a intenção.

Para terminar, como não podia deixar de ser, queria desejar a todos um ano diferente, mas bom, com muita genica e que cada um encontre o buraquinho da fechadura da sua felicidade.

Oh, se valeu!

ressaca

Ontem tive um jantar com amigos que foi muito engraçado. Muita conversa, com muito riso e muitos copos. Copos de vinho, de bom vinho, que a idade dos presentes já vai avançada e há que tomar cuidado com a saúde… Cheguei tarde a casa. A minha rica senhora já dormia, serenamente, e fiz um esforço muito grande para não a acordar… e adormeci tranquilo. O complicado foi acordar e funcionar… mas valeu mesmo a pena.

A cópula.

Túlio e Maria Andrade

fizeram amor

apenas uma vez

antes de se casarem

foi na manhã do casamento

benzeram-se antes

de consumar o acto

depois tiveram de se casar

na capela da Academia Militar

 

Maria Andrade

vivias com as avós

ambas surdas

(os pais estavam na terra

isto é

debaixo da terra)

e com a cadela Laika

 

A cadela Laika

era estéril

mas fora operada

para não ter

cachorrinhos

e já fizera a menopausa

 

Porém

como Santa Isabel

estava grávida

e como Maria

não havia sequer

cão

(era um milagre

uma coisa que acontecia

Paulo vai pela estrada de Damasco

e deixa de ser Saulo)

 

Dessa primeira vez

que fizeram amor

foi na casa

de Maria Andrade

com as avós

do lado de lá

da parede

e a cadela Laika

do lado de lá

da porta

 

Não tiveram medo

de ser importunados

mas Maria Andrade

pelo sim pelo não

fechou a porta

do seu quarto

à chave

e deixou a chave

na fechadura

a tapar o buraco

da fechadura

 

O barulho

da máquina

a lavar

o lençol de baixo

e o lençol de cima

aspergidos

do sangue

de Maria Andrade

era o do mar

 

Adília Lopes, in Obra.

Só para avisar: este não era o post que eu queria escrever. Saiu-me…

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Decididamente é difícil. Vai ser o drama da minha vida. Vai-me acompanhar até à velhice!

Mas o tipo está a falar de quê? Deve ser mais uma daquelas tangas! É muito provável que assim seja, uma das minhas tangas… Sim, porque as minhas teorias são sempre teorias da tanga! Mas o que é que eu hei-de fazer? Só me posso mesmo lamentar de ter nascido assim. Podia ter nascido escorreito, mas não senhora, tinha de sair complicado. Não tenho sortinha nenhuma. De resto, nada mais me preocupa e posso eu bem com as adversidades da vida (quer dizer, é uma forma de expressão…).

Esquecendo tudo o que acabei de escrever (essa será sempre uma boa hipótese) e que não interessa ao menino, o tal que dizem chamar-se Jesus, começaria o texto por fazer uma revelação. Aquele tipo de revelação que surge após um fim de mundo falhado: Eu sou um crente! Só podia ser um crente. Não me custa acreditar que sou um crente. Eu acredito nas pessoas. Tenho a felicidade de só me dar com pessoas boas. Não sei se é instintivo mas o que é certo é  que não tenho qualquer tipo de relação com pessoas más.

Tirando as minhas relações familiares, este é o aspecto mais importante da minha vida: as pessoas com quem me dou. São todas fantásticas e, à minha maneira, gosto de estar com todas elas. Claro que falho com elas como falho com os meus familiares. Por vezes dou comigo a pensar que deveria ter falado desta e não daquela maneira ou então deveria ter ligado a perguntar como correm as coisas. E falho porque sinto que não o fiz. Mas da mesma maneira que o sinto, também tenho a consciência de que não o faço por mal, apenas porque a vida, umas vezes não o permite e noutras não me deixa ter a capacidade suficiente para agir em conformidade.

Já deu para perceber que o humor hoje não abunda. Também já se percebeu que vai por aqui uma grande confusão.

 

Somos insignificantes.

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Para além de cansado, também é possível que ande desanimado. A vida prega-nos algumas surpresas. Umas boas e outras más. Tão depressa estamos muito bem como num momento seguinte poderemos estar muito mal. O mundo pode desabar à nossa volta quando menos esperamos. Confesso que não sou uma pessoa derrotada com a vida. Gosto de viver. Posso atravessar períodos negros, como toda a gente, mas acredito sempre que melhores dias virão. Encontrar um sentido para viver nem sempre é fácil, principalmente quando se perde alguém que nos é muito querido. Encontrar, de novo, o caminho não é uma tarefa fácil mas vivermos em homenagem a quem partiu será, talvez, o único caminho possível.

Só falta a minha rica senhora piscar-me o olho!

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Regressado de Chaves, onde fomos deixar as minhocas com os avós. Vão lá passar uns dias e depois regressam… até lá, muito trabalho nos espera. Muita papelada para preencher, reuniões, Encarregados de Educação, jantares de escola… uma verdadeira roda viva. Para dar início às hostilidades, comi uma chouriça, trazida de Chaves, maravilhosa. Dito assim, até parece mal, mas o raio da chouriço era mesmo muito boa. Sem ponta de gordura excessiva, deliciosa. Demorei quarenta e cinco minutos a comer a chouriça, com quatro copos de vinho e um pão com… carnes… maravilhoso. Do outro mundo. E agora estou a ouvir uma musiquinha remixada do Prince. Não está nada mal! Digo eu!

Só para perceberem porque vou dormir.

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Acabei de escorrupichar o copo. Não sabem o que quer dizer, pois não? Mas eu sei! E como eu, mais uma data de seres humanos sabem o que quer dizer. Os outros, os que não sabem, temos pena. São feitos de outra massa. Eu sou da massa antiga, da que já não se fabrica, de tão antiquada que era que os responsáveis acharam por bem acabar com ela.

Por vezes, quando escrevo assim, sinto-me um perfeito idiota! Que se há-de fazer?

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Continuo sem perceber algumas manias que as pessoas têm. Não é nada de especial, uma vez que também não percebo as minhas manias. Não me sinto injustiçado, portanto. Mas gostava de entender certas manifestações de afirmação pessoal. Parece bem? As pessoas afirmam-se de uma forma muito estranha. Qual é a primeira forma de afirmação, a mais básica? Qual? Essa mesmo! A presença física! O corpo, a cara, os olhos, as mãos, o rabo, as pernas, os peitos, os músculos, o tamanho daquilo que cresce, os pés, as orelhas, enfim, tudo o que tenha a ver com a carne. E agora estava-me a esquecer das coxas!

Dizem que a carne alimenta o espírito… mas eu acho que será sempre ao contrário… se bem que goste de carne, mas gosto muito mais do espírito. Somos tão formatados nas nossas opções, temos todos tanto medo de tomar uma atitude, temos todos tanto medo de errar que até chateia. E depois temos que obedecer aos padrões de funcionamento, o funcionamento que um qualquer inteligente achou por bem impingir aos restantes comuns dos mortais. Quem dita a moda? Quem define o que deve ser o corpo humano? Quem tem a mania que a magreza é que é perfeita? Quem está por detrás de toda esta anormalidade? Qual o interesse de condicionar a mente humana? Perguntas leva-as o vento…

Voltando às manias iniciais, e depois disto tudo, só me lembro da mania que as mulheres têm em acharem que devem ser magrinhas, que devem ser secas até mais não. Não dá para entender. Não dá para perceber. Pensando melhor, uma mulher é bonita por aquilo que é, por aquilo que desperta no seu semelhante… mas se tiver umas curvas, umas curvazitas, não acredito que haja um homem que não agradeça. Sim. Os homens sentem quase todos da mesma maneira. Sentem que uma mulher pode funcionar como uma segunda mamã. Sentem que uma mulher lhes pode dar aconchego. Sentem que uma mulher lhes pode transmitir segurança. E tudo isto em versão farta, com curvas. Onde já se viu todos estes sentimentos num corpo que não seja farto e acolhedor. A maternidade não é farta, quente e aconchegante? Quem disser o contrário ainda consegue ser mais palerma do que eu.

Pronto, já chega de tanta indefinição mental. Hoje é sexta feira e muito provavelmente será o cansaço que se está a apoderar de mim. Acho que está na hora de me ir deitar, todo nú, à espera do meu momento de ternura, do meu momento de voltar ao cordão umbilical…