Arquivo mensal: Setembro 2013

Resultados eleitorais. A precisar de descanso.

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Ontem à noite virou-se uma página cá em casa. O envolvimento da minha rica senhora nas lides políticas foi uma agradável surpresa. Saiu-se lindamente e os resultados obtidos são merecedores de um grande elogio. Pelo seu empenho, por acreditar nos seus ideais e pela sensibilidade que sempre demonstrou para com aqueles que se encontram numa fase de grande carência. Por tudo isto acho, mas isso sou eu a achar e não ela, que valeu a pena o esforço e a canseira de ter participado numa campanha eleitoral que se revelou muito cansativa. A candidata está de rastos, magra e esgotada. Vai demorar o seu tempo a recuperar… até lá vou continuando a olhar para os aviões, que descolam e aterram mesmo em frente da minha casa.

Pessoalmente, e como candidato à Junta de Freguesia de Vila Nova da Telha, só tenho a agradecer a todos os que votaram em mim (e foram setenta e quatro!) e se vier algum dia a saber quem foram… sou menino para lhes dar um beijo na boca, faça sol ou faça chuva.

E pronto, é isto. Amanhã começo com a escola, completamente a leste do paraíso.

Sábado, ao princípio da tarde:

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E hoje é dia de silêncio, de reflexão, dizem os arautos da democracia. Neste dia devemos fingir que não existimos. Devemos fazer de conta que os problemas não existem. Fica-nos bem acatar este tipo de considerações. Amanhã será o dia de todas as oportunidades. Para uns. Para outros será o início de um verdadeiro ciclo de luta. Luta pela honestidade, pela generosidade, pela causa pública, pela defesa da igualdade de oportunidades.

Reconheço, e qualquer um lá chegará facilmente, que o termo luta está pomposamente encostado às ideias esquerdistas, se assim lhe podemos chamar. Eu não acho nada disso. Acho é que a esquerda se apropriou desmesuradamente do termo “luta”. Todo o ser humano deve lutar, certo? Lutar por ser honesto. Lutar para que não haja sofrimento humano. Lutar para que as crianças tenham direito à educação e ao bem estar. Lutar para que os nossos velhos tenham um final de vida condigno. O que é que esta luta tem a ver com esquerda ou direita? Porque é que quando se fala em luta a reação dos comuns dos mortais é… lá vem este com a treta comunista… esquerdista… e que temos que ser todos iguais…

Há um problema de comunicação. Evidentemente. E não é uma questão de fingimento, do género: “vamos mudar o discurso para conseguirmos enganar e chegarmos à mesma ideia”. Acho que esse tipo discurso é idiota. Os tempos mudaram. As necessidades das pessoas também. Os meios de comunicação também. Os tempos mudaram, mesmo! Trazer um pouco de pragmatismo ao idealismo… não me parece mau de todo…

Porque tenho saudades!

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Gosto de me confessar. Não é ao padre, claro, é mais com a minha consciência. Neste caso, a minha consciência está na ponta dos dedos. Não, não é nada disso que estão a pensar. Não tenho a consciência na ponta dos dedos para esfregar nos mamilos ou, quem sabe, pelo corpo todo. Não, nada disso. É mesmo com estes dedos que eu escrevo no portátil. Só isso e nada mais do que isso. E nas teclas estão as palavras. Poderia começar a divagar e escrever qualquer coisa do género: estão são as palavras que nunca te direi… mas não me parece. Não me parece que, agora, depois de velho, vá começar a citar quem quer que seja. Não tenho muita paciência para isso. Sou mais terra a terra… Quem por cá anda, atento, já percebeu que as emoções saem da mesma forma e à mesma velocidade a que entram. As emoções não existem para serem pensadas. Existem para serem vividas. Parece simples, certo? Eu também acho. As emoções são o motor da nossa existência. Todos nós precisamos de emoções. Eu não sei se preciso de mais ou menos emoções do que os outros. Não me interessa muito saber se sou mais emotivo do que o vizinho do lado. Isso é problema dele. O meu problema são as minhas emoções. Assim, no plural. Sim, eu tenho emoções. Muitas. Emociono-me com muita coisa mas não sou propriamente uma dona de casa emocionada. Emociono-me com… emoções. Diz assim: “Emoção é uma experiência subjetiva, associada ao temperamento, personalidade e motivação” . Eu tenho a certeza de que tenho estas três actividades mentais, logo emociono-me.

Se pudesse, pegava na bela Scarabeo e ia dar uma volta.

Hippopotamus and Performer. Great Rayman Circus, Madras, India, 1989

Mas não posso!

Há vários dias que não escrevo nada no blogue. Para ser sincero, não tenho tido sossego. O sossego suficiente para me concentrar e escrever. Não é que precise de estar muito concentrado mas quando não tenho tempo, acho que a concentração é fundamental. São quatro da manhã. Hora imprópria para quem tem de se levantar às sete e meia para tratar de pôr a mexer esta casa. Vai ser bonito mas isso, agora, não interessa nada…

A minha rica senhora está a ficar nas últimas. Não tem parado e, de sessão em sessão, de feira em feira, de arruada em arruada ou mesmo de debate em debate, vai-se esgotando e está a ficar cansada, magra e cada vez com menos energia. Vai ser bonito quando tiver que ir trabalhar sem ter tempo para descansar. Bastavam dois diazitos, a dormir, e ela ficava como nova.

A minha campanha é muito mais tranquila. Aliás, eu sou um candidato tranquilo… ciente de que vai subir a votação para a Junta de Freguesia… Este meu envolvimento político veio-me trazer uma nova consciência cívica. Como muito boa gente, também eu deixei de acreditar nos políticos que nos governam há anos e anos. Como muito boa gente, também eu deixei andar, deixei de pensar se as decisões tomadas eram as mais acertadas ou não. Como muito boa gente, também eu insultei os políticos que nos governam sempre que surge mais um escândalo. Como muito boa gente, também achei que podia mudar o mundo. Não posso. É ponto assente que a minha voz e as minhas ideias não vão mudar o mundo. Não vão acabar com as injustiças. Não vão acabar com o egoísmo das pessoas em detrimento dos outros. Não vão acabar com a estupidez nem, tão pouco, com a mesquinhez de quem tem o poder. Provavelmente não vão mudar rigorosamente nada. É o mais certo! Mas, dentro da minha vontade, posso sempre tentar dar o meu contributo. À minha escala, é certo, mas de uma forma verdadeira.

Passando por cima da prosa, continuam a ser altas horas da madrugada e eu sem sono. Três irlandeses já tiveram uma conversa comigo. Os irlandeses são tipos divertidos. Pode ser que me convençam a ir dormir.

Vidinha cansativa.

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Ora vamos lá ver. A minha vida não é só campanha eleitoral. Continuo com as minhas tarefas habituais. Só não vou trabalhar. Faço campanha. Sou um entre muitos. Mas parece que a ideia que passa para a sociedade civil é que os professores se estão a aproveitar do acto eleitoral para não porem os cotos nas escolas. Vendo bem, é mais do mesmo. É muito fácil malhar nos professores. Aliás, a culpa desta instabilidade toda que o início do ano lectivo nos trouxe é toda dos professores. O senhor que dirige o destino de milhares de professores não tem culpa de nada, absolutamente nada, e é vítima deste esquema demoníaco que são as eleições, que são o pretexto para que os professores faltem à escola… haja paciência.

Eu, realmente, estou a faltar à escola. Estou a exercer um dever cívico, não estou propriamente a roubar nada. Vou ter de repôr as aulas a que estou a faltar e são duas semanas… vai-me sair do corpo, deste corpinho pré-sexagenário… por isso não me pressionem. Não gosto de ser pressionado. Só quando quero e onde quero.

Entretanto, muito entretanto, vou continuando a minha vida. Continuo a desenhar. A ouvir Leonard Cohen, sim, esse mesmo! É o único que eu consigo ouvir. Consegue pôr-me a chorar e isso, é muito bom. Quando me passa a choradeira, só Goa Trance. Que é por causa das coisas!

Ainda não é meia noite.

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Nesta vida, como nas outras… temos sempre dois momentos… o antes e o após. Eu não sei lá muito bem onde estou… Por vezes chego antes… outras vezes chego após… Basicamente, basicamente depende da minha vontade. Gosto de andar ao sabor da minha vontade. Não percebo lá muito bem porquê, mas gosto que seja assim. Às vezes ouço aquilo que não quero ouvir. Ah, e tal, deves ter a mania… que tens vontade própria… e coisa e tal… tens o rei na barriga… Eu fico um bocadinho preocupado com as pessoas que me dizem isso. Fico sempre a achar que elas acham que eu sou um enigma. Mas não sou. Sou como as motas antigas. Umas vezes pegam, outras nem por isso…

Rosa Cruz à Presidência da Câmara Municipal da Maia.

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A partir da meia noite de hoje vai começar. Vai começar a primeira campanha política em que me vejo envolvido. Vai ser uma campanha à escala de Vila Nova da Telha, mas vai ser uma campanha merecedora do meu esforço e do meu empenho. Sinto que não tenho um discurso político polido. Sinto que não sei dizer as palavras que as pessoas querem ouvir. Nem quero saber. Já me basta o meu trabalho. Já me basta ter de falar e lidar com uma data de pessoas, de uma forma politicamente correcta. A minha intenção sempre foi exercer o meu direito de cidadania. Não estou, como é evidente, muito preocupado em ganhar qualquer tipo de notoriedade no seio da comunidade onde habito com a minha família. Quero apenas dar o meu contributo. A notoriedade, essa quero-a vinda dos meus amigos e amigas que me brindam diariamente com o gosto de estarem comigo. Isso sim, é notável e não tem preço.

Pelo meio, vou distribuindo uns panfletos, falando com algumas pessoas sobre os problemas da Freguesia e argumentando sobre as razões que levaram a minha rica senhora a concorrer à Presidência da Câmara Municipal da Maia. Na vida, temos de saber qual é o nosso papel e eu sei perfeitamente qual poderia ser o meu: aquele que apoia e acompanha uma grande mulher num percurso de vida singular e merecedor da devida atenção.

Aceitam-se sugestões para matar o tempo.

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Ao fim de quase vinte anos de casa (não são de trabalho, são de casa…) sou brindado com um horário de trabalho que não faz lembrar ao diabo. Eu tenho consciência das dificuldades que muitas pessoas têm em arranjar um trabalho mas essa também não será razão para ficar contente com um horário de trabalho que me obrigue a ficar na escola durante dois dias inteiros com aulas no início e no final da jornada de trabalho. Ainda se vivesse na zona do meu local de trabalho… ainda vá que não vá… vinha a casa e tornava a ir. Como não é esse o caso, vou de manhã e venho ao final da tarde. Pelo meio, bem, pelo meio sempre posso ver uns filmes pornográficos na sala de professores, jogar às cartas, dizer palavrões em voz alta ou qualquer outra coisa produtiva para passar o tempo. Para já vou tratar de arranjar um cacifo só para mim, onde possa guardar uma mantinha, uma almofada de viagem, uma escova de dentes (com copo, que isso de fazer da mão conchinha dá mau aspecto) e uma muda de roupa interior… não vá o diabo tecê-las e ter de lá ficar de um dia para o outro… Estes são os elementos básicos que devem estar presentes na vida de qualquer ser humano, a partir daqui é o mundo, o mundo em cuecas…

Não tenho sortinha nenhuma é o que é e como também não faço por isso… devo ter o que mereço. Pode ser que para a próxima tenha mais sorte. Pode ser que para a próxima a lua esteja virada para mim ou eu esteja de rabo virado para ela. Quem sabe?

E a noite está bonita, muito bonita!

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Quando achamos que a vida é negra, aparece sempre uma luz que nos ilumina e que nos vem trazer outra alegria. Quem por aqui já percebeu que, apesar desta aparência pouco perturbada, sou um espírito perturbador. Não é perturbado, é perturbador. Faz parte de mim tentar perturbar as pessoas. Não é que ache piada. É mais uma consequência. Não sei porquê mas, de facto, isso vai sucedendo na minha vida. Não percebo. Não sei se as pessoas, à medida que me vão conhecendo vão deixando de ficar perturbadas mas, de início, não percebem, literalmente, nada. Não me percebem e, desconfio, eu também não faço um esforço lá muito grande para que me percebam. Todos os dias venho para aqui com uma teoria, ou pseudoteoria, nova, daquelas em que tudo me é permitido dizer. Geralmente, as ditas cujas, não acrescentam nada à vida das pessoas. Aliás, são teorias construídas para não acrescentarem nada, zero, à vida das outras pessoas. Só existem para mim. Pois. É isso mesmo. Sou um ser humano. Individualista. Muito metido no seu mundo. Que, de repente, desabrocha, directamente para o mundo.

Eu sei que não pode ser assim. Eu sei. Mas também ninguém é obrigado a ler seja o que for que esteja fora do seu próprio contexto e eu sou, a maior parte das vezes aquele que está fora e não tem contexto.

Rita Vanina – 2013.

Rita Vanina

E o tempo passa. Vai passando. Já quase não consigo chamar minhoca à minha filha mais velha. Está praticamente uma pré-adolescente… adolescente… ou todas as complicações que esta idade lhe vai trazer. Pois é, a minhoca Rita faz hoje onze anos. Ultimamente tem sido uma relação tempestuosa e difícil, com reações próprias da sua idade, com a agravante de ter um pai, também ele, numa adolescência tardia… Mas nada disto invalida o grande amor que sentimos um pelo outro. Esse sentimento é muito forte e, só por ele, já valeu a pena termo-nos conhecido… Para ti, Rita Vanina, deixo-te um grande beijo de amor e o desejo que persigas os teus sonhos e que sejas muito feliz.

Temos, não temos?

20111015-184416-7Temos de começar, sempre, por algum lado. Eu digo isto mas acho que não tenho que começar por um lado, muito menos por um lado qualquer. Como tenho que escolher o lado, escolho o lado da coxa. Podia escolher outra coisa qualquer, podia, mas não seria eu. Eu, eu gosto da coxa, ponto! Também gostava de saber, mas isso é uma curiosidade minha, muito minha, qual será o lado que os leitores deste singelo blogue gostam. Eu tenho as minhas suspeitas. Não são bem suspeitas. São mais manias… Acho que os leitores do blogue gostam mais do lado das mamas. Assim escrito, uhmmm, pode parecer meio brejeiro, mas depois, se nos pusermos a pensar nas mamas, ou no assunto, se assim quiserem, percebemos que não será uma opção… muito descabida. As mamas estão para o ser humano como a terra está para o cultivo. Ambas “as duas” estão uma para a outra. E por aqui me fico…

Um pouco de sossego, não?

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Há coisas que eu não entendo. Aliás, se não me consigo entender a mim, como é que vou ter capacidade para entender certas, outras, coisas. Não há condições, por isso mais vale não tentar perceber mais do que aquilo que somos capazes. E eu, como sou um rapaz prático, com os pés bem assentes na terra, não vou tentar perceber mais nada…