Arquivo mensal: Novembro 2013

Economistas, banqueiros, técnicos de contas, merceeiros e afins. Tudo uma merda!

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Vivemos num país fraquinho. Esta é uma daquelas frases mais que feitas. Das que não acrescentam rigorosamente nada a quem cá vive. Convém, por isso mesmo, acrescentar qualquer coisita à discussão. Não é que eu vá conseguir inventar alguma coisa. Nada disso. Já tantos e melhores disseram as suas verdades. E cada um tem as suas, as tais verdades. Como sou apenas mais um, segue-se um conjunto de pequenas verdades, mentiras e outras que tais.

Alguém já se questionou sobre o facto de sermos regularmente governados por pessoas ligadas ao dinheiro, ao guito? De uma forma ou de outra, as pessoas mais importantes que decidem os destinos do país estão ligadas ao dinheiro. Temos andado à mercê de economistas, banqueiros, técnicos de contas, merceeiros e afins. Os resultados estão à vista. Quem vai para o governo aposta sempre em levar os mais competentes homens do guito. Geralmente acertam pouco. E acertam pouco porquê? Porque os homens do guito são sempre tacanhos. Têm uma mentalidade muito curtinha. Alguém conhece algum homem do guito verdadeiramente culto? Não? Pois é, eu também conheço poucos. A grande maioria pensa no tostãozinho que se gasta a mais e que não se devia gastar. Já vem de longe. Tivemos um, que nos deixou os cofres com dinheirinho mas pobres de espírito, sem educação e oprimidos. Depois da revolução de Abril foi o desnorte completo. Sem cultura democrática, foram escolhidos aqueles que estavam mais à mão e, até hoje, estamos a pagar a falta de orientação e estratégia. Sem querer tirar o mérito ao que foi bem feito durante estes anos todos, sempre posso afirmar que a aposta na cultura foi irrisória. Os orçamentos foram sempre escassos e residuais. Há aquela ideia que a literatura, a pintura, o cinema, o teatro, a dança, a música e todas as outras manifestações artísticas não enchem a barriga. Pequeninos são os que assim pensam. A cultura, como indústria, é uma força irresistível. Até para perceberem essa força, os homens do guito têm dificuldade. Não é preciso ir muito longe para pegarmos em exemplos. Vejamos o que se passa aqui ao lado, com os espanholitos. Acreditam, de uma forma exagerada…, nas suas capacidades culturais e artísticas, é certo, mas à conta dessa forma de estar na vida (devem achar que são o centro do mundo…) conseguiram desenvolver uma estratégia cultural que gera muito, mas mesmo muito guito (o tal que é importante… para os nossos merceeiros…) e “mexe” com muitas áreas de negócios. Tem peso no PIB. O nosso país, sendo mais pequeno e com enormes potencialidades, seria mais fácil de planear, organizar, conceber e aplicar (pela ordem que quiserem…) uma estratégia eficaz. Podíamos ser grandes. Podíamos, mas não somos.

O novo orçamento veio reduzir, ainda mais, a verba atribuída à cultura. Mais do mesmo, portanto. Outra coisa não seria de esperar vinda deste governo. Eles até podiam ficar com a ideia deles. De que não se deve dar cultura às pessoas para que elas não se habituem a desenvolver um qualquer espírito crítico mas podiam pensar que a coisa… pode dar lucro… Cultura a dar lucro? Sim, é verdade! A longo prazo e depois de estarem montadas as estruturas e as mentalidades necessárias, a coisa dá lucro e nós, portugueses, seríamos um povo melhor. Disso não tenhamos dúvidas.

Em vez disso temos um primeiro ministro que nunca manifestou qualquer opinião, digna de registo, sobre o assunto e que tem ar de quem nunca pegou num livro ou se pegou foi de pernas para o ar. Tem um discurso oral muito ordenado, fruto da formatação partidária e dali não sai. É o melhor que consegue fazer. O vice ministro, ou seja lá qual for a designação que lhe arranjaram para o homem se sentir mais importante, já é de outro calibre. Nota-se uma bagagem que mete o que está acima dele num bolso, pequenino das calças, mas tem um problema de ideologia… é um tradicionalista e pouco dado à mudança. Vai à missinha e faz-me sempre lembrar aqueles jogadores de uma luta americana, de que não me lembro do nome, em que é tudo fingido, encenado e cada um luta por mais protagonismo. É muito show off.

Para terminar em beleza, falta o quê? O padrinho desta malta toda. Sim, aquele que já aturamos há trinta anos. Que não se vai embora e que insiste em comer bolo rei de boca aberta (há coisas que são inesquecíveis…) e nos brinda com discursos quadrados, dignos de um qualquer país africano (sem desprimor para África e as suas culturas). Se o outro pega num livro virado de pernas para o ar… este nem sequer deve pegar em qualquer tipo de livro, para além dos livros sobre economia, fotocopiados, que sempre se metem uns cobres ao bolso. É o personagem ligado ao guito mais fraco que tivemos à frente dos destinos do país. E isto não é implicar com o homenzinho. Alguém já ouviu alguma coisinha, pequenina que seja, interessante vinda da boca deste homenzinho? E sim, pode ser qualquer coisa dita no intervalo de uma qualquer sessão de prova de bolo rei. Alguém ouviu, repito eu? Não, pois não? Bem me parecia. É um economista!

Pelo meio desta trapalhada toda, consigo perceber que há mais exemplos de homens do guito que são uma autêntica nulidade como líderes nacionais, muitos, mas mesmo muitos mais exemplos. Querem um, aqui bem pertinho? O anterior presidente da Câmara Municipal do Porto. Um verdadeiro merceeiro, no sentido mais lato do termo. Arrumadinho, com as continhas certinhas. Corta daqui e corta dacolá… cenas de tipos a expressarem-se… é fatela. Festivais disto e daquilo… ainda pior. Fazem-se uns concertozitos pimba nos bairros e a coisa fica tranquila. Para os outros e como é um verdadeiro fanático dos pópós, gasta-se o guito disponível numa corridazita. O que vale é que as pessoas do Porto não querem saber de pessoas de vistas curtas e se acham que devem fazer isto ou aquilo, fazem. A pujança do Porto como roteiro turístico e cultural não teve a benção do merceeiro. Felizmente.

Também felizmente, o Porto tem agora um personagem muito competente à frente da cultura da Câmara. Pelo seu percurso, pelo seu discurso e pela sua vontade, o Porto vai ganhar. Tenho de confessar que fiquei de pé atrás quando vi que um queque de todo o tamanho tinha ganho a presidência da Câmara, ainda por cima apoiado pelo partido do outro malabarista… mas os sinais têm sido claros e quero acreditar que os projectos culturais na minha cidade vão ser, em breve, uma realidade. Só para sermos diferentes…

E pronto. Era isto. E agora vou nanar que amanhã entro às oito horas e trinta minutos. E vou de motoreta. E vou ter frio. E vou ter que tomar um belo de um café logo às sete da manhã, para despertar, que o dia vai ser longo, muito longo.

Eu acredito que vou daqui direitinho para a cama e vou ser… o quê? Feliz, pois está claro!

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Seis dias, seis, sem escrever nada. São sinais dos tempos. Há quem ache que os sinais dos tempos são aquelas manifestações sociais de desespero, de revolta, de descontentamento. Eu não quero pensar nisso. São outros sinais dos tempos, que também são meus mas que eu, hoje, não quero pensar. Peço desculpa por isso, mas também não acho que a vida tem de ser sempre queixume. E existem muitos motivos de queixume. Mas a vida tem outras vicissitudes para além das coisas más. Certo? Ou já não conseguimos viver para além dos (pus-me a pensar numa designação correcta para os anormais que nos governam e… não encontrei…) momentos menos bons a que vamos assistindo diariamente? Eu acredito que sim. Por muito que custe a acreditar, eu acredito. Acredito que posso ser feliz. Acredito que nunca vou prejudicar deliberadamente outra pessoa. Acredito que vou conseguir acrescentar alguma coisinha à vida de outra pessoa. Estas são as partes sérias de quem acredita. Depois. Bem, depois, podemos todos acreditar que existem outras partes, menos sérias, de quem acredita. Por exemplo: eu acredito que se der um beijo na boca em alguém, se não for de mútuo acordo, estou sujeito a levar dois pares de estalos. Normal? Certo? E podia continuar por aí fora… de preferência com uma data de exemplos de cariz (cariz é uma palavra fofa)  sexual (sexual é uma palavra mais direccionada… para o comum dos mortais) e andava à volta disto e fazia um sucesso. Mas eu sou o quê? Isso mesmo! O moço que acredita, logo não vai em cantigas de sexo, escárnio e mal dizer. Eu é mais bolos.

Este podia ser um post bipolar. Podia, não podia? Mas não era a mesma coisa.

Vou dormir. Bem, pensando melhor, isso não é bem assim.

E para pré? Pré-adolescentes? Existe algum truque? Eu preciso! Tá???

Gibson Gowland & Joan Crawford - USA 1927

Criar uma criança é muito difícil. Criar duas crianças é muito mais difícil. E por aí fora. Não consigo sequer imaginar o que seria criar, por exemplo, quatro crianças… cheira-me a pesadelo…

Eu acho, mas isso sou eu a achar, que ninguém nasceu para criar uma criança. E, quando elas aparecem… é um caso difícil. Tenta-se tudo para conseguir algum equilíbrio. Será que se consegue? Não me parece. Criar uma criança é tudo menos equilíbrio. As teorias vão todas pelo cano abaixo. Uma pessoa esforça-se, mesmo, por conseguir encontrar uma justificação/explicação para tudo o que existe… e nunca é satisfatória essa postura. É desesperante. Pelo menos para mim é, que não nasci para criar uma, duas ou mais crianças…

Hoje é sexta ou sábado?

O senhor que está a botar sheik é alemão. O público não está identificado mas parece-me que são também alemães. Pelo menos, portugueses é que não são. O senhor é o típico alemão. Pelo menos para mim, este é o alemão típico: contido mas expressivo. Parece muito mal? Assim, à primeira vista parece uma enorme contradição. Contido mas expressivo? É verdade. Essa é a ideia que eu tenho dos alemães. São um povo muito contido no seu dia a dia, com objectivos muito bem definidos, com uma capacidade de realização muito grande. Não gostam de inventar no que diz respeito à organização da sua sociedade, do seu estilo de vida.

Fazem por ter e conseguir um nível de vida que lhes permita a expressão daqueles que são o motor dos valores culturais alemães. São um povo que se está a marimbar para a imagem que deles possam criar. Sempre adorei os filmes do Fassbinder. Eram crús. Expressivos. Não eram fáceis. Os alemães continuam iguais a si mesmos. Não são fáceis de gostar. Eu gostava do Fassbinder porque partia a louça toda.
Nem sei muito bem porque estou com esta conversa toda para no final dizer que não os suporto como nação. E, volto a repetir, não tenciono comprar nada que seja fabricado na alemanha. Então bêemedablius… nem pensar… já vêm do tempo do tio adolfo…

Que vontade… grrrrrrr…

insultos

O que é que se pode fazer? Quando as coisas não correm conforme o previsto? Arrancar os cabelos não é lá muito boa ideia pois já vão escasseando. Bater em alguém que esteja a passar por perto? Também não é boa ideia por causa das artroses. Insultar? Berrar? Dar pontapés nos caixotes do lixo? Não me parece nada bem… ou seja, nenhuma destas actividades me parecem recomendáveis…

Então o que se pode fazer para libertar a raiva que sentimos quando estamos à espera de uma coisa e nos deparamos com outra? Eu gostava de saber umas cenas fixes, saudáveis, que não interfiram com mais ninguém. Correr? Não me parece lá muito saudável na minha idade. Ouvir música em altos berros? Até podia ser mas já tenho tantos problemas auditivos que não posso arriscar ficar mouquinho de todo. Ir a uma sessão de terapia em grupo? Essa era uma alternativa engraçada mas pouco viável porque ia ter de dar as mãos a pessoas desconhecidas e isso, eu não gosto de fazer. Pegar na minha bela Scarabeo e por-me ao fresco? Essa seria, sem dúvida, a melhor solução mas a minha bela Scarabeo está parada, triste e sem bateria…

Quando não existem soluções imediatas para os nossos problemas acabamos por nos resignar, por ter de pensar neles e de os resolver… mas custa. Custa ter de pensar racionalmente. Custar encontrar a melhor solução. E ter bom senso? Isso é que custa! Mas pronto, a vida é assim mesmo! Difícil, cheia de desilusões mas com muitas coisas boas pelo meio. É são as coisas boas que nos fazem vir à tona.

Assim correm os dias…

sadomaso

Apesar de não estar em horário de trabalho, estou na minha escola. Porquê? Porque tenho que fazer horas até tornar a entrar e não dá lá muito “jeito” tornar a ir a casa para voltar novamente. Lá fora está um tempo muito fraquinho e a vontade em sair é pouca, de maneira que fico pela sala de professores. Este ano lectivo calhou-me ter de ficar na escola durante todo o dia três vezes por semana. Vou tentando não ficar muito desmoralizado por ter tantos buracos no horário e ter de passar tanto tempo na sala de professores. Normalmente trago um livro. Já pensei em trazer o material necessário para ir desenhando mas fico sempre com a impressão de que vou ser interrompido muitas vezes e, assim, não consigo trabalhar. Ler um bom livro está muito bem. Dormir nos sofás também é uma alternativa, mas só para descansar os olhos. Tem de ser uma soneca muito breve porque os sofás são de péssima qualidade e, se ficar muito tempo na posição torcida em que tenho de descansar… corro o risco de não me conseguir levantar…

Mas são horários de professores e quem anda nesta vida sabe perfeitamente que este tipo de horários podem acontecer. No entanto, ao fim de umas horas enfiado numa escola é necessário  sair do espaço físico, arejar um pouco e quando tal não sucede, corre-se o risco de atingir um grau de saturação que não é nada desejável para um bom desempenho.

Quem está por fora do sistema de educação vai logo achar que são queixas de barriga cheia. Vai afirmar a pés juntos, de preferência com uma jura… que conhecem muitos professores que não fazem nenhum… que todos eles ganham rios de dinheiro e que são verdadeiramente privilegiados. Argumentos deste género, próprios de quem não faz a mínima ideia do que está a falar, não devem ser levados a sério por quem for minimamente… sério. Mas estes argumentos são, pasme-se, para serem levados a sério. Sim, sério. Porque são os argumentos da maioria dos portugueses. Este tipo de argumentos foram construídos e alicerçados na cabeça das pessoas desde o tempo em que Maria de Lurdes tomou conta do escritório… Começou por tomar algumas medidas que visavam disciplinar uma classe que sempre foi corporativista e que sempre se deixou representar por um homem de bigode que nunca esteve muito interessado noutras questões para além das relacionadas com o… guito… direitos… e, acima de tudo, com a sua agenda política. Não me custa nada ser confundido com um reacionário qualquer por não concordar com os sindicatos, quero lá saber dessas minudências… Não sou contra os sindicatos. Devem existir para discutirem as questões laborais. Nada mais do que isso. Se me conseguirem explicar qual a competência que um sindicalista tem para discutir a avaliação do desempenho docente… Ok, poderão e terão, com toda a certeza, o direito de expressar a sua opinião mas não me parece que poderão ser os principais e, praticamente únicos, interlocutores de discussão destes assuntos. Mas foram e têm sido os sindicatos os representantes de peso… dos professores. Com os resultados que estão à vista: uma opinião pública, em uníssono, contra a cambada de privilegiados que andam pelas escolas. Quer queiramos quer não, esta é a realidade. Há uma grande, para não dizer colossal, animosidade contra os professores.

Há quem me ache meio parvo e se calhar sou mesmo parvo de todo mas não sou burro, apesar de ter umas orelhas grandes para ouvir melhor, uns olhos enormes para ler melhor e uma boca grande para poder falar melhor… consigo perceber que, nos tempos que correm, difíceis, com muito desemprego e gente a passar por dificuldades, existe uma ideia generalizada de que os professores não querem trabalhar e só querem receber os seus altos ordenados…

Consigo passar por cima da inveja. Pessoas que invejam uma classe pelos seus ordenados… não me parecem boas pessoas, principalmente porque não é uma profissão cuja finalidade seja ganhar dinheiro. Vejamos. Eu trabalho há vinte e poucos anos como professor. Trago para casa mil trezentos e poucochinhos euros. Não me parece que seja um ordenado principesco, Ok. Há muito boa gente a ganhar seiscentos, quinhentos e muitos outros não ganham nada. Pois há. Mas eu não tenho culpa disso. Faço o meu trabalho. Esforço-me por ser um bom profissional. Esforço-me por conseguir acrescentar alguma coisa positiva à vida dos meus alunos. Esse é o meu trabalho e devo ser pago por isso. Não tenho complexos em relação ao trabalho. Diferentes tarefas implicam diferentes remunerações.

Quem conseguiu chegar até aqui… é uma pessoa corajosa… mas que deve estar a ficar com uma noção errada da minha pessoa… (os meus conhecidos já sabem o que a casa gasta…) e a achar que eu só penso no guito… Não é bem assim. Claro que penso no guito, como toda a gente que tem contas para pagar, filhos para criar e comida para colocar na mesa. Tenho mesmo de pensar no guito e tornei-me num perito em contas de cabeça. Esse é um lado da questão mas não é o mais importante, pelo menos para mim. O que me custa mais na actividade que desenvolvo profissionalmente é sentir-me completamente menosprezado. Sentir que o meu esforço não é reconhecido. Saber que o papel de um professor não é respeitado. Saber que em muitas escolas um professor pode ser insultado e agredido sem que nada se faça para o proteger. Perceber que a opinião, o espírito crítico e o pensamento divergente estão cada vez mais afastados das salas de aula. Verificar diariamente o monte de papelada… Contar o número interminável de alunos na sala de aula… enfim…

É difícil continuar a acreditar que é possível ensinar, que é possível acrescentar qualquer coisa de positivo ao universo de um aluno, que seja, mas essa é uma luta diária, que merece ser vivida por todos aqueles que se deslocam para as escolas deste país…