Arquivo mensal: Dezembro 2013

Não quero nem pensar…

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Não gosto. Mas acabo sempre por fazer. É verdade, todos os anos acabo por fazer um balanço do ano que termina. Não faz muito sentido, pois não? Também me parece que o balanço deve ser feito ao longo de uma vida… mas aqui vai…

Primeira verdade de La Palisse: estou mais velho um ano. No meu caso foi um ano que me envelheceu mesmo. O peso aumentou, os cabelos brancos estão exponencialmente visíveis, as rugas tornaram-se uma marca evidente e a frescura foi-se. As olheiras predominam no meu dia a dia.

Diz-se por aí, que a partir de uma certa altura da vida, é sempre a descer… vai-se por ali abaixo e… é um vê se te avias…

Só de pensar que vou ter de pensar em mudar o meu estilo de vida… até fico roxo… Porque nunca tive cuidado com nada e sempre fui rapaz de exageros…

Depois, depois temos que pensar que não somos o centro do universo, que vivemos com outras pessoas. Que partilhamos vidas. Que temos de dar para receber. Uma cena muito judaico cristã mas que, na realidade, na minha realidade, é bem… real! Felizmente tenho uma família e amigos que me deixam tranquilo. Tranquilo por saber que existem,  por saber que estão bem e também por saber que eles sabem que podem contar comigo.

Que posso eu querer mais?

Um grande ano de dois mil e catorze!

Mais três quilos e meio…

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É o que dá andar armado em comilão… passadas muitas horas a comer e a beber, aconteceu o inevitável… mais três quilos e quinhentas gramas, distribuídos gentilmente por este corpinho, que já foi belo… gracioso e leve…

Não sei como vou resolver esta questão, tendo em conta que as hostilidades ainda vão a meio… e tenho sérias dúvidas se no final vou ficar reconhecível…

Medo, muito medo!

Está quase a acabar, o Natal.

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Estamos numa época em que todos nós queremos dar aquela imagem de felicidade. A mim também me toca. Por várias razões mas, a mais forte de todas e talvez a única que me faz ter que parecer feliz… é o facto de ainda ter duas miúdas pequenas e que vibram com o Natal, como não podia deixar de ser. Não fossem elas existirem e eu estaria num sítio qualquer, a fazer qualquer coisa interessante, sem me importar minimamente com o Natal.

Não é que me faça confusão as pessoas gostarem desta data. Nada disso. Só que para mim isto é tudo uma grande seca e fico muito desgastado. Pode parecer um lugar comum mas não resisto a dizer que este espírito natalício deveria ser diário. Mas não é. Por isso, não ligo nada a isto.

Como andei sempre de um lado para o outro, com avaliações, reuniões de avaliação, reuniões com encarregados de educação mais festas para aqui e para acolá, acabei por não ter tempo para responder aos inúmeros emails, sms e mensagens da rede social da moda a desejarem-me festas felizes e coisas boas. Acreditem que não foi por mal e, apesar de não gostar nada da data, sempre fui rapazinho para ser bem educado e responder… por isso, me desculpem, tá? Não foi por mal!

Isto não se faz… Tenham um bom Natal!

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Estou ligeiramente desconfiado que os programas televisivos são mesmo assim. Que não é por ser Natal que estes programas de televisão existem. Estou com a televisão ligada no canal quatro. Porquê? Porque está a minha mãe cá em casa e ela pediu para ver. Eu sou bem educado e, como não poderia deixar de ser, liguei na quatro. Aproveitei e acendi a lareira, com muita lenha. Quentinho, portanto. Também aproveitei para encher o meu copo favorito de digestivo, que o almoço foi pesadinho. E assim fui ficando. Peguei no livrito que ando a ler e por ali fiquei, tranquilo e relaxado. Até que… o programa de domingo à tarde começou a bombar…

Que vejo eu? Um verdeiro espectáculo… de música pimba. A música pimba sempre existiu ou, pelo menos, sempre fez parte do universo musical do português… por isso, nada de novo a registar. O que me levantou a curiosidade… foi tudo o resto. Foram as coreografias. Foram os guarda roupas dos artistas. Se deles não vou falar, quem quiser que o faça, delas não resisto…

As moçoilas, tanto faz serem as principais como as secundárias usam umas peças de tecido minúsculas. Pronto, tudo bem! Hoje em dia as raparigas usam vestidinhos micro, e qual é o problema? Nenhum, digo eu obedientemente! Cada um usa aquilo que quer e a mais não é obrigado, reforço eu! Seria uma treta que nos levaria a horas e horas de… verdadeira treta.

Como eu não quero saber de treta, vou direitinho ao assunto: atrás das peças de tecido minúsculas estão verdadeiras moçoilas do nosso Portugal. São coxudas. Coxudas fervorosas e cheias de vida!

Ok. Eu sei! Pareço um velho gaiteiro que descobriu que as moçoilas portuguesas são verdadeiras coxudas. Não sou. Já tinha descoberto isso… faz tempo… mas há combinações que fazem parte do meu imaginário… e se forem coxudas, com um bigodinho… deixo de ler, de beber e, se for preciso, de ouvir quem quer que seja…

Agora… pensem…

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Minhas queridas e queridos colegas de profissão. Não no particular. Antes no geral. Já repararam num pequeno pormenor? Já ouviram os comentários que passam nas ruas? Na opinião pública? Sobre os incidentes que aconteceram durante a realização de uma prova que se diz de avaliação de conhecimentos e capacidades. Já perderam um pouco do vosso tempo a ouvirem pessoas que não têm rigorosamente nada que ver com o ensino? Aconselho vivamente o exercício. Sempre acrescenta algo aos nossos conhecimentos e capacidades… Se não querem ouvir as pessoas, leiam e ouçam o que passa nos vários meios de comunicação, dita social.

Custa-me perceber como é possível tamanha inépcia. Tanta falta de argúcia. Estamos a lidar com bandidos. Com autênticos bandalhos que tomaram o poder e que acham que podem fazer o que querem. E CONSEGUEM! Perante esta corja, não se percebe como se cai na tentação de dar o flanco. Não se percebe como centenas de professores insultam e empurram só porque se deixaram levar pelas emoções ou, muito simplesmente, se deixaram manipular pelas agendas políticas de terceiros. Tudo aquilo que passamos diariamente nas salas de aula… respeito pela diferença de opinião… sentido crítico… resolução de conflitos através do diálogo… onde ficou tudo isso?

Já perceberam onde quero chegar, certo? Foi isso que passou cá para fora. Hoje, o ministro da presidência, com um ar desolador, veio expressar a sua preocupação pelo facto de alguns dos manifestantes/pessoas poderem ser os professores dos filhos de um qualquer pai… PERCEBERAM agora a falta de inteligência de quem dirige estas supostas lutas de professores? Quem ficou mal? Isso mesmo! A classe profissional mais humilhada desde que foi instaurada a democracia… E alguém fala no raio da prova? Da completa cretinice desta prova? Não, pois não? O pior ministro da educação sai deste conflito como se nada fosse… e a assobiar…

Hoje, podia, ser dia de ir ao pito. Podia. Mas eu sou um romântico.

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Ora vamos lá perceber uma coisa. Este blogue é construído por um adulto, para adultos, pessoas bem estruturadas e que sabem perceber que não passa de um blogue, com a importância que tem. No presente caso, não tem importância absolutamente nenhuma. Esse é o gozo que eu tenho em vir escrever o que me apetece. Ninguém dá a mínima importância ao que eu escrevo e ainda bem que assim é pois, desta forma, não tenho qualquer responsabilidade no que possa suceder após uma leitura mais atenta…

Posto isto, e porque hoje é dia dezassete de Dezembro, vamos ao que interessa: porque é que ser romântico pode ser um problema. Sim, eu cumpro. E cá estou eu para ver se me percebem. Se não perceberem, também não tem problema… o problema mesmo, é ser romântico…

Mas porque é que veio esta conversa do romantismo? Assim do nada. De repente virou romântico? Não me parece. Aquilo que eu acho é que sempre fui, mesmo, um verdadeiro romântico, daqueles que sofrem quando não são correspondidos. E não vamos entrar em filmes estranhos, do género: é um pobre coitado, com uma alma imensa, que ninguém sabe aproveitar… é uma pena… Não é nada disso. Eu sou romântico mas não sou um pobre coitado. Pronto, está bem! Não me consigo adaptar às exigências do mundo moderno. Nunca conseguirei engatar quem quer que seja pela internet. É alguma coisa do outro mundo engatar pela internet? Para mim, é!

Será que sou um anormal por gostar de ouvir a voz das pessoas e olhá-las nos seus olhos? Desconfio que sim. Desconfio que pertenço a uma larga camada de pessoas que preservam a importância do contacto humano e que, por isso mesmo, são vistas como info-excluídas (adoro o termo…) e não merecedoras da atenção e da importância de que são merecedoras. Dá vontade de perguntar: mas eu gosto de um sheik electrónico, não chega para ser aceite? e  sei mexer em computadores (não é “estar” no computador…), também não chega? Ok, já percebi. Tenho mesmo de saber escrever xisdê, tipo, mano, se é que me entendes… and so on… Nunca vou conseguir lá chegar. Mas tenho de saber viver com isso, à força toda, porque são os sinais dos tempos.

Ainda ontem, quando ia de carro trabalhar (estava de chuva e a minha bela Scarabeo contiua parada em casa à espera de “tempo” para a levar à oficina…) liguei o rádio numa antena qualquer (um ou três, vai dar ao mesmo) e estava o doutor Júlio Machado Vaz a falar com uma menina de voz muito agradável, locutora residente, sobre um assunto que me chamou a atenção e me levou a esta verdadeira odisseia…

E qual era o assunto?

Saiu nos jornais.

É pouco?

A média de relações sexuais diminuiu para quatro vírgula oito ou nove… por mês! É uma notícia triste pois se pensarmos no assunto e fizermos as continhas bem feitas… dá, mais ou menos (que eu não sou de contas bem feitas) uma vez por semana. Uma vez por semana? Como é possível? Questionam-se os garanhões. Não acredito, comentam umas para as outras, as jovens atiradiças… ainda ontem estive nos amassos e já estou outra vez com vontade… Há muitas versões sobre o assunto… Fico-me por aqui.

O que me suscitou a curiosidade foi a explicação que o doutor esfregou na cara dos ouvintes: basicamente duas grandes razões; a primeira está relacionada com a falta de condições económicas, com o stresse que se vive quando não há guito para pagar as contas ao fim do mês ou quando se contam os tostõezinhos todos… eu até percebo que a vontade de fazer aquilo se esfume quando chega a hora e uma pessoa se lembra que no dia seguinte poderá ver cortada a água por falta de pagamento e, sendo assim, mais vale não fazer mais nada para não ter de gastar uma águita num banho checo qualquer… A segunda razão, originou toda esta conversa: as pessoas andam com menos vontade de fazer aquilo porque se distraem mais, muito mais, com as novas tecnologias, com as redes sociais e tudo o que está relacionado com a virtualidade da coisa.

Perceberam agora o porquê deste lamento? Não será bem um lamento, será antes uma constatação. As pessoas passaram a comunicar e a expressarem-se através de objectos. Definitivamente esse é o futuro! As pessoas deixaram de falar, olhos nos olhos, sentimentos à mostra… agora é tudo muito mais asséptico, à distância de um teclado… um teclado que vai direitinho aos lugares comuns, sem precisar de grande orientação. Qualquer um é capaz, e mais do que capaz, de inventar uma personagem, com determinado tipo de respostas, daquelas que impressionam até o mais distraído…

E onde cabe um romântico como eu? Não cabe! Essa é a resposta. Estou cansado das relações assépticas, daquelas que não incomodam, que ficam pela rama e que não nos olham nos olhos. E que não fazem a mínima ideia do que somos e do que sentimos.

E foi assim. Um post escrito com uma chicula na boca e muita vontade de ser feliz. Como um verdadeiro romântico.

Dois. Dois milímetros mais escuros.

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Eu era. Era um rapaz à antiga portuguesa. Agora já não sou! Tenho muita pena. Deixei de ser aquilo que era. Se ainda fosse para melhor… era rapaz para aceitar a realidade dos factos. Mas não! Tinha de ser para pior. Portanto, deixei de ser um rapaz à antiga portuguesa para me tornar num qualquer sucedâneo. Estou a ficar igual a muitos outros. Não é que o facto de ser um entre muitos outros me faça diferença. Não faz. Somos todos pequeninos, neste universo, e devemos ter consciência disso mesmo. Mas… eu gostava de sentir que era especial… gostava de sentir que era diferente… gostava de sentir que era eu. E hoje sou um entre… os outros, aqueles que não existem na minha vida. É estranho pensar que podemos ficar iguais a outros personagens. Principalmente aquele tipo de personagens com quem não nos identificamos minimamente. É um pouco como começarmos a engordar e de repente chegarmos aos cem quilos e não percebermos que temos, realmente e efectivamente, cem quilos. É uma realidade alheia. Parece que vivemos no planeta rocher… doce e alienante… se é que me entendes…

Voltando ao início.

O que é que pretendo com toda esta conversa do rapaz à antiga portuguesa?

Bem vistas as coisas… não pretendo nada! Esse é o princípio deste blogue. Não venho  para aqui pretender seja lá o que for. Porquê? É muito simples. Rapaz à antiga portuguesa não vem com conversas para chegar ou pretender alguma coisa mais complicada. Vai directo ao assunto.

Ok, já deu para perceber que eu sou um rapaz à antiga portuguesa com algum tipo de lacuna pois demoro a ir directo ao assunto… mas eu chego lá.

Até podia mudar o discurso par o pobre coitado de ser um daqueles quarenta por cento de portugueses que chegam ao fim do mês sem um euro disponível para gastar num croissant, dos verdadeiros, porque não sobra nada. Podia lamechar-me dessa forma. Não seria mentira nenhuma. Infelizmente. Mas o que me apoquenta a alma não tem nada a ver com o guito. Ok. O guito é importante. É. Mas o meu problema é outro.

O meu problema é…

é…

Eu tenho um problema?

?

Pronto, eu digo!

Eu sou um romântico.

Sim. O verdadeiro romântico! Aquele espírito do século dezoito. De viver por amor e para o amor. Sou eu. É a minha cara. Não sou mais nem menos por ser assim. Por me sentir assim. Pode ser um problema? Pode.

Amanhã, dia dezassete de dezembro do ano de dois mil e treze, eu venho cá explicar a segunda parte da teoria. Aquela parte que explica porque é que ser romântico pode ser um problema…

Até pareço um professor, queixinhas… mas não sou.

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Nestas alturas, final do período de aulas, a coisa costuma complicar-se. Pelo menos costumava. Este ano quero que se lixe, tudo. Repito: que se lixe, tudo. Não vou dar cabo da minha (pouca) sanidade mental a preocupar-me com papeis e mais papeis. Tudo vai ser feito, como não poderia deixar de ser, mas não vou entrar em stress. É triste dizer isto e pode ser mal interpretado… mas não me pagam para ter um esgotamento. O ensino está cada vez pior: as condições de trabalho são aquelas que nos quiseram impôr; a quantidade de papelada não pára de aumentar; o número de alunos enche as salas de aula pelas costuras; o desrespeito por esta profissão, por parte dos governantes e da sociedade civil, não pára de se acentuar. Enfim, poderia estar aqui a enumerar uma data de razões que eu, como professor (e já não falo como encarregado de educação), acho que estão mal e que dificultam um desempenho de excelência. Mas não estou para isso. Como também não estou para dar um pouco mais de mim. Aquilo que tiver que ser é. Não mais do que isso.

Agora, vou pegar no carro, que está a chover e não posso ir na motoreta da minha rica senhora, e vou trabalhar, que não me pagam para estar a escrever sobre assuntos que não interessam a ninguém…

Mandela e o homem que come bolo rei de boca aberta.

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Muito se tem falado de Nelson Mandela. Por muito que se fale, nada chega para qualificar a sua grandeza. Ela perdurará como uma marca da humanidade.

Se uns são grandes, outros são pequenos. O homem que come bolo rei de boca aberta é um desses, dos pequeninos. Fazia parte de um triunvirato famoso à data e foi fácil votar contra a libertação de um personagem que ficará para sempre gravado como um exemplo de homem. E onde vai ficar gravado o homem que come bolo rei de boca aberta? Onde? Não estou a ver… a não ser, talvez, nalguma cadeia de padarias produtoras de bolo rei e que tenham um péssimo markting…

Ele, o que partiu, que me desculpe, do alto do seu caminho, mas nestas alturas eu não consigo deixar de ter vergonha de viver neste país. Não de ser português, porque o nosso povo é fraterno e solidário. Tenho vergonha de ser representado por mesquinhos, pequeninos, sem nível absolutamente nenhum.

É o que dá começar numa ponta e acabar noutra.

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Esta cena de vir aqui escrever sobre assuntos sérios é… uma cena fatela. É um bocadito cansativo estar a escrever sobre assuntos que nos magoam. Já basta a dor provocada e ainda por cima… há a necessidade de falar do assunto? No mínimo, é estranho. Mas vivemos em sociedade. Temos de lidar com todo o tipo de gente, com ideias muito diversas das nossas, com sentimentos, com vontades e… uma data de lugares comuns que não me apetece estar para aqui a enumerar. Daí os assuntos sérios. Olhamos à nossa volta e vemos tantas injustiças, tantas maldades. E ficamos impotentes. Impotentes perante aqueles que têm o poder de decidir sobre o futuro de milhares de pessoas.

Esta primeira parte do texto está a ficar pesada. Não era isso que eu queria. Estou a ouvir um sheik leviano e o texto deveria acompanhar essa leviandade. Seria bem mais agradável. Agradável seria sinónimo de diversão. Pelo menos para mim. Esse era para ser o mote deste texto… que acabou por não se livrar da tentação… como se o texto tivesse vontade própria… Não tem, que fique bem claro. Quem manda no texto sou eu! Já que não mando em coisíssima nenhuma, mando no texto!

E pego no texto e digo-lhe assim. “vamos falar dos meus problemas, ok?” “Problemas? Também tens problemas?” pergunta o texto… como se um texto conseguisse fazer uma pergunta deste género. “Claro que tenho problemas. E não são poucos!”. “Mas…”. “Mas, nada! Estou cheio de problemas e não se fala mais no assunto. PERCEBIDO?”.

O texto faz um parágrafo, dos verdadeiros porque percebeu que a coisa era séria. Não era uma cena fatela. Percebeu que todos os seres humanos merecem todo o respeito. Respeito pelos problemas que dizem ter. E cada um tem os seus.

Os meus não são de saúde. Isso é bom. Nesta idade avançada, não ter problemas de saúde já é uma grande vitória. Podia mesmo aproveitar para fazer saber a todos que eu sou um vitorioso mas isso não teria cabimento neste texto. Este texto é sobre os meus problemas não sobre as minhas nuances… vitoriosas…

Mas afinal quais são os problemas? É legítima, a pergunta. Eu posso responder. Posso sempre dizer que os meus problemas são financeiros. Poder, posso, mas não são os mais importantes. Trabalho, recebo o dinheiro que me dão e gasto de acordo com as necessidades. É uma resposta politicamente correcta, não é? Todos podemos dar esta resposta…  Claro que o dinheiro não chega mas isso, para mim, é um problema, pequenino. Há sempre comida na mesa e, bem ou mal, vamos fazendo as nossas coisinhas (eu sei, parece o discurso miserabilista do tempo da outra senhora) mas esta forma de estar e de lidar com o dinheiro sempre foi assim e não é fruto da crise que vivemos actualmente. Acho o dinheiro importante, e gostava muito de ter… muito, mas o que interessa ter dinheiro se depois não temos a vivência para o saber gastar? É o espírito que deve ser cultivado, enriquecido, valorizado e esse, não tem preço. Já estive em muitos e diversos ambientes sociais, de meios muito distintos e aquilo que me ficou na memória foi sempre o espírito de cada um, a forma como cada um me falou, ou se riu para mim. Isso sim, é importante. As pessoas são todas iguais. Andam todas à procura de amor, de compreensão e de alguém que lhes pisque o olhito…

E o sheik leviano continua a tocar…

E os problemas do homem nunca mais aparecem…

Não há pachorra, literalmente!

Eu sei, ando às voltas. Pelo menos é o que parece, assim, à primeira vista. Mas não é verdade. Um homem desta idade já não sabe como é ir directo ao assunto. Um homem desta idade, não pode, por exemplo (não real e muito afastado da realidade…) chegar à beira, ou à beirinha, de uma moçoila engraçada e dizer-lhe isso mesmo, acrescentando que já agora que se está numa situação aflitiva, também seria bom que os dois se desnudassem e fizessem aquilo que os nossos pais fizeram para que fosse possível que ali estivéssemos.

Agora deu-me uma branca.

Esqueci-me dos meus problemas, literalmente!

Será que eles existem?

Eu tenho uma vaga noção de que existe… qualquer coisita… por resolver, ou mal resolvida… Sei, porque me sopram ao ouvido, que são uns problemas de comunicação. Dificuldades em comunicar com as pessoas. Nada de mais. É o que costumo perceber quando as pessoas discutem sobre o assunto. Aceito. Aceito que as pessoas me vejam como um rapaz? Rapaz não é o melhor atributo. Cota? Também não quero exagerar na rejeição do que me chamam… mas… cota? Perante os meus alunos eu autointitulo-me como o velho, não o cota, e eles acham normal, por isso, cota, não! E com isto, não passo de um ser humano com dificuldades de comunicação.

E os problemas de comunicação?

Fica para outra oportunidade.