Arquivo mensal: Março 2014

Não estou a perceber a conversa…

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Este meu desejo de ser rapariga mexeu comigo. Não estava à espera desta reacção… Será que vou querer, muito, ser uma rapariga? Logo se verá. Para já, vou continuar com os meus desejos de rapaz a observar como funcionam as raparigas. “Penso eu de que” há muita matéria para ser analisada… dá pano para mangas. Podia começar pelo mais fácil, pela parte sexual da coisa (aliás, acho que nas raparigas há uma grande componente sexual… mas isso sou eu a falar) mas é de manhã e não será muito conveniente começar o dia logo com assuntos pouco sérios. Apesar de que, vendo bem as coisas, começar o dia com uma cena sexual seria a melhor coisinha que poderia suceder a uma rapariga… Com toda a certeza que iria arranjar-se em menos tempo e sairia de casa com um sorriso, amplo, nos lábios. A ouvir um belo de um sheik e cheia de energia. Querem melhor começo de dia que este? Não me parece que exista! Raparigas! Pensem no assunto, com carinho!

Mas eu sei que não vou por aí. Talvez mais logo…

Não me parece que as raparigas tenham vindo a este mundo para se darem mal com os rapazes. Seria um absurdo que tal fosse o desígnio dos deuses. Não me parece que valha muito a pena perder o meu precioso tempo com assuntos menores, do dia a dia. Tenho de me confessar. De joelhos. Quando uma rapariga fala de assuntos que não me dizem absolutamente nada, eu finjo que ouço. Finjo com todas as forças que tenho. As raparigas gostam de sentir que são ouvidas, escutadass e, pasme-se, compreendidas na sua totalidade… Eu como sou um rapaz educado, incapaz de melindrar deliberadamente quem quer que seja, finjo sempre nestes momentos. Como eu, há por aí muito bom rapaz a fingir. Se o rapaz tiver a sorte de estar na presença de uma rapariga inteligente, rapidamente vai perceber que não lhe adianta nada, rigorosamente nada, fingir. Nestas situações, o rapaz tem de adoptar um discurso pró-activo… Tem que se manter alerta, muito alerta porque as raparigas inteligentes não são como os rapazes inteligentes, estão constantemente a processar os dados… parece que adivinham quando, por breves momentos, o rapaz dá repouso aos sentidos e passa a fingir. São espertas, as raparigas. Não é nada fácil.

Tirando este tipo de episódios… as raparigas que olham para os rapazes directamente nos seus olhos são sempre muito mais apetecíveis. Se eu fosse rapariga seria, com toda a certeza, uma dessas raparigas que olham nos olhos dos rapazes. É que os rapazes gostam que as raparigas olhem directamente para os seus olhos. Ficam completamente desarmados e, rapaz que é um verdadeiro rapaz, gosta de se sentir impotente perante uma rapariga. Aliás, os rapazes nasceram para viverem em função das raparigas. E gostam disso. Claro que no meio disto tudo temos vários patamares: uns mais elaborados, outros mais básicos, uns tortuosos ou ainda outros pouco saudáveis. Há de tudo… Mas, rapariga que valha a pena conhecer, mete um rapaz na linha em dois tempos. A clarividência das raparigas para clarificar certas zonas do cérebro do rapaz é um dom natural. Que nasce com elas, por assim dizer…

No meio disto tudo, há por aí rapazes que sabem que assim é. Há outros rapazes que nem sequer desconfiam que as coisas funcionam assim. Também existem outros rapazes que nunca vão conseguir perceber que as coisas são como são… e, finalmente, há uma espécie de rapazes que também não desconfiam que um dia vão perceber o que é bom para a tosse… Todos eles são meritórios mas eu, se fosse rapariga, escolhia logo um que já soubesse do assunto. Fica tudo muito mais fácil. Não ter que andar a queimar etapas é muito mais motivador.

Recapitulando (não “decompondo” a palavra porque me faz lembrar outras coisas…), como é bom quando uma rapariga nos mostra o caminho, a nós, rapazes. Melhor ainda: como é maravilhoso quando uma rapariga nos explica, tintin por tintin, o que devemos fazer para sermos felizes. Eu, se fosse rapariga, olharia nos olhos dos rapazes e, se tal não bastasse, explicaria tudinho, da melhor maneira, para que não houvessem dúvidas.

PS. Não parece, mas esta rapariga está a olhar para o rapaz que lhe tirou a fotografia…

O texto começa de uma maneira e acaba… diferente…

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Eu bem que gostava. Gostava de ser diferente. Gostava de ser uma rapariga. Mas com as manias de rapaz. Então para quê querer ser um outro género? Essa é a pergunta evidente. Podia responder porque sim. Mas acho que não seria nada satisfatório. Tudo tem uma razão de ser. Por isso, este meu desejo em ser uma rapariga também tem uma explicação. Quer dizer, é mais uma visão daquilo que um rapaz gostaria de fazer se fosse rapariga. Sendo ainda mais básico e específico, diria que o meu desejo é sobre aquilo que um rapaz gosta nas raparigas e aquilo que não gosta. Pronto, é isso. Eu percebo a desilusão. O texto começa muito prometedor e acaba miserável e cheio de lugares comuns. É assim a vida, a nossa vida…

Pois bem, se eu fosse rapariga gostava da bela unha pintada, de vermelho. Gosto do vermelho na unha. Também gosto de outras cores mas as cores berrantes têm, obrigatoriamente, de fazer conjunto com uns sapatos e roupa de acordo. Na unha não gosto de indecisões. Aliás é umas das poucas coisas que não gosto nas raparigas… a indecisão… primeiro que se decidam… aquilo custa… e isso deixa-as… não é bem infelizes… é mais ansiosas… Uma perda de tempo total. Se eu fosse o Jesus, mudava isto.

Sem querer começar a enumerar as poucas coisas que não gosto nas raparigas, seria bom insistir na unha vermelha. Normalmente, a unha pintada de vermelho está associada a uma alma pesada. A uma personalidade intensa, pelo menos para mim. É raro vermos uma rapariga nova com a unha pintada de vermelho. É mais azul, verde esmeralda ou coisa que o valha. Unha pintada de vermelho é de uma outra galáxia… neste caso seria a minha galáxia.

E se eu me permitir seguir o raciocínio?

O que é que combina na perfeição com a unha pintada de vermelho? Roupa interior! Lingerie! Até pode ser na língua que acharem mais apropriada! Tanto me faz. O que não me deixaria indiferente, se eu fosse rapariga, seria a escolha das ditas peças de sugestão imediata e facilitadoras da coisa. Vamos partir do princípio obscuro de que eu sou mesmo uma rapariga, só para facilitar a escrita, ok?

Quando era uma rapariga nova, eu gostava de roupa interior branca, imaculada. O branco dá aquela sensação de power, de verdadeira força da natureza que consegue mover montanhas. O branco dá uma noção de volumetria que é imparável. Dá o poder de conseguir domesticar o olhar de quem está do outro lado. Ocupa espaço e isso é bom. Muito bom.

Gosto de pensar naquilo que estou a conseguir fazer sentir, por assim dizer… Aliás, eu vim a este mundo para… fazer sentir… essa é a parte boa de ser uma rapariga  que usa roupa interior branca. Mas fazer sentir só quando eu disser… sim… já pode ser… o branco permite esse fingimento. Permite transmitir uma imagem de pureza. Uma pureza inatingível…

Pronto, é uma cena (falando agora à rapaz) que teve e deu os seus frutos. Está ligada a um período que todas as raparigas atravessam. Em que necessitam sentir que os rapazes andam com a cabeça à roda, literalmente, só de as verem passar… Não acho que o jesus deva meter o bedelho neste assunto. Faz parte do processo de crescimento.

Dá-me a impressão que o texto nunca mais vai chegar à parte da unha vermelha em conjunto com a roupa interior adequada… Pois não! Uma rapariga que é rapariga passa por muitos processos de crescimento e enriquecimento pessoal… Digamos que não foi do pé para a mão que eu me tornei uma rapariga de unha vermelha, assumidamente. Custou. Custou muito. Dei muitas voltas sem perceber o que andava a fazer. Dei outras voltas a saber perfeitamente o que andava a fazer. Umas vezes foi bom. Outras foi mau, para esquecer. E depois apareceram umas assim assim… E porquê?

Pois, essa é aquela pergunta valiosa que nos estados unidos de uma coisa qualquer vale um milhão de dólares. Basicamente, a resposta está relacionada com o facto dos rapazes não perceberem minimamente para que serve uma roupa interior. Muito menos uma roupa interior branca. Que nos faz sentir poderosas e arrebatadoras. É triste, pensam as outras raparigas minhas amigas e solidárias, até ao momento em que não precisam de partilhar momentos intensos… com este ou aquele… (jesus devia meter o bedelho neste assunto da partilha… partilhar rapazes não é pecado!). Os rapazes da mesma idade, nem sequer reparam na roupa interior… é como se não existisse… É muito triste, eu sei, daí ter procurado sempre por rapazes mais velhos… que saibam dar valor… ao que é realmente importante! E o que é importante? Isso mesmo: Uma rapariga de roupa interior branca, capaz de arrebatar o mais indefeso e tímido rapaz da  rua dele.

Fui assim durante uns tempos.

Depois deixei-me andar.

Umas vezes mais confiante, outras menos. Fui misturando a roupa interior. Branca, cor de pele, branca, às vezes preta. Conforme a disposição e a vontade… mas sempre com a convicção de me sentir uma rapariga capaz mexer com o sentimento, aquele que interessa. E rapariga que é rapariga, sabe qual é o sentimento que interessa.

Até que chegou um dia, qual dia de sonho, em que me deixei de tretas. Foi um dia em que decidi não perder mais tempo com pormenores que não interessam ao senhor, um tal de jesus, e passei a fazer apenas aquilo que me dá, realmente prazer. Não foi fácil. Mas foi bom. Passou a ser muito melhor. Passou para outra dimensão. E sempre com roupa interior preta. Com a unha pintada de vermelho.

Voltamos ao início do texto.

Foi aqui que tudo começou.

Seria, pois, o introito para iniciar o meu desejo de ser uma rapariga porque uma rapariga não se esgota nas suas escolhas da roupa interior… Mas o texto vai longo…

PS. E este texto foi escrito ao som desta musiquinha.

PS.. Eu sei, repito as musiquinhas. Até pareço uma rapariga a repetir-se…

Podia ser diferente, mas não foi. Foi mesmo assim.

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Domingo. Aquele dia santo em que é suposto não fazer nada. Suposto… Hoje começou cedo, às sete e pouco da manhã, como de costume. Pequeno almoço e café. Regresso à cama, que no ninho é que se está bem. Entretanto, a minha rica senhora acorda e ficamos numa conversa animada… que invariavelmente acabou naquilo… é que conversa puxa conversa… e como as minhocas agora dormem até mais tarde um bocadinho… Só faltou o cigarrinho… mas como já não fumo há uns anitos, ficou a lembrança.

Passado algum tempo começa o alvoroço do costume, com as minhocas no seu melhor… Ainda consegui dar uma vista de olhos nos sítios habituais e toca a levantar, tomar banhinho e seguiu-se uma sessão de arranjos domésticos: duas persianas que não funcionavam e que passaram a funcionar; duas portas que não fechavam e que passaram a fechar; Uma porta que embarrava no chão e que, depois de desmontada, deixou de embarrar. Pelo meio fui preparando o almoço de família. Também convém referir que tudo isto foi conseguido porque as moças cá de casa foram ao centro comercial fazer umas compritas… Bendito sossego. A trabalhar mas sossegadinho no espírito.

Depois foi uma canseira. Foi um lauto almoço e fiquei sem forças para fazer o que quer que fosse. A tarde foi passada em ritmo muito lento e a arrumar algumas tralhas… Feita a digestão, fui correr mas apenas trinta minutos para me manter activo… (confesso que também não iria conseguir correr muito mais). Seguiu-se um banhinho quente e que mais? Isso mesmo! Preparar qualquer coisinha que se coma… Vai ser uma canjinha, uns pasteis de Chaves genuínos e uns queijos que chegaram do outro mundo. Claro que, depois de correr, há que repôr os líquidos e vamos ter de abrir uma garrafinha de vinho branco…

Depois, seja o que deus quiser.

As mulheres não são nada compreensivas…

“Tenho um caso. A pessoa em causa é mais nova e deixa-me louco porque o sexo com ela é mesmo bom. O problema é que ela quer sexo todos os dias e eu acho que o faz para eu não ter oportunidade de ter relações sexuais com a minha mulher. Já lhe disse que não podemos continuar assim porque já há desconfianças na minha casa, mas ela parece não se importar! Como posso refrear o entusiasmo para não pôr em risco qualquer uma destas relações?”

in Maria.

Eu me confesso.

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Este título é assustador. É a fugir para o intimista. E eu confesso que sou um quanto ou nada intimista. Digamos que tenho uma tendência despudorada em abordar a minha intimidade. Não sei porquê. Aliás, farto-me de ouvir o que gosto e o que não gosto por ser assim. Um desbocado. Também não sou um desbocado especial. Sou um desbocado normal… Só que a maior parte das pessoas não é desbocada. Preserva-se, portanto. Eu acho que não deve ser assim, a vida, e ponho-me a armar em giro… mas isso sou eu…

Tenho para mim que é uma fase… que vai passar… que um dia vou tomar juízo… que um dia vou ter um dissabor do tamanho da torre Eiffel… que me vai deixar de rastos e, finalmente, vou aprender…

Tenho dúvidas.

Enquanto a vida me deixar e a audição permitir, eu sei que vou continuar igualzinho ao que sempre fui. Por isso, vamos a isso!

Eu me confesso.

Por vezes tenho períodos na minha vida em que me sinto completamente perdido. Em que não me reconheço. Poderiam ser momentos trágicos. Mas não são. Eu não deixo que o sejam. Presunção? Não. Apenas um conhecimento muito grande das minhas vontades. Bipolaridade? É pouco. Tripolaridade? Esse é um assunto que diz respeito à minha rica senhora. Eu sou mesmo quadripolar. E a quadripolaridade não tem um padrão, certo? Esse é o meu padrão… Ou seja, ninguém manda na minha quadripolaridade. Ou ainda, ninguém sabe quem eu sou. Por outras palavras, ninguém me conhece verdadeiramente. Está bem assim? Não é nada pessoal. É um modo de funcionamento.

Vou e venho.

Às vezes, vou e venho já.

É por estas e por outras que a audição é fundamental. Porque ajuda. Ajuda a ordenar as ideias.

Por isso, eu me confesso.

Tal e qual a audição, também a vida das pessoas não é fácil. Tal e qual a audição, por vezes é difícil encontrar o caminho. É necessário insistir. É preciso não baixar os braços. Por muito que o caminho possa parecer estranho. E a maioria das vezes é estranho. É preciso ter a percepção de que pode estar perto, o trilho certo. Eu confesso que estou a falar de cor. Nunca andei perto de nada. Sempre andei no trilho certo. Não sou exemplo para ninguém mas também não tenho culpa de ter sido sempre um felizardo. É a vida. A minha vida. Que posso fazer? Que culpa eu tenho se as pessoas que me rodeiam e que são minhas amigas me presenteiam com o seu cuidado? Só tenho mesmo é de me sentir um felizardo. E é com elas que eu me confesso diariamente. Porque eu mereço e elas merecem. Somos iguais. Nas vontades. Nos propósitos. Na comunhão.

É para essas pessoas. Obrigado.

 

Segue-se um texto tortuoso, pouco claro e com imagem a condizer. Peço desculpa mas todos nós temos os nossos dias maus.

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Eu não sou um rapaz para ser levado a sério. Sou sério mas não quero ser levado a sério. É feitio. Mas gosto de assuntos sérios. É um clássico na minha conversa… assuntos sérios… Devo ter a mania, é o que é! Quem me conhece, bem, sabe que eu gosto de cultivar a seriedade das coisas. Gosto de comunicar de uma forma rigorosa. Aliás, volto sempre ao tema, pois a comunicação é a nossa mais valia. Saber comunicar é meio caminho andado para nos sentirmos bem, para sentirmos que nos entendem. Quem não gosta de ser… entendido? Todos nós gostamos de saber que há alguém, por esse mundo fora, que nos compreende. É uma espécie de reconforto moral. Não interessa o que daí advém. Basta o reconforto.

Se calhar, pode parecer uma visão muito redutora. Para mim não é. Basta-me saber que quem me ouve o faz porque acha que faz sentido… aquilo que eu digo. Posso querer melhor? Não me parece.

Mudando de assunto.

Ultimamente tenho dado aulas a turmas do ensino secundário. Tirando a parte dos conteúdos programáticos, esforço-me por ter um discurso que acrescente qualquer coisa aos meus alunos. Nem sempre sou bem sucedido, tenho de o reconhecer. Por várias razões. A principal razão para o meu insucesso está relacionada com o facto de não conseguir adequar a forma e o conteúdo do meu discurso à realidade da sala de aula, à realidade vivencial dos meus alunos. Acho sempre que todos os meus alunos me vão escutar com o maior dos interesses. Sou um eterno ingénuo, para não me classificar de convencido… porque… estou mesmo convencido que posso acrescentar mais um poucochinho às vidas deles. Dá-me a impressão que só eu é que acredito nisso e eles devem-me achar um cota alucinado que vive fora da realidade. Se calhar têm razão e eu sou mesmo as duas coisas… Mas é tão bom acreditar que posso continuar a ser assim. É tão bom pensar e acreditar que posso acrescentar qualquer coisinha positiva à vida de um aluno que está na mesma sala de aula que eu…

Mas os tempos estão difíceis. A escola, como instituição, está muito diferente. Eu sou o mesmo. Que fazer? Adaptar o discurso? Pode ser. Mas eu sou o mesmo rapaz que cresceu num bairro, há cinquenta e tal anos atrás, que sabia valorizar a amizade, o companheirismo e que respeitava a autoridade de um professor. Hoje em dia, o professor tem de conquistar a sua autoridade… e, muito frequentemente, corre o risco de que confundam a sua autoridade com autoritarismo… que foi tão bem amado no tempo da outra senhora.

Pronto, está na hora de mudar, novamente, de assunto.

E como o assunto não aparece…

Nada de especial… apenas um ar um pouco deslocado… da realidade…

Natal em Viana

Ora vamos lá a isto. Isto, quer dizer assunto sério. Aliás, isto e aquilo, são sempre assuntos sérios. Não é fácil falar disto e daquilo. É mesmo difícil, até. O assunto do dia de hoje é sexo. Não propriamente sobre o orgão sexual em si. Cada um tem o seu e sabe de si. Por isso, Isso, não passa disso mesmo. O assunto é sobre a vida sexual do ser humano.

Allôôôô?

Vida sexual do ser humano? Geralmente as antenas ficam no ar. O ser humano que tem vida sexual, o mesmo do assunto, gosta sempre de aguçar a curiosidade sobre o dito cujo. Mas o ser humano não gosta de correr riscos sobre esse assunto. Não gosta de se expor. Mas gosta que os outros ponham a boca no trombone. Que se espalhem ao comprido, por assim dizer, para depois apontarem o dedo ou fazerem troça (assim, de repente, até parece um desabafo de adolescente…). Eu confesso que não tenho muita paciência para maldizentes sexuais. É um tipo de conversa degenerativa. Começa sempre com muita elevação mas acaba, invariavelmente, na auto afirmação… ah, e tal, porque eu fiz assim e foi fantástico/maravilhoso/espectacular/dooutromundo… convenhamos que não há pachorra. Mas a vida é isso mesmo. Uns dias levamos com garanhões e garanhonas e num outro dia qualquer levamos com quê? Com mais garanhões e garanhonas.

Voltando atrás: a vida é assim mesmo e eu tenho a minha. Pensando bem, eu tenho uma vida dupla. Passo a explicar. A minha vida como ser humano social e a minha vida como ser humano sexual. Então não são “ambas as duas” a mesma coisa? No meu caso, não! Gosto de pensar que sou um ser humano sem implantação social, sem qualquer tipo de interesse social. Mas já não gosto nada de pensar que sou um ser humano sem qualquer tipo de interesse sexual.

Estou, evidentemente, a falar do meu interesse. Para que não se confundam as coisas, eu não estou a falar de me achar ou não interessante sexualmente. Essa é uma discussão que não me diz respeito. Eu estou mesmo a falar do meu interesse sexual, já que o interesse social deixou de ter qualquer tipo de interesse para a conversa…

Voltando ao assunto. Repito. Eu tenho interesse sexual. Não posso estar aqui a falar dos pormenores sórdidos das minhas relações sexuais… com a minha rica senhora. Não é coisa para aqui chamada. Mas posso falar do que representam para mim as relações sexuais… na generalidade… (eu sei, é menos interessante…) mas é o que se pode arranjar.

Ao longo da minha vida, que já está a ficar comprida de mais para o meu gosto, fui tendo umas quantas relações afectivas. As minhas relações afectivas foram sempre em função do que essas pessoas representavam para mim. Não há como esconder isso. Todos as pessoas vivem em função do que as outras podem acrescentar à sua própria vida. Comigo também foi sempre assim. Felizmente, sempre tive relações afectivas que me deixaram uma mais valia qualquer. Uma deixou isto e outra aquilo. Não posso negar que sou uma pessoa de sorte. Ponto.

As minhas relações nunca primaram pela escolha de um corpo assim ou assado. Aliás, não consigo perceber o que quer dizer “ah, eu gosto delas loiras”, “bagh, eu gosto delas morenas”, Urgh, eu gosto delas mamudas” ou então “ufa, eu acho-lhes mais piada se forem magrinhas”… tudo conversa da treta. O que interessa mesmo é aquela parte do cérebro que nos coloca em sentido. Aqueles olhos que nos fazem sentir o que temos de fazer. Aqueles lábios que nos deixam perdidos, com os olhos fechados, a acharmos que o mundo vai acabar. E podia ficar por aqui a divagar. Podia, mas não posso. O texto vai longo… por isso pergunto-me. Nessas relações todas, o que interessou mais? O belo do corpinho ou a bela da intensidade afectiva? Será preciso escrever a resposta?

Não me parece.

Também me parece que sou um romântico. Um eterno romântico. Daqueles que não consegue perceber que o seu tempo mental é muito diferente do tempo mental que se vive hoje em dia. Foi. Foi assim há muitos anos. Já ninguém é assim. Ponto.

E como todo este texto começa a ficar muito baralhado, voltemos ao início do seu propósito. Sexo. Não consigo pensar em sexo sem ser um complemento da paixão ou, vá lá, do amor… e se não existir aquela envolvência mental… a coisa não funciona. Não vale a pena. Comigo não funciona. Funciona com muitos outros. Problema deles. Eu é mais bolos.

Também gosto de sexo todos os dias, tal e qual como comer bolos todos os dias. Infelizmente a coisa não se proporciona. Por vários motivos. O motivo mais relevante é a minha idade avançada que já não me permite agarrar na minha rica senhora e atirá-la ao ar, dar duas cambalhotas e nova corrida, nova viagem… Hoje em dia aquilo é mais pausado mas muito mais intenso. Se lermos isto repentinamente… até parece uma desculpa de mau pagador… ah, e tal, aquilo acontece menos vezes mas é muito melhor do que era… qualidade, mano, qualidade… É uma grande treta. Eu não me importava nada de ter menos vinte anos e poder fazer o pino enquanto comia uns tremoços, tocava piano e falava francês…

Assim sendo, só me resta saber aproveitar a vida, tentar ser feliz e, se conseguir, tocar na sensibilidade dos que me rodeiam.

Podia ser pior!

Chaves Verao 2011 087

Nesta vida temos de aprender a relativizar… as cenas. É importante aprender a relativizar. É uma aprendizagem diária. A nossa vida é uma constante aprendizagem. Está bem assim? Pronto! Estamos sempre a aprender! E quando julgamos que sabemos muitas coisas… logo a seguir tropeçamos e percebemos que, afinal, não sabemos absolutamente nada.

A conversa poderia seguir por muitas outras direcções. Pela vida conjugal. Pelos filhos. Pelas relações familiares. Pelo trabalho. Ui… tanto assunto para meter a cumbersa… em dia. Mas hoje, só hoje, não me apetece nada, mesmo nada, dar atenção aos outros. Só quero pensar em mim. Não é normal, eu sei, mas hoje vou ser eu o protagonista. Pode ser?

As terças feiras são sempre muito estranhas. À terça feira fico na cama toda a manhã. É o único dia da semana em que não me levanto às sete e meia. Acordo a essa hora (não devia mas… é impossível não acordar com a agitação matinal desta casa…) e fico na cama enquanto a minha rica senhora trata de tudo. Tratar de tudo (e quem tem filhos pequenos sabe do que eu estou a falar…) implica por as coisas a andar… roupas, pequenos almoços, pastas, casacos e distribuição pelas escolas dos pequenos seres humanos…

Depois, bem, depois… há sempre um belo momento kitkat que não é para aqui chamado… e a seguir a minha rica senhora arranja-se definitivamente e vai trabalhar. Eu fico na cama, donde nunca saí. É assim à terça feira. É um belo de um ritual. Temos outros mas este é o da terça feira. E à terça feira o tempo sobra, para mim. Tenho tempo de sobra para pensar na minha vida. Quem não gosta de pensar na vida? Tenho a certeza que toda a gente gosta. Eu não sou mais do que os outros, peço desculpa. E fico assim, toda a manhã porque só trabalho ao início da tarde…

E a manhã é variada. Tenho dias em que as terças feiras de manhã são um autêntico martírio e outras que são maravilhosas, depende da minha quadripolaridade… Confesso que divido as manhãs de terça feira de um mês em quatro: uma manhã de terça feira é passada a ler; outra manhã é passada nas redes sociais da moda, sem pensar muito… ; tem outras manhãs que as passo inteiramente a ver filmes e imagens pornográficas (não percebo porquê…); e, finalmente, tem outras manhãs em que estou a olhar para o tecto, literalmente, a pensar na vidinha. Cada manhã no seu género mas eu gosto de todos, os géneros… Não consigo decidir-me a escolher um dos géneros. Acho que todos eles fazem parte da minha quadripolaridade e, como tal, são todos merecedores da minha atenção e carinho… Podia ser racional e escolher um dos géneros. Podia pegar no género mais popular (o dos filmes e imagens pornográficas) e afirmar que esse seria o meu alter ego…

Enfim, deixando a parvoíce da escolha de lado, o que hoje aconteceu foi que estive toda a manhã a pensar na vidinha. Não foi bem uma manhã normal. Foi mesmo atípica porque o início da manhã foi… misturado… com a minha rica senhora pelo meio a desejar-me o melhor para a minha vida… Apesar de toda essa confusão inicial, sobrevivi e consegui passar o resto, do que sobrou da manhã, a pensar na vidinha.

E que vidinha tem sido a minha?

Tenho cá para mim que tem sido uma boa vida. Não muito perceptível para toda a gente. Aliás, há muita gente que não me percebe. Se calhar não tem de perceber e eu também não estou muito preocupado com essa incapacidade… das pessoas em não me perceberem.

De repente percebo que este texto está a ficar enorme e que a imensidão daquilo que eu tenho para escrever é… tamanha, que me leva a pensar que esta minha abordagem está errada. Teria de escrever tudo, e quando digo tudo é mesmo tudo, de uma só penada, num outro suporte e depois dividir tudo em partes para que, na melhor das hipóteses, apareçam uns quantos corajosos com vontade de ler o que se passa comigo e com a minha vida.

Abreviando, portanto, apenas quero acrescentar que estive a pensar na minha recente carreira desportiva. Confesso que achei que podia correr aquilo já que consigo fazer aquilo… Percebi que são duas coisas diferentes. Fazer aquilo e correr aquilo, não tem nada que ver uma coisa com a outra. É pena. Por muito que a malta ache que fazer aquilo é o suficiente para aguentar correr aquilo… não é! Ponto final. Também não posso achar que são coisas comparáveis, em boa das verdades. Seria muito bom que correr aquilo apenas dependesse da emoção com que encaramos fazer aquilo. É diferente…

Mas eu tentei. De uma forma muito pessoal, como não poderia deixar de ser, tentei preparar-me para conseguir correr aquilo. Sou rapaz entradote e, por isso mesmo, tive que pensar num plano eficaz. Lentamente, fui vendo como corriam as coisas, com um olho aberto e outro meio fechado lá fui fazendo as coisas… pé, ante pé, como quem não quer a coisa, lá fui aumentando o tempo e a distância. Mas, e há sempre um mas… a idade não perdoa e os exageros acabam sempre por se pagar. Estou a menos de um mês de fazer cinquenta e três anos, porra!

É mais um degrau na minha vida, que foi necessário perceber, a bem ou a mal, mas que me deixou tranquilo porque percebi a minha capacidade em mobilizar a minha… vontade.

Tanto texto para chegar ao fim e perceber que já não vou correr aquilo mas que vou continuar a fazer aquilo.

Sem fazer a mínima ideia do que deveria escrever, como título.

Caminha 2011 213

Falar de amor?

Primeiro, ponto de interrogação.

Falar de amor!

Segundo, ponto de exclamação.

Qual o melhor?

Hoje é noite de sábado e eu com dúvidas sobre o assunto. Vontade de falar do amor, eu tenho. Mas também tenho receio de falar sobre o amor. É assim. As dúvidas e as certezas dividem-se. Ainda não sei lá muito bem como é que isto vai acabar. Apenas sei que continuo a ouvir um tal de Dimitri from Paris, num outro registo, mas sempre muito… mexido?

Tirando isso, a vida continua lá fora.

E eu enfiado em casa. A minha rica senhora está algures, numa manifestação qualquer, perto de si e eu aqui… (foi um versinho fácil e fraquinho, tal e qual eu gosto).

Não me posso esquecer que o tema é o amor. Ok?

Antes disso, ainda me consigo lembrar que a vida já foi muito diferente. Hoje foi dia de Miguel Bombarda. Eu não fui. No caso de hoje não dei por mal empregue o tempo. Estive com amigos que não via há muito tempo. Amigos que têm uma vida muito especial. Uma vida que não é nada fácil mas que é vivida intensamente e isso, meus amigos, não é para todos. Um grande bem hajam.

Depois, ponho-me a pensar nas minhas coisinhas. Miguel Bombarda? Não fui, pronto, ok. E depois? Estive noutro mundo. O que posso dizer? Será mais importante? Não sei. Há que ter bom senso e perceber que as vidas das pessoas são TODAS importantes. TODAS!

E voltemos ao amor. Pode ser?

Por mim pode, por isso, vamos falar do amor.

O amor de um homem é diferente do amor de uma mulher. Estou a começar mal? Normalmente, está diferenciação é a que salta logo às bistinhas… Eu não sou muito diferente dos outros… homens? Pode ser! Por isso, a pergunta é mais do que normal. Se bem que, normalidade, não seja uma palavra consensual. A última vez que falei de amor foi… aqui à atrasado… Fiquei a pensar no assunto. Porque carga de água eu me tinha dado ao trabalho de… respirar… amor pela minha rica senhora? Ela não precisava de nada daquilo. Eu também não. No entanto, achei que precisava? de vir com tretas amorosas sobre a minha rica senhora. Não eram mentira nenhuma. Mas não havia necessidade…

O tema amor é sempre, sempre, complicado. Ninguém acha muita piada em ficar comprometido com o amor. O amor prende um bocado. É como aquelas cores muito garridas que, se forem aplicadas numa parede da sala… prendem um bocado… não condizem com as cortinas nem com os sofás… O amor é um pouco a mesma coisa. Às vezes não dá muito jeito falar no dito cujo.

Eu confesso que não quero saber do tal, o dito cujo. Quero que ele se vá foder (desculpem as senhoras e  todas as mentes mais sensíveis… (é sábado à noite e eu em casa) porque eu quero escrever uma valente de uma asneira (e alguém se lembra, nesta altura, quem é o dito cujo?) e não estar preocupado com a formalidade. Volto a pedir desculpa.

Olho para trás. Leio o que está para trás… Meu nosso senhor que nos deves proteger… porque não cumpres a tua obrigação?

Peço desculpa. Vou-me deitar. Sem falar do amor. Não estou a conseguir. Talvez amanhã.

Umas vezes sou um fresquinho…

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Nas outras, vezes, sou um perfeito idiota. Todos nós já sentimos que, por vezes, somos uns perfeitos idiotas. Eu, não sei lá muito bem porquê, costumo ter essa sensação mais vezes do que deveria ser normal. Começo a desconfiar de que existe uma conjugação de factores que me levam a pensar que estou a pensar bem… (só no meu caso é que ser idiota é que é pensar bem…) e essa misturada mexe comigo.

Estou a ouvir Dimitri from Paris, que é excelente e me faz saltar da cadeira de madeira do meu escritório. Ao mesmo tempo que estou a ouvir o tal de Dimitri from Paris estou a ver filmes pornográficos. Como gosto de ouvir Dimitri from Paris e ver filmes pornográficos ao mesmo tempo, tenho de ser selectivo… no tipo de filmes pornográficos que escolho. Tenho de ser selectivo, baahhh. Dentro da variedade de um catálogo de filmes pornográficos… ponho-me a pensar. O raio do Dimitri from Paris não pára de mexer comigo. Tento focar a minha escolha. Focar é bom. É bom porque parece que tenho os olhos grandes… para ver melhor… Começo a pensar que a coisa está a ficar demasiadamente descritiva. Tenho receio porque a minha escolha está feita e começo a pensar no grau de gravidade que uma descrição, do verdadeiro sexo anal, poderá ter na mente de quem se deu ao trabalho de ler isto tudo. Antes disso tudo, queria ressalvar o entre vírgulas em que o sexo anal foi enfiado. É uma questão de formação.

Gosto de cenas formais. Temos de enquadrar, verdadeiramente, o nosso discurso. E o meu discurso, hoje, é verdadeiramente pesado. Quero pensar que não vou ter de agradar a ninguém. Quero pensar que estamos numa hora decente para adultos e que me apetece dizer que estou a ouvir Dimitri from Paris e que, ao mesmo tempo, estou a ver uns filmes pornográficos de sexo anal. Podia ficar por aqui… (onde é que eu já ouvi isto…?) podia, mas vou acrescentar que o sexo anal é igual em todo o lado. É um clássico. E só não vou desenvolver mais o tema porque o Dimitri, o tal que é de Paris, não me deixa em paz.

Continuo, incrivelmente, apaixonado por ti!

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As pessoas não devem esconder os seus sentimentos. Tenho para mim que não o devem fazer. É difícil, ou não é? Claro que é. Eu sou de uma geração em que os sentimentos eram mais difíceis de transmitir. Cresci a não saber expressar o que me ia na alma. Era a versão oficial da nossa educação. Eramos todos educados para fazer de conta que não tínhamos sentimentos. Ponto.

Mas tínhamos!

Em contraponto, hoje é só sentimentos… tudo o que mexe acha que tem sentimentos genuínos e que todos o devemos escutar. Passou-se do oito para o oitenta. Não tenho muita pachorra para ouvir sentimentos em catadupa… hoje são assim, amanhã já são assado… São sinais dos tempos, diferentes dos do meu tempo. Nem melhores nem piores. Apenas diferentes.

E eu tenho os meus.

Que também não interessam a ninguém!

Se calhar interessam a meia dúzia de pessoas. É o único ponto comum. Os amigos são sempre em número reduzido. Mas essa é uma outra conversa.

Voltemos, pois, ao que interessa. Enquanto ouço este belo sheik, vou pensando na vida. Vou pensando nos meus sentimentos que, desde manhã cedo, não me largam. Não consegui deixar de pensar em ti. Apesar da proximidade. Apesar de ter passado o dia junto de ti. Apesar de te ter beijado, agarrado e não sei que mais, o meu espaço mental continua preenchido por ti, permanentemente. Numa dimensão que me deixa reduzido à certeza de que a vida vale a pena ser vivida.

Os dias do futuro serão sempre dias de verdadeira incógnita. Todos nós devemos estar preparados para encarar o futuro com optimismo pois o nosso presente já valeu a pena. Eu penso assim. Há que viver o presente com a maior das vontades, sem reservas e, se assim for, teremos um belo futuro.

Para ti Rosita, que me fazes acreditar que o dia de amanhã poderá ser ainda melhor, um beijo de amor, cheio de verdadeira amizade.