Noites mal dormidas.

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A noite de ontem ficou em branco. A de hoje foi melhor. Consegui dormir até às quatro da manhã. Ontem tomei café depois do jantar, hoje não. Amanhã não vou tomar café depois do almoço… Acho que o café me deixa muito excitado… Tanto ontem como hoje, deu-me vontade de pegar nos calções e nas sapatilhas e ir correr mas pensei melhor e percebi que iria acordar toda a gente cá de casa. Estranhas vontades.

Ontem fiquei, literalmente, às voltas na cama. Hoje, sabendo o que a casa gasta, levantei o rabinho e vim até ao escritório. Liguei o portátil, meti os auscultadores na cabeça, preparei duas bebidas (uma de cada vez…) e estou por aqui, a divagar e a fazer horas para ir trabalhar.

Tenho de ver o lado bom da coisa. Assistir ao nascer do sol é muito tranquilo e eu preciso de tranquilidade. Ouvir a passarada a começar o dia. Os primeiros carros a passarem na rua com pessoas que vão trabalhar… ou que se vão deitar. Sentir que todos cá em casa dormem sossegadamente. Até ouvir as pombas que param no meu telhado pode parecer um momento agradável… Por volta das seis, ouço o primeiro avião. Aqui há uns anos, esse avião ia para Paris. Chegamos a ir nele. Hoje não sei se será a mesma rota mas o horário mantém-se. Quem me dera poder estar no aeroporto, a apanhar um voo para um sítio que me fizesse novamente sonhar. A última viagem que fizemos foi para a Disney e foi um momento mágico, único, pela envolvente do local mas, sobretudo, porque podemos ter, os quatro, um bocadinho de mundo. Isto foi há quatro anos. A partir daí, tal e qual milhares de portugueses, deixamos de poder ter estes “luxos” e passamos a viver de outra forma.

O que me entristece, e pensando de uma forma egocentrada… (se a presidente da assembleia inventa palavras, eu também posso inventar…), é o facto de sentir que as minhas expectativas estão a sair completamente furadas. Eu nunca fui rapaz para querer à viva força ter um vida de abundância e muito menos de ostentação. Não tenho nada contra mas esse não é, de todo, o meu caminho. Apenas queria viver com o resultado do esforço do meu trabalho. E chegava para realizar os meus sonhos. Chegava para proporcionar às minhas filhas algum conforto. Chegava para procurar ter acesso ao mundo. Nunca dei uma passada maior do que a minha perna. A minha, nossa, vida foi organizada em função das realidades existentes. Basicamente, fizemos as contas. Hoje em dia, nada disto é possível. O dinheiro não chega para pagar as contas que fizemos. Falar em contas que fizemos é muito lisonjeiro… essas contas estão muito acima daquilo que inicialmente previmos. Tudo está muito mais caro. Se juntarmos o facto de que recebemos muito menos… é fácil fazer as contas…

Sempre contas e mais contas! Arre! Que o sono podia ser mais amiguinho! Acho que vou fazer uns ovos mexidos…

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