Arquivo mensal: Junho 2014

Era para escrever uma coisa mas, depois, surgiu um espelho. Espelho meu…

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No meio de tanto trabalho no final de ano ainda me sobra tempo para me olhar ao espelho. Eu gosto de olhar no espelho e ficar, ali, a olhar para o que vejo. Ao longo dos anos, sempre fui olhando para o espelho. Porquê? Bem, essa não é a pergunta que me apetecia ter de responder. Alguém sabe explicar porque é que se olha ao espelho? Sim, porque toda a gente se olha ao espelho! Se for gaja… o tempo em que se olha para o espelho é… a dobrar. Eu, e eu não sou propriamente uma gaja… mas gosto de ficar a olhar para o espelho. Não tenho registados esses momentos. Esses momentos em que fico a olhar para o espelho (assim, lido devagar e com tempo, até parece que estou a escrever para pessoas que não estão a perceber patavina do assunto) não estão registados em filme como toda a gente vai fazendo hoje em dia. Aliás, esse é um problema meu. Não registo aquilo que é importante registar e depois fica tudo só na minha cabeça. É uma pena, com tantos meios electrónicos ao dispor e eu continuo a gostar que seja à moda antiga. É, realmente, uma pena. Não que seja muito importante para as outras pessoas. É mesmo importante para mim. Registar para memória futura o dia presente…

Final da parte introdutória.

Seguimos no espelho.

Quando o espelho está numa divisão da casa em que as luzes estão apagadas, dá-me a impressão que a coisa é pacífica… não se consegue perceber, no pormenor, o que está do outro lado… Quando a luz da divisão abunda… é melhor esconder a bunda… Falando com rigor, olhar para a bunda no espelho, é coisa de gaja, convenhamos. Eu sou sincero. Não fico a olhar para a minha bunda no espelho. Seria demasiado decadente.

Porquê? Isto não tem nada que ver com cenas de hesitações sexuais, para não lhes chamar cenas de identificações sexuais… Não é por aí. O problema é mesmo real. Já não tenho aquela bunda de atleta, de há trinta anos atrás, potente. Agora, a minha bunda, é uma outra cena…

Mas o espelho não existe para eu me olhar no corpo. Pelo menos, para mim, não é a parte mais interessante. O que me interessa mesmo é o meu olhar. Estar no espelho, a olhar para o meu olhar, não tem preço. Parece uma verdadeira chinfronice, para não lhe chamar paneleirice, mas eu gosto mesmo de ficar a olhar para os meus olhos, no espelho. Não tem nada que ver com cenas mais rebuscadas. É mesmo uma necessidade que eu sinto. Consigo perceber o que me vai na alma. Consigo perceber o quanto sou pequenino e insignificante, neste mundo.

Paisagens da metrópole da morte.

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«Este é um dos testemunhos mais notáveis de desumanidade que conheço. As recordações, profundamente comoventes, dos anos de juventude de Dov Kulka em Auschwitz, que se entrelaçam com reflexões de um carácter elegíaco e poético, transmitem vividamente o horror do campo de extermínio, o trauma de familiares e amigos e a marca indelével deixada na memória de um rapazinho que se tornou um ilustre historiador do Holocausto. Uma obra extraordinariamente importante que é preciso ler», escreveu Ian Kershaw.

Eu vi o meu jogo.

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Muito se tem falado de bola. Tenho de confessar que vi o jogo. Estive quase para não ver. À hora do início do jogo estava a dormir e, se não fosse a minha rica senhora a acordar-me, desconfio que só despertava para a vida já o jogo teria terminado. Mas acordei mesmo a tempo de ver o primeiro golo dos primos do nosso primeiro. Dizem por aí que, até essa altura, a equipa portuguesa estava a jogar bom futebol. Dizem! Eu não me acredito que tenha sido a partir daí que passaram a jogar daquela maneira deprimente… E lá fui vendo aquele joguinho português, sem consistência e completamente impotente perante aquela equipa… potente…

Aquele mito de que o futebol alemão é meia bola em força e sem técnica… acabou e os alemães, se não tiverem cabeça fria (o que por aquelas bandas é difícil de vir a suceder) ainda acabam por ficar uns autênticos “brinca na areia”, tal é a qualidade técnica/pezinhos que têm vindo a evidenciar.

Mas pronto, lá estava eu, sentadinho no sofá, ainda a bocejar quando surgiu uma alteração radical no meu aborrecimento. E não! Não foi a idiotice daquele jogador de futebol português, com o cabelo encaracolado cheio de gel brilhante, que só podia estar, mais uma vez, possuído pelas forças maléficas do universo… e que lhe valeu a oportunidade de poder tomar banho sozinho e, assim, poder estrear aqueles balneários novinhos em folha, que devem ter sido caríssimos… Isso sim, foi um momento único, mágico, que mais nenhum outro jogador português vai conseguir alcançar… qual Ronaldo, qual quê…

Mas não foi esse o meu momento! Aliás, os meus momentos são de outro campeonato. São do campeonato das coisas boas e simples da vida. Voltando, portanto, ao sofá… estava eu entediado com tanta criatividade do jogo português… quando, de repente, sinto uma luminosidade intensa a irradiar das minhas costas (sim, o sofá não está encostado a uma parede), com uma intensidade tal que não me deixou outra alternativa senão ter de me voltar para perceber o que se estava a passar. Queria saber o que era. Quem era…

Era a minha rica senhora! A minha rica senhora aproximava-se, lentamente, carregando um tabuleiro (poderiam ser rosas…) donde exalava um perfume maravilhoso. Tinha preparado uns cogumelos, salteados e muito bem parecidos… acompanhados de umas azeitonas, um pão gostoso e, surpresa das surpresas, o belo do vinho branco, maduro e geladinho.

E foi assim. Ali ficamos os dois, à conversa, saboreando o que de bom a vida nos pode trazer e, de vez em quando, lá íamos espreitando o joguito… Para nós foi um fim de tarde perfeito, para outros… nem por isso… mas essas são outras histórias de embalar.

Falta-me esfolar o rabo. É sempre o mais difícil!

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Não gosto de me queixar. Prefiro beber uns copos valentes. Geralmente, costuma passar. Passa-me mesmo a vontade do queixume. Mas ando tão cansado que já nem com copos me consigo esquecer. Nada de interessante para o mundo. Só mesmo para o meu mundo.

Estou atolado em papeis. E não gosto. Mas tem de ser. E é uma valente seca. Por vezes sinto uma vontade enorme de rasgar a papelada. Rasgar a papelada toda. Por vezes…

São umas bestas, uns cretinos e uns nojentos, mas não lhes consigo desejar mal. Devia, mas não consigo!

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Estas pessoas que sentem uma raiva enorme por outras pessoas fazem-me pena. Estas pessoas que acham que os funcionários públicos são os culpados de tudo, que são os culpados por o país estar neste estado vão perceber que agora também lhes vai calhar a eles. Também agora vão perceber que não podem ser sempre os mesmos a pagar a conta. Essa percepção de que já não podem malhar no sítio do costume… está-lhes a tirar a pouca sobriedade que detinham pois a vergonha nunca existiu. Já se percebeu há muito tempo que estes incompetentes que governam este país não conseguiram fazer reformas nenhumas, e esse foi o seu grande propósito,  apenas se limitaram a sacar dinheiro para pagarem uns juros a uns bancos… maioritariamente… alemães… e a dívida pública não parou de aumentar.

Se me conseguirem explicar em que é que eu fui culpado, talvez eu consiga aceitar que possa haver uma necessidade de continuar por mais uns tempos o sacrifício que tenho vindo a fazer. Sou trabalhador do estado português há quase vinte e cinco anos, sou professor, tenho a carreira congelada há não sei quantos anos, não tenho aumentos há… já lhes perdi a conta… todos os anos me fazem um novo corte e consigo ter no banco ao fim do mês mil e duzentos euros. Não me parece que este ordenado seja uma enormidade para o estado português. Como é que esta corja de gente que não trabalha para o estado português consegue insurgir-se contras esta enormidade… de ordenado? Como é que consegue continuar a vociferar autênticas alarvidades contra os funcionários públicos, como se estes, com o seu trabalho, não contribuíssem para a economia do país? Como é que estas pessoas, muitas delas pequenos empresários, que gerem pequenas empresas conseguem achar que os funcionários públicos ganham dinheiro a mais? Esquecem-se que estes funcionários, para além de contribuírem com o seu esforço para que os serviços necessários à sociedade funcionem para todos, também são consumidores dos produtos que essas pequenas e médias empresas produzem. Esta gente que fomenta esta guerra entre sector privado e sector público não merece viver com dignidade. São uns cretinos, moralmente desonestos e merecem o meu repúdio.

Porque é que estas bestas (e este termo está-se a tornar recorrente) não se preocupam antes com os noventa milhões de euros que a Assembleia da República tem de orçamento anual? Porque é que não se questionam com os dezasseis milhões de euros que o homem que come bolo rei de boca aberta tem de orçamento anual? Porque é que não se insurgem contra as tão famosas rendas excessivas que nos levam milhões de euros todos os anos? E poderia estar aqui a dar uma data de exemplos para onde estes cretinos descarregassem a sua raiva. Mas não ia adiantar nada. É mais conveniente malhar numa “entidade” que não tem um rosto, que é constituída por uma massa, que não se pode queixar… e assim podem arcar facilmente com as culpas…

Se calhar estou a exagerar. Se calhar toda esta minha raiva é fruto de algumas leituras de artigos, comentários e outras coisas estapafúrdias que vão aparecendo nos jornais e nas redes sociais. Se calhar sou eu a deixar-me levar por toda essa anormalidade (e não vou escrever o que tenho lido…) e deveria antes manter a cabeça fria. Esse seria o caminho mas eu também não sou perfeito e custa-me assistir, impávido e sereno à cobertura mediática deste tipo de opiniões…

Que me desculpem os meus amigos porque esses não merecem levar com estas minhas angústias.

Que me desculpem os meus amigos mas estes tipos que nos governam são umas bestas!

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Porque é que tenho de assistir a um bando de cães raivosos a insurgirem-se contra um conjunto de juízes? Porque é que tenho de levar com um bando de ignorantes a insultarem pessoas que têm uma formação muito superior a elas e que mais não fazem do que cumprir com a sua função? Porque é que não vejo essa cambada de facciosos a fazerem um esforço para conseguirem perceber que os incompetentes são aqueles que governam Portugal e que não são capazes de fazer um raio de um decreto lei que obedeça às leis vigentes no país? Será que estas pessoas vão, finalmente, perceber que os culpados desta situação não são as pessoas que trabalham para o estado português?  Será que esta gentinha que culpa os funcionários públicos de todos os males do país algum dia irá perceber que os gastos, os verdadeiros gastos, não vão para os bolsos dos funcionários públicos? Não me parece!

Os seguidores deste primeiro ministro, o mais fraquinho desde que vivemos em democracia, são facilmente manipuláveis. São carne para canhão e não conseguem perceber que estão a ser um instrumento de arremesso contra os funcionários de estado. Não percebem, e quero crer que seja porque são distraídos, que esta guerra contra os funcionários públicos (sim, esses mesmos, os que devem assegurar serviços essenciais ao funcionamento equilibrado de um país) é uma perfeita estupidez e que, a longo prazo, vai trazer custos enormes para o país. Eu tenho ouvido autênticas barbaridades contra os funcionários públicos. Não consigo desejar o mal a ninguém mas… gostava de ver a reacção dessas… pessoas… se um dia tivessem a infelicidade de chegar a um hospital público, com as tripas de fora e tivessem de esperar mais do que o tempo necessário porque os recursos humanos e materiais se esgotaram… e se esse bocadinho de tempo a mais fosse o suficiente para… ficarem incapacitados para toda a vida…? Oxalá isso nunca venha a suceder porque não é bom que tal suceda mas, na hipótese de uma tragédia dessas acontecer, tenho a certeza absoluta que seriam esses mesmos a criticarem a falta de resposta dos serviços.

São cretinos destes que nos governam. Sinto nojo em ser governado por pessoas destas. Percebo que existam formas diferentes de pensar e respeito essa diferença. Sempre respeitei. Mas não consigo entender a falta de sensibilidade social. Não me faz confusão nenhuma que as pessoas lutem por uma vida melhor. Que exista riqueza na mão de uns tantos. Agora, essa riqueza não pode ser obtida a qualquer preço. Já me faz uma certa confusão perceber que haja criação de riqueza à custa da exploração atroz de outras pessoas. Na minha perspectiva, há espaço para todos, ou deveria haver. Felizmente para mim, conheço algumas pessoas que criam riqueza, que trabalham de forma honesta para criarem riqueza para elas e para as suas famílias. São tão dignas como outras pessoas que conheço e que trabalham, também honestamente, para outras pessoas. Qual é o problema? Não percebo nem as queixas de uns nem de outros. Há espaço para todos menos para estas bestas que nos governam!

Temos o país que merecemos. JJ tomo vinte e três ponto cinco.

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Por vezes temos de fazer opções nas nossas vidas. E tanto faz ser um assunto sem importância nenhuma como sendo um assunto da maior importância. A vida é feita de escolhas, de decisões e não há nada a fazer. As pessoas tomam mesmo decisões que têm repercussão nas suas vidas. Neste preciso momento, encontro-me num verdadeiro dilema. Não sei se escreva alguma coisa sobre a minha vida sexual, as minhas vontades sexuais, os meus desejos secretos… ou se, pelo contrário, escreva uma data de coisas sobre Jorge Jesus, o treinador do clube dos coisinhos… Não deveria ter qualquer tipo de dúvida. Tudo o que se possa escrever sobre o treinador dos coisinhos é bem mais interessante do que a minha vida sexual. Sim, porque… será que a  minha vida sexual interessa a alguém? Será que a minha vida sexual faz rir alguém? Ou ainda: será que alguém poderá ficar curioso em saber como eu me dispo e me preparo para aquilo? Não me parece… Tudo isto me parece uma conversa de adolescente tardio… Mas também me pode parecer que tudo o que diga respeito ao Jorge Jesus, treinador da chicla e dos coisinhos, será sempre motivo para boa disposição…

A escolha está feita, portanto, e sem muitas hesitações.

Se a escolha está feita, sem mais hesitações, poder-se-à questionar a oportunidade do assunto. Porque é que eu me lembraria de escrever sobre o homem da chicla e treinador dos coisinhos? Logo agora? Em que o fêcêpê não conseguiu ganhar quase nada? Até parece que estou a contribuir para o “eudeusamento” de Jesus…

É precisamente por isso. Se a dita comunicação social entrou numa espiral de um verdadeiro culto da personalidade… Deus no céu e Jesus na terra… eu também acho que posso dar o meu contributo para que o homem da chicla possa ser ainda mais conhecido de todo o comum mortal…

Sim, porque eu também acho que Jesus é o melhor treinador do mundo. Tal e qual o próprio, eu não estou a ver mais ninguém acima dele e até acho que ele está a desperdiçar aquele enorme talento a treinar o clube dos coisinhos… deveria ir para o clube dos coisinhos espanhóis, que essa cena dos clubes italianos… uhmm, não me parece que esteja a dar… e aqui ao lado sempre se ia sentir mais aconchegado… sempre podia contar com a delegação de uma televisão portuguesa qualquer a fazer uma reportagem semanal, dando conta do seu trabalho de excelência… ou então, de vez em quando, podia ser que aparecesse aquele repórter que se cospe todo quando faz uma reportagem sobre o clube da gaivota.

Já estou a imaginar:

O que se cospe todo – Jorge, qué tal? Como habiemos feitó el trieino?

O que trinca a chicla de boca aberta – Entonces, si tu chiegas aqui, a esta plataforma de intreinamiento, tiens de sabier contar com os pontos fracos dels atlietas.

O que se cospe todo – Jorge, sin palabras!

O que trinca chicla de boca aberta – Sin palabrias porque não as tenho à boca de semear. Tu, se quieres ser o melhor entreinador del mundo no tienes que saber todas las palabrias del mundo. Basta que las sabias meter na altura cierta. É como los pinceles da otra, a que pinta e que é de lo bienfica, ninguien pircebe nade mas ela sabe… coiso…

O que se cospe tode – Jorge, sin palabras!!!

Não tem piada, pois não? Bem me parecia mas é o que temos. O homem da chicla também não tem piadinha nenhuma mas faz um sucesso do tamanho da segunda circular… vá-se lá saber porquê…