Arquivo mensal: Novembro 2014

Ferido? É uma forma de expressão… deve ter arrancado metade…

“O meu namorado adora sexo oral e eu não quero desiludi-lo. O problema é que me engasgo muito facilmente e, no outro dia, os meus dentes acabaram por magoá-lo. Agora estamos sem qualquer sexualidade, porque ele tem o pénis ferido e eu não passo um minuto que não me culpe do sucedido. Porque é que eu sou diferente das outras mulheres?”

in Maria.

Estou cansado de… gatunos! Desculpem.

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Os dias dos portugueses têm sido um sufoco. Como cidadão, ignorante dos meandros das leis, de processos judiciais e tudo o mais que esteja relacionado com a justiça, fico apreensivo com o que tem vindo a suceder no país. Todos nós temos assistido, quase ininterruptamente, a detenções, buscas, polícias para cá e para lá, advogados a entrarem não se sabe para onde e a saírem sem abrirem a boca, jornalistas famintos de sensacionalismo e a inventarem histórias… Se acrescentarmos a tudo isto as prisões preventivas que têm sido anunciadas facilmente percebemos que algo de anormal se está a passar em Portugal.

Os portugueses estão habituados, habituadíssimos diria eu, a assistirem a outras cenas policiais. Cenas sangrentas. Cenas de homens a baterem em mulheres. Cenas de atropelamentos em passadeiras. Cenas de pancadaria em bairros problemáticos. E nestas cenas todas, qual é o denominador comum? Impunidade! É isso mesmo, impunidade! Os responsáveis nunca são punidos pelos seus crimes… Claro que pode haver aqui uma certa dose de exagero… e muitos são, realmente, punidos mas a ideia que o português faz da justiça é que esta não é eficaz e, sobretudo, não é igual para todos.

Não estarei a exagerar se afirmar que os grandes tubarões do nosso país se vão safando entre os pingos da chuva… Mesmo nestes casos mais mediáticos já todos nós percebemos que os julgamentos se irão arrastar e os recursos interpostos também serão muitos e quando, finalmente, a hipotética senteça transitar em julgado já o dito cujo do culpado ou morreu ou está demasiado velho para cumprir a pena na totalidade…Isto porque o dinheiro faz toda a diferença. Quem tem dinheiro pode contratar bons advogados, quem não tem dinheiro está… bem arranjado e bate com os costados na choça, por assim dizer…

Há por aí uns senhores que nos querem fazer crer que os tempos são de mudança. Eu não acredito que estejamos a mudar a agulha. É periódico. De quando em vez aparecem uns processos e umas prisões para que tudo continue na mesma. Os portugueses têm alguns costumes engraçados. Um deles é dar uma lavagem na casa no início da primavera ou mais perto da Páscoa… dão um arejo mas continua tudo igual… mas os vizinhos percebem que há “mudança”, “cuidado” e “vontade”… Tudo tretas… tal e qual estes processos mediáticos.

Não é por acaso que este processo decorre uma semana depois do processo dos vistos dourados. E porque é que houve o processo dos vistos dourados? Porque era necessário conter as ondas de choque que o escândalo do BES estava a gerar. Os portugueses perceberam que os responsáveis que originaram os enormes prejuízos do banco nunca irão ser presos.  E não é preciso perceber dos meandros da justiça para achar que, no mínimo, é estranho que o senhor Salgado tenha pago uns míseros milhões de caução para poder estar cá fora e poder preparar melhor a sua defesa. Como é evidente, eu não tenho dinheiro, nem meios suficientes para conseguir fazer uma chamada telefónica para cada um dos portugueses mas se tal fosse possível concretizar, tenho a certeza absoluta que a esmagadora maioria iria responder que o mais justo seria meter o homem em prisão preventiva para, desse modo, não poder atrapalhar ou influenciar o decurso das investigações e do processo. Querem apostar?

Continuando a discorrer como um qualquer português, eu gostaria que estas situações de corrupção e ladroagem desenfreada não ocorressem. Porque é feio roubar o que é dos outros ou, ainda pior, o que é de todos. Acho uma falta de educação tremenda ser ladrão de colarinho branco. Também não estudei para polícia e por isso não me compete andar atrás dos maus mas gosto que sejam apanhados. Não é que sinta qualquer tipo de gozo em ver as caras dos que são apanhados, embora perceba que o maior desgosto daqueles que são apanhados não esteja relacionado com o sentimento de culpa por terem feito algo errado e condenável mas antes pelo facto de terem sido apanhados. Não conseguir enganar como deveriam e teriam obrigação… essa sim, é a verdadeira humilhação… Ehehehehehehe rio-me eu, tal e qual o verdadeiro português que assiste, de cadeira e à sombra do guarda-sol, ao espectáculo mediático que a prisão de um qualquer figurão proporciona. Mas é um ehehehehehe contido, triste, porque bem lá no fundo todos percebemos que ficamos mais enfraquecidos e com menos perspectivas de um futuro melhor.

Assim, conversado na primeira pessoa (comigo mesmo…), até posso parecer minimamente equilibrado. Mas não sou! Sou desequilibrado, mesmo. Não sou faccioso mas consigo ter uma espécie de alter ego fatela que me impele a ser mesquinho (quem não o é?) e a apontar todos os outros casos que também mereciam a nossa atenção. Não é que considere uma ninharia, mas os vinte milhões que o Injiiiinheiro desviou são autênticos “penars” comparados com os milhões a perder de vista que o conjunto de pessoas ligados à família mais conhecida do país conseguiu desbaratinar (para não lhe chamar outra coisa porque somos todos pessoas de bem, tá?). Pegando ainda nos míseros vinte milhões, os do tal injiiiinheiro, e se fizermos uma nova comparação, desta vez com outros milhões. Uns milhões que desapareceram igualmente de um banco, de outro banco (outro denominador comum… curioso…) que era uma autêntica agência de emprego e negócios de um agrupamento de amigos, bem conhecidos de todos os portugueses. Pessoas influentes. Muito influentes. Não se consta que alguma dessas pessoas esteja a passar dificuldades, apesar dos cortes que outros amigos (mais novitos…) fizeram questão de lhes aplicar nas pensões… Todas elas estão de bem com a vida. Bem todas, todas, não será bem assim. Uma dessas pessoas, vai-se queixando regularmente. Tal e qual a maioriia dos portugueses, não consegue viver com o dinheiro que lhe sobra após os cortes… Mas essa pessoa, como todos nós sabemos, é muito fingida…

Pois! A vida continua!

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Passamos metade da nossa vida a tentar agradar a não sei quem. Nunca conseguimos! E depois sentimos que andamos a perder tempo. É uma pescadinha com rabo na boca.

Brincadeirinha.

Quem corre por gosto não se cansa, logo, quem tenta agradar por gosto não se pode queixar. Eu não me queixo de cenas parecidas. Queixo-me de outras coisas. O quê? Coisas sem interesse. Porquê? Porque se me queixar de coisas sem interesse vou parecer perfeitamente normal. Afinal de contas, não são as pessoas normais que passam a vida a queixarem-se de coisas sem interesse? Nada melhor do que seguir os padrões normais para uma boa socialização…

Às vezes é doloroso e eu queixo-me!

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Vivemos num país fraco. Os nossos dirigentes conseguem ser os mais fracos de todos os Portugueses. Porquê? Porque as elites dirigentes devem ser competentes, corajosas, verdadeiras e com um espírito de servir a causa pública. Somos um país pequeno. Deveríamos funcionar como um todo. É isso que sucede? Não, pois não? Pelo contrário. Os nossos dirigentes políticos só pensam nos seus interesses ou daqueles que os rodeiam. Não estou a acrescentar nada. Grande parte da população portuguesa tem esta ideia formada acerca dos ditos cujos, os nossos queridos dirigentes políticos…

Eu nem sei muito bem porque é que ainda me dou ao trabalho de escrever sobre o assunto. Não me adianta nada insultar os nossos queridos dirigentes políticos! Bem, se valesse alguma coisa berrar e insultar eu até era menino para apanhar a carreira e ir até à porta dos que lá estão, com uma folha A4, na mão, com um valente palavrão ofensivo e escrito a vermelho. Do género: PALERMAS! FROUXOS! VOU ALI E VENHO JÁ! FRAQUINHOS! TENHO VONTADE DE VOS FAZER MAL! SAIAM-ME DA FRENTE! SEGUREM-ME! e um sem número de outros impropérios…

Mas, e como todos nós sabemos, quem acabava preso era eu e os verdadeiros delinquentes continuariam à solta. Enfim, nada de novo, mais uma vez. Aliás, quem tiver tido a infelicidade de ter vindo aqui parar vai ficar com aquela ideia de que a minha vida é uma monotonia e que não consigo acrescentar nada de novo. Mas não é isso que sucede. Consigo ser extremamente inovador.

Desde há três anos a esta parte que iniciei o meu percurso como empreendedor. Ser empreendedor. Os nossos queridos derigentes políticos desejam ardentemente que os portugueses sejam verdadeiros empreendedores. E porque mo pediram, tornei-me num verdadeiro empreendedor. Ok, podem dizer que sou apenas um entre muitos. Poder, até podem. Isso não interessa nada. O que me interessa é que me tornei num empreendedor, num professor-empreendedor. Percebi que teria de iniciar uma nova fase na minha vida. Assim como assim… já passei por tantas fases na minha vida…

Agora passei a acumular. Ou seja: continuo a trabalhar numa escola, a preparar e a dar aulas, avaliar trabalhos e testes, a ter reuniões, a lidar com alunos pouco motivados e a ter que me desgastar para os motivar… nada mais do que se vem passando na minha vida ao longo dos últimos vinte e cinco anos. A novidade (querem ver como sou inovador…) está no facto de ter acumulado funções. Para além do trabalho que fazia e faço, agora sou o tal empreendedor. Não foi do pé para a mão que me transformei. Nada disso! Foram três anos de aprendizagem. Posso até afirmar que foi uma aprendizagem bastante dura. Não foi fácil, portanto!

Mas afinal, qual foi o raio da aprendizagem?

Basicamente foi conseguir perceber como se chega ao dia treze do mês sem dinheiro mas com a dispensa cheia. Volto a afirmar: Não foi fácil! Temos dez dias pela frente com o dinheiro que está no bolso e com a esperança de que ninguém fique doente ou que o carro avarie. Aqui em casa quem mais sofre com esta situação são as minhas filhas porque estão numa idade de descoberta das vaidades pessoais e querem consumir para alimentarem essa vaidade. Também elas já perceberam que as coisas mudaram para muito pior. Amor não lhes falta mas as sapatilhas da cor do elefante do Continente… é que vão ter de esperar…

Podem sempre dizer que estou a falar de barriga cheia. Que temos os dois trabalho e que há muita gente neste país a viver em condições miseráveis. Pois há. Mas eu não sou o culpado por isso. Até consigo perceber que não posso ser aumentado durante alguns anos até o país se endireitar… mas… eu apenas sou um trabalhador que organizou a sua vida em função da sua profissão e que de um momento para o outro ficou a receber menos um quinto do seu ordenado. Agora multipliquem isto por dois! Sim, somos os dois professores-empreendedores. Aprendemos muito, mas à nossa custa. Tivemos de aprender a cortar em tudo e a conseguirmos chegar ao fim do mês com o que é necessário e essencial na mesa.

Eu já sou velho. Vivi muito e espero ainda viver muito mais mas não estou preocupado comigo. Tenho duas filhas pequenas e é com o futuro delas que me tenho de preocupar. Gostava que fossem felizes e que tivessem uma boa vida. Afinal esse é o futuro que todos os pais deste mundo e do outro desejam para os seus filhos. Mais uma vez não saiu daqui nada de inovador. Mas ando preocupado. Gostava também de as ter por perto, que vivessem pertinho aqui do velho. Quando leio nos jornais que em 2012 foram 95 mil pessoas que deixaram Portugal em busca de uma vida melhor e que em 2013 foram mais 110 mil, prevendo-se um aumento do número para este ano… Tenho de ficar preocupado com esta sangria. Tenho de achar que estes dirigentes políticos que temos são uma MERDA e que este país não tem futuro. Como é possível que um país tão pequeno como o nosso se possa dar ao luxo de perder 300 mil pessoas em três anos? Qualquer dia ainda nos vão tentar impingir a ideia de que somos um país paradisíaco, onde não há desemprego e onde se vive com qualidade… pudera, se todos aqueles que não têm trabalho seguirem o conselho oficial de se porem a andar para outros países… que não vai haver desemprego… lá isso… é certinho!

O texto já vai longo. O jantar também já está pronto. Que mais posso querer…?

Eu ainda não percebi de que zona… da cidade… sou!

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O ser humano é mesmo estranho. Para não estar para aqui com meias tintas vou começar o texto com “nós” os seres humanos. De uma vez por todas, assumo-me como um verdadeiro ser humano e não se fala mais nisso.

Gostamos de coisas estranhas. Eu, para além de ser humano, sou homem. E os homens gostam de coisas estranhas. Também gostam de outras coisas menos estranhas. Mas o que me faz confusão são as coisas mais estranhas. Há homens que gostam de mulheres. Isso é estranho? Quem me sabe responder? Pronto, cada um sabe da sua estranheza. Para mim, gostar de mulheres não é estranho. Estranho, estranho é conviver com uma mulher.

Porque é que os homens convivem com mulheres? É estranho pensar nisso? Não me parece! Os homens e as mulheres convivem porque acham que o mundo gira à volta daquela zona. Sim, é verdade! Todos nós temos uma zona. Há quem lhe chame a zona apetecível. Aliás, existem diversas designações para o raio da zona. Sim, porque não passa do raio de uma zona que está espalhada pelo raio do planeta. Ou seja. É muito raio junto e muita zona junta! Ainda por cima o planeta, inteirinho, está repleto de zona apetecível. Então se existe zona apetecível por todo o lado, o que leva o homem e a mulher andarem à procura da dita cuja? Estranho, no mínimo! Mas o que é certo é que o homem e a mulher gostam de organizar as idas à tal zona, aquela que se designa de apetecível. Conseguem organizar as idas de diversas formas… Temos de tudo. Temos uns, e umas, que acham que o mundo vai acabar depois de amanhã de manhã e não conseguem parar de falar na zona. Não lhe fazem nada mas lá que falam sobre ela… lá isso falam. Outros têm a mania que a zona deve ser tratada com delicadeza. Andam às voltas pela zona, para a frente e para trás mas sempre muito preocupados com o que poderão pensar…

Há ainda os que aparecem na zona de chapéu! Outros de óculos escuros… Ainda aparecem alguns de bigode, parecidíssimos com a mãe deles… E agora, qual nouvelle vague, andam por aí uns de barba a inspeccionar a zona apetecível. Eu, se fosse zona, era capaz de gostar de uma barba cerrada a inspeccionar a minha zona…

Parou!

A descrição está a sair dos parâmetros considerados normais.

Voltemos pois à conversa inicial.

A conversa do ser humano que gosta da zona apetecível e que acha estranho tudo isso.

Alguém no seu perfeito juízo vai achar que a zona apetecível está relacionada com um chumaço que poderemos ter entre as pernas ou numa curvatura acentuada, com duas pequenas saliências, que desembocam não se sabe muito bem onde? Alguém pensa isso? Se o pensam e não o dizem, pode-se considerar que não é nada estranho. Mas, se o dizem, podem ter a certezinha absoluta que alguém: um vizinho, um conhecido, um patrão ou mesmo um colega de  trabalho daqueles que passam a vida a coçar as hemorróidas com a unha mindinha vão achar que há qualquer coisa de errado. E será que existe mesmo qualquer coisa de errado?

A mim, não me parece.

1961. Agora virem o raio do número de pernas para o ar. Curioso. Lê-se exactamente da mesma maneira! Porque será?

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Hoje é dia sete. Sete de Novembro. De dois mil e catorze. Não é mais do que isso. Um dia do calendário. E um calendário tem muitos dias. Pelo menos o meu calendário tem muitos dias. Dias importantes e dias menos importantes. Se calhar, como todos os calendários das outras pessoas. Isso eu não sei. Não posso responder sobre assuntos que desconheço. Apenas conheço o meu calendário, que tem muitos dias importantes. Muitos dias mesmo.

Tenho dias para nascimentos. Para comemorar os nascimentos das pessoas que são importantes para mim. Se pensar no assunto, consigo perceber que também posso comemorar o nascimento de pessoas que foram importantes para mim e que já cá não estão. Normal. Toda a gente celebra aqueles que, de uma ou outra forma, foram marcantes e que já partiram. Esses, no meu calendário ocupam um lugar especial.

E nos dias destinados aos nascimentos também tenho um cantinho especial para todos aqueles que nasceram no meu ano. É verdade. Mas essa é outra cumbersa…

Mas o calendário não se fica pelos nascimentos, ou fica? Quem é que só comemora os nascimentos? O ser humano gosta de comemorar tudo. Tudo o que tem o mínimo de interesse e tudo aquilo que é mais desinteressante… possível. É impressionante como se comemoram tantas coisas. Eu sou um ser humano perfeitamente normal. Quando era mais novo, há sensivelmente quarenta anos, comemorava todas as vezes que fazia o amor carnal. Aquilo era uma festa. Sempre a comemorar. Aliás, acho que nunca comemorei tanto na minha vida. Comecei por fazer umas estrelinhas de cada vez que fazia aquilo. Muitas estrelinhas desenhei. Eram outros tempos… não havia a tecnologia dos nossos dias… para nos deixar mais sossegados… Hoje em dia, uma folha excel faria milagres.

O assunto já está a ficar demasiado nostálgico para o meu gosto.

Como as comemorações.

Aliás, o termo, por si só é deprimente.

Devemos comemorar.

A vida.