Arquivo mensal: Fevereiro 2015

Amesterdão. Cinco dias bem passados.

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Acabadinho de chegar de uma viagem. Portanto. Fresco que nem uma alface. A cabeça descansou. Deu para compensar o desgaste do corpo, que nestas coisas das viagens a cidades que não se conhece… acaba-se sempre por andar muitos metros… é mais um edifício que não se conhece ali ao fundo e depois aquela rua que é mesmo engraçada e a seguir está mesmo ali à mão de semear uma igreja tão bonita… e andamos nisto. Mas vale a pena andar metido nisto. Quem me dera andar sempre metido nisto.

Já não viajavamos todos juntos há muito tempo. Quando digo muito tempo, estou a falar de quatro ou cinco anos. Praticamente desde que começaram estes cortes todos. Por incrível que pareça, desta vez, começamos a nossa poupança o ano passado. Fizemos um plano familiar (um porquinho) e fomos faseando as despesas. Tivemos a sorte de conseguir vender uns desenhos e mais umas coisas que não nos serviam para nada e assim fomos conseguindo compor a coisa. Claro que a coisa… é sempre uma coisa… digamos, digna de um professor…

Não interessa.

Fomos!

E fomos muito bem!

Fomos para Amesterdão.

Ainda por cima, nunca lá tinhamos estado!

O que é que poderíamos querer de melhor?

Nada!

Nem a falta de dinheiro tirou brilho.

Foram uns dias tão engraçados e vividos num ambiente perfeitamente adequado às nossas realidades que eu não consigo mudar nem uma vírgula. Adorei fazer esta viagem. Com estes amigos. E não é fácil viajar com outras pessoas, por muito amigas que sejam. A dose de tolerância, compreênsão e entreajuda estiveram no ponto e, quando assim é, só pode correr bem.

E depois, depois, houve Amesterdão.

Uma cidade muito aprazível. Era capaz de viver em Amesterdão. Quer dizer. Era capaz de lá viver se me habituasse às biclas. É muita bicla para o meu gosto. No último dia já me estavam a fazer confusão… três tipos de semáforos… e vais na rua e vem uma bicla disparada… e passa-te uma tangente com um… berrinho (que eles são muito comedidos…) e dás um salto (e quase morres de susto… e eu sou praticamente um sexagenário…) não pode ser, é um esforço de adaptação muito grande. Mas tirando as biclas, gostei. Muito cool. Quer dizer. É um pouco cool demais. Acaba por ser demasiado abandalhado. Não ligam muito aos pormenores. É tudo muito essencial e o resto não interessa. Por exemplo: Podemos ver uma casa impec, com excelentes prateleiras, carregadas de livros, que se conseguem ver da rua e ao mesmo tempo a entrada é capaz de ter uma espécie de jardim de cinquenta por um metro completamente desorganizado, com um lavatório e um balde cheio de tulipas lá dentro… Digamos que são relaxados.

Por aquilo que percebi, os holandeses são um povo muito discreto. O nosso grupo de portugueses era sempre o mais ruidoso. Uma vergonha, portanto. Não que eles ficassem incomodados, pelo contrário, se não estivessem com auscultadores nos ouvidos… eram meninos para esboçar um sorriso… e sempre foram muito solícitos a prestarem informações, mas são mesmo muito reservados. Também são grandes e desengonçados, com uma beleza do género… para quem gostar… confesso que não consegui vislumbrar uma única piquena que me deixasse de olhos em bico pela sua beleza facial… já pelo look global, gostei das mais entradotas… porque as mais novitas são mais do mesmo…

Fizemos uma coisa que milhares de outras pessoas fazem. Demos uma volta de barco pela cidade. Pode parecer meio palerma mas foi uma excelente opção. Ficamos com uma ideia muito geral da cidade. Percebemos que vive muita gente no centro. Que è muito fácil andar de um lado para o outro e que é tudo muito tranquilo. Fiquei logo com vontade de ir para lá viver. Acho mesmo que ficamos todos com vontade de lá viver… ainda por cima era domingo e as pessoas andavam a passear calmamente, junto aos canais, algumas com cães, tranquilamente e aquela visão ajudou… mas depois, depois, as oportunidades não caem do céu e passados quatro dias regressamos.

Mas que não seja por isso. A viagem foi fantástica. Queríamos lá ficar a viver. Não ficámos, pronto, mas divertimo-nos na mesma. É uma cidade completamente diferente daquilo a que estamos habituados. Muito diversificada e com gente de todos os lados mas, ao contrário de Londres, pouco cuidada e não fiquei de boca aberta com nada nem ninguém. Parecia que estava no centro comercial ali da esquina. Onde eu notei mesmo a diferença foi ao nível comercial, dos museus, transportes tudo funciona como deve ser e os edifícios públicos que conheci (biblioteca) são paranormais…

E depois há o folclore. O folclore holandês é muito engraçado. É um folclore em que as moçoilas dançam em trajes reduzidos. Dançam uma música que ninguém consegue ouvir. Que só elas ouvem e, por isso, só elas percebem o ritmo. Mexem-se de um lado para o outro. Sempre em trajes reduzidos. Não percebo porquê. Ao fim e ao cabo é uma dança mas há quem perceba e lá vai entrando na dança. É uma coisa engraçada, confesso. Não me fez confusão nenhuma assistir ao folclore holandês. Estava um pouco receoso porque nunca gostei de assistir ao folclore… e afinal aquilo funciona. Também acredito que a horas mais tardias o folclore possa ser outro… mais inclinado… não sei, não vi, não assisti.

E foi assim, uma bela estadia, muito vivida e com muita vontade de ser repetida.

Está de chuva. Eu estou de óculos escuros.

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Ora vamos lá a isto. Faz tempo. Faz tempo que não escrevo. Esse é o meu novo ritual. Fazer tempo para escrever. Por várias razões. A mais importante está relacionada com o facto de me sentir muito importante…. ehehehehehehe, isso mesmo! Importante! A segunda mais importante está relacionada com o facto de me sentir completamente alheado da realidade… ehehehehehehe, sim, nova risada! Da realidade!

De maneira que a vida vai-me levando para outras paragens que não estas, as da escrita. Também, convenhamos, não se perde muito. Os exercícios mentais, esses, continuo com eles, mas de uma maneira mais recatada, na forma de umas noites mal dormidas e de umas caminhadas.

Também ando sem piada. Percebo as piadas. Mas ando sem piada. Não sei porquê. Tenho andado muito sério. Sem emoções fortes. E logo eu que sou moçoilo para emoções fortes…

Também ando seco. Consigo perceber o discurso das pessoas. Mas digo o essencial. Secamente. Não tenho paciência para andar às voltas com pormenores que nem sequer o John Holmes se interessaria.

Lá vou cantando e rindo. Não estou zangado com o mundo. Nada disso. Sei que ele existe. Está ali. Eu vou lá pondo o pé, número quarenta e três, mas delicado e continuo com a minha vida interior, igual a tantas outras…