Arquivo mensal: Março 2015

Até lá!

tumblr_mczwmmpRK61qd4uvdo1_500

Eu não tenho muito juízo. Nunca foi o meu forte.

Levo a minha vida sempre a pensar que não tenho juízo.

Uma verdadeira palermice.

Porque a minha falta de juízo… é uma brincadeira de meninos…

No meio disto tudo, vou ter de saber que saber lidar com algumas novidades.

Para a semana há mais.

Sexta feira, à tarde, com chuva lá fora.

tumblr_m0fh8wey9Z1r5sxyqo1_500

Sou rapaz para parecer que tenho cinquenta e quatro anos. Não tenho como fugir deles. Também não pretendo fugir dos ditos cujos. Estão-me na pele. Que posso eu fazer? Tenho de confessar que estou a adorar a idade que tenho. Mentalmente estou muito bem. Estou no ponto de desequilíbrio total. Naquele ponto em que posso pensar tudo aquilo que me apetece. Posso querer melhor? Estou naquele tal ponto em que não quero saber daquilo que as outras pessoas pensam. Tanto me dá como tanto se me deu…

Por outras palavras. Quero que se lixem (na minha terra costuma-se dizer que quero se que se fodam, mas como este blogue é universal e não reconhece regionalismos, por isso mais vale não pensar no assunto).

Para que conste.

22

Ok. Este não será o sítio ideal para falar sobre a minha vida profissional.

Também não vou desvendar nenhum segredo.

Nem sequer pretendo abordar a relação que tenho com a entidade patronal e que regula a minha actividade.

Sou apenas um professor. Cansado. Não quero saber de mais ou menos razões. Apenas quero que me deixem fazer o meu trabalho. Tranquilamente.

Sou um entre muitos.

Eu não devo nada a ninguém. Apesar de me sentir cansado, levanto-me diariamente com a mesma vontade que tinha há vinte e cinco anos atrás, quando comecei a trabalhar nesta área. Estar com os alunos ainda é bom, ainda me faz sorrir e ainda me faz sentir especial. Continuo a ser um priveligiado, sem dúvida.

O meu cansaço é outro.  O que me cansa é ter que fazer contas de cabeça. Contas para isto e para aquilo. Contas para mais isto que não estava previsto e para aqueloutro que terá de ficar para outras calendas. Cansa-me e desgasta-me não poder usufruir da vida que me resta. Cansa-me e desilude-me a vida que vou tendo. Ter duas crianças em idade de descoberta, que não podem descobrir tudo aquilo que achamos que elas poderiam… descobrir… não é nada bom. E não estou a falar de bens materiais, embora as viagens tenham um preço, mas estamos a falar de vivências básicas que não lhes podemos proporcionar, como uma ida ao teatro, um espectáculo, um concerto ou um mero jantar num local mais especial e encantador. Não temos dinheiro para este tipo de acontecimentos…

 

Ok! Podemos sempre pegar numa manta e numa bola e fazer um picnic no meio da mata, comer o belo do arroz de frango, beber dois litros de vinho e dormir uma sesta enquanto as crianças jogam às cartas… mas acabamos de sair da estação invernosa… e nem isso conseguimos fazer…

Isto não é viver. É cansaço. Cansaço puro.

O que nos vale?

As pessoas que nos rodeiam!

Era aqui que eu queria chegar.

Porque as pessoas são o mais importante que podemos encontrar nesta vida.

E não! Não estou numa qualquer seita psicoincubadoradequalquercoisa… deusmelivre…

Acho mesmo que as pessoas são o que de melhor podemos encontrar neste mundo. Eu tenho tido a sorte de encontrar boas pessoas. Sou um felizardo. Não me canso de o afirmar!

Por esta razão é que foi extremamente difícil para mim concorrer. Ao fim de vinte anos na mesma escola. Não estou lá há dois anos. São mesmo vinte anos! Tenho raízes na minha escola. Não no sentido de controlar seja lá o que for, muito pelo contrário, nunca sei as novidades… e apenas tento ser um bom profissional, mas criei as minhas raízes com as pessoas boas que a minha escola tem. E agora custou. Pese embora a ideia que não vou sair porque apenas concorri para uma escola e não vou conseguir vaga mas foi uma decisão muito custosa. Tinha que tomar esta decisão porque estou cansado de não ter dinheiro e se mudasse para mais perto sempre conseguia gastar menos uma pipa de massa em transportes. Também tinha de tomar esta decisãom porque estou a ficar velhote e com menos capacidade para me meter em cima de uma mota, em pleno inverno, para ir trabalhar para conseguir gastar uma outra pipa de massa, mais pequena mas não menos importante. Isto é cansaço, puro cansaço.

Ah, e tal, até parece que se está a tentar justificar perante as pessoas de quem gosta para o facto de ter concorrido… Não, não estou. Essas pessoas sabem que eu vou continuar o mesmo, como também sabem que eu não devo nada a ninguém e se sair da escola vou estar sempre presente.

E para quem teve a paciência de chegar até aqui, já agora, se carregar aqui poderá usufruir de duas horas de um belo sheik, admoestado por um velhote, menos velhote do que eu, mas que faz muito mais sucesso do que eu.

Puf…

11015003_967619276581865_9062330773735619517_n

A idade é como o avançar da hora. Eu bem quero ser engraçado…

Não me adianta absolutamente nada rodar o botãozinho para o máximo. Se o sheik não estiver de acordo não adianta, não adianta mesmo nada, ou seja, não vale a pena.

Pois, esqueci-me do título… nem percebi muito bem porquê… também não interessa.

8Y0A4216

Tenho medo de muitas coisas. Não fosse eu um ser humano.

Tenho medo de me repetir. Conheço tanta gente que se repete. Conheço tanta gente que ainda nem sequer começou a falar e eu já sei o que elas vão dizer. Não é nada de especial, muito menos um “dom” que nasceu comigo, dentro de mim… pois, muito provavelmente, acontece com muito boa gentinha mas o que é certo é que elas têm uma atracção muito forte por mim… e eu tenho medo de me tornar numa dessas pessoas, que se tornam repetitivas. Digo isto porque ninguém merece aturar uma pessoa assim. Já bastam as obrigações diárias. As do ganha pão. Quem não as tem? No trabalho temos mesmo de lidar com todo o tipo de pessoas. Qualquer organização laboral tem um conjunto variado de pessoas, com diferentes personalidades, diferentes formas de sentir, pensar, falar and so on… e cada um vai-se encaixando no “sítio” que acha mais indicado para si.

Posto isto, e como estou a ouvir Antony and the Johnsons posso correr o risco de me repetir… porque gosto de o ouvir de óculos escuros. Não sei muito bem porquê. Aliás, não percebo porque é que gosto de o ouvir. Só costumo ouvir música electrónica… enfim. Mas pronto, não estou de óculos escuros porque tenho que estar com os outros, os de ler… para conseguir escrever… um aborrecimento, portanto.

E o sossego só chega a uma certa hora da noite.