Arquivo mensal: Abril 2015

Os sapatos brilham.

A lady reading newspaper, 1932

Já repararam que as pessoas que se dedicam à música são especiais?

São pessoas que gostam de aparecer.

Pensando bem, toda a gente tem aquela coisa… a de aparecer… mas as da música são mais afincadas. Gostam mais do que os outros.

A música é uma das artes. É pacífico. Não é músico qualquer um! É preciso trabalho e talento, como qualquer outras das artes. Certo?

Conhecem alguém que viva decentemente sem música? Não? Bem me parecia! Eu não conheço. Não me querendo repetir, posso sempre afirmar que é pacífico!

Aliás, e fazendo um belo de um parentesis, consigo pensar em mim a cantar no meio de não sei quem.  Acho que não interessa mesmo quem! Como também acho que não interessa mesmo nada para quem tem a mania de cantar para os outros estar no meio deles…

Existe um ego. Por vezes, temos um ego grandito. No caso dos músicos, o grandito é insuficiente. Aliás, grandito é uma palavra desconhecida do grande público e dos músicos. A fama é o objectivo.

Estou a ser exagerado?

Não creio.

Porquê?

É muito simples. Se olharmos para o consumo cultural dos últimos tempos facilmente vamos perceber que a única imagem que fixamos foi a de um músico qualquer. Porquê? Porque apenas os músicos fazem questão de enfiar a cara deles nos panfletos que levamos para casa. Já pensaram que um escritor não tem a sua fotografia na capa do livro que lançou? As pessoas do cinema ou do teatro não têm a carinha laroca delas estampada nos cartazes! Os escultores… quem são esses? Os pintores…? E por aí fora… não aparecem como protagonistas…

Quem tinha de aparecer?

Quem?

Isso mesmo!

O pessoal da música!

Com uma necessidade enorme de aparecerem com uma fotografiazita qualquer. Nem que seja de lado… mal amanhada, mas fashion…

Aquelas em que não aparecem os protagonistas são, geralmente, de grandes iniciantes.

Não, eu não vi a luz!

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Hoje ouvi uma coisa que me deixou envergonhado. Chamaram-me queixinhas. Pus-me a pensar no porquê e acabei por perceber que ultimamente tenho andado a queixar-me da vida. Logo eu que nunca me queixava de nada. Mas reconheço que o meu discurso tem sido esse, o de um perfeito queixinhas. Foi uma falha no discurso comunicativo pois não era isso que eu queria transmitir. O que eu queria mesmo que se soubesse é que está na hora de eu me saber valorizar. Que está na hora de olhar para mim, para aquilo que eu sou e o que pretendo fazer. Cansei-me da ideia que as pessoas têm que é minha obrigação ouvi-las, que tenho de estar pronto para as compreender e quando tal não acontece acharem que eu posso estar a cometer uma barbaridade inadmissível.

Estou farto!

Farto de aturar pessoas chatas!

Farto de conversas da chacha (só consigo aguentar se a conversa da chacha for dividida por todos os presentes e a coisa descambar para a bandalheira).

Farto de ouvir pessoas que começam as frases com o pronome pessoal eu. Em vez de contar até dez para ignorar de seguida, agora tenho uma lenga lenga que reza assim: eu, tu, ele, nós, vós, eles e de seguido é que ignoro. Dá-me mais segurança e não me sinto tão egoista…

Enfim, estou farto.

Já pensei mudar de profissão. Muito sinceramente. Ando a matar o resto dos meus neurónios com papeladas. Pouco me sobra para o que é importante. É frustrante. Estou enfiado até às orelhas num sistema que não me deixa respirar e cada vez mais me sinto a afundar.

Mas tenho outras coisas boas na minha vida.

À minha volta.

Que me dão segurança.

Que me dão amor.

E essas, podem ter as conversas de chacha que quiserem e podem até começar todas as conversas pelo tal pronome pessoal que eu não me aborreço.

A pergunta.

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Tinha a sua piada eu vir aqui todos os dias queixar-me da minha vida. Tinha, não tinha? Lá isso tinha, mas não era a mesma coisa, por isso só cá venho queixar-me de dois em dois dias. E hoje é o dia dois… Ainda por cima estou a escrever sem óculos… o que torna a coisa muito mais difícil.

Ehehehhehe!

Parece-me que, por ser dia dois, o queixume pode parecer que vai ser muito mais acentuado mas, na realidade, eu não sou um queixinhas. Aliás, esse é o meu verdadeiro problema. Eu não me queixo. E como não me queixo, não mamo! Um velho provérbio português… (fora de mão, para não dizer horrível…).

Um raio de uma expressão que cada vez acho mais que se aplica a pessoas que eu não faço questão de conhecer…

Também não faço questão de conhecer pessoas como eu que começam um discurso e depois não sabem lá muito bem como o devem finalizar. São pessoas desorientadas. Acontece muito.

Também acontece as pessoas acharem que não devem fazer isto ou aquilo.

Não fazerem fretes.

Só fazerem aquilo que lhes vai na mona.

Essa é a parte melhor. O que lhes vai na mona! Se for o que lhes bainamona, ainda melhor!

Geralmente, acontece pouco.

O que acontece muito é a pessoa, aquela pessoa que pretende que lhe aconteça qualquer coisa ensurdecedora, ficar a pensar que o mundo é uma cena linda e encantadora.

Será?

Conversas para outras andanças…

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Nestes dois últimos meses devo ter envelhecido mais do que em vinte anos. O meu cabelo ganhou mais brancas do que algumas vez eu tinha visto na minha vida… A minha pele encarquilhou e começou a ficar seca. Olho para a minha cara no espelho e reconheço vagamente a pessoa que lá aparece… Enfim, sinais dos tempos que estou a viver.