Não, eu não vi a luz!

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Hoje ouvi uma coisa que me deixou envergonhado. Chamaram-me queixinhas. Pus-me a pensar no porquê e acabei por perceber que ultimamente tenho andado a queixar-me da vida. Logo eu que nunca me queixava de nada. Mas reconheço que o meu discurso tem sido esse, o de um perfeito queixinhas. Foi uma falha no discurso comunicativo pois não era isso que eu queria transmitir. O que eu queria mesmo que se soubesse é que está na hora de eu me saber valorizar. Que está na hora de olhar para mim, para aquilo que eu sou e o que pretendo fazer. Cansei-me da ideia que as pessoas têm que é minha obrigação ouvi-las, que tenho de estar pronto para as compreender e quando tal não acontece acharem que eu posso estar a cometer uma barbaridade inadmissível.

Estou farto!

Farto de aturar pessoas chatas!

Farto de conversas da chacha (só consigo aguentar se a conversa da chacha for dividida por todos os presentes e a coisa descambar para a bandalheira).

Farto de ouvir pessoas que começam as frases com o pronome pessoal eu. Em vez de contar até dez para ignorar de seguida, agora tenho uma lenga lenga que reza assim: eu, tu, ele, nós, vós, eles e de seguido é que ignoro. Dá-me mais segurança e não me sinto tão egoista…

Enfim, estou farto.

Já pensei mudar de profissão. Muito sinceramente. Ando a matar o resto dos meus neurónios com papeladas. Pouco me sobra para o que é importante. É frustrante. Estou enfiado até às orelhas num sistema que não me deixa respirar e cada vez mais me sinto a afundar.

Mas tenho outras coisas boas na minha vida.

À minha volta.

Que me dão segurança.

Que me dão amor.

E essas, podem ter as conversas de chacha que quiserem e podem até começar todas as conversas pelo tal pronome pessoal que eu não me aborreço.

2 comentários a “Não, eu não vi a luz!

  1. antónio grifo

    Eu começo pela primeira pessoa do pronome pessoal na forma de sujeito e considero que, de forma nenhuma, és queixinhas. Fazes desabafos.. e isso é saudável.
    Aos cinquentas, não nos interessa agradar às pessoas em geral.
    Temos o direito de opinião e ponto final!

    Abraço

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