Okupa e resiste, versão saudade!

1029-990x660

Com estes castigos todos que me foram infligidos… dou por mim com um desejo, um desejo muito grande. Gostava de voltar a viver no Porto, na cidade do Porto. Ao fim destes anos todos fora, gostava de voltar para onde nunca deveria ter saído. Há uns anitos atrás, antes de virmos viver para o sítio onde nos encontramos actualmente, fizemos uma busca desesperada por uma casa, onde pudessemos assentar arraiais… mas a coisa tornou-se inviável… devido aos preços proibitivos. Se tivessemos esperado mais um tempo, procurado com mais calma, estou convencido que encontraríamos uma casita para restaurar, de acordo com as nossas possibilidades…

Não aconteceu e agora, passados estes anos todos, deu-me para a saudade. Saudade de viver numa cidade que está a dez quilómetros de distância do sítio onde vivo… Quer dizer, é um bocadinho palerma sentir saudades de viver numa cidade que está mesmo aqui ao lado. Lá isso é. Basta apanhar o metro e quatro ou cinco estações depois… estou na baixa… Mas, lá está, não é assim nada de estranho porque eu sou mesmo palerma… por isso…

Já a minha rica senhora é de opinião diversa e radical. Está farta de pagar um dos “IMIS” mais elevados do país, uma das taxas do “lixo” mais elevadas, a água caríssima e, imagine-se, um município cercado por SCUTS!!! De bom, temos acessos radicais, cheios de lombas e buracos, que nos permitem treinar a condução. Praticar desporto… só se for mentalmente… Enfim, vivemos no fim do mundo e, se não fossem as pessoas que fomos conhecendo, seria uma perfeita infelicidade viver aqui. Mas voltando à minha rica senhora, diz ela que deveríamos ir para uma terra estrangeira, longe deste Portugal.

Que não, digo-lhe eu, que já não tenho a energia necessária para me mudar de armas e bagagens para um qualquer país que não tem nada a ver comigo. Se ainda tivesse sido há vinte anos atrás… nem seria novidade para mim pois já andei lá por fora a trabalhar e não me faz confusão nenhuma ter de mudar a minha vida. Quer dizer, não fazia! É que me ponho a pensar e logo percebo que a idade está a avançar… eu achava que não… mas parece-me que é mesmo verdade… daí até me convencer que devo aproveitar o que de melhor a vida nos vai trazendo é um passinho muito pequeno. E aqui chegado, tenho obrigatoriamente de pensar no dinheiro, guito, pilim. Será o carcanhol o objectivo máximo a atingir nas nossas vidas? Há quem pense que sim. Eu penso assim assim… E não, não estou a desenvolver um espírito de judeu… apenas estou cansado das dificuldades e dos sonhos perdidos.

A minha rica senhora é mais radical e acha que devemos partir se “a corja que nos governa ganhar as próximas eleições”, dixit. Eu começo a fazer contas à minha vida porque tenho a sensação de que vai sobrar para mim…

Passo a explicar.

Estes tipos que nos governam são bons nas lides politiqueiras. São bons nas lides parlamentares. São bons no marketing político. Eu até acho que os episódios caricatos que foram acontecendo ao longo do mandato foram propositados… tiveram o sentido de criar uma imagem de alguma inexperiência mas com muita vontade de fazer o melhor pelo país… Agora estamos a assistir ao TAKE2, em que são apresentados os resultados que lhes são mais convenientes e tudo o que de mau foi feito é, pura e simplesmente, esquecido. Vem nos manuais. Não estou a inventar nada. Eles são bons nisto. Já o tinham demonstrado quando tomaram o poder de assalto, a cantar e a rir…

Também já percebemos que o povo tem uma atracção fatal pelo abismo. Já não bastava termos um presidente da República inculto e, praticamente, um ignorante funcional como ainda tivemos de gramar com um autêntico cardume de boys, cheios de brilho mas pouco tino. E eles vão continuar por cá, a amassar o pão que alguém há-de comer.

Perante toda esta conjunctura, está-se mesmo a ver que vai sobrar para mim…

Como é que eu vou conseguir resolver o problema com a minha rica senhora? Como é que eu vou conseguir viver com a minha rica senhora descontente lá em casa? A querer ir para um país estrangeiro? Assim, de repente, surgida do nada, pode aparecer a oportunidade e a casa fica mais vazia. Não vai ser fácil.

Mas também não me adianta nada perder tempo a tentar perceber quais serão as realidades futuras… Não há muito que possa fazer. Até podia tentar mobilizar todas as pessoas que eu conheço para não votarem nestas abéculas… mas dá-me a impressão que me iam dizer para ter juízo… por, a ver vamos…

E isto tudo porque me deu para ter saudades! Mais valia estar caladinho!

Quem sabe se a mudança não se ficará apenas por voltar à bela cidade?!

Deixar uma resposta