Arquivo mensal: Julho 2015

Ela vai ganhar e eu vou chorar, de impotência!

PixMix689-008

As nossas vidas são o que são. Penso que é pacífico. Cada um tem a sua. E cada um não é mais do que o outro. É uma regra básica da existência. Quem não percebe isto… mais vale ir dar uma volta ao bilhar grande.

Eu procuro perceber.

Umas vezes chego lá. Outras tenho que ouvir um sheik mais mexido. Ainda tenho umas outras em que tenho mesmo que beber uns copos para perceber o assunto. Enfim, sou como todos os seres humanos. Cheio de defeitos e de manias. Já se fosse de taras e manias… ficava mais preocupado. Mas não sou um rapaz de taras, só de manias.

E são as manias que me afligem.

Ainda há pouco estava eu com a televisão ligada. Em fundo estava o nosso irrevogável a falar. Tive uma curiosidade. O que será que o irrevogável está a dizer? Será que vem aí mais uma novidade daquelas de suster a respiração? Não, nada disso, apenas uma data de sugestões que se vão tornar verdades absolutas daqui a uns tempos. O costume. Mas não foi isso que me chamou a atenção. Foi o facto do irrevogável ainda ter muito apurado o sentido jornalístico de como se lida com uma entrevista… ainda por cima para a televisão…

Tive de lhe tirar o chapéu. O irrevogável continua dono e senhor dos mecanismos da comunicação. Num simples movimento conseguiu anular uma jornalista, que é fraquinha, e passou a distribuir as cartas. Quem não quiser perceber isto, não vai a lugar nenhum. O irrevogável sabe muito bem para onde tem que ir. Esta é a diferença entre os bons e os fracos. Depois há outras diferenças. Os que são considerados bons nem sempre são os bons do filme. Neste filme, o de Portugal, este bom actor é um péssimo personagem. Por outras palavras, é tudo aquilo que eu acho que não deveria existir à face da terra. Mas é ele que manda. Quem sou eu?

Apenas posso gritar a minha indignação.

 

Herberto Helder. Flash.

Há dias em que basta olhar de frente as gárgulas

para vê-las golfar sangue. É quando

a pedra está a prumo, quando a estaca

solar se crava atrás das casas e amadurece

como uma árvore.

Mas também ouvi a água bater directa

nas trevas. Por um abraço do sangue eu estava

condenado

ao extravio mortal. Era um dom que me fundia

à substância primária

do terror.

E à riqueza e energia. E à tremenda

doçura humana. Vejo algerozes escoando a massa

das cúpulas, a forma, supremas rosas de pedra

rotativa.

 

E que leão me beijou boca a boca, juba e cabelo

trançados numa chama única?

Esse beijo afundou-se-me até às unhas.

Aparelhou-me para besta

soberba, para o sono, o brilho, a desordem

ou a

carnificina. De que leite ardido, de que matriz

ou opulência terrena,

nos vem a danação? Se a pedra

tem uma raiz buscando a vida em que teias de carne,

há em cima um Deus agudo,

de fenda no casco, e braços tão abertos que apanha todo o basalto,

como uma estrela elementar. Atrás

das rosáceas

desabrochadas. Do movimento de estátuas

arcangélicas plantadas no refluxo

da pedra. Boca:

bolha de sangue.

 

E há uma palpitação soturna, uma

delicadeza no cerne: o osso vertebral que assenta

ao meio, no ânus:

o falo — e em torno

gira a catedral. Lenta dança de Deus, da escuridão

para o alto.

 

O leve poder da lua apenas queima os olhos.

 

 

Bem, eles que se entendam!

FlexibleGirls01-img006

Ainda bem que hoje à tarde demos um saltinho à praia. Em família. Não é que estivesse um grande dia de praia mas deu para relaxar um pouco. Até passei pelas brasas, imagine-se… Só não demos uns mergulhos porque as praias por aqui são perigosas e hoje o mar estava agitado. Mas foi bom. A alternativa teria sido ficar em casa a trabalhar e, nos intervalos, a ir espreitando as notícias. Não foi difícil a escolha… ainda por cima, se quisesse mesmo espreitar as notícias só ia levar com a maratona farfalhuda da troca de sepulturas… do rei da bola português… Mais um motivo que me levou direitinho para a praia.

Não é que eu tivesse alguma coisa contra o rei da bola português enquanto foi vivo (muito menos agora que está morto…) mas nunca consegui perceber qual a sua relevância para o país. Ok, foi o rei da bola, cá em Portugal mas isso não justifica uma ida para o Panteão. O Carlos Lopes e a Rosa Mota tiveram uma carreira despotiva prestigiante para Portugal pois ganharam muitas competições importantes e têm um palmarés invejável, mas quando, um dia (esperemos que seja daqui por muitos e muitos anos) morrerem, de certezinha absoluta que não irão dar com os costados no Panteão. Querem apostar? Eu não sei se estarei por cá porque eles são rijos e estão em forma… mas tenho quase a certeza. E porque é que não irão lá parar? Porque não dão uns pontapés na bola. É simples, não é?

O Panteão banalizou-se. Se repararem bem, já lá temos uma fadista. Primeiro EFE. Agora temos um futebolista. Segundo EFE. Fica a faltar o terceiro EFE. Qualquer dia ainda se lembram de ir desenterrar a freirinha de Fátima e ficava o ramalhete completo… Enfim, eles não têm culpa. Já não estão por cá para poderem exercer o seu direito de recusa… a culpa é mesmo dos decisores que temos, nomeadamente de todos aqueles que estão sentadinhos na casa da democracia… todos estiveram de acordo por uma simples razão: os que se atrevessem a votar contra teriam que prestar contas a seis milhões de adeptos do clube da gaivota… e isso, faz toda a diferença…

Mas essas, são contas de outro rosário.

Como também são outras contas o número de dias que os serviços técnicos da sic demoraram a preparar e a produzir três episódios sobre a vitória do clube das gaivotas no último campeonato de futebol. O bendito do campeonato que permitiu ao dito clube conseguir ganhar, finalmente, o tão desejado bi (já nem sei se foram trinta ou trinta e um anos ou mais…) já acabou há mais de um mês, por isso não se entende que tenham demorado este tempo todo para mandarem a cena para o ar. A não ser que tenha sido coincidir com a troca de sepulturas de hoje… terá sido? Hunhm, estou desconfiado!

Confesso que fui espreitando. Não vi tudo porque tenho mais que fazer mas lá fui vendo quando calhava. E fiquei com uma ideia do que se pretende. Construir uma imagem de uma organização credível, com um líder eficaz e sabedor. Ponto. Um homem simples, do povo mas seguro dos seus valores… e dos seus propósitos…

Foi uma boa produção, dividida em três episódios, cujo culminar aconteceu hoje. Se fizer uma analogia com as pessoas que nos governam actualmente, facilmente chego à conclusão que ambos as sabem fazer. Manipulam a seu belo prazer a opinião pública. Nada que me espante!

O que me espanta mesmo é o outro gordito e seboso presidente, daquele tal clube de marqueses, ainda não ter reagido. Ou ainda não se apercebeu que estão a tomar o partido do outro clube da capital ou está a ganhar balanço…  Vou ficar à espera das novidades. É que sempre são três milhões de almas que não se podem, nem devem, sentir prejudicadas por quem decide estas coisas…

Espero bem que não se deixem ficar para trás porque tenho mesmo curiosidade em ver que imagens é que apareceriam do gordito. Se pudemos todos assistir ao presidente do clube das gaivotas a ver televisão, de calções, com os pezinhos descalços em cima de um banquinho, a comer uns snacks de fruta… também devíamos ter a possibilidade de assistir a alguns momentos íntimos do gordito. Não têm que ser parecidos. Podem ser os momentos de pausa: gordito passa duas horas a trabalhar numa folha de cálculo, como está cansado dos olhos vai comer uma bola de berlin; gordito está no banco durante um jogo, como as emoções são muitas senta-se e come uma bola de berlin que tinha trazido; gordito sentado na secretária à volta dos cartões dos sócios todos do clube para ver qual iria expulsar, como é uma decisão difícil de tomar, manda vir um sumol e uma bola de berlin… e podíamos estar por aqui com matéria para três episódios, tal e qual os outros.

Vamos ficar a aguardar as cenas dos próximos episódios…