A fotografia era para outro texto, mas como eu quero ser banido, ficou esta.

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O lar.

Para começar, quem quizer falar sobre o lar, o seu lar porque o dos outros não sabemos lá muito bem como será, convém ter música. Música em volume apropriado. Eu pelo menos não consigo escrever sobre o meu lar se não tiver um belo de um sheik em altos berros nos meus ouvidos. Manias.

Depois temos os óculos. Passado o momento da escolha do sheik, há que botar os óculos para ver se consigo acertar com as teclas. Outra mania.

A seguir convém ter um belo de um irlandês por perto. Poderiam ser outros. Mas, no meu caso, se conseguir chegar perto de um irlandês dourado e cheiroso já fico muito satisfeito para não dizer mesmo contente. Esta não é mania. É mais uma forma de estar na vida.

Pois é. Como fico completamente isolado do assunto, isto é, do lar a coisa tende a melhorar. Não ouço nenhum dos intervenientes porque os phones são da sony e são mesmo bons. A casa ou melhor, o lar, bem que pode arder que eu não vou perceber. São momentos inesquecíveis. Quem começar a ler o texto neste parágrafo vai achar que eu não gosto do meu lar. Não é verdade! Eu gosto do meu lar, muito. O resto são outras histórias. E eu adoro histórias.

Mas virando a agulha para o lado do lar porque as histórias podem ocupar muito tempo, sempre posso adiantar que o meu lar é um lar perfeitamente normal. Igual a tantos outros. A única diferença é que eu não sou normal. Eu explico. Quando pensamos num lar, pensamos em quê? Pois. Ninguém consegue responder a esta simples questão. Vá lá, pensamos em quê? Numa família? Num homem e numa mulher? Com crianças ao redor? Todos sentados num sofá, numa sala? Por sua vez, a sala estará devidamente organizada e apetecível a um visitante? E as roupas dos intervenientes? No caso da mulher, do homem e das crianças? Está de acordo com aquilo que se exige?

São perguntas do outro século. Poderia estar aqui a encher páginas e páginas com indiicações de ideias, do que era considerado um belo lar. Hoje, os lares são diferentes. Eu, que nasci e cresci num lar do outro século, chego a este mundo e sinto dificuldades. Não foi para isto que os meus pais me educaram… Não sei como lidar com o assunto! O meu lar não tem nada de semelhante.

Pois é, chegado aqui… vou ter de explicar porque é que o meu lar é diferente dos outros… essa é uma questão que ainda não está resolvida… porque posso sempre correr o risco de achar que o meu lar é melhor do que os outros… à boa maneira do JJ… mas, a verdade, é que o meu lar é mesmo diferente. O meu lar tem uma mulher. Uma mulher forte. Que me orienta as ideias. Se eu fosse um ser humano fraco, não saberia perceber as ideias que me são indicadas. Assim, posso levar dois raspanetes e duas bofetadas mas acabo sempre por perceber o caminho. Cada um tem o que merece. E eu mereço.

Pelo meio tem o belo do sheik, que não abranda e que não me deixa ouvir o que quer que seja que se esteja a passar no meu lar. Sim, porque eu tenho um lar.

Depois, tenho um lar com duas crianças. Bem, não são duas crianças, são dua gajas em ponto pequeno (se fosse do clube dos marqueses diria “piquenas”, mas não sou, felizmente) e que não são nada daquilo que eu imaginei…

A verdade é que ningém imagina o que lhe vai sair na rifa quando decide constituir um lar, na verdadeira acepção da palavra. Claro que eu não poderia querer melhor. São seres humanos com as plenas faculdades mas, mas, mas, poderiam ser um poucochinho diferentes…

Pois é. Eu sei que os filhos são a cara dos seus pais. Não consigo pensar noutra coisa. Na escola, farto-me de dizer isso… e depois, no meu lar, calham-me duas crianças que falam alto… (eu falo sempre entre dentes…) que acham que devem sempre dar a sua opinião… (eu nem sei o que isso quer dizer… ouço e calo-me…) que passam a vida a pensar na roupinha que vão usar no dia seguinte, nem que seja para ir à praia… (eu limito-me a vestir um calção, uma tshirt e fico à porta à espera de ir para a praia…) e não vou continuar a enumerar a sequência de episódios que me deixam crente na vida para além da… vida terrena…

E porque é meia noite, termino com um desejo. De que, um dia, eu consiga acabar este texto… porque o meu lar tem muito que se lhe diga…

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