Arquivo mensal: Outubro 2015

Não consigo começar um texto… quanto mais acabá-lo…

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Assim, de repente, não consigo identificar um único amigo que seja político. Político na vertente profissional… daqueles que nunca fizeram nada, para além de serem políticos. Animais políticos. Para mim é uma felicidade muito grande não ter amigos desses. É uma afirmação que não me faz confusão nenhuma. Eu só consigo entender a vida política como serviço público. Entrega à causa pública. Está visto e comprovado que os jovens que vão para os partidos políticos portugueses o fazem com o intuito de subirem na hierarquia e, um dia, quem sabe, poderem vir a ser ministros… Temos muitos exemplos desses. Não é a competência que os promove, é o facto de serem capazes de desenvolver capacidades… ocultas… que os fazem subir, e subir, na esfera das decisões do partido.

Para mim, continua a ser uma felicidade não ter amigos desses.

Tenho outro tipo de amigos.

Amigos politizados. No sentido de estarem a par do que se vai passando e terem uma opinião crítica. E tenho amigos em todos os quadrantes políticos. Não é por isso que deixo de ser amigo deles e eles de mim.

E isto não tem nada que ver com a idade… Há aquela falsa ideia de que com a idade as pessoas se vão tornado mais flexíveis e tolerantes. Pelo contrário. Os burros vão ficando cada vez mais burros e os radicais vão-se tornando insuportáveis. E depois existem os outros.

É como o Constantino “A fama que vem de longe”. Quem é equilibrado vai ser sempre assim. É desses que eu gosto. É criticável ser assim? É! Mas eu não quero saber. Sou equilibrado e gosto de pessoas equilibradas. Quer dizer, também gosto de desequilibrados, dos dois géneros, e lido bem com eles mas gosto de me esforçar por ser equilibrado, pode ser?

Bem, esta conversa do equilibrado já me está a deixar enjoado…

Vou só virar a agulha…

A política é uma actividade muito nobre. Na Grécia era esse o seu estatuto. Hoje somos mais comezinhos. A política é uma cena para alienados. Já alguém se deu ao trabalho de perguntar aos poucos rapazes e raparigas que ainda temos por aí espalhados pelo país se têm opinião política? Sobre o que pensam acerca dos políticos que nos governam? Quem se der ao trabalho de o fazer vai ficar sem respostas. Por muito que tentem fazer as perguntas de uma forma minimamente comestível… a realidade que as respostas irão traduzir irá ser sempre confrangedora… revelando uma total… ignorância… pode ser esta a resposta…?

Eu ouço e vejo cada coisa. Diariamente.

E se eu não fosse uma pessoa equilibrada?

Por acaso, já pensaram que, se eu não fosse uma pessoa minimamente equilibrada, já poderia ter passado para o outro lado ou, então, fazer como muitos outros e ter ido dar uma volta ao bilhar grande cósmico? Ok, eu sei! Mas quem é este badameco que se acha o centro do universo? É isso mesmo! Um badameco! Não passo de um badameco. Que gosta de usar uns óculos graduados desnecessários para conseguir ver tudo desfocado…

É suposto que este texto seja um texto corrido…

Daqueles em que se começa numa ponta e se acaba numa outra…

Que não tem rigorosamente nada de comum com o início…

E não me perguntem porque é que eu sou assim. Tão inconstantemente equilibrado…

Uma Obsessão Indecente, de Colleen McCullough. Acabadinho de ler.

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Sinopse
A Segunda Guerra Mundial chegou ao fim e a Irmã Honour Langtree, uma enfermeira dedicada e empenhada, tem ao seu cuidado um conjunto impressionante de cinco soldados arrasados pela guerra, que estão a ser tratados na unidade de cuidados psiquiátricos do hospital. Para estes homens, a Irmã Honour é preciosa, e são-lhe tão dedicados como ela a eles.
Entretanto, mais um homem chega à unidade. Michael Wilson é um herói condecorado, mas é também um homem cheio de segredos e de um sofrimento mudo. Honour sente-se atraída por ele e descobre um amor que acabará por desencadear emoções violentas e perturbar toda a harmonia frágil conquistada com o seu trabalho.

Vivo num país de merda.

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Estes tempos têm sido difíceis de digerir para uma data de pessoas. Pessoas que têm toda a legitimidade em digerirem mal a actual cena política portuguesa. Pelo menos para mim, isso é pacífico. Mas, muito sinceramente, dá-me vontade de rir toda esta encenação acerca do aproximar do fim do mundo se a coligação de direita não conseguir formar governo. Sempre foi essa a imagem, de catástrofe, que foi impingida durante este último ano e, à medida que se vinha aproximando o dia das eleições legislativas, aumentou exponencialmente o seu registo dramático. Normalmente, estes truques costumam resultar, aliados à pouca memória do povo português… só que desta vez a vitória foi de Pirro… e o total de votos foi para o outro lado…

Um verdadeiro desconsolo ver aquelas carinhas, com um sorrizinho amarelo, já a pensarem que a vida não está nada fácil para eles. Independentemente do resultado de todos estes encontros a que temos assistido… já valeu a pena só por ter visto e lido tanta demagogia, raiva e discursos insultuosos para com todos os que acham legítimo que seja formado um governo à esquerda. O que eu mais gosto é da parte “esquerda radical”… A dita esquerda radical apenas defende o oposto das ideias do Paulinho das feiras… logo o Paulinho é um radical de direita, um extremista, ou não? Por esta lógica, tenho mesmo a impressão que o Paulinho até pode ser considerado um perigoso extremista… mas também tenho a impressão de que ninguém se importa muito com isso, só mesmo eu… Aliás, por esta ordem de ideias, se ilegalizassem todos aqueles que pensam diferente do Paulinho da feiras, até que nem seria má ideia. Aqueles ranhosos todos que defendem uma data de coisas que não fazem sentido nenhum… sempre a falarem de direitos, de exploração, de lucros exagerados, de corrupção e mais não sei bem o quê… sim, esses extremistas perigosos, deviam ser mesmo todos banidos. E já agora, acabem com essa malta das artes, que também têm a mania de arrebitar cabelo. Ah, e às mulheres, dêem-lhes filhos e deixem-nas ficar tranquilas, em casa, a cuidar dos rebentos e do jantar a horas certas…

Dá-me vontade de rir. De rir muito. Para espantar os meus males. Mas isto não é normal. Eu não deveria rir por causa da situação do meu país. Tenho para mim que apenas nos devemos rir de nós, da nossa pequenez e da nossa insignificância neste mundo. Se me apanho a rir desta desgraça toda… é porque posso não estar muito equilibrado…

E não, não me vale de nada saber que há por aí muita gente ainda mais desequilibrada do que eu…

Se eu fosse mais novo tinha duas opções: ou ia trabalhar lá para fora ou tornava-me um feirante. Sim, feirante! E sim, sempre teria mais possibilidades de apanhar o Paulinho a jeito de lhe enfiar duas bolas de berlim pela boca abaixo.