Não consigo começar um texto… quanto mais acabá-lo…

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Assim, de repente, não consigo identificar um único amigo que seja político. Político na vertente profissional… daqueles que nunca fizeram nada, para além de serem políticos. Animais políticos. Para mim é uma felicidade muito grande não ter amigos desses. É uma afirmação que não me faz confusão nenhuma. Eu só consigo entender a vida política como serviço público. Entrega à causa pública. Está visto e comprovado que os jovens que vão para os partidos políticos portugueses o fazem com o intuito de subirem na hierarquia e, um dia, quem sabe, poderem vir a ser ministros… Temos muitos exemplos desses. Não é a competência que os promove, é o facto de serem capazes de desenvolver capacidades… ocultas… que os fazem subir, e subir, na esfera das decisões do partido.

Para mim, continua a ser uma felicidade não ter amigos desses.

Tenho outro tipo de amigos.

Amigos politizados. No sentido de estarem a par do que se vai passando e terem uma opinião crítica. E tenho amigos em todos os quadrantes políticos. Não é por isso que deixo de ser amigo deles e eles de mim.

E isto não tem nada que ver com a idade… Há aquela falsa ideia de que com a idade as pessoas se vão tornado mais flexíveis e tolerantes. Pelo contrário. Os burros vão ficando cada vez mais burros e os radicais vão-se tornando insuportáveis. E depois existem os outros.

É como o Constantino “A fama que vem de longe”. Quem é equilibrado vai ser sempre assim. É desses que eu gosto. É criticável ser assim? É! Mas eu não quero saber. Sou equilibrado e gosto de pessoas equilibradas. Quer dizer, também gosto de desequilibrados, dos dois géneros, e lido bem com eles mas gosto de me esforçar por ser equilibrado, pode ser?

Bem, esta conversa do equilibrado já me está a deixar enjoado…

Vou só virar a agulha…

A política é uma actividade muito nobre. Na Grécia era esse o seu estatuto. Hoje somos mais comezinhos. A política é uma cena para alienados. Já alguém se deu ao trabalho de perguntar aos poucos rapazes e raparigas que ainda temos por aí espalhados pelo país se têm opinião política? Sobre o que pensam acerca dos políticos que nos governam? Quem se der ao trabalho de o fazer vai ficar sem respostas. Por muito que tentem fazer as perguntas de uma forma minimamente comestível… a realidade que as respostas irão traduzir irá ser sempre confrangedora… revelando uma total… ignorância… pode ser esta a resposta…?

Eu ouço e vejo cada coisa. Diariamente.

E se eu não fosse uma pessoa equilibrada?

Por acaso, já pensaram que, se eu não fosse uma pessoa minimamente equilibrada, já poderia ter passado para o outro lado ou, então, fazer como muitos outros e ter ido dar uma volta ao bilhar grande cósmico? Ok, eu sei! Mas quem é este badameco que se acha o centro do universo? É isso mesmo! Um badameco! Não passo de um badameco. Que gosta de usar uns óculos graduados desnecessários para conseguir ver tudo desfocado…

É suposto que este texto seja um texto corrido…

Daqueles em que se começa numa ponta e se acaba numa outra…

Que não tem rigorosamente nada de comum com o início…

E não me perguntem porque é que eu sou assim. Tão inconstantemente equilibrado…

2 comentários a “Não consigo começar um texto… quanto mais acabá-lo…

  1. Tomás

    Como te compreendo. ter uma discussão equilibrada com extremistas ou facciosos (termo está na berra) é de um desgaste incrível e de uma perda de tempo atroz.
    Manter o equilíbrio e a coerência, sempre.
    Grande abraço!

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