Arquivo mensal: Dezembro 2015

A zona de interesse, de Martin Amis. Acabei de o ler há quinze dias.

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Sinopse.

A Zona de Interesse, em Auschwitz, era o local onde os judeus recém-chegados passavam pela triagem, processo que determinava se seriam destinados aos trabalhos forçados ou às câmaras de gás.
Este romance se passa nesse lugar infernal, em agosto de 1942. Cada um dos vários narradores testemunha o inominável a sua maneira. O primeiro é Golo Thomsen, um oficial nazista que está de olho na mulher do comandante. Paul Doll, o segundo, é quem decide o destino de todos os judeus. E Szmul, o terceiro, chefia a equipe de prisioneiros que ajudam os nazistas na logística do genocídio.
Neste romance, Martin Amis reafirma seu lugar entre os mais argutos intérpretes de nosso tempo.

É o que tenho.

Sem título

E se eu morresse hoje.

Alguém sentiria a falta?

Quem?

Não percebi.

Quem?

Ah, o senhor dos bolos lá no fundo!

E quem mais?

Quem?

Pois…

Mas conhecia o senhor donde…?

Bem, eu não o conhecia pessoalmente. Aqui, no bairro, todos diziam que era um rapaz bem disposto e muito boa pessoa…

Ah. Mas falava com os vizinhos? Dizia bom dia e boa tarde?

Bom dia nunca dizia porque, segundo o que por aí dizem, ele nunca estava acordado da parte da manhã… por isso, quando o viam… era da parte da tarde…mas era muito educado. Bebia o seu café e a sua cerveja no café do bairro e mais nada.

Muito obrigado.

Sexta feira à noite e sem nada de especial para fazer.

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Começar por pensar em prazer quando se está a ouvir isto? Pode-se começar por aí, mas é pouco.

Pouco?

Sim, pouco!

Cada pessoa tem os seus argumentos acerca do prazer. Do prazer que consegue obter.

Acabaram de ouvir? O mesmo que eu? E ccccccoonnnseguiram pensar em prazer?

Não, pois não?

Tem demasiado ruído. O prazer não precisa de ruído.

O meu prazer passa pelo básico.

Porquê? Pelo básico?

Porque eu sou básico. Tenho necessidade do prazer básico. Aquele prazer que vem de dentro, quase animal. Que funcione como factor de equilíbrio. Equilíbrio físico e emocional. Quem pode achar que o equilíbrio se consegue com mais do que isso?

Eu não estou muito virado para soluções alternativas… porque acho que todos nós andamos todos atrás do mesmo. Vivemos para encontrar o prazer.

Aquele prazer que inunda a nossa alma.

Que invade aquela zona do nosso cérebro e nos deixa em biquinhos dos pés para conseguirmos respirar

Eu sei, são muitas musiquinhas para serem ouvidas… não há pachorra…

 

Porque será que nunca consigo acabar um texto?

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A vida, a minha vida, vai tendo altos e baixos.  Desconfio que não será só a minha vida que terá altos e baixos… Também não interessa nada. Não estou aqui para falar da vida dos outros e não… por isso, cada um que pense na sua vidinha…

Eu costumo pensar na minha vida à quinta feira. É um dia bom para mim. Tenho algum tempo disponível para dedicar às minhas coisas. Não é que faça alguma coisa de especial. Nada disso. Fico quase sempre por casa. Hoje, estou a ouvir isto. Não é nada de especial mas estimula-me os sentidos. E as ideias.

Também mexe com o meu corpo. Acabo sempre por dançar quando ouço estas musiquinhas. Fazem-me lembrar aquelas festas divertidas de há uns atrás…

Foram outros tempos.

A vida mudou. A minha vida mudou.

Hoje em dia não faço nada daquilo que gosto de fazer. Tal e qual.

O meu grau de frustração está a atingir níveis muito elevados. As pessoas vivem a sua vida com expectativas. Constroem as suas expectativas. Eu construi as minhas. Normal, não? O que acontece é que as minhas expectativas foram completamente destruídas. Não consigo encontrar uma motivação maior que me permita encarar o futuro com vontade.

E não, não estou a entrar numa depressão como muitos outros seres humanos, de nacionalidade portuguesa. Apenas me limito a constatar o que se passa com a minha vida.

Assim, de repente, posso parecer uma daquelas pessoas que só pensam apenas nelas… Mas não sou.

Sou apenas… mais um frustrado.

Sou um daqueles que quer abandonar a profissão que tem, daqueles que têm de aguentar porque as contas são demasiadas e ainda não existem as condições necessárias para dar o salto. Ou se calhar até existem e sou eu que estou para aqui com salamaleques excessivos… Se calhar é cagaço…

Pronto, é o que vocês quiserem!

Para mim é uma enorme tristeza.

Uma tristeza que me devora e me deixa sem forças.

Uma tristeza.

E eu, que só queria falar de prazer… vejam só no que isto deu.