Texto solto de uma quinta feira.

PixMix540-img030

São poucos os resistentes. São poucos aqueles que ainda têm alguma paciência para virem aqui espreitar.  Só tenho que lhes agradecer e desculpar-me pela falta de novidades. Não é que eu traga propriamente novidades daquelas do género das gajas boas só em Ermesinde…

De vez em quando venho trazer algumas novidades da minha vida. Só que, ultimamente, não tenho tido nada de especial para partilhar. Basicamente tenho levado nas bentas. Tenho tido uma vida muito saturante, cheia de problemas e sem resolução à vista. Não tenho, por isso, levado uma vida plena de felicidade. Muito pelo contrário, estou a atingir um ponto de insatisfação e frustração muito elevado. Eu sei que é nestes momentos difíceis da vida que se encontram as grandes personalidades…mas eu estou-me a marimbar para as ditas cujas… apenas queria um pouco de tranquilidade na minha vida.

Estou saturado. Saturado de obrigações. Com falta de prazer.

Não consigo perceber como é que ainda consigo manter um rumo. Durmo seis horas por dia, vou trabalhar. Regresso a casa. Não sei como hei-de lidar com duas adolescentes. Durmo mais seis horas e tudo recomeça.

E tenho lido. Leio sempre que posso. Queria ler muito mais mas não tenho tempo. É o único prazer que vou tendo. Não me custa dinheiro. Tenho ainda muitos livros em lista de espera. Sei que um dia vou morrer sem conseguir ler todos aqueles livros que eu desejo muito ler. Mais uma palermice… acumular materiais que não vão ser aproveitados…

Vivemos numa sociedade de consumo. Não é novidade para ninguém que o ser humano gosta de consumir e acumular… Eu acumulo livros. Adoro livros e tenho um fascínio enorme por todos aqueles que conseguem criar uma história e me transportam para outro planeta… literalmente.

Eu adorava ter a capacidade de escrever uma história. Limito-me a escrever umas palermices, que me dão algum gozo e fico-me por aí. Nada que se compare a um livro. Nem de longe nem de perto. Até consigo pensar num enredo e nos pormenores mas é tudo muito desgarrado e sem técnica. Poderia antes dizer que “eu é mais bolos”…

E é nisto que a minha vida está a andar para trás.

No processo criativo.

Não gosto nada quando me sinto a embrutecer. Quando não tenho a possibilidade de fazer qualquer coisa que me faça sentir produtivo. Ok, a minha função educativa tem de ser encarada como produtiva pois estou a contribuir para a formação dos jovens do amanhã… Isso é tudo verdade e não estou em remissão na relação que tenho com a minha profissão… mas eu estava a falar da minha vida pessoal, dos meus anseios e dos meus desejos mais íntimos.

Eu gosto de desenhar. Gosto mesmo muito de desenhar. Tenho a minha linguagem e ando às voltas dela. Não quero saber de explicações. Elas estão lá. Só não as vê quem não quer e, muito sinceramente, quero lá saber dos mal entendidos. Os meus desenhos são básicos. Abordam funções básicas. Punções sexuais. Não são mais do que desejos e visões pessoais do desejo sexual e do prazer proporcionado. Querem alguma coisa mais básica? Mais básico do que eu?

Não é pedir muito.

Apenas conseguir encontrar o equilíbrio entre a vida miserável que temos de levar e o nosso prazer.

É muito?

Continuo a dizer que não é pedir muito.

Deixar uma resposta