Arquivo mensal: Fevereiro 2016

Uma Rapariga Endiabrada, de Nick Hornby. Leitura leve.

Nick

Sinopse

Barbara Parker é Miss Blackpool 1964, mas as suas aspirações são outras e vão para além do mundo dos concursos de beleza. O seu maior desejo é fazer rir as pessoas. Assim, deixa Blackpool e a família e muda-se para Londres, onde arranja emprego na secção de cosmética de um grande armazém, enquanto tenta descobrir como chegar à ribalta. Um encontro acidental com um agente resulta numa nova identidade e numa audição para a mais recente comédia da BBC – chegou a hora de Sophie Straw brilhar.

Uma Rapariga Endiabrada é a história de um programa de televisão e das pessoas por detrás dele: os argumentistas, Tony e Bill, amigos desde o serviço militar e obcecados por comédia; o produtor, Dennis, inteligente, calmo e dedicado à equipa em geral, e a Sophie em particular; e o atraente Clive, que contracena com Sophie na série e se acha destinado a coisas melhores.

O novo romance de Nick Hornby é sobre cultura popular, juventude e velhice, fama, homossexualidade, luta de classes e trabalho de equipa; e oferece um retrato cativante de uma época em que a própria Grã-Bretanha passava por um dos booms criativos mais entusiasmantes da sua história.

Mas que raio de título é que eu posso meter aqui (salvo seja)?

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Há dias em que nos arrependemos de acordar. Há outros dias em que somos mesmo obrigados a acordar. Hoje acordei compulsivamente… por assim dizer…

Acordei a dois tempos, para ser mais preciso. Primeiro acordei, se é que lhe posso chamar acordar, com sede. Muita sede. Uma sede desesperada. Eu sei porquê! Ontem ao jantar fiz uma francesinha, que estava puxadinha e que me deixou esgotado só de a comer. Tive o prazer de a anteceder com duas minis, coisa muito rara lá por casa, e acompanhei-a com uma garrafa de espumante, geladinho.

Até aqui nada de especial. Sentia-me nas nuvens e bem preenchido…

O problema é que me fui deitar…

E não, não dá para pensar que na minha idade se consegue pensar naquilo com a barriga daquele tamanho… Fui mesmo para a caminha para ler um pouco e conversar aquelas coisas que se dizem quando se está mais para lá do que para cá, no sono, bem entendido…

E adormeci.

Adormeci até à parte da sede violenta que me assolou o corpo. Eram duas e meia e nem sequer devo ter acabado o primeiro sono…

Mas lá me levantei e fui beber água. Água lisa, sem gás. Bebi de um só trago. Não estava nada, mas mesmo nada, à temperatura normal… estava gelada.

Quando acabei de a beber senti logo que tinha sido um pouco sôfrego com o raio da água. Atitudes de toda uma vida na minha relação com a água… Mas confesso que desta vez, antes de beber o raio da água, ainda pensei em ir lá baixo à cozinha e abrir mais uma mini… mas a minha consciência ditou-me que não o deveria fazer pois a noite era uma criança e depois não ia conseguir dormir mais. Dito e feito. Asneira. Teria sido muito mais feliz, com toda a certeza, se tivesse aberto a pequena mini.

Adiante.

Fui novamente para a cama. Com aquela sensação de absorção… e a achar que qualquer coisita má me iria suceder…

Vira para um lado, vira para o outro e o sono não aparecia a bater à porta violentamente… com a sensação a piorar… durante meia hora. Sim, eu vejo as horas de noite. Tenho um rádio daqueles antigos com os números luminosos…

Esta meia hora foi passada a tentar mesmo dormir e sem estar totalmente acordado… até que tudo se precipitou. De repente, muito de repente mesmo, começaram umas cólicas abdominais insuportáveis, como eu nunca tive e que, acho, devem ser muito parecidas com aquelas que as mulheres sentem quando dão à luz por processos naturais…

Nunca tive dores parecidas. Quer dizer, já tive umas dores indescritíveis quando caí em cima de um ferro, com as pernas abertas, e fui levado para o hospital para levar uns pontitos… Realmente, dessa vez, doeu para chuchu… Mas isso já foi há umas décadas atrás. Ontem vivi o verdadeiro pesadelo…

Comecei a suar abundantemente e a sentir um frio desgraçado. Consegui pensar que poderia ser uma quebra de tensão pois estava todo a tremer e sem força para nada. Mas tinha de fazer qualquer coisa. As dores de barriga não paravam de aumentar e tive o discernimento de me levantar até à casa de banho. Bem, levantar é uma forma de expressão. Foi mais arrastar.

E chegado ao altar, ao trono, ao sítio em que todo o ser humano se sente igual ao seu semelhante… virei uma sumidade do conhecimento anatómico… cada cólica equivalia a tudo aquilo que se consegue imaginar… Posso afirmar que senti este pobre corpo num verdadeiro rebuliço…

Saltando os pormenores sórdidos e bem apessoados, sempre posso afirmar que todo o processo foi acompanhado com tonturas, frio e reações cutâneas abundantes, num completo desespero. Como se não bastasse tudo isto, comecei a perceber que tinha cometido um erro crasso quando entrei para a minha bela suite amarela. Sim a casa de banho do meu quarto está forrada a pastilha amarela, com o chão em pastilha salmão… uma verdadeira emoção para os sentidos quando estão a turbinar… como dizem os meus alunos, vá-se lá saber porquê… Mas o erro? Qual foi o raio do erro?

Ah, pois, o erro!

Quando me arrastei para a suite… mal entrei, não sei porquê, mas fechei a porta à chave. À chave??? Como assim??? Porquê??? Pronto! Não sei! Mas o que é certo é que fechei a porta à chave…

Ninguém vai conseguir sentir a minha angústia. No meio de todo o processo só conseguia pensar que ia morrer enfiado numa sanita, sozinho e que a porta teria de ser arrombada pelos bombeiros… Imaginava a potencial viúva a ter de chamar os bombeiros para arrombarem a porta e resgatarem um corpo inerte…

Sim, porque estava num estado tal que não conseguia esticar o braço para rodar a chave…

Perfeitamente lastimável…

Já imaginava as crianças a acordarem com o barulho das pancadas dos machados a estroncarem a porta e a chorarem com a visão do pai sentadinho na sanita…

Foi muito mau!

Deve ter sido que me levou a reagir. Lentamente, comecei a controlar a respiração, a limpar as reações cutâneas… e a pensar que poderia ter futuro…

Pronto. Foi assim.

Lá me passou tudo e voltei para a cama. Eram três e meia e fiquei por ali. Com um almofadão nas costas, a tentar regularizar a respiração. Às sete da manhã estava novamente a pé para mais um dia de trabalho. Fui levar as crianças, risonhas e cor de rosa, ao Porto e dei meia volta para a minha escola, onde estive até quase as oito da noite.

A nódoa perpetua no tempo… infelizmente…

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O que se passa com o presidente da República?

O homem deve estar numa onda de perfeita desorganização mental.

Não faz sentido nenhum condecorarar um tipo que teve uma atitude perfeitamente descabida há mais de vinte e cinco anos e que depois desse episódio nunca mais se soube dele…

Mas afinal, o que é que o homenzinho do bolo rei quer?

Alguém me consegue explicar?

Hoje tive uma manhã descansada…

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Na nossa vida temos tantas coisas para controlar.

E outras tantas em que nos sentimos controlados.

Uma verdadeira canseira.

Lentamente vou perdendo a capacidade de saber lidar com as situações que me exigem controle. Começo a falhar e não gosto nada disso. Sem querer começo a desistir de assumir o controle das situações. E não, não quero ser mal interpretado, não sou uma pessoa controladora no sentido de querer saber tudo ao pormenor. Então da vida das pessoas é que não sou mesmo. Não me parece que deva tentar controlar a vida de outras pessoas. Estou muito longe disso.

Aliás, a palavra controle é uma verdadeira cretinice. Ninguém controla ninguém, ponto. E quem me vier com a conversa contrária, eu ouço… mas não aturo… Por isso, a palavra controle não faz sentido. Pelo menos para mim. E, se por acaso, acho que a posso utilizar apenas gostaria de a aplicar em relação a mim. Sou o único ser humano que consigo controlar… ou pelo menos gosto de acreditar que sim, é possível controlar a minha existência. Sim, é possível…

Chegado aqui, tenho de substituir a palavra controle por outras palavras: atenção; perspicácia; vigilância; alerta; sensibilidade; cuidado… são todas palavras que me fazem sentir que a vida deve ser vivida em grupo e que é necessário saber lidar com as mais variadas formas de pensar e de estar…

Realmente, o raio das palavras fazem-me pensar assim mas… depois… é tudo muito cansativo…

Eu vivo em grupo… todos vivemos, não é verdade?… e cada grupo tem as suas manias… as suas especificidades… para ser mais comedido…

Enquanto vou ouvindo isto, vou pensando no meu grupo… o mais restrito… o de cá de casa…

Não é um grupo fácil! Cada elemento do grupo tem a sua personalidade. Nada de novo. E cada um tem as suas taras e manias. Também não estou a acrescentar nada de novo.

Então? Qual o problema?

Problema?

Porque é que tem sempre que existir um problema quando se fala de um assunto?

O meu grupo não tem problemas. Pelo menos daqueles problemas difíceis de resolver. É um grupo como tantos outros, que existem por esse mundo fora. Nem melhor, nem pior… É apenas mais um…

Então? Qual o problema?

Problema? Outra vez?

Apenas estou a abordar o meu grupo restrito.

Pronto, o meu grupo tem problemas de funcionamento. Como sou o mais velho, tenho direito a assumir que o primeiro de todos os problemas é meu. Por uma questão de hierarquia… Como sou o mais velho também já ando por esta vida há mais tempo a arranjar problemas. É normal que assim seja…

Quem tem um grupo, do mesmo género que o meu sabe que não é nada fácil viver dentro dele, em harmonia. As crianças exigem muito de nós. Elas existem… e não deixam espaço… e por vezes, a maioria das vezes, levam-nos ao desespero…

Se eu nasci para viver dentro de um grupo destes? Provavelmente não! Acredito mesmo que não fazia a mínima ideia do que me esperava. Aliás, acho mesmo que, antes, ninguém consegue imaginar naquilo em que se vai meter…

E depois pensar que eu tenho vida própria…

Antes do jantar…

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Enquanto o frango não acaba de assar e os cogumelos do monte ainda não estão salteados… a minha vida continua.

Desta vez com dores nas costas. Coisas da idade.

Uma pena!

Neste estado só consigo ver imagens. Diversos tipos de imagens. Umas mexem-se e outras não. As que se mexem fazem-me sentir ainda mais emperrado.

Uma pena!

Mesmo assim, não consigo deixar de as ver.

Há dois dias fez nove anos.

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Pois o tempo passa, não é verdade?

Para todos!

O meu tem voado… e cada vez mais sinto que devo fazer aquilo que me dá prazer. Mas nem sempre pode ser… por variadíssimas razões. Apesar de não ter dinheiro para fazer o mínimo dos mínimos de actividades que me dão gozo… consigo perceber que existem muitas outras para as quais não são necessários grandes meios. O problema está em conseguir manter um nível de lucidez e vontade minimamente decente e saudável. E acreditem que não é nada fácil encontrar o equilíbrio quando estamos atolados…

Adiante.

Isto tudo porque o blogue já está no ar há nove anos e eu cada vez menos… escrevo…

Não digo que seja uma pena para… quem o costuma visitar… mas gostava, mesmo, de ter disponiblidade mental para continuar a escrever.

Vamos ver.