Arquivo mensal: Março 2016

Disse um palavrão, no final do texto. Desculpem.

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Todos nós temos situações embaraçosas.

Eu já tive algumas. Aliás, farto-me de ter situações embaraçosas. Podia passar a noite toda a enumerá-las… mas também situações idiotas. Dessas, tenho muito mais. Não percebo porquê. Eu não sou idiota… mas acabo por me meter em situações perfeitamente idiotas… o diabo que venha e que perceba porquê.

Isto a propósito da minha última publicação no blogue.

Vim eu para aqui gabarolar-me das análises que fiz estarem todas boas… mas a história das análises tem muito que se lhe diga. Sim, porque não faz o meu género ir ao médico para fazer umas análises…

É verdade, eu fui lá por outra razão!

Uma razão perfeitamente válida e que, na altura, me pareceu que fazia todo o sentido.

Eu marquei uma consulta de clínica geral porque tinha um problema para resolver. Achava eu que tinha de arranjar/obter um atestado de robustez física.

Um atestado de robustez física? Para quê?

Pois, aí é que está o busílis da questão.

Como se aproxima o dia do cinco cinco (sim, é verdade, o cinco cinco ganhou uma importância desmesurada na minha vida…), eu meti na cabeça que precisava de um atestado de robustez física…

Outra vez a mesma conversa?

Sim, o raio do atestado era mesmo importante para mim (e eu sei que este tipo de linguagem é um pouco parecida com a da adolescente que tenho cá em casa em que tudo ganha uma importância desmedida…) e fui, a correr marcar a dita consulta de clínica geral.

Cheguei lá, com este ar de pai natal que não se pode, e dirigi-me à da menina da recepção. Confesso que os olhos ainda me caíram mais e fiquei com aquele ar de cão, amigo do dono e pronto para ir buscar tudo aquilo que me ordenassem…

Mas, assim de repente, não sei se vou conseguir uma consulta para hoje…

Pois, mas se conseguir, era fantástico… (fantástico é uma daquelas palavras que eu só consigo mesmo usar em casos extremos…) e… olhinhos de bambi…

Só tem uma consulta para a parte da tarde? Uhm…

Queria mesmo para agora? Perguntava a assistente operacional.

Pois… olhinhos de bambi…

Espere um pouco.

???

Acho que tenho uma vaguinha para o meio dia…

A sério? Isso era fantástico (segunda vez que utilizei a palavra… mas desta vez com a noção de que fui reconhecido…)

Muito obrigado, pela atenção e pelo cuidado, digo eu e dirijo-me para o local de espera, com o livrinho debaixo do braço (que faz parte de qualquer momento mais incerto…) e, como adoro salas de espera de hospitais e clínicas, lá abanquei o rabo numa bela cadeira, pronto para ver quem passa.

O tema do rabo sentado a ver quem passa dava para uma bela conversa…

Não é o caso. Estou a escrever por outros motivos…

Lá estava eu, acabadinho de sentar, e à espera que passasse alguém. Confesso, porque tenho mesmo de confessar o que é evidente, que fui a um hospital privado. Já foi tempo em que andava pelas urgências dos hospitais públicos, com as crianças nos braços, à espera de ser atendido. Também confesso que fui sempre muito bem atendido nesses hospitais mas agora, que as crianças estão criadas e não têm tido problemas de maior, as minhas idas aos hospitais são mais tranquilas. Por isso, quando lá vou, é porque não tenho mais que fazer…

Adiante que o sentido deste texto não é político.

Ia no ponto em que abanquei. O rabo. No banco.

Não é que seja um grande rabo. Não é. Mas é um rabo cinco cinco. De alguém que pousa o rabo num sítio e não quer ser perturbado até que o rabo esteja em condições de se voltar a mexer. Sou assim. Há quem goste de outras coisas. Eu gosto de alapar o rabo num banco de hospital sossegadamente. Detesto que me venham com tretas, do género: Senhor Rui Mendes Oliveira? O ponto de interrogação deixa-me nervoso. Põe em causa a minha existência. Só para começar! Então o médico ou a médica não percebe logo que existe um Rui Mendes Oliveira que está à espera de uma consulta? Para quê o ponto de interrogação? Eu existo! Estou com um rabo de cinco cinco alapado numa cadeira da sala de espera, caramba!

Se fosse princesa, e não uma contênsa que me põe tensa, ficava possessa!

Mas pronto, ou prontos, como diz a outra!

Lá respondi: Sim?

Faça favor!

Caramba. Ainda não tinha, sequer, conseguido meter o rabo de cinco cinco no sítio certo e a porta já estava aberta… à minha espera.

Pronto, vamos lá fazer um ponto da situação.

Eu lido muito bem com o meu rabo de cinco cinco. Ok, já teve melhores dias, eu sei, muito melhores dias, mas não me é muito difícil movimentá-lo no meio de uma sala de espera de um hospital.

Segundo ponto da situação.

Eu não sou um ser humano sexual.

Quer dizer. Eu sou sexual. E também sou humano mas não vivo para manifestações sexuais exarcebadas… (basicamente gosto daquilo mas não faço muito alarido…).

Ufa, que o raio do texto parece que nunca mais vai acabar!

E lá fui eu.

Bom dia, posso entrar?

Faça favor, sente-se.

Entrei, sentei-me e pus-me a observar o que me tinha calhado.

As coisas são mesmo assim. Acabamos sempre por tentar fazer uma ideia de quem está do outro lado e também acredito que a pessoa que está do outro lado pense exactamente a mesma coisa… ora vamos lá ver que passarinho me calhou…

A mim, calhou-me uma passarinha. Uma passarinha seis zero mas competente. Ora, então, o que o tráz por cá?

Eu. como sou um rouxinol, disse logo ao que vinha.

Venho cá por duas razões, senhora doutora (eu adoro doutoras) e a primeira é porque preciso de um atestado de robustez física.

Ai sim? E porquê?

Eu estranhei! Pus-me fino! Duas perguntas? Sem saber ler nem escrever? Hum…

Ora… porque tenho de renovar a carta de condução, digo eu…

Ah, então vou ter de lhe pedir a carta de condução e o seu cartão de cidadão.

Concerteza!

E lá fomos preenchendo os papeis (quer dizer, eu só ia respondendo…) até que me passa para a mão o dito atestado de robustez física.

Fiquei feliz!

É certo que tinha sido auscultado, pela frente e por trás, tossido e, finalmente, disse trinta e três, e por isso estava em plena forma física… mas tinha que explicar que a minha visita tinha outro motivo. Um segundo motivo.

Pelo sim, pelo não, achei conveniente referir que era um cinco cinco e, como tal, estava pronto para me submeter a uma verdadeira bateria de exames… qual comando pronto para tudo o que desse e viesse…

Ah!

E quando foi que fez as últimas análises?

Senhora doutora, foi quando fiz cinco zero.

Ah, pois, já foi há uns anitos.

Sim!

E lá me passou a requisição para ir fazer as benditas das análises.

E lá fui eu. Com o papel na mão e porque estava em jejum (sim, eu sempre confiei que o meu olhar de bambi que me ia trazer alegrias…) consegui tirar três tubos de sangue. Ok, poderia começar um outro texto sobre o facto do meu sangue ser de um vermelho como não há igual… mas esse texto seria uma outra conversa… e este, texto, já vai enorme…

O que eu queria mesmo dizer é que as análises foram feitas por causa do raio do atestado de robustez física e depois, quando fui tratar da papelada necessária para a renovação da carta de condução, descobri que, afinal, só vou precisar de renovar a filha da puta da carta quando fizer seis zero, tal e qual a idade da senhora doutora…

Segunda feira, vinte e oito de março de dois mil e dezasseis, e chove, chove muito.

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Hoje fui  levantar os resultados das análises que fiz na semana passada.

E porquê fazer análises? Nesta altura? A propósito de quê?

Porque vou fazer cinco cinco e a última vez que olhei para mim foi quando fiz cinco zero.

Já lá vão uns anitos, portanto.

Para já, vou continuar com esta ideia de ser de cinco em cinco… mas já estou a chegar a uma altura da minha vida em que não sei não…

Mas isso logo se verá!

O que me interessa hoje são os resultados dos cinco cinco.

E os resultados não podiam ser mais animadores.

Quero dizer: animadores à luz de um ignorante no que a análises diz respeito…

Vou ter que levar os resultados a um médico, como é evidente mas, passando os olhinhos pelos ditos cujos consegui perceber que não tenho um único fora da normalidade. E nem sequer andam perto do cimo e do baixo. Estão mesmo no meio.

Confesso que fiquei contente.

Não é que seja uma espécie de hipocondríaco disfarçado… porque não sou nem assumido nem disfarçado… mas não cuidava da saúde há muito tempo e sou completamente exagerado em certas coisas, digamos que gosto de comer e beber bem. Aprecio boa comida e o belo tinto, pronto, que se há-de fazer? Sou capaz de comer até não poder mais e de me fazer acompanhar plenamente de uma garrafa de tinto do Douro, a minha região preferida. O vinho tinto é uma descoberta recente. Quando praticava desporto, bebia leite às refeições… Sim, eu sei, é horrível mas era assim… Depois deixei-me de desportos e passei a beber outras coisas, muitas coisas, boas e espirituosas mas nunca me passou pela cabeça beber vinho tinto de uma forma regular…

Só por volta dos quarenta anos… vocação tardia… me despertou a vontade de começar a beber vinho tinto, talvez devido às mudanças que ocorreram na minha vida… passei a acrescentar o belo tinto às minhas amigas espirituosas… por assim dizer…

E assim se passaram quinze anos!

Sempre sem o mínimo cuidado. Acho que consegui atravessar aquela fase entre os quarenta e cinco e os cinquenta, em que muita boa gente fica esticada devido aos excessos e ao ritmo frenético, com muita vontade de viver. Claro que estas coisas devem deixar marcas, digo eu! Como ainda não as senti, comecei a achar que devia, pelo menos, saber o que quer que se passasse comigo. Confesso que pensei que poderia ter qualquer coisa avariada e que a minha vida iria ter de mudar. Se tinha de mudar, então que fosse aos cinco cinco. Sou rapaz de simbologias…

E chegamos aqui. Aos resultados vistos por um ignorante no que a análises diz respeito…

Mas, como o que conta são as primeiras impressões, é minha convicção de que a vida se faz caminhando… e por isso, hoje à noite, vou abrir uma garrafita de espumante e fazer tchim tchim que amanhã posso já não estar cá…

Número zero, de Umberto Eco. Comprado na quinta e acabado hoje.

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Um livro empolgante, de um escritor que dispensa apresentações! Este é um romance que não deixa ninguém indiferente à reflexão sobre os jornais e o jornalismo. Como cenário de fundo tem uma redacção de um jornal diário, que se está a constituir de modo apressado e por razões que menos se relacionam com o objectivo de preparar boa informação e mais respeitam à criação de uma «fachada» para servir interesses próprios. Neste caso, não os interesses dos jornalistas, poucos, relativamente mal pagos e com histórias de carreira onde o sucesso não tem tido lugar, mas sim os interesses de quem tem poder, dinheiro ou ambos. Poderá um órgão de comunicação social servir para ter os inimigos na mão e chegar aonde se quer? Um jornal que está a dar os primeiros passos muito tem para decidir. E esta obra de Umberto Eco torna-se, nesta vertente, numa espécie de «manual» de decisões onde a qualidade do produto final está mais arredada das preocupações do que seria desejável. Neste jornal, designado Amanhã, há espaço para criar notícias, reciclar notícias e encobrir notícias. Sendo esta uma obra de ficção, a leitura que pode ser feita do que lá se escreve vai além da boa leitura que a narrativa proporciona. Poder e jornalismo associam-se aqui a teorias da conspiração.

Dia oito de março de dois mil e dezasseis.

Sem título

Caramba, não me lembrei que hoje deveria ter feito um jantar especial…

Abri uma garrafa de maduro branco, geladinho.

Seguido de um caldo verde quentinho.

Como prato principal, umas pataniscas de bacalhau com tomate em azeite.

Acabamos com umas punhetas de bacalhau em azeite.

Também foi bonito.

Digo eu.

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Por vezes é melhor não abrirmos o embrulho.

Se o embrulho é bonito, porque é que temos de o abrir?

Quem é que nunca se arrependeu de mexer no embrulho?

Quem?

?

Pois é, todos nós já fomos tentados a desembrulhar uma coisa bonita e apetecível e depois ficamos a olhar para ela com cara de parvos.

Ainda agora me aconteceu.

Estava a ouvir música. Uma música daquelas que só as pessoas como eu gostam…

Não sei muito bem porquê mas o que é certo é que me apareceu o responsável… o responsável pela ocorrência…

E não foi bonito de se ver… tal era o nível de “bronquice” que o responsável emanava do seu belo corpinho…

Fiquei chocado. Não com o nível do “responsável” mas sim com o facto de eu ter gostado do produto que o personagem “amandou” cá para fora… Claro que tinha de reflectir acerca deste problema… e facilmente cheguei à conclusão (muito antiga e com muitas variantes) de que os artistas são todos muito criativos mas o que fazem de melhor (para além do seu trabalho) é estarem calados e sem vontade de esfregarem o amigo que começa por um É e acaba num Ó e, no meio, tem um G.

 

E amanhã?

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Hoje, o que está a dar, é vermos uma data de referências à mulher… Ele é na rede social da treta, ele é nos jornais, ele é nas televisões… É um ver se te avias… Até eu, pela manhãzinha, comecei com uma publicação alusiva ao dia internacional da mulher… ao que isto chegou! Não é que eu seja machista… mas se adivinhasse que ia levar com uma injecção deste calibre… não tinha publicado nada pois os outros encarregar-se-iam de o fazer. Também aceito que esta minha afirmação possa parecer um tanto ou quanto fatela… mas o que eu não aceito de bom grado é que ainda seja necessário estarmos a celebrar um dia dedicado à mulher, em pleno século vinte e um. Numa sociedade livre e justa tal não seria necessário pois as mulheres estariam em igualdade de circunstâncias. Bem sei que não vivemos, nem nunca iremos viver (pelo menos a mim não me vai tocar) na bendita da sociedade ideal e que por isso são estas pequenas “comemorações” que nos alertam para as realidades mas tenho a impressão que amanhã voltará tudo ao normal… É apenas um pressentimento meu!