Podia ter sido uma história. Podia. Mas tal, não foi possível!

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Muitas das vezes começo os textos que por aqui vou enfiando… com referências ao facto de me achar um ser humano à antiga portuguesa. Demasiadas vezes, até… e se me puser a pensar sobre o assunto, consigo chegar à conclusão de que é ridículo pensar assim. Pensar que sou feito de uma massa antiga e portuguesa… Nos tempos que correm não faz sentido pensar assim. O novo português está diferente. Nem melhor nem pior. Diferente. Não perceber esta diferença seria sinal de perfeito alheamento da realidade. E eu ainda não estou nesse estado mental…

Mesmo assim, entendo que não devo mudar algumas coisas. Não posso, nem devo, ser inflexível com as novas formas de estar no mundo. Mal seria de mim, com a profissão que tenho, que não conseguisse perceber essas novas posturas. Estaria internado, com toda a certeza (o que não é nada de especial para quem por cá anda…), a sofrer e a achar que a vida não valia a pena ser vivida. Mas, felizmente, consigo encontrar algum bom senso na minha cabeça para lidar com todo o tipo de situações. E nem sequer sou um superhomem… Agora imaginem se eu fosse mesmo um superhomem…

Isto tudo para dizer que gosto de lidar com todo o tipo de pessoas mas que não abdico de algumas ideias. Nem que chovam canivetes e eu esteja com vontade de cortar os pulsos.

Ok, se calhar, somos todos assim, ou não? As pessoas vão construíndo as suas ideias ao longo da vida. E eu, repito, tenho algumas ideias fixas. Também, repito, ao longo da minha vida fui construíndo um interface que me permitiu lidar com outro tipo de situações. Que me permitiu ficar chocado mas que me foi controlando a vontade de partir tudo… Construir este interface não foi fácil. Por vezes, ainda consigo confundir tudo e fico a achar que me tornei num ser insensível e que não quero saber daquilo que não esteja directamente ligado comigo. Depois, mexo nuns botõesinhos, para a esquerda e para a direita e a coisa vai ao sítio. É que, se estiver desorientado, com toda a certeza não vou conseguir resolver nada. Nem sequer vou conseguir perceber o que se passa. Por isso, ajuda, e muito, rodar os botõesinhos com toda a força, para o lado que for preciso e as vezes que forem necessárias.

E lá vou indo, cantando e rindo.

Que a vida são dois dias.

E, de vez em quando, surgem notícias que me deixam boquiaberto. E hoje até apareceu uma daquelas… de um ministro… mais umas bofetadas… enfim, uma perfeita cretinice para quem não tem mais nada que fazer. Estas cenas são boas para quem sofre de prisão de ventre e tem que se entreter com alguma coisa enquanto espera… Fico mais escandalizado quando me aparecem umas imagens de dois sujeitos, na televisão sem som, que surgem em situações de destaque (até sem som dá para perceber isso) e, quando aumento o volume, percebo que a notícia está relacionada com dois personagens da Polícia Judiciária que, alegadamente, estariam envolvidos em cenas pesadas, de tráfico de drogas, dinheiros e mais não sei o quê, nem me interessa.

Fico chocado. Não consigo tolerar que determinadas pessoas ultrapassem todos os limites inerentes às suas responsabilidades. Todas as pessoas, nas suas vidas e nas sua profissões cometem erros. Eu já cometi muitos e vou continuar a cometer erros, tenho a certeza disso mesmo porque ninguém é infalível. Mas não consigo perceber como é que pessoas que enveredam por uma profissão com as características de uma Polícia Judiciária consigam deitar para trás das costas todo um percurso e façam este tipo de coisas. Por dinheiro? Pelo poder? Nem quero saber.

São fracos!

Nos tempos actuais ou nos tempos antigos, são pessoas fracas.

Só vai para a Polícia Judiciária quem quer!

Com toda a certeza que as pessoas que decidem concorrer a um lugar na Polícia Judiciária sabem ao que vão. Eu saberia! E nem sequer digo isto com ironia. A Polícia Judiciária representa uma ideia de justiça que todas as sociedades modernas sentem que é necessário existir. Penso que é pacífico. É uma polícia que actua dentro dos padrões da lei. E eu estou à vontade porque defendo que as drogas não devem ser ilegais. O acesso e o consumo deveriam ser legalizados. O tráfico, e todos os problemas relacionados, acabariam se o esquema fosse legalizado. O enriquecimento ilícito, os roubos e a miséria humana dos dependentes acabariam. Estamos fartinhos de saber que é uma hipocrisia toda esta conversa da repressão. Quem quer vender, vende e ganha muito dinheiro. Quem quer consumir, consome e acaba a roubar para sustentar um vício imparável. Eu não sou, de maneira alguma, um especialista nestes problemas, mas percebo que a prevenção é a melhor aposta. E a prevenção pode-se fazer de muitas maneiras e feitios. Apesar de serem muito importantes, não basta gastar rios de dinheiro em campanhas de prevenção. É necessário que as nossas crianças cresçam saudáveis, com amor e com perspectivas de vida positivas. São elas que vão perpetuar as nossas memórias. Não somos nós, os mais velhos que corremos riscos de nos enfiarmos num mau caminho…(quer dizer, eu estou sempre pronto para um pedaço de mau caminho…) mas se, porventura, tal sucedesse seria de vontade própria e não fruto de um qualquer impulso…

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