Primeiro. Primeiro de muitas coisas. Tal como eu!

Já ninguém festeja o Primeiro de Maio. Pelo menos é essa a ideia que eu tenho. A malta nova não quer saber de nada disso. Eu até percebo. O Primeiro de Maio da minha altura era muito politizado e as pessoas levavam aquilo a peito. Foi uma época vivida em Portugal. Já lá vai. Hoje tudo parece normal. Parecem normais os salários pagos nos grandes hipermercados. Salários pagos à míngua, sem qualquer tipo de preocupação social. Sem quererem saber das vidas das pessoas que lá trabalham. Salários pagos pelo mínimo. Eu não consigo ter inveja de quem tem dinheiro. De quem consegue lutar pela sua empresa e tirar rendimento disso. Nem sequer consigo perceber as pessoas que são idiotas ao ponto de acharem que os patrões são todos iguais… uma treta que já deu frutos e que não é necessário relembrar… Também não é necessário relembrar aquela cambada de empregadores que achavam que todo o trabalhador estava ali para… sabotar… A coisa mudou. Eu quero acreditar que a coisa mudou. Quero acreditar que os papeis estão cada vez mais definidos. A empresa, o trabalhador e o patrão são um todo que deve caminhar num sentido, num único sentido e se um deles não estiver focado… vai tudo pelo cano abaixo.

Mas que raio de treta é esta? Vinda deste tipo, um funcionário público?

Sim, sou um funcionário público porque sou um professor e quem me paga no final do mês é o pai de nós todos… o Estado. Mas esse aspecto não me tira lucidez. Eu faço parte de uma camada da população portuguesa que presta serviço numa área fundamental para o país. Se há mais áreas fundamentais? Claro que sim. A saúde. A Justiça. A segurança. Tudo aquilo que o bom cidadão, pai de família (ia a dizer benfiquista… mas esses não são exemplo para ninguém…) que acha que essas áreas são obrigações fundamentais do Estado Português proporcionar aos seus cidadãos… mas que na hora de as pagar acha que é um exagero e que todos os funcionários públicos são uns chulos, cheios de mordomias. Foi uma palavra feia. Eu sei. Chamar chulo a alguém é pesado. Ouvir a “palabrinha” dirigida a quem de direito… ainda é mais pesado. E nem sequer é necessário vir com a desculpa de que há muita boa gente que é íntegra, honesta, e que existem muitos funcionários públicos que dão o seu melhor… mas… Bons funcionários existem em qualquer sector da vida portuguesa. Públicos ou privados!

Mas o discurso oficial não é esse. O discurso oficial é que o funcionalismo público é o causador de todos os males de Portugal. Ninguém tem dúvidas acerca desta ideia, pois não? Todos estamos lembrados do personagem que começou esta clivagem entre o privado e o público, certo? Um personagem menor que ainda não percebeu que o caminho da porta está mesmo à frente dos seus olhinhos cheios daquele nome que caracterizam as pessoas que não enxergam nada ao longe… O que é certo é que este personagem deve ter qualquer coisa de paranormal, porque levou as pessoas a acreditarem nele. Justiça lhe seja feita! Assim foi e a ideia ficou na mente do portuguesinho. Esse mesmo portuguesinho que é o primeiro a reclamar com a falta de pessoal e de serviços…

Felizmente não somos todos iguais. Há quem ache que o funcionalismo público é necessário. Eu também acho! Como também acho que não foi a despesa do Estado com os funcionários públicos que nos levou à bancarrota. Se pensarmos melhor no assunto, conseguimos perceber que muitas das despesas… que estamos a ter e a pagar se devem a roubos nos bancos ou má gestão bancária. Gestão feita por privados. Má gestão de privados que nos deixaram com dívidas privadas para todos pagarem. É normal? Não me parece! Como também não me parece normal que toda a população ache que isso é normal. E mais normal, para toda a população, é achar que a culpa disto tudo é dos funcionários públicos, que são uns privilegiados e só têm direitos…

Eu tenho uma vida de merda! Sou funcionário público, como já tinha referido, mas não tenho vantagem nenhuma nisso. As minhas expectativas foram completamente frustradas. Iniciei uma carreira docente com as perspectivas de subida como todos os outros. Endividei-me tendo em conta essa mesma subida de carreira. Logo a seguir foram cortadas as perspectivas de subida na carreira… mais ou menos em 2007… e as aventuras em que me meti (compra de casa) ficaram mais complicadas para pagar. Como não há uma sem duas nem três, os aumentos para os funcionários públicos deixaram de existir a partir de 2009… ou seja, até hoje, nunca mais fui aumentado! E agora vem o número três, o mágico. Como se não bastasse a não progressão na carreira, a falta de aumentos… ainda chegaram as taxas… aquelas pequenas importâncias que nos foram descontadas todos os meses para financiar qualquer coisa que ninguém percebeu… E no meio disto tudo, o que tínhamos todos de ouvir? Sim, lembram-se? Pois é, os funcionártios públicos é que eram os culpados da situação do país… Pelo facto do país estar na bancarrota…

Vou dizer uma asneira.

PUTA QUE OS PARIU!

Não é que eu tenha muitos problemas em dizer asneiras. Não tenho. Aliás gosto de as pronunciar quando deve ser e quando são merecidas mas, escrever um texto com asneiras… pode sempre ser interpretado como sendo proveniente de mais um qualquer funcionário público… sem qualquer pingo de atitude… um verdadeiro aproveitado do Estado português… e eu não gosto.

Pegando naquele pequeno trocadilho, aliás e há leões, gosto de mandar tudo para o caralho, mas quando me apetece.

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