Arquivo mensal: Julho 2018

Cá se fazem, cá se pagam!

É curioso.

Ouvir o PM a dizer autênticas barbaridades sobre os professores deixa-me nervoso. Com nervoso miudinho. Principalmente quando são barbaridades intencionais e, no caso, enganadoras.

Estou-me a referir às declarações do PM aquando do lançamento da obra do IP3, que afirmou que a referida obra foi uma opção do governo, em detrimento das actualizações das carreiras e vencimentos. Eu percebo que se façam opções mas acho lamentável que o PM se esqueça de referir que a opção de melhorar o IP3 está incluída, no que ao orçamento diz respeito, nas obras públicas que, por sua vez, são geridas pelo respectivo ministério e já lá estava a verba necessária para fazer a dita cuja da obra. Ora, o ministério da Educação tem o seu próprio orçamento e as verbas necessárias para actualizações e vencimentos não podem sair do ministério das obras públicas ou de outro qualquer…

Para além deste pequeno pormenor, o PM ao proferir palavras tão acirradas numa altura de conflito aberto com os professores, revelou falta de sensibilidade para lidar com o problema que tem entre mãos. Sim, tem um problema com os professores! e atirar gasolina para a fogueira… convenhamos… Tenho a certeza que ontem não houve um único professor deste país que não tenha ficado indignado com as afirmações ligeiras do principal responsável do governo português.

Estas afirmações são enganadoras e manipuladoras de uma opinião pública que já se encontra completamente intoxicada contra os professores e que me deixa com o tal nervoso miudinho. Os professores, à semelhança de outras classes profissionais que servem o estado português, são trabalhadores honestos, dedicados e merecedores do respeito devido a todas as profissões. Por muito que me esforce, continuo sem conseguir perceber toda esta raiva de que os professores são alvo. É altamente desmotivante!

Eu não me lembro do ano em que tive um aumento de remuneração, mas lembro-me que levei com uns cortes no ordenado e que me aplicaram umas taxas durante os anos da crise… Como também me lembro que congelaram as carreiras e as minhas perspectivas de vida andaram de cavalo para burro. Nada que preocupasse a sociedade portuguesa, muito pelo contrário, foram medidas amplamente aplaudidas… como se os professores fossem os culpados e os causadores do problema em que o país se encontrava. Como se os professores fossem os culpados do descalabro financeiro que os bancos portugueses criaram e que obrigaram a um desvio de verbas do estado para colmatar os buracos existentes. Essas verbas gigantescas que foram injectadas nos bancos deveriam ter sido destinadas a outros sectores da sociedade portuguesa. São os banqueiros e os reguladores do sector os verdadeiros responsáveis pelas dificuldades que o país atravessa e não os professores ou qualquer outra classe profissional que serve o estado português. Por acaso, mas só por acaso, alguém conhece algum banqueiro que tenha sido julgado e condenado pelas fraudes cometidas? Não, pois não? Tirando aquele velhinho, amigalhaço daquele personagem sinistro que se manteve na crista da onda durante trinta anos, não conheço mais nenhum e mesmo esse foi o único a levar com as culpas porque já estava com os pés para a cova e tanto fazia…

Não consigo perceber porquê…