O título é o menos importante.

Começo a olhar para trás. Não é por cima do ombro porque não devo nada a ninguém. É mesmo para o que ficou para trás. Do que vivi e não vivi. E é bom olhar para trás.

A minha vida é como tantas outras. Somos tantos, mas tantos que até me custa estar para aqui a escrever como se fosse o único ser humano neste raio de planeta. Não sou mesmo e mais vale continuar a escrever sem pensar nisso. É assim e pronto (na Póvoa de Varzim diz-se prontos, mas isso agora também não interessa nada) mais vale fazer de conta que este assunto não passa de um dogma. Sim, tal e qual aqueles que a igreja Católica Apostólica Romana nos foi impingindo ao longo destes séculos de existência DC.

Aliás, acho mesmo que todo o ser humano faz de conta que é único. Original e inigualável. Sem sombra de dúvida. Afinal andamos todos cá para isso. Para sermos reconhecidos pelos outros seres humanos. Quem não gosta de uma palmadinha nas costas? De um afago do ego? De uma relação sexual com direito a cigarro no final e a olhar para as estrelas? Quem? Pois é! Todos! E o mais incrível é que também vamos todos para o mesmo local aprazível. Independentemente da raça, credo, clube (claro que quem for do fêcêpê tem direito a um extra…) idade, do tipo de bigode, descontos de irs, tamanho daquilo, se o rabo é gostoso, nada disso interessa. Vamos mesmo para o espaço. O espaço é um termo fofo. Não chateia ninguém. Ninguém sabe o que se lá passa. Pode ser bom ou mau. Pode ser frio ou quentinho. Às vezes tem luz outras vezes é escuro. Pronto. É como nós quisermos pensar que seja. Portanto, fica ao critério de cada um. Se formos optimistas e com verdadeiro sentido positivista vamos achar que o espaço é realmente o local ideal para nós. Se não formos assim, positivistas, também não me interessa mesmo nada e quem for assim que se desenrasque porque eu não quero saber de pessoas negativistas…

Mas voltando ao início.

Olhar para trás nesta fase da minha vida é fantástico. Eu sei que muita gente odeia esta palavra, e eu estou incluído, mas não consigo encontrar outra. Tenho pena mas não consigo. Posso acrescentar que a cena fantástica é na minha cabeça e que, se calhar, mais ninguém vai ter paciência para tentar perceber este fenómeno fantástico… por isso a coisa fica entre nós.

Assim, de repente (na Póvoa escreve-se derrepente mas eu adoro a Póvoa de Varzim…) dá-me a nítida sensação que as pessoas vão achar que estamos na presença de mais um maluquinho, e eu adoro a palavra maluquinho tal como adoro a Póvoa de Varzim, que está a libertar os seus sentimentos, tal e qual um adolescente do final do século vinte… que vive os seus dias perfeitos a achar que o mundo é um local bem frequentado… E eu fui um desses adolescentes.

Nasci em 1961. Aquele ano que se lê de pernas para o ar ou da maneira normal e que dá sempre o mesmo… sim é um ano longínquo mas bonito e especial. Porquê? Porque eu nasci em 1961. Bem sei que nasci na companhia de muitos outros milhões de seres humanos mas, todos esses, não interessam ao menino Jesus ( na Póvoa diz-se Alfredo mas isso não interessa nada agora…) e por isso acho que sou um velhinho (como diz o meu fofinho colega de trabalho) que necessita de algum sheik especial, como eu.

E continuando a achar que a minha vida merece ser contada… fico a pensar que posso escrever sobre o assunto… um dia destes…

2 comentários a “O título é o menos importante.

  1. Luís

    Que dizer ?

    Ao contrário do ano em que nasceste, não tens a “maneira normal” só mesmo “de pernas pró ar”… sempre pensei que com a idade pudesses assentar os chispes na terra, mas, estava enganado e continuo. Que o Sr, te perdoe…

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