Quando a vida anda para trás.

Começar um texto com uma negação, seja ela qual for, não me parece o mais adequado mas, mesmo assim, não posso deixar de realçar que a minha vida não anda assim tanto para trás. Tenhamos saúde e boa disposição e tudo o mais são penars, como dizia o outro. Claro que em momentos menos bons todo o ser humano tem tendência para achar que a sua vida é um repositório de coisas más. Na realidade não será bem assim. Tendemos a exagerar. Principalmente quando as coisas correm mal com o nosso bem estar. E o que é o bem estar? Quando se leva uma vida modesta, como é o meu caso, em que os pequenos prazeres são feitos de pequenos nadas… que me vão deixando à tona… mas que se vão perdendo… e me deixam desesperado…

Caramba! Caramba! Caramba! É uma palavra que quase já não se usa e que pode passar por meio idiota, então repetida três vezes, mas… que traduz o meu estado de espírito! A de um perfeito idiota a olhar para a vida com os olhitos daquele boi que olha para um palácio, só que menos encorpado.

Por vezes tenho a nítida sensação de que continuo um verdadeiro adolescente, tardio, mas adolescente. Não consigo controlar as minhas emoções e vivo tudo na flor da pele. Levo sempre tudo muito a peito. Sinto tudo com muita intensidade e, obalhamedeus, já não há paciência para pessoas assim. Mas eu continuo um personagem de excessos. Se falo, falo em excesso. Se danço, danço em excesso. Se penso naquilo, penso em excesso. Se é para comer coisas boas, é para comer em excesso. Se bebo, bebo em excesso. Se me entrego, entrego-me em excesso. Qualquer dia morro. Não tem nada que saber. Dizem os cientistas que os exageros fazem mal. À saúde. Dizem eles. Que devemos ter cuidado, a partir de uma certa idade. Dizem eles. Que devemos ouvir o belo sheik dentro dos limites aconselhados. Aconselhados? E então as vibrações a mexerem com o corpo? Dizem eles. Se abrir uma cena escocesa tente não passar de metade. Metade? Ok. Mas para quê? Para ficar a meio? E depois? O devaneio? Onde é que ele vai parar?

Não gosto de pensar assim.

É uma coisa que me aborrece.

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