Arquivo mensal: Junho 2019

Nada de maminhas. O assunto é sério…

Nem vos digo, nem vos conto o que estou a fazer agora…

Pronto, não resisto!

Estou a pensar. É curioso, não é? Estar a pensar?

Mas sim, estou mesmo a pensar, na vida. No caso, na minha vida profissional.

Estar a pensar sobre o trabalho só é possível porque a actividade lectiva acabou. Não devia ser assim. Todos nós deveríamos ter tempo, durante todo o ano para pensarmos o nosso trabalho. Todas as profissões são complicadas, cada uma tem a sua especificidade e quero distância daquelas pessoas que se acham no direito de criticarem aquilo que desconhecem. Cada macaco no seu galho. Já todos nós ouvimos esta frase mas, na prática, o povo português gosta de meter o bedelho onde não é chamado.

Eu sou professor e limito-me a ter consciência da falta de tempo para pensar a minha profissão e fico boquiaberto quando vejo, ouço e leio verdadeiros artistas da bola a mandarem uns bitaites sobre a minha profissão e que, na grande maioria das vezes, desconhecem em absoluto como é que a coisa funciona… É triste, mas toda a gente gosta de dizer mal dos professores. Lá terão as suas razões… E não adianta nada alegar que as pessoas que criticam os professores desconhecem a realidade. As razões que levam as pessoas a pensarem assim e a dizerem o que dizem pela boca fora são como o brandy Constantino… a fama já vem de longe…

Reverter a imagem que os professores têm na sociedade portuguesa implicaria uma mudança radical dos actuais protagonistas. E quando estou a falar de protagonistas, refiro-me aos representantes sindicais dos professores. Os outros, os protagonistas do Ministério, limitam-se a cumprir o seu papel, de seguirem as estratégias traçadas há muitos anos. Com isto quero dizer que, esteja quem lá estiver a assinar papeis, o rumo não muda. Os dados foram lançados há muito tempo. Por incrível que pareça a odiosa Lurdes apareceu nas nossas vidas em 2005!!! Sim, passaram catorze anos. Catorze anos sem uma referência a alguma coisa positiva que tenha acontecido na vida profissional dos professores.

Quem espreitar aqui vai ficar com a impressão que a odiosa Lurdes só fez coisas boas. Falta acrescentar muita coisa e não vou ser eu quem o vai fazer… Mas foi no tempo da odiosa Lurdes, uma professora primária, com um doutoramento em sociologia, que exalava raiva contra a classe docente, vá-se lá perceber porquê… e que decidiu mudar todo o cenário.

Para os mais esquecidos, relembro que a odiosa Lurdes apareceu no tempo do engenheiro. Sim, esse mesmo. O que está a braços com a justiça portuguesa por causa de uma data de cenas relacionadas com uns guitos clandestinos… O engenheiro é um tipo a roçar o autoritário. Sempre se arrogou como sendo o detentor da verdade. E rodeou-se de alguns como ele. A odiosa Lurdes foi uma personagem sinistra que que pôs e dispôs do poder que lhe foi atribuído. E decidiu partir a loiça toda. A ideia de partir a loiça toda só se torna proveitosa quando se aplica a situações de corrupção, abuso de poder, mau funcionamento de um sistema, inércia, maus resultados obtidos ou em alguns estados de alma pantanosos… Ah, já me esquecia, e quando se acha que o dinheiro gasto com os professores é exagerado…

Vamos lá ver uma coisa, a reformulação de um qualquer sistema é necessária e desejável. O objectivo de uma reforma será sempre o de conseguir uma melhoria desse mesmo sistema, certo? O impacto social tem que ser positivo. As reformas devem ser pensadas e planificadas tendo em atenção todos os seus interlocutores. Um líder capaz é aquele que consegue levar para a mesa redonda das decisões todas as ideias que pairam sobre o que deve ser reformado, certo?

A odiosa Lurdes era o oposto!

Decidiu sempre de acordo com a sua ideia inicial!

Por muito bem intencionados que sejamos, e não era o caso da personagem, temos que ter a consciência que as nossas opções e ideias podem não ser a melhor solução e que devemos ouvir e pensar nas ideias divergentes para podermos decidir bem.

Não foi o caso!

A odiosa Lurdes fez tudo ao contrário e decidiu mal, muitas vezes mal.

A velha máxima: dividir para reinar. Nunca fez tanto sentido como nesta altura da vida recente do país. Aliás, esta ideia de incentivar os portugueses a virarem-se uns contra os outros começou nessa época e prolonga-se até aos dias de hoje, alargando-se a todo o universo da sociedade, com a diabolização da função pública dum lado e o dito empreendedorismo privado do outro. Simplesmente ridículo mas extremamente eficaz, na óptica dos decisores políticos.

Mas voltando atrás, à odiosa Lurdes, convém esclarecer que a palavra odiosa que escrevo sempre antes do nome da funcionária que serviu a causa pública, tal e qual como eu, não tem uma carga pessoal, bem pelo contrário, o ódio vinha da personagem para fora. Pessoalmente, a personagem era-me indiferente e nunca tive nenhum fetiche de cariz sexual nem seria nunca uma opção viável… Apenas fiquei surpreendido com a nomeação de uma incompetente para um cargo tão sensível como é o de ministro da educação. O engenheiro lá teria as suas razões… o que é estranho pois o homem até era bastante competente…

Vamos lá ver uma coisa. Erros todos nós cometemos, certo? A dimensão do erro e as suas consequências é que nos levam a reflectir e a julgar, pese embora a palavra julgar seja demasiado pesada para o comum dos mortais… mas, o que é certo é que a odiosa Lurdes saiu incólume da trapalhada que conseguiu arranjar no sector… e a imagem que conseguiu prevalecer na opinião pública foi a de uma verdadeira valentona, que conseguiu afrontar uma classe poderosa, montada no seu cavalo alado, qual Pégasus da mitologia grega, com a sua coragem e vontade de vencer…

O povo português vai ser sempre assim. Vai sempre acreditar, uma vez e outra, as vezes que forem necessárias, na canção do bandido. Já não bastava acreditarem no pai natal… no D. Sebastião… A odiosa Lurdes só fez asneira atrás de asneira e sai de cena em braços e aclamada…

As asneiras foram mais do que muitas. Desde a criação de uma nova “situação” na carreira docente, a dos professores titulares; a criação de um sistema de avaliação que não funcionava e que mais tarde teve que alterar para se conseguir aplicar; o congelamento das carreiras; as cotas nos escalões… e, qual cereja no topo do bolo, a politização das escolas.

Venha o diabo e escolha. Até pode vir a prima do diabo escolher que vai olhar para o conjunto e vai sentir dificuldade em escolher. Foi tudo tão mau que, muito francamente, se torna uma escolha extremamente difícil. No entanto, eu fiz a minha escolha. No meu entendimento, a pior mudança que a odiosa Lurdes conseguiu realizar foi a politização do funcionamento das escolas, que ainda hoje se mantém. E porquê esta escolha? Que aparentemente não mexe com os professores? Então, e a avaliação? As cotas? Eu percebo que todas essas medidas sejam o motivo maior para o descontentamento dos professores e que devessem ter sido alvo de uma discussão séria e assumida para se encontrar um novo estatuto da carreira docente. Sim porque esse sempre foi o principal objectivo, não assumido, da odiosa Lurdes que sempre achou que os professores ganhavam muito e trabalhavam pouco.

Se queriam rever o estatuto, deveriam ter sido frontais e sérios, no sentido de acautelarem a justiça na implementação das mudanças. Não o fizeram mas palpita-me que brevemente os actuais funcionários da causa pública irão voltar à carga…

Mas adiante.

Eu sei que não tenho aumentos há dez anos, que a minha vida andou para trás e que, tal como muitos outros, senti dificuldades financeiras devido aos cortes e às expectativas goradas e que nunca vou conseguir chegar ao topo da carreira. Já não sinto frustração quando penso nisso. Sinto até que estou resignado. O que eu não consigo aceitar é a politização das escolas. Não consigo aceitar a replicação de um sistema político para dentro de uma escola. Não consigo aceitar que em muitas das escolas deste país sejam eleitos os directores de acordo com a cor política das autarquias. Passaram demasiados anos até se conseguir arrancar os crucifixos das salas de aula! Uma escola deve ser um local onde todos poderão expressar as suas ideias sem se sentirem coagidos, pressionados ou perseguidos por um qualquer dos seus intervenientes. Vivemos num estado laico e é inconcebível, ainda para mais se tivermos presente a miserável classe política que temos, que os directores sejam eleitos por personagens sinistros que apenas se preocupam em assegurar o poder e os seus interesses.

Eu estou numa escola há vinte e cinco anos, mais coisa menos coisa, e atravessei as duas formas de eleição. Inicialmente eram os professores, funcionários e representantes dos alunos que elegiam o presidente do Executivo, como lhe chamávamos. Depois deixei de poder expressar a minha opinião pois o actual sistema de eleição não contempla o meu voto. Quer dizer, há um conselho geral que é eleito pelos professores que depois é o seu representante numa eleição da qual fazem parte as ditas forças vivas da cidade… uma treta, no fundo, pois as forças vivas são nomeadas pelo poder local e, como tal, são todos da mesma cor. Na minha escola nunca houve atritos de cariz político, desde sempre e justiça seja feita, mas sei de muitas outras em que as pessoas são hostilizadas por serem de outra cor política. Se perdermos um pouco mais de tempo com o assunto também percebemos que as actuais candidaturas ao cargo de director são sempre condicionadas pelo apoio das autarquias e que, se esse apoio não for abertamente declarado, nem vale a pena concorrer, nem que seja o concorrente mais qualificado do país… quem vai ganhar é o outro…

E quem é que começou isto tudo? Quem? A odiosa Lurdes, claro está!

(To be continued)

12 anos de frustração! Sim, 12 anos!

Não sei quem é o autor. É uma das milhentas fotografias que nos chegam sem sabermos muito bem como…

Começar um texto com um título daqueles e depois aparecer uma imagem destas…vai dar a ideia que a minha frustração é de natureza sexual… Não é. A fotografia de cariz sexual faz parte deste blogue pessoal. Apenas isso. Apesar de que ultimamente nem escrevo, nem publico fotografias. Uma tristeza, digamos assim. O que me vai valendo é o belo sheik

Quem se der ao trabalho de carregar no link do sheik vai perceber que vai aterrar no Burning Man, neste caso de 2018. E é aí que tudo começa, porque era lá que eu gostaria de ter estado, a dançar como se não houvesse amanhã. Sim, eu adoro estas festas e sim, eu adoro dançar. Também sei que já não tenho vinte anos e que já não trepo pelas paredes… foi um tempo bonito da minha vida. Mas continuo a achar um piadão a estas festas, a estes ambientes… e a pensar que também poderia lá estar, numa versão mais slow motion, digamos assim… mas a divertir-me.

Mas isso agora, não interessa nada.

Não é por isso que ando frustrado há doze anos.

As razões são outras.

Já pensaram que, alguma vez na vossa vida, fizeram a escolha errada? E que essa escolha teve consequências pesadas para a vossa vida? Do género: arrependimento total? Daquele género de arrependimento que quase sai da pele, de dentro do corpo, e nos faz querer dizer: puta que pariu que eu não nasci para isto? Já? Pois bem me parecia. Tal e qual eu!

Eu não nasci para levar a vida que levo. E não tem a ver com o facto de ter uma família. A minha família, eu adoro, e não trocaria por nada. Tem a ver com a minha vida profissional. Sinto que estou atolado, até ao pescoço. Sinto que não foi nada disto que eu perspectivei quando decidi ser professor. Eu não fui para professor com a ideia de me tornar milionário. Tomei a decisão de apostar nesta profissão porque sou uma pessoa expansiva, com conhecimentos e, acima de tudo, com a certeza de que poderia acrescentar alguma coisa positiva aos seres humanos que estariam à minha frente numa qualquer sala de aula. Esta pode ser uma visão meio apalermada daquilo que eu penso e estou consciente de corro o risco de ser mal interpretado por algum ser humano mais retorcido mas, não quero saber, literalmente. Não sou hipócrita ao ponto de não assumir que esta profissão deveria ser bem paga. Deveria ser bem paga, mesmo. É, também, uma profissão que deveria ter reconhecimento social. O reconhecimento social não se traduz por palmadinhas nas costas e reverências irracionais. Não é nada disso que os professores procuram. Os professores não são mais do que os outros seres humanos. Gostam de ser reconhecidos pelo papel que desempenham numa sociedade. É normal que não gostem de ser insultados, agredidos ou humilhados. Ninguém gosta! Qual é a dúvida?

Professor é um ser humano normal, gosta de coisas normais. Como estas! Certo? Consequentemente, necessariamente…

Agora, depois do devaneio, vem a parte em que eu me queixo, a sério, destes políticos portugueses, que decidem a vida das pessoas deste país e que, na maioria das vezes, decidem mal, muito mal, com consequências nefastas para o futuro das outras gerações…porque a deles está mais do que assegurada. Sim, esta cambada de profissionais da política, arruinou os recursos existentes em proveito próprio. Digam-me um, digam-me um… político que esteve na esfera do poder e que, actualmente, esteja a passar dificuldades… Não encontram nenhum, pois não? Bem me parecia! Esta cambada de personagens que se apoderou dos centros de decisão, após o dia da liberdade, não estava minimamente preparada e… as mordomias estavam mesmo ali… à mão… vai daí… deram cabo disto tudo. Mas esses são outros quinhentos!

Focando, novamente, na ideia inicial.

Escola.

Professores.

Alunos.

Operacionais educativos.

Não necessariamente por esta ordem.

Uma comunidade educativa nunca é igual a outra. Cada uma tem as suas características. Para o bem e para o mal. É difícil perceber isto? As regras absolutas que nos impingem desvirtuam o objectivo inicial. Eu gosto da minha escola. Gosto das “características” dos alunos que por lá pairam. Mas estou cansado. Eles, os alunos, não têm culpa do meu cansaço. Eu também não. É o peso dos anos numa profissão. Os alunos são tão diferentes e os professores são tão iguais ao que eram.

É tão difícil perceber esta nova dinâmica.

E o que é que os iluminados decidem?

Burocratizar.

Sim, burocratizar.

Sistematizar tudo aquilo que não deve ser sistematizado.

A anulação do factor humano é o objectivo.

A quantificação é o valor supremo…

Enfim, essa seria a razão inicial destas palavras mas até nisso eu acho que não me devo alongar porque estou farto da conversa da treta…

Pronto, não me apetece escrever mais nada.

Porque estou cansado e amanhã tenho aulas de apoio para exame e não consigo arranjar mais energia para continuar com o raio do texto da… frustração…

Fiquem bem. Ouçam o belo do sheik. Façam aquilo que até os bichinhos gostam de fazer e sejam felizes com elas, eles, misturados ou não…

Ah,

E digam lá se não são umas belas mamas?

Eu gostei…